Everything Is Changed
22 O que você foi fazer?
Notas iniciais
As imagens deixaram a todos desconcertados e aterrorizados. Ver Lúcia machucada e sendo quase torturada daquela maneira era uma cena que eu tinha certeza que jamais esqueceria. Minha mãe nem terminou de assistir o vídeo que os malditos sequestradores tinham mandado, saiu chorando na metade, acompanhada por Susana. Estela permaneceu do meu lado, assim como Arthur, mas ambos pareciam não acreditar que aquilo estava acontecendo.
Era a primeira “notícia” que tínhamos dela desde quando desapareceu. Junto ao pendrive, foi deixado um bilhete, que nenhum de nós tinha aberto ainda. Sem dizer nada, mas com os olhos transbordando raiva e desespero, o pai de Estela abriu o bilhete e ficou vermelho de raiva à medida que lia o conteúdo.
— FILHO DA PUTA! – gritou quando terminou.
— Pai! – intercedeu Estela, temerosa, pois nunca vimos Arthur perder a compostura daquela maneira – O que está escrito?
— Querem que...eles deram apenas uma condição para libertar a Lúcia. E não é dinheiro.
Esperamos que ele continuasse, mas Arthur simplesmente sentou no sofá, afastado de nós e colocou as mãos na cabeça, completamente perdido e desolado.
— Quando eu ver esse desgraçado do James, vou matá-lo eu mesmo. – murmurou o homem.
— Pai, o que eles pediram? – disse Estela, com uma expressão de pavor.
— Eles...deram como condição...que...nós entregássemos...você, filha.
— SÓ POR CIMA DO MEU CADÁVER! – eu me meti, cheio de raiva.
Estela sentou, ignorando nós dois, parecendo perdida em pensamentos. Eu me sentei ao seu lado e tentei abraça-la, mas a morena se distanciou de mim, o que me magoou, embora eu entendesse que ela estava passando por um conflito interno, já que amava Lúcia como se fosse sua irmã.
— Acha que eu vou deixar isso acontecer, moleque? – continuou Arthur, ainda fervendo de raiva. — Minha filha é meu bem mais precioso. Não vou deixar que encostem em um fio de cabelo dela sequer.
Assenti, apavorado com a possibilidade de eles terem Estela. De repente, um lampejo de preocupação passou pela minha cabeça: se nós havíamos recebido o maldito pendrive com o bilhete, havia uma grande chance de...
— PODEM ME EXPLICAR QUE PALHAÇADA VOCÊS ESTÃO FAZENDO QUE AINDA NÃO TROCARAM A MINHA FILHA POR ESSA ABERRAÇÃO QUE É A SUA FILHA, CAMBRIDGE? – gritou meu pai, invadindo nosso apartamento, seguido por Edmundo, que tentava acalmá-lo.
— NÃO OUSE NUNCA MAIS FALAR DA MINHA FILHA DESSE JEITO, PEVENSIE! – retrucou Arthur, pegando meu pai pelo colarinho, com os olhos verdes brilhando perigosamente. – VOCÊ NÃO TEM ESSE DIREITO. E EU JAMAIS ENTREGAREI MINHA FILHA ASSIM, SEM MAIS NEM MENOS. SE VOCÊ ACHA QUE É SIMPLESMENTE ISSO, NÃO FAZ IDEIA DO QUE É SER PAI!
— ESCUTE AQUI, CAMBRIDGE... – começou meu pai, novamente.
— JÁ CHEGA! – ouvimos minha mãe, do alto da escada – VOCÊS PARECEM QUE VOLTARAM AO COLEGIAL. VOCÊ, ARTHUR, E PHILLIP. ACHAM QUE RESOLVEMOS ALGO DESSA FORMA? ENQUANTO BRIGAM COMO ADOLESCENTES, LÚCIA ESTÁ PRESA LÁ! ENTÃO PAREM DE AGIR DE FORMA RIDÍCULA.
Os dois finalmente se soltaram, embora ainda trocassem olhares de puro ódio. Edmundo me encarava com um olhar culpado, como quem pede desculpas. Apenas assenti para ele, pois não era a hora de brigar. Precisávamos nos unir. Minha mãe tinha toda a razão, enquanto ficássemos brigando entre nós, eles se aproveitavam de minha irmã e faziam mal a ela.
O silêncio foi interrompido pelos soluços de Estela, que não conseguiu se conter e atravessou a sala correndo, indo em direção à porta. Levantei-me para ir atrás dela.
— Filha... – começou Arthur.
— Espere. – pedi – Eu converso com ela. Acho que posso tentar acalmá-la, melhor. Volto logo.
Segui para o apartamento dela, onde Paul e Mikayla encaravam a escada, confusos. Pelo visto tinham presenciado Estela entrar chorando, algo que não era comum dela, e haviam se assustado.
— O que aconteceu? – perguntou Mikayla – Nunca vi a Estela tão desesperada.
Suspirei.
— É uma longa história. – disse – Só vou ver como ela está e já desço para contar a vocês.
— O Elliot está lá com ela. – informou Paul, antes que eu subisse.
Encarei-o, confuso. Como assim, Elliot?
— A Estela ainda não te contou, certo? – ele questionou e eu neguei, ainda mais confuso – O Elliot e a Estela são irmãos.
Sentei-me no sofá, atônito. O que estava acontecendo aqui?
— Ela não nos contou, antes, Pedro, antes que pense isso. – justificou Mikayla – Nós acabamos descobrindo sem querer há algum tempo, por meio da mãe da Estela. Mas ela nos implorou para deixar ela contar. Por isso já sabemos.
Respirei fundo. Desde quando Estela sabia disso? E por que não me contou antes? Qual motivo haveria para esconder algo de mim?
Antes que eu pudesse falar mais alguma coisa, Elliot desceu, com a expressão sombria.
— Acho melhor você ir vê-la. – falou.
Sem encará-lo, passei por ele e subi as escadas, indo em direção ao quarto da minha noiva. Tinha muitas perguntas, mas antes que eu pudesse perguntar alguma coisa, encontrei-a encolhida na cama, ainda chorando baixinho. Vê-la tão vulnerável tirou tudo da minha cabeça e a única coisa que fiz foi abraça-la, tentando transmitir, calma.
— A culpa é toda minha. – ela murmurou –Tudo isso é por minha causa.
— Shh. Você não pode pensar assim. É o que eles querem, meu amor.
— Mas é a verdade, Pedro.
— Não é. Estela, escute. Vamos encontrar uma maneira de encontrar Lúcia e salvá-la. Você não é a culpada pela loucura de outras pessoas, entenda isso, por favor.
Ela se separou de mim e olhou nos meus olhos. Por alguns segundos, tudo desapareceu, como sempre acontecia quando ela me olhava assim, com os olhos verdes mais maravilhosos do mundo. Ela acariciou meu rosto.
— Eu te amo muito, sabe disso, certo? – ela declarou.
Eu sorri. – Sei bem, minha Nutella. Assim como eu te amo.
Ela assentiu e respirou fundo, beijando-me em seguida. Correspondi ao seu beijo na hora, sentindo sua boca ávida contra a minha, buscando cada vez mais contato. Fiquei confuso, mas correspondi com a mesma intensidade e senti seus dedos na barra da minha camiseta. Estela passou a beijar meu pescoço e eu suspirei, pois era um ponto extremamente vulnerável.
Estela tirou minha blusa e arranhou meu peito, com os olhos transmitindo desejo e algo mais que eu não consegui identificar. Fiz o mesmo com ela, beijando seu colo e segurando seu seio, ainda coberto pelo sutiã de renda. A morena suspirava, arranhando minhas costas. Tirei aquela peça e chupei seu seio, aproveitando, também o calor do vale entre eles.
Estela empurrou meu corpo para trás, deitando-se sobre mim e já tentando tirar minha calça. Ajudei a tirei a dela, também, com pressa. Inverti nossas posições, ficando por cima dela, enquanto ela gemia e puxava-me cada vez para mais perto dela. Penetrei-a com cuidado, mas ela jogou seu corpo contra o meu, ávida, e eu não consegui mais me controlar.
Nossos movimentos eram rápidos e sincronizados, ambos completamente entregues à nossa paixão, que nos consumia. Não demorou para chegarmos ao ápice, e eu saí de dentro dela, deitando ao seu lado e puxando-a para meu peito.
Não falamos nada, apenas desfrutamos o nosso momento de loucura e paz, como há muito não fazíamos. Não demorou para cairmos no sono, enquanto eu fazia carinho em sua cabeça. Por algumas horas, permiti ter sossego ao lado da minha mulher.
— ~ -
Acordei sabe-se lá quanto tempo depois, encontrando a cama vazia ao meu lado. Procurei Estela no banheiro, mas ela não estava lá. Uma sensação ruim me atingiu, mas deixei-a para lá. Ela deve ter ido tomar algo na cozinha, pensei.
Desci as escadas e fiquei meio incomodado com o silêncio. Procurei em todos os cantos do apartamento, e nada de Estela, o que estava começando a me preocupar. Enquanto eu tentava ligar para o celular dela, que dava caixa postal, Mikayla e Paul chegaram, com os rostos suados e preocupados.
— O que houve? – perguntei.
— Estávamos instalando uma escuta em um restaurante da família Lancaster e alguém nos viu. – explicou Paul – Por pouco não nos pegaram.
— A Estela estava com vocês? – perguntei.
— Não. Não a vimos desde que ela subiu chorando. – respondeu Mikayla.
Sem dizer nada, fui para o meu apartamento, onde encontrei Susana e minha mãe sentadas no sofá, conversando baixinho e acariciando a barriga da minha irmã, a Arthur falando ao celular.
— Vocês viram a Estela? – questionei às duas, que negaram com a cabeça.
Fiquei verdadeiramente preocupado, e comecei a roer minhas unhas. De repente, o interfone do apartamento tocou, e minha irmã foi logo atender.
— Alô? – disse Susana – Uma garota ruiva?...Como é o nome dela?...AH MEU DEUS, É A LÚCIA!
Ao ouvir isso, descemos todos correndo, pelas escadas mesmo. Ao chegarmos no térreo, exaustos e tontos, encontramos minha irmã mais nova sentada no sofá, com uma marca roxa na bochecha e o vestido esfarrapado. Minha mãe e Susana correram pra abraça-la. Eu também o fiz, mas pensando: Estela, o que você foi fazer?
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