Toc toc toc! Uma série de batidas impacientes se seguia em minha porta, junto delas podia sentir uma brisa suave tocando meus pés descobertos. Abrindo apenas um olho levantei a cabeça e com muito esforço abri a boca.

–Entre! –com a voz tremula ordenei que o ou a impaciente entrasse. À medida que a porta se abria reconheci o rosto por trás dela, era meu irmão mais velho Jeremy. O irmão do meio.

–Acorda preguiçosa! –Sua voz se alterou e ele quase gritou.

–Vá se ferrar Jeremy! –Levantei a cabeça do travesseiro e joguei-o em direção ao rosto dele.

–Ah, só se você for junto irmãzinha... –Ele continuava com o tom debochado e arrogante de dois meses atrás, antes de fazer aquele intercâmbio idiota que pelo visto não serviu para nada.

–Sai Jeremy, sai! –Ordenei levantando outra vez a cabeça do travesseiro afastando um emaranhado de cabelos do meu rosto.

–Tá bom... –Ele fechou a porta num estrondo, sorte a dele ter saído antes que eu pegasse meu taco de basebol e acertasse a cabeça dele como se acerta uma bola.

Rolei da cama até cair no chão, só então despertei completamente. Levantei-me do chão jogando as cobertas de volta na cama, segui em direção a meu armário. Vesti minha tão adorada camiseta do Nirvana, sobrepus uma camiseta xadrez vermelha e preta, adotei meu short jeans de sempre e por fim segui caminho a fora com um só tênis no pé.

–Bom dia senhorita atarefada! –Robert exclamou revelando seu falso sorriso amarelo. Puxou de imediato a cadeira vaga que estava ao seu lado sugerindo que me sentasse nela.

–Desculpe, mas hoje eu não vou tomar café. –Segui para o banheiro onde escovei os dentes e extravasei na maquiagem.

–Nossa filha, aonde você vai assim tão bonita? –Ela continuava com o meio rosto triste e depressivo, as olheiras roxas tomavam seu rosto até quase a metade da bochecha.

–Vou ao shopping com a Zoe... –Me servi de um pouco de suco e me dei conta da mentira da mentira ao olhar no relógio antigo de parede que ficava na cozinha, marcava oito horas. Por um momento tive vontade de matar meu irmão Jeremy.

–Agora filha? –Ela terminava uma xícara de café.

–Não... nós vamos almoçar na avó da Zoe, ela não esta se sentindo muito bem, vamos fazer companhia para ela , só depois iremos ao shopping.

Larguei meu copo na lava louça e sem dizer nada sai porta a fora. A rua estava completamente deserta e ainda meio escura, pela falta de iluminação das casas e outros estabelecimentos que ainda não estavam abertos pelo fato de ser domingo.

Em meio aos muros pichados vi um grupo de homens escorados à parede, em especial havia um homem diferente, um homem bonito, tinha um rosto mágico, as maças rosadas do rosto acentuadas como um anjo e ao mesmo tempo era malicioso com seu sorriso. Seus cabelos loiros quase arruivados caiam-lhe como a água flui pela cachoeira até o meio das costas.

–Ei! –Seus olhos estavam completamente voltados para mim, diminui o ritmo e o encarei nos olhos. Sua saudação foi seguida de assovios e cantadas pouco comoventes.

–O que é? –Respondi seca, sabia que não era certo conversar com um desconhecido mesmo sendo ele lindo demais.

–Calma gata, não fica assustada... Chega mais perto, eu não mordo... –Ele sorriu novamente daquele jeito que com certeza me atraia. Por que não? Um homem tão lindo como aquele puxando conversa comigo e eu ajo como uma grossa com ele? Não.

–Então, o que uma garota tão linda faz há essa hora na rua? –Ele colocou as duas mãos em minha cintura me trazendo para ele num só gesto ficando cara a cara comigo.

–Eu estava indo até a casa da minha amiga, a casa dela fica aqui perto... -Respondi constrangida pela proximidade em que nos encontrávamos.

–Acho que sua amiga pode esperar um pouco. Vamos até um lugar mais sossegado beber alguma coisa... –Ele roçou os lábios brandamente nos meus descendo até meu pescoço. Dei um paço para trás. Não queria que isso acontecesse ali, em frente a todos aqueles homens.

–Vem! já disse que não precisa ter medo de mim. Deixa esses babacas ai e vamos apenas nós dois para um lugar bem sossegado onde possamos conversar em paz... Nós dois. –Ele me conduziu por toda uma quadra pela mão, em fim chegamos ao seu apartamento, era bagunçado e pequeno, uma verdadeira espelunca.

–Então... –Ele queria saber meu nome. Serviu-se de uma dose de whisky e após um gole me ofereceu, mas não aceitei, não podia me embebedar na casa de um homem que tinha acabado de conhecer e talvez ainda transar com ele. Sabia de que tipo ele era.

–Miranda. -Respondi cabisbaixa. Ele era lindo, mas me deixava envergonhada.

–Que belo nome. É igual a você... Bem, eu me chamo Damon. E agora vamos ao que interessa docinho. –Ele me empurrou para o sofá que ficava atrás de mim, ele começou a me beijar e afagar meu pescoço. Depois pegou a garrafa de whisky e derramou um pouco de whisky em mim e o bebeu.Tirou minha camisa e depois minha camiseta até em fim encontrar o que procurava. Ele me segurou lá por algumas horas, apenas as horas em que transamos. Com certeza ao julgar por seu estilo ele era um roqueiro.

–Tchau gata! –Ele estava enrolado em uma toalha e agora acenava passando a língua entre os lábios. Foi naquele momento que eu me senti uma prostituta, uma vadia, uma vagabunda, a pior garota do mundo. Eu precisava mais do que nunca de um amigo agora.

Liguei para todos os meus amigos e de todos eles apenas um me atendeu: Sean, o garoto que era meu melhor amigo e ao mesmo tempo o garoto que tinha transado comigo na noite passada.

–Sean? –Falei num tom urgente, quase incompreensível.

–Alô? –Ele falava com uma voz suave, ao mesmo tempo em que demonstrava não saber quem estava do outro lado da linha.

–Sou eu Miranda... –Expliquei agora mais calma.

–Miranda? Ah, está tudo bem? Você não parece muito legal...

–Eu estou bem, só precisava conversar com você... –Me levantei da calçada e caminhei em direção a casa dele, sabia que não recusaria minha visita.

–Claro... Pode vir meus pais não estão. Espero você! –Ele exclamou parecendo animado. Desliguei antes que a conversa se estendesse por telefone, ela precisava ver seu rosto, toca-lo e depois conversar.

Toquei a campainha apenas uma vez, e fui recebida com seu lindo sorriso sincero. Ele era mesmo tudo que eu precisava agora, ele me confortava com seu abraço. Aqueles braços fortes pareciam me alimentar de um calor sem fim.

–O que houve? –Ele sentou-se ao meu lado no antigo sofá da sala.

–Eu fiz uma besteira muito grande, acho que foi a maior besteira da minha vida... –Imagens relampejarem por minha mente, aquele homem me tocando, me beijando, seus braços sobre mim...

–Meu deus! O que você fez dessa vez Miranda? -Ele sorriu não parecendo levar a sério.

–É sério. Eu... –Minha voz falhou dando lugar a uma vergonha terrível.

–Já sei! Você transou com um cara que nem conhecia porque ele era bonito e agora esta arrependida. –Seu tom foi de brincadeira, tive de dar lhe um murro para que levasse a sério.

–É, foi isso e Sean não tem graça nenhuma! –Baixei a cabeça, deixando que o cabelo caísse pela minha face.

–Miranda toda essa fase da sua vida passar... Tudo vai ficar bem, eu tenho certeza. Já passei por isso, sei que não é fácil, mas nenhum mal dura para sempre... Pense nisso. –Ele acariciou meu rosto afastando o cabelo, dando me um beijo quase de imediato.

–Não... Eu preciso ir. Desculpe... –O afastei batendo a porta quase em sua cara, não podia cometer um mesmo erro duas vezes.

Foi caminhando pelas ruas que percebi a quão problemática eu era e o quão infeliz eu me tornava por esses problemas. Eu precisava de ajuda, não seria possível que ninguém pudesse me ajudar. Alguma boa alma faria isso por mim...Quem sabe?