Everybody Hurts...

11 Capítulo 11


–Filha esta tudo bem? –A porta se abriu revelando uma Janet confusa e assustada. Eu não conseguia racionar e nem ao menos responder, apenas corri impulsivamente para seus braços.

–Eu estou aqui querida. O que houve?

–Não foi nada mãe. Tive um pesadelo, foi só isso. –Me recompus, e recuei.

–Ora querida pode me contar tudo.

–É só isso mãe, e eu nem lembro direito do sonho. Agora eu estou bem. Pode ir. –A levei gentilmente até a porta, a mão em suas costas a empurrado para fora do quarto.


Não preguei o olho até me certificar que estava tudo bem e que nada daquele pesadelo era verdade. Fui vencida pelo cansaço no meio da madrugada.

–Miranda venha tomar café. Já são nove horas.

A claridade da janela ultrapassava as cortinas. Hoje o dia seria ensolarado e quente em vista dos outros dias. O outono chegara ali. Após alguns goles de suco e uma mordida em um croissant me vesti com o vestido emprestado de Melanie e avisei minha mãe que sairia.

Fui até a igreja como combinado na noite passada. Sean me esperava ali. Impaciente, sentado no primeiro banco. A igreja estava desocupada e depois de alguns olhares discretos subimos até o andar onde fica o coro.

Seu rosto era inexpressível, mas seus olhos estavam margeados e não demorou até que começassem a lacrimejar.

–Miranda nós não podemos mais continuar juntos...-Ele enxugou as lágrimas com o lenço azul turquesa que mantinha no bolso interno da jaqueta de couro e continuou.

–George me contou sobre você e sua mãe. Agora que se acertaram não tem porque ficarmos juntos. –Ele concluiu a frase com um suspiro cansado.

–O que esta dizendo Sean. Como assim não podemos continuar juntos? –O pesadelo da noite anterior assolava minha mente. O rosto amargurado de Sean era o mesmo do sonho.

–Eu ainda amo você e é por isso que quero acabar. É porque não quero que sofra vivendo uma mentira...

–Mentira? –As lagrimas antes presas em meus olhos se desprenderam e rolaram por meu rosto.

–Miranda o que você vive com sua mãe é uma mentira. Sua relação não passa disso, e não quero que continue assim. Quero que as coisas mudem para você e para mim.

–Você já sabia que eu era assim mesmo antes de começarmos a namorar. Sabia que eu e minha mãe não tínhamos uma boa relação e nunca exigiu que eu mudasse. –Afastei franja dos olhos. Meu estômago ardia em chamas. Meu peito palpitava sem parar. Tudo parecia desmoronar. Raiva e tristeza agora davam lugar ao repudio.

–Será que não entende que não podemos continuar Miranda?

–Mas você prometeu. Disse que ficaríamos juntos.

–Isso foi a uma semana. –Sua voz falhou e ele limpou a garganta antes de continuar. -Quando você não estava morando com sua mãe.

–E o que isso tem a ver com nós dois? Não tente inventar desculpas para mascarar sua falta de coragem. –Minha voz ecoou pela igreja. Ricochetando nas paredes e voltando cada vez mais fraca. Seu olhar era furtivo e ele ficou em silêncio. Apenas encarando, o peito inflado assim como as narinas.

–Por que não entende que não é uma escolha nossa Miranda. –Ele deu as costas. E chorando partiu.

Fiquei ali sentada em um dos primeiros bancos da igreja. As lágrimas eram como uma cachoeira que vertia água sem parar.

–Miranda?

Afastei as mãos do rosto e uma só face tomou minha vista. Damon. Meu pior pesadelo estava estacado em minha frente.

–Sua mãe me disse que estaria aqui. Mas ela não previu que estaria chorando. –Ele sorriu do jeito em que nos vimos pela primeira vez. Mas dessa vez seu sorriso não perdurou e ele se sentou ao meu lado.

–O que faz aqui Damon?

–O mesmo que você docinho. –Sua mão se estendeu para mim, perto aponto de quase encostar-se a mim. Não permiti. Afastei sua mão com um tabefe.

–Nossa! Uma dama não deveria se portar desse modo. –Uma gargalhada quebrou o silêncio que nos separava.

–Não sei quanto a você, mas eu não ficarei mais um minuto aqui.

Tudo aconteceu a um só tempo. Como num filme. Uma mão fria agarrou meu braço e me puxou para si. Ali mesmo nossos lábios se tocaram. Cada músculo que antes estava adormecido agora ficava alerta. Um torpor me tomou e eu quase cedi a ele. Mas antes que isso acontecesse me desvencilhei daqueles braços e corri em direção à porta.

–Diga que não sentiu nada Miranda. Diga que não gostou.

Não voltei ou olhei para trás em nem um momento a partir dali. Segui para casa de Melanie cambaleando, os joelhos quase cedendo a cada passo. Os olhares estavam todos voltados para mim. Eram curiosos e pasmos. Tudo o que eu mais queria naquele momento era ter morrido naquele suposto incêndio.


–Seu colega de escola, Damon. Esteve aqui querida. Avisei-o que você estava na igreja. –Minha mãe me esperava na pia em frente à porta. Terminava de enxugar a louça quando parti em direção ao quarto de hóspedes e a deixei falando sozinha.

Deitei-me sobre o edredom felpudo rosa. Os cabelos abertos em leque sobre o travesseiro e, ao lado dele uma mancha feita pelas lágrimas. Adormeci ali, vestida e ainda com os sapatos.

Fui acordada pelos murmúrios do quarto ao lado. Ouvi apenas parte da conversa.

A conversa era marcada por vozes masculinas e vozes femininas.

–...E a Miranda? Ouvi alguns comentários, eles dizem que a Miranda esta viva. É verdade?

–É verdade querido. Nossa filha esta viva e esta morando comigo nessa casa.

Aquela parecia ser a voz de minha mãe, mas eu não conseguia reconhecer a outra voz que parecia confusa.

–Nessa casa? Meu amor por que você e a Miranda não voltam para casa, digo para nossa casa. Eu queria tanto que tudo voltasse a ser como era...

–Robert uma coisa de cada vez, afinal a Miranda nem sabe que reatamos. Vamos agir com tranquilidade. Você verá como venceremos.

Engoli em seco ao ouvir aquele nome. Meu deus! Minha mãe e Robert estavam juntos novamente. Isso quer dizer que eu estou cercada por eles como nos velhos tempos. E se senão bastasse isso ainda tenho que encarar o surto de Sean. Me sinto melhor chamando de surto porque ainda creio que é algo momentâneo.

–Eu te amo querida.


As palavras seguintes foram seguidas de movimentos. Não gosto nem de pensar no que aconteceu nas horas que se seguiram.

***

–O que? A Miranda foi à igreja e contou toda a verdade para todos que estavam lá?

–Isso mesmo senhor Schneider. Eu sempre disse que a Miranda era louca, mas você não acreditou... –Seu tom era debochado assim como a gargalhada que se seguiu depois daquelas palavras. Ivan estava sério e não demonstrava divertimento algum por aquela revelação.

–George isso é sério. Estamos falando da sua irmã, da segurança dela. E se sua mãe e seu padrasto maníaco encontrarem outro internato e jogarem ela lá...

–Ah desculpe. –Depois de algum tempo George voltou a falar. Agora sério e calmo. – Certo. Então temos que tira-la de lá, mas como?

–Eu não sei se essa seria a coisa certa a fazer.

–Então o que faremos senão isso?

–Acabaremos com a maldade.

–Maldade?

–Robert é a maldade, o “cérebro” que planeja. É ele quem influencia sua mãe a tomar as piores decisões como se fossem as melhores. Sua mãe é uma mulher sensível e se não bastasse isso ela ainda o ama. Então ela é submissa a ele. Temos que fazer com que os dois se separem.

–Não vi Robert na igreja. Eles não estavam juntos lá. Talvez eles já tenham se separado...

–Ótimo. Isso facilita o nosso trabalho. Agora é só nos aliarmos a Sean. Ele esta sempre com ela e cuidara bem da sua irmã destrambelhada. –Seu semblante tinha mudado completamente e um sorriso iluminava o rosto jovial.