Everybody Hurts...

12 Capítulo 12


A mesa estava posta para o almoço de domingo quando Damon surgiu à porta. Minha mãe apenas sorriu e assentiu quando ele perguntou se poderia almoçar conosco. Seu semblante era nitidamente feliz e ele fez questão de se sentar ao meu lado. Ele vestia uma camisa xadrez vermelha aberta e por baixo uma camiseta lisa preta.

-Oi Miranda. Como vai? –Ele estendeu a mão, mas eu não a apertei. Ao contrário dele não consegui me manter calma e nem ser dissimulada. Senti o calor subir por minha face quando o vi ao meu lado.

-Não vai cumprimentá-lo querida? –Minha mãe franzia o cenho e suas sobrancelhas eram apenas uma linha. -Desculpe, mas vou para o meu quarto. Não estou me sentindo bem hoje. –Levantei da mesa sem cerimônias e me tranquei no quarto de hóspedes que agora era meu.

-Querida saia desse quarto e vamos almoçar. Não é assim que se recebe uma visita. Vamos Miranda saia daí. –Obedeci à ordem saindo do quarto em silêncio.

Sentei-me ao lado de Melanie que cochichou alguma coisa com minha mãe. Após algumas garfadas e algumas piadas feitas por Damon uma pergunta foi feita a mim por ele:

-Como está nos estudos Miranda?

Larguei o garfo que empunhava e calmamente respondi:

-Não sabe? Isso é estranho já que estudamos juntos. –Retruquei inevitavelmente gargalhando.

Minha declaração foi seguida de reprovações de minha mãe e Melanie. Depois daquilo o almoço se tornou um velório e, apenas olhares furtivos vinham a minha direção.

-Desculpe sair assim senhora Carter, mas acabei de lembrar que tenho de terminar um trabalho. Marquei na biblioteca com alguns colegas. Sabe?

-Claro Damon. Não precisa se desculpar querido o estudo vem sempre em primeiro lugar. Espere ai um momento que eu arrumarei um prato para que leve para casa. –Ela o conduziu até a porta e depois lhe entregou um prato com algumas costeletas. -E me desculpe pela Miranda ela anda tão rebelde ultimamente. –Ela murmurou a ultima frase dando um ultimo abraço nele.

-Miranda o que foi isso? –Depois que a porta se fechou à ira despertou em minha mãe.

-Nada. Eu só não simpatizo com Damon.

-Eu não vejo o por que. Ele é um rapaz muito simpático e elegante. –Um sorriso súbito iluminou sua face.

-Que bom que pensa assim dele porque eu não penso.

-Miranda a sua mãe tem razão. Eu também o achei um ótimo rapaz. Devia ser mais cordial com as visitas. –Melanie estava exaltada e também tinha se levantado da mesa.

-Vocês nem o conhecem direito. Não deviam falar o que não sabem.

Bati a porta seguindo em direção à rua principal. O céu era cinzento e indicava chuva, mas tudo que eu conseguia ver eram rostos passando por mim. Todos eles pareciam levar um pedaço de mim. Eram tantos barulhos, tanto caos. Eu estava perdida no meio de um inferno.

Uma vertigem fez com que meus joelhos cedessem e tudo que estava acima de meus olhos parecia descer lentamente junto do meu corpo e, antes que eu caísse braços vieram e me seguraram por trás.

-Miranda você esta bem? –Damon estava curvado sobre mim, seus cabelos caindo sobre os botões da blusa de renda preta.

-Estou. Agora saia daqui e me deixe em paz. –Levantei pouco a pouco o tronco, o afastando para trás. Seu semblante ficou triste de repente, mas ele não se deixou abalar.

-Não Miranda você não pode ficar aqui desse jeito. Você acabou de desmaiar. Não esta em condições para voltar para casa sozinha. Vamos até o meu apartamento.

-Não. Eu não quero. Me deixe aqui. –Toda a teimosia e a insistência só o fizeram ficar mais persistente e, ele me levou nos braços até seu apartamento. Eu não me lembrava de mais da espelunca em que ele morava e não foi bom vê-la novamente.

-Fique aqui deitada. Quietinha. Eu vou pegar um copo de água para você. –Ele deu com o pé na porta e lá estávamos nós em seu quarto, ou melhor, na cama que ficava ao lado da mesa da cozinha.

-Eu não quero água e nem quero ficar aqui com você...

-Você não esta em condições de escolher. Apenas beba. –Ele estendeu o copo de plástico vermelho que mantinha na mão esquerda.

-Não eu não vou beber essa porcaria. –Afastei sua mão com um tabefe. O copo se retorceu, respingando água em sua camisa. Seu rosto escureceu e ele jogou o copo na pia.

-Tudo bem. O quer então? –Ele se sentou ao meu lado na cama. Enfurecido.

-Eu quero que pare de ir onde estou e quero que pare de tentar agir como se fosse o super-herói que sempre me salva dos perigos. Entenda de uma vez que eu não sinto nada por você...

-Não é verdade. Eu não acredito.

-Por que não acredita?

-Porque não olha nos meus olhos quando diz isso e porque você treme quando esta ao meu lado.

-Eu não... –Eu o amava, mas nunca diria isso a ele. Eu era teimosa de mais para isso.

-Então diga que não me ama olhando nos meus olhos. Só assim eu terei certeza. –Seus olhos me devoravam e seu peito se inflava depois de cada palavra dita.

-Eu não te... –Não resisti à tentação de beija-lo. Era sufocante ao mesmo tempo em que era doce, era inebriante. Nós dois não podíamos estar ali, nós dois não podíamos nos tocar mais uma vez. Mas éramos irresistíveis um ao outro. E os dedos finos tocaram cada botão até que pudessem tirar minha blusa.

***

Não houve um dia em que não pensasse em Miranda. Não houve uma noite em que eu não sonhasse com ela e acordasse gritando seu nome. Eu ainda sinto seu perfume e ouço sua voz pedindo que eu volte.

Eu me arrependo de ter terminado com ela. Eu não devia ter ouvido o Robert e as suas ameaças. Ele não é capaz de fazer nada a nós dois. Eu vou procura-la amanha mesmo e vou dizer o que sinto por ela. Vou contar sobre as ameaças de Robert e nós dois voltaremos a ficar juntos como antes.

É tão triste estar nesse apartamento sozinho, apegado apenas a esse diário e as roupas que ela usou quando esteve aqui. Eu não posso desabafar com ninguém. Eu não posso ser feliz sem ela. Isso não é vida. Isso é uma tortura interminável. E hoje como nas outras noites eu ficarei acordado chorando e bebendo whisky atirado no sofá da sala.