Evening - 1° Temporada
2 Evening 1x02 O dia seguinte
No outro dia...
Ryan desce as escadas da casa de seu pai, coçando os olhos ainda sonolento e se aproxima da cozinha vendo Annie sentada em um dos bancos do balcão, comendo cereal na tigela e lendo o jornal. Ele a fica olhando enquanto pega a caixa a balançando e notando que ela estava vazia. Annie o olha séria e ele deixa a caixa em cima do balcão sem jeito.
Annie – É bom você não esperar que as coisas estejam no mesmo lugar que você deixou, quando foi embora daqui!
Ryan – Eu não...
Annie – Só isso.
Ela volta a comer e ler o jornal e ele balança a cabeça dando a volta no balcão e pegando uma maçã na fruteira, a lava na pia e dá uma mordida olhando o mar pela janela. Annie o fica vendo de costas e balança a cabeça irritada, batendo a colher com força na tigela. Ele se vira a olhando e se encosta na pia, comendo a maçã.
Ryan – Você nunca irá entender o motivo que me fez ir embora, vocês acham que sabem mas não... Não sabem o que passei!
Annie – E o que passamos, Hum, Ryan? Alguma vez, só alguma vez dentre todo esse tempo que não esteve aqui, você pensou em nós? Pensou que precisávamos de você, que ter você longe não melhorava nada, mas sim piorava!
Ele deixa a maçã na pia e se aproxima do balcão apoiando suas duas mãos nele a olhando fixamente.
Ryan – Acha que foi fácil pra mim ir? Deixar vocês? Deixar tudo, minha vida, meus amigos, minha casa, meus sonhos? Não pense que foi, tenho vivido os tempos mais dolorosos da minha vida, Annie!
Ela larga a colher na tigela e o fica olhando da mesma forma.
Annie – Eu nunca culpei você pelo que aconteceu com o Max, nem o pai, nem a mãe... Ninguém Ryan, ninguém!
Ryan – E o que eu faço com a minha culpa? Nenhum de vocês sabe o que é isso. Eu não espero que você entenda, não espero que sorria pra mim e me aceite de volta, assim como o pai... Eu não consigo me perdoar, não consigo esquecer!
Annie – Nossa mãe morreu e você nem pra aparecer no enterro... Isso é algo que eu não sei como lidar, eu precisava de você, precisa muito de você!
Ela começa a chorar em silencio e ele desvia o olhar com seus olhos lacrimejando.
Annie – Nós éramos os melhores amigos, eu me sentia segura por saber que você estava ali por mim, sempre. Por que teve que ir, por que teve que nos deixar assim desse jeito?
Ryan – Annie...
Annie – Não consigo acreditar que você não se importe!
Ele a olha já com as lagrimas escorrendo por seu rosto e bate a mão no balcão gritando.
Ryan – Se eu pudesse trocaria minha vida pelas deles sem nem pensar, não diga que eu não me importo. Errei sim, mas a minha família sempre foi tudo, sempre foi o que de mais importante eu tive!
Annie – E veja o que você fez, olhe onde estamos hoje!
Ele respira fundo tentando se acalmar e ela continua o olhando.
Ryan – Aí é com você, me perdoar ou não... Não pedirei nada, sei que não mereço, então fica a seu critério... Nós não seremos nunca mais os irmãos que um dia fomos, já me conformei com isso... Tenho vivido por viver Annie, nada mais me importa, estou cansado de sentir dor, cansado de causar ela nas pessoas!
Annie – Desculpe não sentir dó de você!
Ryan – Não precisa ter... Eu sei que sou um covarde!
Ela se levanta o olhando enquanto balança a cabeça e respira fundo.
Annie – Me dizer isso não muda nada, admitir que é um covarde e você é um... Não melhora as coisas!
Ele assente fechando os olhos e ela sai da cozinha subindo as escadas da sala indo em direção ao seu quarto.
Joel sobe as escadas de um prédio chegando até o andar onde queria. Anda pelo corredor com os punhos fechados e se aproxima de uma das portas batendo nela com força. James a abre o olhando surpreso e Joel entra esbarrando nele. James fecha a porta se virando para ele e Joel o olha irritado.
James – Joel, mas que surpresa, eu não...
Joel – Não sabe porque eu estou aqui? Vou esclarecer!
James – É, eu acho que sei, mas...
Joel – Você brincou com a minha garota, mexeu com uma das pessoas mais importantes da minha vida!
James se aproxima dele tentando acalma-lo e Joel o empurra com raiva.
Joel – Não fala nada, eu não quero ouvir desculpas esfarrapadas... Agora sei bem o tipo de pessoa que você é, garoto... E eu quero que você fique bem, mas bem longe da minha filha!
James – Eu a amo, cometi um erro e estou arrependido do que fiz, é que as coisas estão tão complicada e ela...
Joel – Ah você sabe que estão complicadas e ainda assim faz isso com ela? Tem ideia do que ela passando? Ah não, não sabe... Você não perdeu ninguém, nada mudou pra você!
James – Joel, você me conhece sabe que eu não sou assim... Eu sei que alguma vez você cometeu um deslize e eu sei que ela vai me perdoar, Annie me ama!
Joel dá alguns passos em direção a ele, James dá alguns para trás e Joel respira fundo colocando a mão na cabeça.
Joel – Estou a um triz de fazer uma besteira!
James – Você é um bom homem, talvez o melhor que eu conheça e eu sei que jamais faria algo de mal com alguém. Joel, acredite em mim, eu amo a Annie, e eu não sei o que fazer sem ela na minha vida!
Joel balança a cabeça e o olha friamente.
Joel – Eu perdi meu filho, perdi minha esposa... Tudo o que me restou foi Annie e Ryan. Se eles não estiverem bem, eu não estou bem... Se alguém faz mal a eles, faz mal a mim também... Isso aqui é apenas um aviso, não permitirei que faça a mal a ela duas vezes... Entendido?
James – Desculpe mas não desistirei dela!
Joel – Então me desculpe se eu não hesitar em acabar com a sua raça se voltar a se aproximar dela!
James engole seco mas permanecendo firme e Joel dá alguns passos até ele.
Joel – Já perdi muito nesses últimos tempos, perder a calma é algo que não acontece muito comigo, mas quando acontece, bom... Talvez em breve você descubra como é!
Joel passa por ele abrindo, saindo e fechando a porta. James se vira a olhando fechada e balança a cabeça.
Cassie estava em seu loft organizando suas coisas as tirando de. Ouve passos no chão de madeira e se vira assustada vendo um senhor de idade se sentando na poltrona da sala, respira aliviada e ele deixa sua bengala encostada no braço da poltrona.
Cassie – Quer me matar de susto?
Edgar – Tão nova e já falando de morrer.
Ela pega uma caixa a colocando em cima de uma mesa e sorri se aproximando dele e lhe dando um beijo no rosto.
Cassie – Meu velhinho preferido!
Ela se senta no centro de mesa de frente para ele e cruza as pernas o olhando.
Cassie – Me conte, como tem passado? Não nos vemos á uns dias. Eu tinha tanta coisa pra fazer, tanta coisa pra se preocupar!
Edgar – Tem sido tempos difíceis para todos, não é?
Cassie – Sim, horríveis... Mas temos que seguir em frente!
Edgar — Sim, está certa... Menina, eu não sei se é uma boa ideia você vir morar aqui... Sei que o lugar é especial para você, mas...
Cassie – Você não tem ideia do que é conviver com a minha mãe, não sei como a sua era mas essa história de que mãe é tudo na vida, é furada... Ela pode ser tudo sim, mas é tudo de ruim!
Ele balança a cabeça a olhando e ela sorri.
Cassie – E nem diga que eu sou uma jovem tola que não sabe nada da vida, porque apesar de jovem, linda e maravilhosa eu sei muita coisa viu... Perder meu pai me mudou de uma forma que eu jamais imaginaria. Ele me mantinha naquela casa, agora que ele se foi, eu não tenho mais porque ficar lá... Minha mãe é uma vaca manipuladora e o Tyler... Bom esse não muda nunca, não quer nada com a vida a não ser farrear e ela não diz nada sobre. Agora eu se fizer algo além do que ela espera, já estou errada. Te contei que ela disse que a minha arte era coisa de marginal? Sim ela disse!
Edgar – Mas ela é sua mãe, Cassie. Precisa encontrar um jeito de se resolver com ela, precisa ter cuidado!
Cassie – Preciso sim, cuidado com ela... Que tipo de mãe faz a filha ser despejada do apartamento?
Edgar – Não se afaste de quem ama você, não fique sozinha no mundo assim como eu... Você não tem ideia do que é ser solitário!
Cassie segura na mão dele e sorri o olhando.
Cassie – Não irei ficar e você não é... Você tinha sua esposa até ela falecer e tem a mim, eu valho muito sabia? Deveria me considerar mais de uma...
Ela ri e ele sorri balançando a cabeça.
Cassie — Você é como um vovô pra mim, não tenho mais os meus e você se tornou meu amigo em boa hora, não sei o que faria se não tivesse alguém para conversar. Posso estar aparentemente bem agora, mas achei que não conseguiria me manter em pé, quando meu pai se foi!
Edgar – E você é como uma neta que eu nunca tive, também não sei como estaria hoje se não tivéssemos nos conhecido... E fico ainda mais feliz por ver que aos poucos você está voltando a ser o que era, na verdade continua sendo a mesma, nunca perdeu sua essência!
Ela sorri envergonhada e passa a mão em seu cabelo o olhando.
Cassie – Ontem quando fui no cemitério levar flores para meu pai eu vi um rapaz, lembro dele do colégio, nunca conversamos, nem se aproximamos mas eu me lembrei dele... Ele estava chorando e eu sem perceber me aproximei um pouco e perguntei se estava tudo bem, ele saiu de lá na hora e eu fiquei sem acreditar no que tinha feito... Não sei se já aconteceu com você, mas... Sabe quando olha para uma pessoa e sei lá, sente algo... Eu não sei, mesmo sem conhece-lo eu... Esquece eu não sei o que estou falando!
Edgar – As pessoas nunca sabem como defini-lo mesmo!
Cassie – Como?
Edgar – Nada não!
Ele sorri e ela fica confusa.
Edgar – Que bom que posso vê-la feliz antes de...
Ele respira fundo e ela o fica olhando intrigada.
Cassie – Antes de?
Edgar – Eu descobri que tenho câncer pancreático Cassie, estado terminal... Tenho de quatro a seis meses segundo os médicos... Desculpe dizer sem rodeios, já tem um tempo que venho pensado em como lhe dar a notícia e me odeio por ter que faze-lo mas...
Ele continua falando e ela não ouve mais nada, apenas o fica olhando em choque.
Tyler estava sentado no banco do balcão de um bar da cidade, bebendo um copo de refrigerante e ouvindo a música que tocava.
Emilly entra no bar olhando em volta, cumprimenta alguns rapazes que estavam bebendo em uma mesa e vê Tyler sentado no balcão, vai até ele e se senta ao seu lado sem olha-lo. Ele a olha enquanto dá um gole em seu refrigerante e abaixa a cabeça olhando para a barriga dela.
Tyler – Está enorme!
Emilly – É o que dizem!
Tyler – Não acha que esse não é um lugar apropriado para você e seu bebê estarem?
Ele volta a olha-la e ela sorri de lado ironicamente.
Emilly – Dentre as coisas inapropriadas que fiz, essa é a menor delas!
Ela pede um refrigerante para o Barman e olha para Tyler.
Emilly – O que está fazendo aqui com esse refrigerante? Esse não parece nada com você!
Tyler – Digo o mesmo a você, Emilly!
Eles desviam os olhares e ela pega o copo de refrigerante que o Barman lhe entrega e dá um gole.
Emilly – Não sei se você sabe mas, Jhony me pediu em namoro aqui nesse bar!
Tyler – Pois é, eu não sou do tipo que fica procurando saber da vida pessoal das pessoas!
Emilly – Nem do tipo que parece se importar muito com elas!
Ela bebe o refrigerante e ele a olha sério.
Tyler – Ele era um cara legal, um cara muito bom e integro... Jamais merecia ter terminado assim, muito menos merecia o que fizemos com ele!
Emilly – Agradeceria se pudéssemos esquecer isso!
Tyler – Nós transamos Emilly, transamos quando você estava namorando com ele!
Emilly – Fui uma vadia cretina, traí o homem que amei porque me encantei com esse seu sorriso safado e seus lindos olhos azuis, mas é passado, ele nunca soube e não há motivo pra você tocar nesse assunto!
Tyler – Me desculpe eu só achei que... Esquece.
Eles ficam calados por algum tempo e ela balança a cabeça afastando o copo de refrigerante no balcão.
Emilly – As pessoas sempre acharam que tínhamos o relacionamento perfeito, mas não sabem o tipo de pessoa que eu fui ao traí-lo!
Tyler – As pessoas cometem erros, somos humanos Emilly, somos e sempre seremos falhos!
Eles se olham e ela respira fundo.
Emilly – Não houve motivo para traí-lo, aconteceu e eu nunca, nunca me perdoei por isso... Não acho que um dia conseguirei!
Tyler – O que está feito, está feito... Precisa deixar pra lá, terá um filho agora, tem que se focar nisso e esquecer o que não te faz bem!
Ela abaixa a cabeça e ele fica mexendo em seu copo em cima do balcão.
Tyler – Se precisar de qualquer coisa...
Emilly – Não, Tyler.
Ele se vira a olhando e ela o encara séria.
Tyler – Estou falando sério, nos conhecemos desde de sei lá... Éramos dois pirralhos, banguelos, correndo pela rua todo final de semana atrás do caminhão do sorveteiro... Não troco fraudas nem balanço nenês até dormir, mas posso ajuda-la com algum dinheiro!
Emilly – Acha que vim aqui pra dar o golpe em você?
Tyler – Não, claro que não... Emilly, há alguma chance dessa criança ser minha?
Ela fica surpresa e ele a fica olhando tenso.
Emilly – Não, Tyler. Não tem nenhuma chance, as datas não batem e usamos camisinha, não lembra? Ah é mesmo, você estava bêbado como sempre!
Ele respira aliviado e sorri de lado.
Tyler – Levei um fora, não tinha mais o que fazer do que beber!
Emilly – Não acredito que aquilo aconteceu porque você tomou um fora!
Tyler – O que eu posso fazer? Nunca tinha acontecido, eu não sabia como lidar!
Emilly – Meu Deus.
Ele sorri de leve e ela revira os olhos balançando a cabeça.
Ryan anda por uma avenida próxima ao restaurante de seu pai distraído. Vê o sol quase se pondo no horizonte e se abaixa na calçada para amarrar o cadarço de seu tênis, vê a sombra de alguém se aproximando e ao olhar para cima vê uma mulher o olhando com um sorriso no rosto. Ele vê que estava na frente de uma grande joalheria e se levanta a olhando.
Sara — Não sabia que havia voltado a cidade, Ryan Walker.
Ele a olha intrigado e ela continua sorrindo com um sorriso forçado.
Ryan – Desculpe, nos conhecemos?
Sara – Não fomos apresentados, mas eu sei quem você é... Eu e sua mãe... Bom, éramos conhecidas!
Ryan – Ah, entendo... Então muito prazer.
Ele estende a mão e ela continua sorrindo ao apertar a mão dele.
Sara – Sara Cooper, muito prazer Ryan... Veio comprar uma joia para sua namorada? Tenho certeza que temos algo que te agrade!
Ele volta a olhar para a joalheria e sorri sem jeito.
Ryan – Não, não... É a dona? Sempre passei aqui em frente, mas não sabia a quem pertencia, não sou muito atento!
Ele volta a olha-la e ela sorri.
Sara – Então, o que trouxe você novamente a cidade? Achei não o veria aqui nunca mais!
Ryan – Não há lugar melhor de se estar do que no nosso lar, achei que era a hora de voltar e aqui estou!
Sara – Eu não poderia concordar menos com você!
Ryan – Mesmo sem conhece-la, obrigado pela consideração, a cidade parece que parou no tempo pelo que aconteceu e você perde seu tempo aqui falando comigo!
O vento balança os cabelos de Sara e Ryan a fica olhando enquanto a luz do sol clareiam os olhos dele.
Sara – São tempos difíceis, devemos ser solidários uns com os outros. Afinal de uma forma ou de outra, todos perdemos algo naquela terrível tragédia!
Ele coloca suas mãos nos bolsos da calça e assente com a cabeça, enquanto ela continua o olhando mas dessa vez com um semblante triste.
Sara – Deve ser ainda mais difícil pra você tudo isso!
Ryan – Não sei se é mais difícil pra mim, acho que todos aqui tem carregado muita dor!
Sara – Com certeza, mas eu me refiro ao fato de ter causado a morte do seu pequeno irmão!
Ryan a olha abalado e ela balança a cabeça.
Sara – Sem falar de ter ido embora sem ao menos estar com sua mãe nos últimos momentos de vida dela... Nem quero imaginar o que se passa na sua cabeça sempre que se deita no travesseiro, antes de dormir!
Ele fica chocado com as coisas que ouve e ela coloca a mão no ombro dele o olhando.
Sara – Eu entendo a sua dor, tenho passado pelo mesmo, perdi meu marido e bom... Não gosto de falar sobre isso, mas precisa encontrar um jeito de seguir em frente. O que está feito está feito, eles nunca mais voltarão e não há nada que possamos fazer quanto a isso!
Ryan sente calafrios ao olhar a frieza no fundo dos olhos de Sara e ela o abraça com força, sorrindo de lado ao olhar para o movimento das pessoas na rua.
Sara – Precisa se acostumar com isso, eu já me conformei e sei que a dor estará comigo para toda a vida... Ela estará com você também, principalmente com você!
Ela o solta ficando de frente para ele o olhando. Ele a fica olhando sem reação enquanto ela sorri de leve.
Sara – Seja forte, se cuide... Até uma próxima vez!
Ela se vira entrando na joalheria e ele se apoia na parede, mordendo os lábios e deixando as lágrimas encharcarem seu rosto enquanto chora feito uma criança.
Annie caminha pela areia ao anoitecer segurando suas sandálias nas mãos, sentindo o vento balançar seus cabelos e fechando os olhos ao ouvir o barulho do mar. Continua andando em direção a sua casa e ouve o barulho do choro de um bebê, abre os olhos vendo seu vizinho com a filha em seus braços na varanda da casa dele e percebe que ele a estava olhando. A bebê continua chorando alto e ela se aproxima da casa os olhando.
Mark – Desculpe eu não sei o que ela tem, mas espero faze-la dormir em breve, não haverá mais barulho por muito tempo!
Annie – Tudo bem eu não estou incomodada, como ficaria?
Ela sobe as escadas subindo até a varanda dele e olha para a bebê sorrindo, enquanto ela continua chorando sem parar.
Mark – Eu ainda não peguei o jeito, tem dias que ela fica numa boa quietinha, mas em outros como hoje...
Annie se aproxima mais deles e sorri o olhando.
Annie – Posso segura-la?
Mark – Claro, você é a Annie não é? Almoço no restaurante do seu pai as vezes!
Ele entrega a bebê para Annie e ela sorri começando a balança-la enquanto ela continua chorando.
Annie – Sim, ela é linda!
Mark – Troquei a frauda, dei mamadeira e mesmo assim ela não para, será que é sono? Ela até que dormiu bastante hoje!
Annie – Eu acho que sei o que ela tem, podemos entrar? Preciso ajeitar essa manta dela!
Ele a olha surpreso indo até a porta e a abrindo, enquanto ela passa por ela e vai até a sala deitando a bebê no sofá e começando a enrolar a manta nela a deixando bem justa. Ele fecha a porta a olhando intrigado e Annie se levanta com ela como se a bebê estivesse dentro de um casulo coberta pela manta. Ela vai parando de chorar e Mark sorri olhando para Annie.
Mark – O que foi isso?
Annie – Deixando a manta bem justa no corpinho deles, eles se sentem abraçados, quentinhos e protegidos... Trabalho num asilo, você se surpreenderia com o tanto de coisas que se aprende com os mais velhos!
Ela sorri olhando para a bebê e a entrega a Mark que a fica olhando sorrindo.
Mark – Obrigado, vê-la chorando acaba comigo!
Annie – Eu imagino, mas não foi nada, ajudar as pessoas tem sido algo que me reconforta depois de tudo o que aconteceu!
Mark – Perdi minha esposa um dia depois do acidente. Ela não resistiu ao parto e nos deixou sozinhos no mundo.
Annie – Eu sinto muito... Mora ao meu lado e eu nunca nem se quer troquei meia palavra com você!
Mark – Todo mundo aqui está tentando lidar com o que aconteceu, estou surpreso por você estar aqui com agente, nos ajudando... Mal consigo lidar com o que tenho passado, não sei se conseguiria parar e ajudar alguém, não agora!
Annie – Tudo o que precisa se preocupar está em seus braços, aos poucos a vida vai se estabilizando e seguindo seu curso novamente... Pelo menos eu espero que seja assim!
Ela cruza os braços abaixando a cabeça e ele vê que sua filha havia adormecido em seus braços, olha para Annie sorrindo e dá alguns passos em direção ao quarto sussurrando.
Mark – Vou coloca-la no berço, já volto.
Ela o vê ir e assente com a cabeça sorrindo de leve e olhando em volta vendo os cantos da casa, as fotos nas prateleira e o fogo da lareira acesso. Pouco depois ele volta sorrindo e ela passa as mãos nos braços, sorrindo de leve.
Mark – Sente-se, não precisa ficar em pé!
Annie – Eu tenho que ir pra casa!
Mark — Por favor, eu insisto!
Ela se senta sorrindo e ela se senta ao lado dela a olhando.
Mark – Eu não tenho muito com quem conversar, é tão complicado!
Annie – Eu sei.
Mark – Não sei por mais quanto tempo vou aguentar, a Emma é a única coisa que me faz ter um motivo para acordar de manhã e me manter de pé durante todo o dia!
Annie – Você tem um motivo, isso já basta, ela precisa de você e você precisa estar aqui por ela... Já eu busco todo dia um motivo se quer para continuar e nada relevante me vem a mente, estou apenas vivendo por viver, sabe?
Ele assente a olhando e ela respira fundo passando a mão em sua calça jeans.
Annie – Também não consigo conversar com ninguém, as pessoas até tentam mas eu me recuso, não sou e nem quero ser digna de pena!
Mark – Você é durona, não é?
Ela o olha sorrindo e balança a cabeça.
Annie – Tento ser, mas eu sinto que estou morrendo aos poucos!
Ela fica séria e ele se levanta a olhando.
Mark – Ninguém mais vai morrer aqui, vou ir na cozinha pegar algo pra gente comer... Depois te levo até a porta de sua casa, é o mínimo que posso fazer!
Annie – Não precisa, mas tudo bem... Esperarei você aqui, quietinha!
Ele sorri indo para a cozinha e ela se encosta no sofá, olhando para o teto pensativa. Algum tempo depois ele volta com uma bandeja de sanduiches e suco e a vê deitada no sofá dormindo, deixa a bandeja em cima de uma mesa e vai até ao seu quarto buscar um cobertor, a cobre tirando uma mexa de cabelo loiro que estava caída próxima ao olho dela. A fica olhando por algum tempo e sorri de leve sussurrando.
Mark – Não irei te acordar, boa noite.
Ele se levanta apagando a luz da sala e saí de lá pegando um sanduiche e um copo de suco indo até seu quarto.
Ryan vê o dia amanhecer sentado na areia da praia, sente o frio gelado da manhã arrepiar seu corpo e fica observando o mar com um olhar de tristeza profunda. Fecha seus olhos enquanto algumas lembranças vêm a sua mente e volta a abri-los balançando a cabeça tentando faze-las desaparecer. Volta a olhar o mar angustiado e vê alguém mais ao fundo balançando as mãos e gritando. Se levanta sem acreditar e respira fundo se sentindo sufocado ao continuar ver a pessoa se afogando. Olha em volta procurando alguém e começa a gritar por ajuda desesperado, correndo de um lado para o outro na areia sem colocar os pés na água. A garota continua se afogando e ele começa a chorar com a mão na cabeça sem tirar os olhos dela.
Ryan – Me desculpe, eu não... Eu não posso!
Ele balança a cabeça desorientado e volta a olhar para todos os lados procurando por ajuda.
Ryan – Eu não consigo!
Ele pega seu celular em seu bolso, chama uma ambulância e o joga na areia ainda olhando para a garota se afogando. Fecha os olhos mordendo os lábios e as lembranças voltam a sua mente. `` – Ele se foi, sinto muito ´´ `` Eu disse que não era pra deixa-lo sair de casa, Ryan, tudo o que pedi foi que tomasse conta dele... Agora ele está morto! ´´ `` — Desculpe não conseguir olhar pra sua cara agora! ´´ `` — Com certeza, mas eu me refiro ao fato de ter causado a morte do seu pequeno irmão! ``.
Ryan abre os olhos olhando o mar fixamente e enxuga as lagrimas respirando fundo.
Ryan – Não vou mais me sentir culpado pela morte de ninguém, não vou!
Ele tira a camisa e os tênis os jogando na areia e corre até o mar mergulhando e nadando até onde a garota estava. Ele nada com dificuldade para chegar até onde ela estava, a vê afundando e se desespera olhando em volta e prendendo a respiração mergulhando em seguida. Poucos segundos depois ela volta pra superfície ofegante, desesperado.
Ryan – Eu não vou conseguir!
A imagem de seu irmão sem vida em seus braços dentro do mar vêm a sua mente e ele grita fechando os olhos e voltando a mergulhar outra vez. Pouco depois ele volta para a superfície puxando a garota e vai nadando com muita dificuldade a segurando até a areia da praia. Ele a tira do mar a arrastando quase sem forças, a deixa deitada na beirada da areia, fica de joelhos ao seu lado, checa se tem havia dentro da boca dela e tampa o nariz dela fazendo respiração boca a boca por algum tempo. Ela não dá sinal nenhum e ele tenta se manter calmo repetindo o procedimento por mais um minuto enquanto pressiona o tórax dela. Ela tosse abrindo os olhos desorientada e ele cai sentado exausto.
Ryan – Graças a Deus...
Cassie – Você...Eu...
Ele sente sua vista escurecer e cai deitado ao lado dela descordado. As sirenes das ambulâncias começam a ecoar ao longe e Cassie olha para o céu também fechando os olhos e ficando desacordada em seguida.
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