Everlong

18 Capítulo 18 - Diário de Chris


Notas iniciais
AI, EU SEI QUE O CHRIS É UM PERSONAGEM NOVO E "SEM MUITA IMPORTÂNCIA", PORÉM, ACHO ELE MUITO LEGAL E QUERIA POSTAR ESSA CAPÍTULO MESMO. ESTOU NEM AÍ. BEIJOS DE LUZ.

Eu odiava ter que trair as pessoas. Principalmente o mestre, sofreria uma punição, é claro, mas não podia deixar o fim dos reinos chegar. Eu queria viver, tinha muitas cervejas para beber ainda.

Corri por muito tempo pela floresta, minha visão de lobo me ajudava muito a noite. Quando encontrei um casal, eles não me pareciam reis, pareciam dois camponeses assustados, apenas. O loiro parecia um servo doente e a garota era muito durona para uma princesa, mas ela tinha o mesmo cheiro e era parecida com a que esteve no castelo de Calário.

Eu não voltei ao castelo do mestre. Perda de tempo servir uma pessoa como ele. Eu tinha amigos em que confiar, um bando e tinha a floresta inteira para morar. Um lobo não precisa de casa.

Só voltei a ver a princesa ruiva na guerra. Ela usava uma roupa frágil que parecia que iria se rasgar a qualquer momento, era agonizante ver ela sem proteção alguma. Rezei que ela sobrevivesse, pessoas como ela são raras. Encontrei ela em meio a vida e a morte, parecia que não iria aguentar mais alguns minutos. Eu a chamava e a balançava, mas o seu olhar vazio estava em outro lugar, ela estava perdida.

Quando o Doutor disse que ela estava bem foi uma das melhores coisas que ouvi, mesmo sem entender o porque de estar me importando com a Rainha. Ela tinha me tirado das trevas, eu só tinha a agradecer.

Nas primeiras semanas me senti "um peixe fora d'água", mas fui me acostumando. Sempre encontrava com Kyro nos corredores, ele se limitava a um simples olhar. Samie era a mais simpática, ela fazia um café delicioso e contava coisa muito engraçadas que nos fazia rir, eu via Hayley sentada no jardim em alguns dias. Os empregados pareciam atarefados com a rotinha do reino mesmo após a guerra.

Me sinto encabulado em falar isso, mas eu adorava passar horas no quarto de Madley. Se não fosse eu lá, provavelmente colocariam um guarda qualquer, então, não tinha problema eu ficar lá. Posso garantir que a Rainha Madley era linda mesmo naquele estado.

Todos os dias de manhã as empregadas apareciam com uma bandeja com um café da manhã, mas Madley ainda estava dormindo. Então, elas penteavam o longo cabelo da rainha e depois faziam um banho a seco. Quase na hora do almoço alguém vinha e limpava o quarto. E em toda essa rotina maluca eu era o único calmo naquele lugar a cuidar de Madley. Eu não conseguia lembrar a cor dos olhos ao certo, muito menos da voz dela.

Em um dos dias que eu fazia meu turno integral, eu encarava minha camiseta. Eu sabia que por baixo daquela manga estavam escondidas multiplas cicatrizes dos anos que passei nas mãos de Calário. Ele era violento e gostava de deixar isso claro.

Madley acordou e eu deixei que toda minha preocupação caísse sobre ela. Falei coisas que nem mesmo eu entendi o motivo. Madley pôs a mão dela sobre a minha, senti toda uma confusão se formando. Envergonhado, sai do quarto parabenizando-a. Tinham me contado que aquele dia ela fazia dezesseis anos.

As coisas se tornaram deprimentes a partir daquele momento. Me restaram poucos amigos já que a maioria voltou para o castelo do falecido Calário para ficar com suas famílias. Madley estava péssima em todos os momentos, principalmente no crematório do amigo dela. Quando eu a via, fazia questão de passar aquele tempo com ela. Era uma moça legal.

Eu gostava de passar aquele tempo com ela, mas sentia falta de passar tempo com meus amigos. Eu gostava de quando nós eramos os "caras maus" e ficávamos protegendo Calário e fazendo trabalhos para ele, no final do dia ou da semana nós nos reuniamos e invadiamos um bar e bebíamos até começarmos uma luta. Eu sabia que não devia a abandonar mesmo querendo mais que tudo meus amigos de volta.