Notas iniciais
N, essa fic n foi abandonada :'D Perdão pelos erros, e aproveitem a leitura ♥

Pip não tinha certeza de quanto tempo fazia que se encontrava no inferno, não era fácil contar os dias quando não se tinha sol e lua para orientar, talvez já fizessem dias, talvez semanas ou meses, realmente não sabia dizer. Mas por todo aquele tempo ficou com Damien, convivendo todas as horas que não jamais teve oportunidade em vida, eles comiam, conversavam, e dormiam na mesma cama – não nesse sentido, por favor! – tão naturalmente que muitas vezes era como se nada de errado estivesse acontecendo, parecia que aquela situação não estava sendo tratada com a estranheza que deveria ser. O tempo passava muito mais rápido do que nunca pensou que passasse no submundo, porém isso não importava nem um pouco, não era como se o loiro agora tivesse compromissos, deveres ou um tempo de vida limitado...

Ao menos o britânico já podia dizer que conhecia Damien, pois jamais imaginou que o anticristo cozinhasse razoavelmente bem, mesmo com o exagero na pimenta e as vezes queimando a comida... Bem, ao menos tentava, o loiro tinha vontade de rir de algumas falhas tentativas, mas não ousaria. Ele também gostava muito de livros, uma estante repleta deles no quarto denunciava esse gosto, e sem falar em como bebia café, mesmo não necessitando dessa bebida para se manter acordado, notava frequentemente... Eram tantos pequenos detalhe, alguns que talvez sem importância, mas que faziam de Damien não apenas o filho do mal, o príncipe do apocalipse, e sim curiosamente mais humano, de um jeito bom, claro.

Mesmo que, aparentemente, ser alguém humano não era tão memorável, não para um demônio.

Nesse tempo, obviamente, Damien não ficou o tempo todo dentro do apartamento e Pip descobriu que existia uma espécie de cidade no inferno. O anticristo possuía certas obrigações... Como carrasco. O loiro não havia entendido muito bem como aquilo funcionava, mas sabia que cada um dos representantes dos pecados capitais também eram carrascos, quase sempre acompanhava Damien, pois o mesmo não confiava em deixar Pip sozinho em um prédio onde quase todos o queriam morto e facilmente usariam o loiro como chantagem, mas nunca passado de uma certa porta. Mais precisamente, quase tudo no inferno era administrado por um complexo de escritórios bastante semelhantes aos do mundo humano, e o anticristo, que também era o representante da ira, tinha suas funções assim como um tipo de sala/escritório.

E Pip se encontrava nessa sala naquele exato momento, um ambiente de decoração simples de cores escuras e sem janelas, e logo atrás de uma mesa de escritório a porta por onde nunca havia passado, pois Damien sempre pedia que ele não fizesse isso. Se o loiro tinha vontade de descobrir o que de tão obscuro tinha ali? Óbvio que tinha, mas, por mais inacreditável isso pudesse parecer, preferia ficar sentando naquele confortável sofá negro tentando se distrair com um livro, ao abrir aquela porta e enxergar qualquer coisa que, algo em sua mente avisava, talvez não fosse gostar tanto assim de ver.

Aquela sala era o único lugar em que o tempo parecia nunca passar, o relógio na parede demorava uma eternidade para mudar as horas, e o único local em que se sentia muito pouco a vontade, comparado a outros.
Fazia pouco menos de quinze minutos que estava sozinho, o relógio confirmava isso, mesmo que sentisse que não haviam passado nem três. O livro de capa de couro em suas mãos era uma coleção de contos e estórias curtas de Edgar Allan Poe, um livro de linguagem num tanto difícil que não o ajudava a passar o tempo mais rápido, sem falar que Pip não estava particularmente com vontade de lê-lo. O calor era um incomodo que não conseguia ignorar e, certamente, as roupas de cores escuras que usava no momento também não ajudavam em nada. As suas roupas normais estavam inutilizáveis desde o primeiro dia que morreu, o sangue não sairia e o rasgo na frente era feio demais para que ficasse usando por ai.

Geralmente Damien não demorava muito tempo, mesmo que os minutos passassem terrivelmente lentos, e naquele dia não seria diferente...

~ DIP ~

No momento Damien encarava um lugar visto de cima, que lembrava uma arena como as do mundo humano na época da Roma Antiga, porém muito maior do que nenhum imperador jamais sonhou em construir. Nessa arena ficavam as almas, de homens e mulheres, em que os maiores pecados cometidos em vida tiveram a ira como o maior ou principal fator, os seres humanos costumavam ter muitas atitudes erradas em momentos de extrema raiva. Milhares de almas naquele ambiente, que "matavam" com as próprias mãos para não serem "mortos" por algum outro, a maioria havia enlouquecido, pois não importava quantas vezes "morressem", sempre voltavam para o meio da carnificina. Existiam outros fatores que tornavam a arena tão desagradável, fora a matança eterna, no inferno os mortos sentiam que possuíam todas as necessidades fisiológicas de quando estavam vivos, isso incluía fome e sede, como se ainda estivessem respirando, e a única coisa comestível era carne e sangue.

Uma visão terrível, repugnante e aterrorizante aos olhos da maioria dos seres humanos.

Mais precisamente, o local que o anticristo observava tudo era sentado com um ar de desinteresse um dos assentos de pedra que davam vista panorâmica para a matança e para parte do céu avermelhado, no meio dos mais altos. Havia pensado naquele castigo eterno quando tinha mais ou menos seis anos de idade, e já não se orgulhava mais tanto daquilo quanto a alguns anos atrás, mesmo que, com certa frequência, precisava ver se tudo estava nos conformes. Afinal, era um dos seus poucos trabalhos, pelo menos no inferno.

E era preferível que Pip não soubesse, com detalhes, daquela sua obrigação...

Damien levantou-se do assento de pedra e espreguiçou as costas antes de caminhar, com as mãos enfiadas nos bolsos do largo moletom preto que usava no momento, até uma porta localizada no último dos andares, que ficava de pé sem nenhum tipo de apoio, uma porta que na realidade era um portal dos tipos mais discretos. Depois de subir até o último degrau parou na frente da porta, alguns centímetros a frente tudo que existia era um queda que parecia der infinita, como se aquela arena tivesse sido construído em cima de uma montanha. O anticristo pegou a maçaneta, girou e puxou a porta para dentro, assim que passou por ela se viu dentro do escritório em que havia deixado Pip, poucos minutos atrás, que sorriu assim que o viu, e Damien nunca pensou que um sorriso pudesse lhe deixar tão... Tranquilo?

— Vamos? – Perguntou, mesmo sabendo a resposta.

— Claro. – O loiro respondeu ainda sorridente, e levantou-se do sofá indo até o outro.

Talvez Pip realmente estivesse o deixando mais humano como seu pai falou uma vez, porém, aquilo importava tanto assim no momento? Ao sair da sala, se depararam com um corredor longo, que se estendia para ambas as direções com portas intercaladas e numerações entre quinhentos e noventa e nove até a seiscentos e vinte e cinco, a sua sala era a seiscentos e sete. Andando quase lado a lado, desceram cada vez mais os números até o elevador no final do corredor, onde Damien pressionou o botão para descer ao lado das portas de metal, que não tardou para chegar naquele andar e, para o alívio do anticristo, estava vazio. No momento se encontravam no vigésimo quarto andar de vinte e cinco andares, ao apertar o botão que indicada o último andar as portas metálicas se fecharam silenciosamente e o elevador começou a se mover.

Tudo ocorreu perfeitamente bem, com somente a música de fundo quebrando o silêncio, pelo menos até o décimo quarto andar, onde o elevador parou e abriu as postas para permitir a passagem de quem quer que tivesse o chamado. Mas, de todos os milhares de pequenos e grandes demônios existentes no inferno, por que diabos tinha que ser logo ele?

Se Daeriit havia tentado lhe matar duas ou três vezes, Invemon deveria ter uma contagem pelo menos dez vezes maior, o que, na verdade, não era uma atitude tão inesperada vinda do representante da inveja.

É como muitos humanos dizem por ai, a inveja mata.

Invemon abriu um estranho sorriso num tanto suspeito e nada agradável ao vê-los, revelando a arcada dentária repleta de dentes mortalmente afiados e pontudos, e entrou no elevador. Ele continuava usando aquela roupa estupidamente elegante, pelo menos na opinião de Damien, que consistia em um terno preto e cinza sem nada realmente chamativo. Porém, a presença dele por si só já era chamativa e intimidadora o suficiente, junto do cabelo perfeitamente penteado para trás, que o deixava com um falso ar de responsável e dele ser bastante alto, pouco mais de uma cabeça maior que o anticristo e ter uma aparência mais adulta, fato que não o filho do mal deixava nenhum pouco satisfeito.

— Então é verdade que você voltou. – O representante da inveja comentou poucos segundos depois que o elevador voltou a descer, dando uma olhada indiferente para Pip. – E isso também é verdade...

Pip permaneceu em silêncio, mas o anticristo conseguia sentir o quanto ele estava inquieto com a presença do outro.

— Assim como nada disso é da sua conta.

Tudo que Damien desejava no momento era esmagar a cabeça daquele maldito contra a parede, mas ainda não poderia.

— Isso foi bem grosseiro da sua parte. – Falou enquanto enfiava uma mão no bolso e usava as portas do elevador como encosto.

— Eu não gosto muito que fiquem se metendo na minha vida. – Damien revirou os olhos, visivelmente irritado.

— Ninguém gosta. – Invemon concordou, mas ainda naquele tom falso. – Mas no seu caso, isso é inevitável.

— Eu tenho certeza que, na verdade, vocês que deveriam procurar o que fazer.

— Senti o tapa. – O demônio falou com um pequeno sorriso e uma leve ponta de ironia no tom de voz.

— Ótimo, essa era a intenção. – O anticristo permitiu-se dar um sorriso debochado.

O silêncio reinou por breves segundos antes de uma resposta:

— Se eu fosse você não sorriria assim, dessa vez eu não sou o único que te quer morto.

— Caralho, como eu estou preocupado. – Retrucou sarcasticamente, mantendo o sorriso.

— Sem falar que agora... – Invemon olhou para Pip por uns segundos, antes de se desencostar das portas metálicas. – você tem uma fraqueza um tanto humana.

Damien calou-se, desmanchou o sorriso e virou a cabeça para Pip, vendo o loiro visivelmente nervoso e assustado, ele havia entendido perfeitamente o que o demônio quis dizer. Nesse tempo o elevador parou no último andar, o térreo, e o representante da inveja se virou para sair, porém sem não antes soltar mais uma ameaça muito bem disfarçada de provocação, e anticristo voltou a encara-lo, com uma expressão tomada pela raiva, quase rosnando.

— Você deveria tomar mais cuidado, primo.

Após aquelas palavras, pensou seriamente em matar Invemon ali mesmo, mas, além de preferir que Pip não lhe visse arrancando as entranhas de alguém, dificilmente mataria qualquer demônio usando um método tão violento, não quando, cedo ou tarde, eles sempre voltavam.

Existia uma ou mais maneiras de matar aquele maldito, Damien ainda não poderia, mas isso não o impedia de xinga-lo deliberadamente.

— E você deveria ir se foder.

Notas finais
Um feedback, pvfr? ;u;