Everything
3 Cinco Anos?
Notas iniciais
Fico muito feliz com os reviews, e abradeço a todos que estão acompanhando, principalmente aos que os mandaram.
Para todos(as) que esperavam algo relacionado à Supernatural, sinto-lhe informar que nem conheço a série, só procurei saber por causa de um review, mas ainda sim espero que gostem da fic.
Abraços e boa leitura.
Quinn
Cinco anos? CINCO ANOS! Como assim havia passado tanto tempo? Onde eu estava afinal?
Olho para o lado e vejo Rachel dormir tranquila, uma luz fraca entra pela janela, está quase amanhecendo, e não consigo parar de pensar em quanto tempo se passou e o que ele fez com ela. Agora ela dorme tranquila, mas quando acordada, e às vezes durante o sono, sinto e percebo sua inquietação, sua dor...
“Ah Rachel, o que eu fiz?”. Pergunto enquanto tento segurar as lágrimas.
Quando a luz do sol já atingia o quarto completamente, Rachel se mexe, despertando, a observo com um sorriso bobo, pois ela é linda, mas quando seus olhos se abrem, meu sorriso morre, pois a única coisa que há neles é o vazio e a dor.
Ela se levanta e começa a se arrumar para iniciar o dia, mas seus movimentos são de uma estranheza tão grande que me assustam, até que percebo que ela parece fazer tudo no automático, então pergunto.
“Onde está sua espontaneidade, sua alegria ao começar um novo dia?”.
–--
Todos os dias era a mesma coisa. Ela levanta, toma banho, come uma fruta, às vezes almoça, vai ao cemitério, onde passa a tarde, volta para casa, janta, toma banho e chora até dormir.
Todos os dias a acompanhava durante o dia, e a noite lhe abraçava enquanto chorávamos de dor e saudades.
O estranho parece ter sumido, provavelmente desistiu do seu plano maluco.
Vejo Rachel acordar e levantar, da mesma forma que nos outros dias.
Ela entra no banheiro e fico ali, divagando sobre tudo o que vejo nela. Rachel se perdeu, mas como? Onde foi parar toda aquela força, determinação e coragem? Onde está minha Rachel?
“Morreu com você.”.
Olho para a porta esperando ver Rachel, e me deparo com o estranho. Ele parece cansado ao me dizer essas palavras.
Abaixo a cabeça ao sentir o peso da realidade que as palavras dele têm e pergunto baixinho.
“Como aconteceu?”.
Ele me olha confuso e eu tento expressar melhor minha pergunta.
“Digo, como aconteceu tudo isso com ela depois que eu morri? Rachel sempre foi uma mulher extremamente teimosa e confiante, o que houve nesse tempo?”.
Antes que ele responda ela sai do banheiro, completamente vestida, e ao que parece pronta para o dia. E com um suspiro cansado ela diz.
“Vamos amor, Santana e Brit virão para o almoço, temos que preparar algo que não faça a latina resmungar mais que o normal.”
Ela diz com um sorriso triste enquanto segura o pingente de uma corrente em seu pescoço. Ao soltar vejo que é a minha corrente, com o crucifixo que eu usava. Encarar isso me atinge como um soco no estômago, e incrédula digo.
“Deus! Rachel é judia!”.
Percebendo que estou sozinha no quarto, decido ir atrás dela, que de acordo com a frase anterior, estaria na cozinha fazendo almoço para Santana e Brit...
“O QUE!? SANTANTA? MAS ELA ODEIA RACHEL!”.
Grito do meio da escada, agora totalmente perdida em como algo tão bizarro poderia acontecer.
Ao chegar na cozinha vejo Rachel agir ainda no automático, o que me preocupa e intriga mais a cada minuto. Como isso aconteceu? É a pergunta que não sai da minha cabeça.
Sou interrompida dos meus devaneios pelo som da campainha.
Rachel vai abrir a porta e a sigo para tentar entender o que está acontecendo aqui. Quando ela se afasta da porta, posso ver uma Santana ainda com seu olhar de bich, mas há uma sombra de tristeza neles, como se estar aqui lhe doesse. Mas é Brittany quem mais me assusta, seus olhos, antes alegres e que transmitiam a mais pura inocência e tranquilidade, agora estão tristes e preocupados.
As duas dão um abraço apertado em Rachel e agora posso ver a preocupação nos olhos da latina, preocupação essa direcionada a Rachel, que fica clara quando diz.
“Você não parece bem Berry. Tem se alimentado direito pelo menos?”.
Ao que Brittany completa também preocupada.
“É verdade Rach, você está muito magra. Tem mesmo comido bem?”.
Rachel sorri triste e responde.
“Sim meninas, tenho comido e dormido. Estou recuperando peso ainda, mas lhes garanto que tenho me alimentado. Agora vamos pra cozinha terminar o almoço? Estou mesmo contente que estejam aqui.”.
Mesmo sem que o sorriso atinja seus olhos, é claro para minhas amigas, que as palavras e o pequeno sorriso de Rachel são sinceros, o que as deixa um pouco aliviadas e seguem para a cozinha.
Vendo a interação delas, percebo que Rachel ainda tem amigos aqui, o que é um pouco reconfortante, afinal, ela não está totalmente sozinha.
Durante o almoço elas conversam banalidades, o que descontrai o clima sempre tão pesado na casa. Brittany conta empolgada sobre os animais do abrigo onde trabalha e Santana comenta com Rachel que precisa se preparar para as aulas que começam em breve.
“Como assim aulas? Abrigo de animais? Elas moram em Lima?”.
Me distraio da conversa delas por um instante ao pensar nessas perguntas, que são bruscamente respondidas pelo sujeito que ainda não sei o nome.
“Nenhuma delas saiu de Lima. Santana e sua amada dão aulas no colégio em que vocês estudaram. E Brittany, como você percebeu, trabalha no abrigo de animais de Lima.”.
O olho tentando processar a informação. E quando me dou conta do que disse, pergunto rapidamente.
“Rachel dando aulas no colégio? Mas e Nova York? Broadway?”.
“E Santana queria ser advogada, como assim ela dá aulas no colégio?”.
Ele respira fundo e quando vai responder ouço a voz exaltada de Santana, o que me faz virar imediatamente em direção a elas.
“Você tem que parar de ir lá! Toda vez é isso Rachel! Você vai até lá, chora até desmaiar, volta para casa, finge ter uma vida e começa tudo de novo. Se continuar assim, vai perder tudo de novo! Do mesmo jeito que perdeu seu lugar em NYADA!”.
A latina vomita as palavras para uma Rachel encolhida em sua cadeira, chorando baixinho, até que Brittany grita.
“Santana!”.
Minha amiga latina parece perceber o que estava fazendo, e para olhando assustada de Brit para Rachel, tenta se aproximar da morena sentada, mas esta se encolhe com medo. Então a latina diz baixinho enquanto se afasta, indo em direção à porta da entrada.
“Me desculpe Rachel, eu perdi o controle... Mas é que te ver assim também dói, pois você está viva, mas age como um zumbi, uma sombra e isso é triste. Não é só você que sente falta da Q.”.
Com a saída de Santana, Brittany se aproxima de Rachel e a envolve em um abraço gentil, tentando confortar a mulher que eu amo, e diz baixinho.
“Não liga pra Sant, Rachel. Ela só está preocupada com você. Somos suas amigas e queremos te ver bem, ok?”.
Rachel assente, enquanto tenta controlar o choro. Após alguns minutos ela consegue dizer em um sussurro.
“Eu agradeço por tudo o que vocês fazem e fizeram por mim Brittany, mas Santana está certa. E-eu... não sei o que fazer. Tudo dói Brit, nada mais faz sentido... Sinto tanta falta dela.”.
E com isso Rachel cai novamente no choro, acompanhada por Brittany. Eu que não aguentava mais ver aquela cena, saio sem rumo pra fora da casa e acabo me deparando com Santana Lopez sentada nos degraus da escada da varanda, chorando.
Sento ao seu lado, passando os braços por seus ombros e choro também. Ver a dor das pessoas que eu mais amo me dói mais que poderia imaginar.
“Desculpa S. Me desculpa, eu não sabia, jamais iria imaginar uma vida assim para qualquer uma de vocês. E vê-las assim me dói tanto.”.
Choro abraçada a ela o que parecem ser horas. Até que Brit chega e se senta do outro lado de Santana, que a puxa para o abraço e diz.
“Me desculpe B, perdi o controle ao ver que ela não está melhorando.”
Brit asente e Santana respira fundo para perguntar.
“Como ela está?”.
Ainda com a cabeça encostada no ombro da latina, a mulher de olhos azuis responde.
“Dormindo. Lhe dei um chá e a pus na cama. Disse para que ela descansasse, pois a noite iríamos ao Breadstix. Ela relutou por um tempo, mas acabou concordando.”.
“É isso que me mata Brit, essa não é a Rachel que conhecemos. Ela tinha tudo o que queria, passou em NYADA, estava a caminho dos seus sonhos, até que Q morre e ela desaba de um modo que ninguém esperava ou imaginava. Mesmo que obrigada, ela foi para a faculdade, fez as matérias básicas e voltou. Porque Brit? Para ser professora de literatura em um colégio no fim do mundo? Abandonar seus sonhos e se deixar morrer a cada dia que passa? Ela desistiu de tudo, mas por quê?”.
“Por amor Sant.”. Responde Brittany, simples.
Santana a olha com curiosidade e ela continua.
“Todos sabemos o quanto ela amava Q, era claro pra quem quisesse ver, e sem Quinn, ela parece ter perdido o rumo, sua razão de viver, de lutar por algo.”.
“Então porque ela não disse a Q o que sentia? Porque continuou com aquela ideia estúpida de casamento?”.
“Rachel acreditava que Finn era sua única opção, que Quinn jamais entenderia o que ela sente. Além de que Rachel só aceitou o que realmente sentia depois que Q se foi.”.
Diz Brittany séria. A latina concorda com a cabeça e pergunta.
“Mas desistir de seus sonhos Brit? Porquê ela fez isso? Não entendo.”.
Brittany sorri e se afasta um pouco, para encarar os olhos da latina e responder.
“Não mesmo Sant? Você fez o mesmo que Rachel, por mim.”.
Santana a olha sem entender, ganhando um selinho de Brit, que continua.
“Quando eu não consegui ser aprovada em nenhuma faculdade, você se sacrificou para ficar comigo. Se matriculou em Ohio, fez matérias básicas e voltou, por mim. Como assim você não entende o que Rachel fez?”.
“Mas Q está mor...”. Santana começa, mas é rapidamente interrompida por Brittany que continua com uma seriedade que nunca vi em minha amiga.
“Q está morta, eu sei. E por isso mesmo Rachel voltou, pois Lima era tudo o que restava de Q pra ela. Eu entendo o que Rach sente. Ela perdeu sua inspiração. Porquê iria rumo aos seus sonhos se a pessoa que ela queria ao seu lado, não poderia está lá, nem como amiga?”.
Santana parece compreender o que sua namorada diz e sussurra tristemente, com o que parece ser medo da resposta.
“E o que acontece com ela agora Brit?”.
Brittany coloca sua cabeça mais uma vez no ombro da latina e deixa a pergunta no ar. Nenhuma delas tem coragem de verbalizar seus pensamentos, nem eu o faria, por medo deles se tornarem realidade.
Algum tempo depois elas vão embora, me deixando sentada na escada olhando para o nada, com a cabeça em tudo o que tem acontecido.
“Sua amiga é muito sensível. Isso é um dom raro.”.
Não me assusto mais com as aparições deste estranho, e sem olhar pra ele digo cansada.
“Brit sempre foi a mais esperta, pelo menos quando se tratava de pessoas e sentimentos.”
Respiro fundo antes de continuar, e olho nos olhos do estranho.
“Gostaria de ter percebido tudo o que ela disse antes que as coisas acabassem desse jeito. Queria fazer as coisas certas pra variar.”.
Olho mais uma vez para longe e continuo.
“Entendi em parte o que houve com elas, mas onde estão os pais de Rachel? Tenho certeza que eles fariam bem a ela. Rach poderia estar melhor com eles por perto. O que houve? E como a amizade delas surgiu?”.
Ele se senta do meu lado e responde com suavidade.
“Os pais dela sofreram um acidente de avião, alguns meses depois que ela voltou pra Lima. Estavam em uma viagem de férias, para a qual tentaram levar sua amada, mas ela se recusou.”
Ele suspira cansado e continua.
“Santana e Brittany souberam do ocorrido, e sabendo por tudo pelo qual ela havia sofrido com sua morte, resolveram se aproximar.”.
“Foi aí que se tornaram amigas?”. Pergunto agora olhando para sua fisionomia cansada.
“Foi aí que deu tudo errado.”. Assusto com suas palavras, mas antes que eu diga qualquer coisa ele continua.
“A pequena, que não comia direito desde sua morte, ficou ainda pior com a morte dos pais, até que um dia, foi encontrada desmaiada no cemitério.”. Meus olhos se enchem de lágrimas enquanto ele continua.
“Santana a encontrou, quase morta por hipotermia. Desde então suas amigas são presenças constantes na vida da outra. E este assunto não era trazido à tona desde então, mas ver o estado de sua amada afetou sua amiga, por isso ela explodiu daquele jeito.”
Ele olha nos meus olhos e diz com um meio sorriso.
“Sua amada tem amigos valiosos ao seu lado, mas eles não são suficientes para reerguê-la. Entende isso Fabray? Entende o que ela perdeu?”.
Olho novamente para frente, evitando seus olhos e respondo chorando.
“Sim. Rachel não perdeu a mim ou aos seus sonhos. Ela se perdeu na dor e no sofrimento por não ter quem ama ao seu lado, e agora é apenas uma sobrevivente. Se afundou de tal forma nas sombras, que o amor de seus amigos não pode mais fazê-la brilhar. Rachel não tem pelo que seguir em frente.”.
Levanto meus olhos para encarar os dele e pergunto.
“Quando ela se perdeu?”.
Ele me olha com o que parece ser raiva e dor, e responde gélido.
“Quando você desistiu.”.
Me assusto com suas palavras e pergunto sem entender.
“O quê? Quando foi que eu desisti dela?”.
Ele se levanta furioso e diz mais frio ainda.
“Quando não lhe disse o que sentia, quando pela primeira vez em sua vida, foi covarde o suficiente para não lutar. Lutar por ela.”.
Me levanto e grito furiosa.
“Eu lutei por ela! Só Deus sabe quantas vezes eu lhe disse para não se casar com aquele imbecil! Que isso condenaria sua vida!”.
Ele se aproxima e diz com uma voz calma e sofrida.
“E em qual momento destes você disse o porquê dela não poder se casar com ele? Que eu me lembre, em nenhum deles você se quer tentou lhe dizer que era pelo que você sente, ou perdi algo?”.
Me espanto com suas palavras e recuo por saber que ele está certo. Eu nunca disse que a amava, mas ainda tento me justificar.
“Desistir e deixar ir são coisas completamente diferentes. E quando lhe perguntei se ele a fazia feliz, ela disse que sim. E ali eu percebi que eu a tinha perdido.”
Ele me olha com pesar e responde suave.
“Sábias palavras Fabray, mas você viu, nos olhos dela, a verdade na resposta que ela lhe deu? Viu seu olhar firme e determinado? Diga-me, o que você viu no olhar dela?”.
Penso por um instante até que percebo a burrada que fiz.
“Oh meu Deus! Ela estava implorando por uma resposta. Uma resposta minha. Seus olhos eram pura dor e expectativa. O que foi que eu fiz?”.
Olho para ele em súplica, mas seu olhar rapidamente fica alerta e antes que eu consiga perguntar algo ouvimos o grito de Rachel.
“QUINN!!!”.
Subo correndo as escadas e quando chego no quarto, Rachel está chorando, sentada na cama. A abraço, e mesmo sabendo que ela não sente o calor do que um dia foi meu corpo, ela relaxa um pouco. Vejo pelo canto dos olhos que ele está parado próximo à janela, ansioso, e, talvez, triste.
As horas passam, e enquanto ela procura se distrair com um filme bobo na televisão eu fico deitada ao seu lado, tentando fazer com que se acalme. Até que o telefone toca e vendo na tela que é o número de Brittany, atende tentando soar alegre.
“Oi Brit.”
“Sim, nós vamos.”
Ela faz uma cara triste e responde.
“Dormi um pouco, acordei há algum tempo e estava vendo algo na TV.”.
Mordo o lábio para impedir as lágrimas enquanto ela responde para em seguida desligar.
“Sim, já vou me arrumar. Nos encontramos lá então? Ok, beijos.”.
Ela suspira cansada e se levanta para tomar banho e se arrumar. Enquanto fico ali sentada na cama, mais uma vez divagando sobre tudo o que está acontecendo. Sobre o que se tornou a mulher radiante e cheia de energia que era Rachel.
Desço para a sala e observo as fotos espalhadas por ali. Fotos de uma Rachel sorridente com os pais e colegas do Glee, mas uma me chama atenção. A foto do anuário, a única ali em que estamos próximas, e percebo que estou olhando pra ela. Como não percebi antes? Talvez ali já a amasse.
“Eu gostei do que você fez por esta foto. Foi ver a cherrio poderosa enfrentando Sue pelo coral da escola. Foi impagável ver toda sua força e determinação por uma foto. Que você sabia significar tanto para sua amada.”.
Ele diz com um sorriso saudoso, do qual compartilho, pois era verdade e agora eu percebo.
“Ela estava radiante por tirar a foto. Foi lindo de se ver o quanto ela estava empolgada.”
Um barulho nas escadas nos faz virar e nos deparar com a sombra que se tornou a pessoa daquela foto, e nosso sorriso morre instantaneamente.
A acompanho até o Breadstix, sentada ao seu lado no carro. Nada de músicas, nem no rádio e muito menos em sua voz. O que me faz lembrar que ela dá aulas de literatura!
“Porque Rach?”. Pergunto triste.
“Lembra amor, das nossas aulas de literatura? Apesar de sempre discordarmos de alguns pontos literários, era a minha aula favorita, pois era com você.”.
Vejo a sombra de um sorriso passar por seus lábios, e assim tenho a resposta a minha pergunta. Depois de um instante outra pergunta se forma em minha cabeça e antes que eu a pronuncie ele responde.
“Ela não pode te ver ou ouvir, não se iluda. Mas ela de alguma forma te sente, afinal suas almas estão unidas.”.
Chegamos ao Breadstix e vejo Brittany acenar para Rachel, que parece um pouco melhor e acena de volta enquanto se aproxima.
Santana ainda parece receosa, e sei que ela se sente culpada pelo que houve antes, mas minha Rachel aparece por um momento, e abraça forte a latina, que fica imediatamente estática, até que relaxa e corresponde.
Brittany sorri feliz por ver como as coisas estão e puxa as duas pelas mãos em direção a uma mesa.
Elas fazem seus pedidos e começam a conversar sobre o começo do ano letivo. E assim descubro que Santana dá aulas de História, Mr Shue largou o Glee Club, que depois de tanta coisa, deixou de existir e Sue ainda está lá, é claro, mas pelo que entendo da conversa, muito diferente de antes. Até que o assunto Finn é trazido à tona por um comentário de Brittany, deixando Rachel levemente desconfortável.
“Eu o vi essa semana, parecia bem, mas não me comprimentou.” Diz Brit tristonha, ao que Santana prontamente responde, enquanto abraço a loira.
“Ele é um imbecil, deixou isso claro quando grosseiramente insistiu em casar com você Rachel. E sei que ele só parou quando você gritou um alto e bom não, seguido de um tapa naquilo que ele chama de cara, bem no meio da sala do Glee. Adorei aquela cena. Hahaha”.
Rachel sorri um pouco com o comentário de Santana e logo elas estão falando de outras coisas.
Elas se despedem com abraços e Rachel parece realmente bem depois de tantos dias. O que me alegra um pouco, principalmente quando ela resolve ligar o rádio. Mexo no cd, que por sorte era do Glee, até que ouço a música que ficou na minha cabeça desde que saímos da casa dela. Sorrio ao ver que ela se lembra também, e entre lágrimas ela canta baixinho.
“Que saudades da sua voz Rach.”. Digo saudosa enquanto ouço a voz que tanto amo.
Smile, though your heart is aching
Smile, even though it's breaking
When there are clouds in the sky
You'll get by...
If you smile
Through your pain and sorrow,
Smile and maybe tomorrow
You'll see the sun come shine through, for you
Light up your face with gladness
Hide every trace of sadness
Although a tear may be ever so near
That's the time you must keep on trying
Smile, what's the use of crying?
You'll find that life is still worthwhile
If you'll just smile.
That's the time you must keep on trying
Smile, what's the use of crying
You'll find that life is still worthwhile
If you'll just smile.
Smile, though your heart is aching
Smile, even though it's breaking
When there are clouds in the sky
You'll get by...
That's the time you must keep on trying
Smile, what's the use of crying?
You'll find that life is still worthwhile
If you'll just Smile.
You'll find that life is still worthwhile
If you'll just Smile.
Smile.
Chegamos na casa dela, ela pega a foto do anuário e fica dançando com ela pela sala, ouvindo novamente a música que tocava no carro. Dou uma gargalhada feliz por ver um pouco da minha Rachel ali. Percebo que ele a olha incrédulo, e com isso digo sorrindo.
“Ela não é adorável? Estava sentindo falta da sua alegria contagiante e espontaneidade.”
Ele concorda com a cabeça enquanto sorri para a cena mais linda que pude presenciar desde que cheguei aqui.
Quando a música acaba ela se senta na poltrona, com a foto no colo e com lágrimas diz chorosa.
“Fui a última pessoa a lhe ver com vida, e você me sorria tão linda e tranquila. Se soubesse que seria seu último sorriso teria lhe dito o quanto a amo... Mas sabe, não me arrependo de naquele momento ter lhe entregue, silenciosamente, meu coração”.
Desvio o olhar amoroso que dava a Rachel, para encarar o rapaz do outro lado da sala, a princípio perplexa, mas quando ele me olha culpado, levando furiosa e grito enquanto o seguro pela camisa.
“Porque não me disse isso?! Ela me viu morrer seu bastardo! Ela estava lá sem saber que seria a última vez. Como permitiu que isso acontecesse? Como permitiu que ela me entregasse sua alma quando eu estava partindo? COMO?!”.
Ele fica estático com minha explosão e o solto para voltar até Rachel e passar os braços ao redor da mulher que amo, que voltou a chorar enquanto a música começa a tocar novamente.
“Sinto muito por isso, mas ela não poderia estar em outro lugar. A verdade é que você não deveria ter morrido, foi algo totalmente fora de controle e...”.
“Me faça voltar!”.
O interrompo, ele me olha assustado e balbucia.
“O q... O que?”.
Me ajoelho de frente a ela enquanto olho em seus olhos tristes e chorosos e digo com mais convicção.
“Eu lhe entrego tudo o que quiser se puder me fazer voltar a consertar as coisas pra ela.” Penso por um instante e continuo.
“Pra todas elas.”.
Ele se recupera e diz sério.
“Você é uma pessoa religiosa Quinn, oferecer sua alma não é algo tão fácil assim e você não precisa decidir isso agora...”.
Sua declaração me deixa furiosa, então grito em resposta.
“Nenhuma religião me impediria de fazer tudo por ela!”.
Ele se assusta um pouco e diz.
“Ainda há alguns dias para pensar Fabray, realmente não precisa ser agora.”.
Abraço Rachel fortemente mais uma vez enquanto olho diretamente para o rapaz e digo firme.
“Decidi isso no momento em que me propôs. Ver o choro e a dor dela dias atrás foi o suficiente. Estou lhe informando agora, pois não poderia ficar aqui, ver a mulher que amo morrer aos poucos, e esperar até que chegue o dia em que não haverá mais volta. Nunca houve dúvida ou hesitação sobre o que eu faria para fazê-la feliz, então quanto antes voltarmos, mais cedo posso apagar as lembranças desde lugar triste e fazer o sorriso dela se iluminar mais uma vez.”
Ele me sorri gentil e pergunta.
“Você não quer saber o que houve com os outros antes de tomar uma decisão?”.
Me levanto e lhe digo gélida enquanto caminho em sua direção.
“Você não ouviu o que eu disse? Não preciso ver mais nada, aquela mulher é razão suficiente para eu fazer qualquer coisa.” Digo apontando para uma Rachel adormecida na poltrona da sala.
“Eu a amaria mesmo que esta fosse sua realidade inevitável, mas se posso fazer algo para trazer minha Rachel de volta, então eu farei.”.
Ele me sorri mais uma vez e fazendo uma reverência diz.
“É uma honra vê-la novamente Quinn Fabray. Tenho certeza que não haveria outra pessoa capaz de arriscar tudo por ela.”.
Reviro os olhos para sua gracinha e ele continua.
“Quer se despedir? Mesmo que dê tudo errado, esta realidade não mais acontecerá para ela.”.
Faço que sim com a cabeça e vou em direção a Rachel, que ressona tranquila na poltrona, ainda com a foto em seu colo. Acaricio seu rosto enquanto digo suave, deixando as lágrimas correm livremente.
“Até logo meu amor. Prometo que arrumarei todo para que mesmo na minha falta, você tenha muitos motivos para sorrir.”.
Lhe dou um beijo na testa e ela sorri no sonho. E ali, tenho mais uma vez certeza que por ela tudo valeria a pena.
Vou em direção a ele, que me estende a mão sorrindo gentil. Me viro em direção a ela antes de pegar a mão que ele me oferece. E quando tudo começa a brilhar e cegar minha visão, sussurro.
“Eu te amo Rachel, e prometo não deixar que se perca novamente.”.
Então tudo é branco e antes de acordar alguém me diz baixinho.
“A propósito, meu nome é Charlie.”.
Notas finais
http://www.youtube.com/watch?v=hJFiMPYjnmw
Espero sinceramente não decepcionar nenhum de vocês com o texto ou o rumo da história. Desde já agradeço a leitura.
Abraços
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