Everybody hates Pip

5 Apenas mais um dia


Notas iniciais
~nunca atualizei tão rápido na minha vida :v~

Pip novamente seguia a sua rotina de ir a pé para o colégio, as naquele dia algo estava diferente. O loiro não sabia o motivo de estar tão apressado e ancioso para chegar em um lugar onde todos o odiavam e desprezavam, onde quase todo dia roubavam o seu dinheiro e o batiam... mas Pip estava apresado para ver Damien. O pequeno britânico tirou a conclusão de que se aquela pessoa não o batia ou coisas do tipo, além de ter de ter falado em voz alta que não o odiava, claramente significava que ele era seu amigo, certo? Talvez não, mas por enquanto Pip preferia pensar daquela forma, fazia muito –muito– tempo que o loiro não conversava com alguém sem ser agredido, que sentava com outra pessoa no almoço e que alguém não o odiava.

Será que aquilo era ter um amigo? Pip não sabia, mas gostava de acreditar que sim.

O dia estava normal, não havia nada digno de atenção. Pip já estava mais ou menos na metade do caminho para o colégio e só. Bem, quase isso, mais a frente o loiro avistou um dos pontos de ônibus em que o ônibus do colégio passava e nele estava Damien com sua roupa preta e chamativa no meio de uma paisagem com tanta neve. O loiro apressou o passo e quando estava a alguns metros o outro garoto notou a sua presença.

–Oi Pip.

–Oi. –Pip parou ao lado de Damien.

–Uhn, parece que o seu olho está melhor.

–É verdade, obrigada por se preocupar. –Sorriu.

–Não por isso. –Deu os ombros.

–Hey Damien, eu posso fazer uma pergunta?

–Você já fez. –Damien se divertiu vendo Pip ficar envergonhado. –Tudo bem, fala logo.

–Er, você ainda vai se sentar comigo no almoço? –Pip se escondeu atrás da franja e brincou com o quarto botão do sobretudo. –Quero dizer, ontem eu...

–Ei, não fique desse jeito por causa de ontem. –Interrompeu o loiro. –E sim, é muito melhor sentar com você do que com aqueles babacas.

–Mas eu não tenho amigos.

–Bem, eu sinceramente não ligo.

–Me-mesmo assim, se você conversar comigo todo mundo vai te odiar por um longo tempo!

–Não me importo com o que babacas vão pensar se mim.

–Não são apenas Cartman, Stan, Kyle e Kenny. –Pip falou baixo. –Todo mundo me odeia.

Damien encarou o pequeno britânico por algum tempo.

–Isso não é um pouco exagerado?

–Eu gostaria que fosse. –Sussurrou. –Eu gostaria muito.

Ambos os garotos ficaram em silencio até que Pip viu o ônibus escolar ao longe na rua e percebeu o quanto estava tarde.

–Eu já vou indo, nos encontramos no colégio Damien.

–Mas Pip, o ônibus já esta chegando. –Falou apontando na direção do automóvel.

–Eu sei, mas a motorista não me deixa entrar lá.

–Ela o que?!

–Bem, ela odeia franceses e aparentemente eu sou francês. –Murmurou terrivelmente triste. –Mas não tem problema, eu já me acostumei com isso...

–Mas eu quero que você me acompanhe. –Aquilo soou mais como uma ordem do que com um pedido. –Vou falar com a vadia gorda.

–Damien, não precisa disso. –Damien puxou o braço do loiro, que fez uma careta e tentou se soltar sem sucesso. –É serio, eu não ligo...

–Mas deveria! –Exclamou irritado. –Você não vai conseguir nada na vida se continuar sendo tão indiferente com esse tipo de coisa!

Pip abaixou a cabeça sabendo que Damien estava certo. O loiro nunca foi de insistir muito em qualquer coisa, não que eles desistisse fácil, apenas se conformava muito facilmente com as situações, em sua maioria desagradáveis, que os outros lhe proporcionavam. Pensando sempre que não poderia fazer nada para mudar.

E realmente não poderia, porque Pip é fraco, pequeno e inútil.

Oh, coitadinho do Pip.

O ônibus escolar estava na frente dos dois garotos, Damien puxou Pip pelo braço para que também embarcasse, mas a motorista não hesitou em barrar ambos.

–Você pode entrar, mas o francês não!

–Por que não? –Damien questionou com raiva.

–Porque ele é francês! –A mulher falou como se fosse a coisa mais obvia do mundo.

–Mas Pip continua sendo um estudante! –Esbravejou o garoto vestido de preto. –Eu vou te denunciar! Você não tem o direito de tratar um aluno dessa forma só por ele ser de outro país!

A mulher se calou e voltou seus olhos para a estrada.

–Entrem logo pestes, eu não tenho a porra do dia todo livre!

Damien puxou Pip pelo braço até uma das ultimas fileiras, jogou o loiro do lado da janela e logo em seguida se sentou ao lado do mesmo. Depois do ônibus dar a partida os dois permaneceram o silencio por mais algum tempinho até Pip falar:

–Obrigada Damien. –Sorriu.

–De nada? Mas da próxima faça isso sozinho.

~ DIP ~

–Pip, eu vou fazer dupla contigo na aula de química.

–Por que? Bem, quero dizer, você não sua dupla não era a Bebe?

–Então esse é o nome da loirinha chata. –Bufou. –Eu não gosto de garotas grudentas demais, além disso ela é uma vadia. Eu odeio vadias.

–Ok...

Damien e Pip chegaram à sala, mas o professor ainda não estava lá, apenas alguns alunos que olharam feio para o loiro. Damien puxou o outro garoto pelo braço até a ultima mesa da sala, o qual não questionou nem reclamou. Alguns segundos depois Bebe foi naquela mesa, mas ignorou completamente a presença do loiro.

–Daamien, você não ia fazer dupla comigo? –Falou manhosa.

–Não. –Respondeu curto e grosso.

–Mas o professor falou que...

–Você pode se sentar com aquele cara. –Apontou para um ser chamado Clyde, sem saber disso. –Eu vou ficar com o Pip.

Bebe encarou Pip com odio por alguns segundos.

–Você sabe que não precisa ter pena desse francês, certo Damien?

–Quem disse que eu tenho pena dele? –Questionou, com um tom de voz terrivelmente cruel. –A companhia dele apenas é mais agradável que a sua.

–Você vai se arrepender disso!

–Acho que não garota, eu não gosto muito de vadias.

Bebe saiu batendo os pés e respirando com raiva, Damien ria baixo porém cruelmente da loira e Pip permaneceu com a cabeça abaixada, mas estranhamente feliz pelo outro garoto ter dispensado a garota que teoricamente era a mais bonita da classe.

–As pessoas aqui são todas idiotas ou é só impressão minha mesmo? –Damien perguntou casualmente.

–Por que você acha isso?

–Apenas idiotas conseguem confundir um britânico com um francês nojento.

O professor chegou e todos ficaram em silencio, o homem estranhou que daquela vez Pip tivesse alguém como dupla, mas como não odiava o loiro tanto quanto o resto deixou passar. No resto na aula Pip ficou fazendo os experimentos químicos totalmente irrelevantes para a estória pedidos pelo professor enquanto Damien apenas observava sem ter a menor intenção de ajudar. A aula passou rapidamente e em nenhum monento a dupla trocou alguma palavra, faltavam ainda algumas aulas para o intervalo do almoço e nessas aulas Damien e Pip não estudavam juntos.

–Então, nos vemos no almoço? –Sussurrou Pip.

–Claro. –Damien se virou e seguiu na direção contraria do loiro.

Pip estava prestes a seguir para a aula de historia, mas o mundo não deixaria o loiro em paz tão cedo. Das pessoas que perseguem e batem em Pip um dos mais violentos eram Trent Boyett e seu grupo de amigos. Já fazia algum tempo que eles não prestavam atenção em Pip, mas pela falta de sorte ou pelo odioso destino eles não permitiram que o loiro desse ao menos três passos.

–Quanto tempo Pip! –Trent barrou o loiro menor nos armários.

–Di-digo o mesmo Trent. –Pip ficou nervoso. –Desculpe-me pela falta de educação, mas eu preciso ir...

–Não precisa não.

–Ma-mas Trent...

–Me conte, é verdade que você jogou uma bandeja de comida em um aluno?

–Si-sim, porém eu...

–Seus pais não te ensinaram a não desperdiçar comida?

Trent procurava um motivo para surrar Pip, mas ninguém precisa de um motivo para bater no loiro.

–Eu não tenho pais. –Aquelas palavras saíram com um tom sombrio.

–Eu não perguntei isso.

Pip fechou os olhos para receber o primeiro de vários socos, mas nada veio.

–Isso não é um pouco covarde?

O loiro abriu os olhos vendo que Damien segurou o soco que provavelmente iria deixar o olho de Pip mais roxo do que já estava.

–De onde diabos você saiu?! – Trent tentou se afastar do garoto de preto, porem ele segurava fortemente o seu punho.

–Damien?! –Pip quase gritou. –Por Deus, de onde você saiu?!

–Eu te deixo alguns minutos sozinho e algum babaca vem e te surra. –Damien soltou o punho de Trent. –O que foi dessa vez?

–Espera, esse foi o garoto que o Pip sujou de comida! –Uma pessoa aleatória avisou.

–O Cartman avisou que o francês viado tinha conseguido um namorado para defende-lo. –Trent debochou.

–Sim exatamente. –Damien perdeu a paciência. –Agora que o você sabe poderia fazer a gentileza de sair do meio do corredor, seu lixo.

–Ora seu merdinha! –O loiro mais alto avançou para cima de Damien, desferindo-lhe um soco e o garoto de preto desviou facilmente. Na segunda tentativa Damien segurou o pulso de Trent e o torceu, porém o loiro mais alto conseguiu se soltar em um movimento rápido. –Eu vou quebrar o seu pescoço!

–Pode tentar. -Damien sorriu presunçoso

Se Damien começasse uma briga por causa de Pip certamente seria punido por isso mais tarde. Nunca vale o esforço protejer o loiro.

–Não Damien! –Pip segurou o braço do outro garoto em um impulso.

–Por que não?

–Não vale a pena me ajudar!

–Quem decide isso sou eu, não você

Damien socou Trent no rosto, o qual voou para o outro lado do corredor e todos os seus seguidores foram ajudar-lhe. Eles fugiram carregando o loiro mais velho para um lugar desconhecido, ignorando completamente a presença de Pip e Damien.

–Co-como você fez isso? –Gaguejou o loiro. –Quero dizer, você não parece ser tão forte de vista...

–Eu sei. Pip, eu tenho alguns poderes. –Deu os ombros. –Não sei se te contei, mas eu sou o anticristo.

Pip se calou por alguns momentos.

–Você é aquele Damien que veio estudar aqui no quarto ano?

–Como você sabe que eu já estudei em South Park? –Damien arqueou uma sobrancelha.

–Sabe, eu sou aquele garoto que você usou como fogo-de-artifício para entrar da festa do Cartman!

–Aquele Pip?

–Sim!

Damien e Pip ficaram se encarando por algum tempo, quando de repente ambos caíram na gargalhada.

–Bons tempos... –Damien deu um ultimo sorriso. –Desculpe por aquilo?

–Nem precisa, só doeu um pouco na queda.