Everybody Hurts...
7 Capítulo 7
Passava do meio dia quando eu e Sean acordamos. A noite anterior e parte da manhã foram passadas em claro por conta da minha fuga. O senhor Schneider e o George também deviam estar dormindo a essa hora. Eles saíram logo depois que chegamos e ainda não voltaram. Iremos esperar por eles para almoçar, afinal havíamos acabado de tomar café da manhã.
–Vamos assistir uns clipes de musica? –Sean indagou sem jeito passando com o controle remoto por todos os canais da televisão.
–“Incêndio mata adolescente de dezessete anos e fere guardas que tentavam apagar o fogo. O incêndio ocorreu na escola interna para meninas Hall Rosem e matou a adolescente Miranda Carter de dezessete anos que dormia enquanto seu quarto misteriosamente pegou fogo. Foram encontrados vestígios de papel queimado. O que podem ter dado inicio ao incêndio, mas os peritos ainda não tem certeza da causa do incêndio.”
–Miranda eles acham que você esta... Morta. –Ele desligou a televisão mecanicamente. Depois escondeu a cabeça na almofada reprimindo um grito de fúria e então uma série de lágrimas caíram de seus olhos manchando a almofada cor de damasco.
–Fica calmo Sean! Estou aqui... –Abotoei o ultimo botão da camisa branca social e corri para seu encontro. Sentei-me ao seu lado apoiando sua cabeça ao meu colo, tentando acalma-lo.
–Meu Deus! Como nós dois ficaremos agora que todos pensam que você esta morta? –Ele se levantou e pôs as palmas das mãos em meu rosto, segurando-me firmemente, quase machucava. Parecia ter medo de me perder e tinha razão. Eu também não sabia o que fazer.
–Sean eu não vou deixa-lo... Nunca. Se eu tiver de me fingir de morta e ficar trancada nesse apartamento pelo resto dos meus dias eu ficarei. E ficarei feliz se você estiver ao meu lado. –Coloquei minhas mãos sobre as dele. Seu sorriso foi imediato e ele agora tirava a tensão das mãos. Segurando agora meu rosto suavemente.
– Eu amo você e nunca vou deixar que nada lhe aconteça. –Seus olhos azuis estavam ainda mais azuis. Pareciam se com o céu. Ele era meu anjo da guarda.
A campainha soou nos interrompendo. Deveria ser o George.
Desde que ele tinha brigado com nossa mãe não tinha mais para onde ir.
–Vou abrir. Fique aqui. Não faça barulho... –Ele foi até a porta caminhando divagar. Mantinha o dedo indicador em frente à boca fazendo sinal de silêncio. Obedeci à ordem. Poderia ser alguém da policia tentando obter mais informações sobre mim com um de meus amigos. Com certeza meus pais indicariam meus amigos para serem convocados a depor.
–Nossa que demora! –Zoe! Ah, Zoe. A teimosa e arrogante menina de dezoito anos que agia como se já tivesse trinta. E aquele ao seu lado era... Damon. Oh meu deus! Aquele era o cara com quem eu tinha... E a Zoe estava agarrada nele.
–Hum, acho que descobri o porquê da demora ao atender a porta... Ora, ora se não é a senhorita morta viva. “Miranda Carter, estudante de dezessete anos morre em incêndio...”. –Ela soltou uma gargalhada arrogante tirando a mão da cintura de Damon e batendo palmas como se assistisse a um espetáculo. –Quem é vivo sempre aparece!
–Ah, oi Zoe. O que disse? Oh, eu também senti saudades! –Retruquei num tom ainda mais arrogante. Damon estava pasmo. Acho que ele tinha me reconhecido mesmo tendo passado apenas algumas horas comigo.
–Bem, já que matamos as saudades vamos às apresentações... –Ela percorria seu peito com os dedos médios ainda olhando para mim. Parecia estar esfregando-o em minha cara mesmo não sabendo que nos conhecíamos. Apenas assenti baixando a cabeça.
–Damon estes são Sean e Miranda. Miranda, Sean este é Damon. –Ela deu ênfase ao nome e no final soltou um olhar desafiador á mim. Estava ainda mais abominável do que há alguns meses.
–Ah, oi Miranda. Tudo bem? –Damon estendeu a mão que visivelmente tremia. Ele parecia nervoso e enjoado. Suas pupilas estavam dilatadas e eu podia sentir sua respiração oscilar.
–Claro e você? –Apertei sua mão com firmeza (menos firmeza do que o normal, pois eu igualmente tremia). Ele apenas assentiu. Depois mexeu nos cabelos loiros arruivados e tornou a baixar a cabeça.
–Ei Sean o que tem pra beber hoje? –Ela jogou-se no sofá como se aquele fosse seu. Damon fez o mesmo.
–Hum, vodka, whisky e algumas cervejas... –Sean segurava a porta da geladeira com o pé enquanto pegava com as mãos alguns copos, equilibrando os como um malabarista.
–Espere. Posso ajudá-lo. –Segurei os copos para que ele alcançasse algumas cervejas na geladeira.
–E ai Miranda conte para gente como criou fama de morta... –Derrubei um dos copos que mantinha a mão no chão. Mil pedaços se fizeram aos meus pés. Como ela tinha o dom de me fazer sentir mal.
–Miranda! Você esta bem. Meu amor o que esta sentindo? –Sean apoiou os dois braços atrás de mim deixando que a porta da geladeira batesse na parede.
–Foi só uma tontura, mas já passou... –Recuei do apoio de seus braços em direção ao banheiro. O que eu mais precisava agora era de um pouco de água gelada no rosto e um pouco de pó mágico definidor de problemas. Por que tudo de uma vez só? Ser vista por todos como morta, o amor da sua vida aparecer com a sua melhor amiga e você ainda estar tendo tonturas em série.
Destranquei a porta do banheiro e logo depois fui arrastada para dentro com uma força violenta que me fez bater de costas no armário que sustentava o gabinete. Foi só o tempo de piscar: Damon estava segurando minha cintura, estacado em minha frente. Arfava.
–Quanto tempo hein docinho? –Suas mãos desciam cada vez mais de minha cintura.
–Sai! Você já tem namorada. Sabe disso... –Afastei suas mãos do meu corpo e abri a porta. Não era isso que meu coração queria, mas nem sempre pode se ouvir o coração...
–Cadê o Damon? Não o viu? –Zoe caminhava ansiosa por toda a sala de estar, de um lado para o outro. Inquieta.
–Não. –Respondi seca me acomodando no sofá ao lado de Sean.
–Vai ver ele foi ao outro toalete... –Sean respondeu sorrindo. Parecia feliz com a ausência do novo amigo. Zoe não parou até encontra-lo, na área de serviço em frente ao banheiro onde antes eu estava.
–Estava procurando por você amor. Como foi parar ai?–Ele não respondeu, mas ela não se importava realmente com onde ele estava e sim se ele estava perto de mim. Ela pôs as mãos em seu pescoço. Ele apenas sorriu, mas seu olhar veio gélido à nossa direção. Eu e Sean, juntos. Ele nunca gostaria disso. Retribui o olhar com um beijo em Sean.
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