Even Love

14 Capítulo XIII - Lábios gelados.


Notas iniciais
Oi, anjos. Bem, não querem saber de desculpas, né? Só que nessas férias eu ando muito relaxada, mas prometo que quando minhas aulas voltarem, eu vou entrar no ritmo e começar a escrever pelo menos duas vezes na semana. :D:D Ah, desejem-me sorte no meu nome colégio e rezem para que eu encontre meu Patch lá! UHUL!
Provavelmente, os fãs de Natch vão querer me matar, mas faz parte da história...
Espero que gostem! E RECOMENDEM. q

– Nora! – Eric exclamou após deixar Victoria no chão, depois dos longos beijos que trocaram. – Não te vejo desde a semana passada. – Dito isso, ele veio em minha direção, abrindo os braços.

Para qualquer outra garota na face da terra, era a grande oportunidade de abraçar Eric Northman. Mas tudo o que eu queria fazer nesse momento era dar meio volta e ir correndo para casa, mais exatamente para de baixo de minha cama. Recuei alguns passos para trás.

– Nora, qual é o problema? – Perguntou Victoria, quase sem mexer os lábios. Obviamente ela queria passar boa impressão para o novo namorado.

– Não é nada. – Eu olhava Eric bem nos olhos. Eles tinham aquele brilho, astuto e maravilhado, como se ele tivesse acabado de ter uma ideia brilhante.

– Vocês já se conhecem? – Victoria andou até o namorado e parou ao seu lado, tomando sua mão como se quisesse mostrar que ele era só dela.

– Claro. Eu e Nora já vivemos nossas aventuras. – Ele abriu um sorriso malicioso.

Ignorei seu comentário e virei-me para Victoria.

– Acho melhor pegarmos o ônibus.

Ela bufou e revirou os olhos.

– Qual é?! Você diz que já o conhece então qual é o problema? Ele não vai te sequestrar e tomar seu sangue, nem nada disso. – Ela dizia aquilo como se fosse a coisa mais óbvia do mundo, claro que ele não ia fazer aquilo. Ou ia? Meu estomago ficou embrulhado só de pensar.

Olhei para Eric e, por um instante, pensei ter visto seus olhos brilharem pela ideia de Victoria.

Eu não queria entrar no carro, mas também não podia deixar Victoria sozinha com aquele psicopata, perseguidor. Suspirei fundo e forcei minha boca a abrir um sorriso convincente.

Estava com medo de que ele falasse mais uma daquelas coisas misteriosas e duvidosas que ele falava, como se ele já me conhecesse há séculos. Não queria ter que olhar pra ele e me lembrar de tudo que tinha acontecido comigo nesses últimos dias. Ali, no estúdio, com Vic, com Tate, eu tinha conseguido esquecer por um tempo de toda essa história de ouvir vozes, ter lembranças e sensações esquisitas, mas toda essa paz tinha desaparecido quando eu vi Eric parado ali. Ele me fazia sentir coisas estranhas.

Com ele, atração e medo, juntos, pareciam uma coisa normal de se sentir.

– Vamos, então. – Sem espera-los, fui para o carro e sentei no banco de trás. Victoria sentou no banco do passageiro bem a minha frente, e Eric, num segundo estava lá dentro.

O ar condicionado estava ligado, por causa das calorosas noites da Califórnia, mas Eric tinha colocado no ultimo. Assim, quando o carro parou no primeiro sinaleiro, eu já estava passando as mãos em meus braços em busca de algum calor. Victoria também fazia a mesma coisa, mas quando Eric notou que estávamos com frio, ele olhou apenas para mim.

– Minha jaqueta está ai atrás, pode vesti-la se quiser. – Ele me lançou um sorriso antes de voltar sua atenção à estrada. Olhei para o lado e ali estava, uma jaqueta enorme de couro preto, parecia quente e convidativa, mas cerrei os punhos para não pegá-la.

– Não, obrigada. – Ergui o queixo, indiferente. – Prefiro morrer de frio.

Enquanto Eric dava um risinho, uma Victoria louca para chamar atenção se esticou até alcançar a jaqueta de Eric.

– Bem, eu aceito. – Ela rapidamente vestiu-a e se aconchegou lá dentro.

Para meu azar, as estradas estavam todas com um transito do inferno. As saídas das praias estavam lotadas, já que os banhistas e turistas só saiam de lá a noite, quando a água ficava gelada demais para se entrar ou surfar. Pelo visto, demoraríamos um pouco mais que o esperado para chegar em casa.

– Ah, olha só. – Vic bateu no vidro de sua janela, apontado para um café na esquina da quadra. – Parece que a banda que vai tocar hoje é boa.

A dona daquele café/boate era a tia de Victoria. Ela administrava um requintado e chique café numa das avenidas mais movimentadas da cidade, mas no mesmo lugar, cheio de frufru e decoração rosa, nas noites de sexta, sábado e domingo, ela dava uma nova decoração ao lugar e contratava bandas iniciantes para tocarem ali. Os fãs de screamo viviam lá, já que a maioria das bandas que tocavam ali tinham esse gênero como favorito.

O estacionamento estava quase lotado, tirando algumas vagas nos cantos mais escuros.

– Podemos fazer uma parada, amor? – Ela perguntou para Eric, dando uma grande ênfase na palavra “amor”.

Eric apenas resmungou um “sim” e, fazendo uma curva fechada, voltou algumas casas até entrar no estacionamento do café da tia de Victoria. Ele parou numa das vagas escuras, embaixo de uma grande árvore.

– Vou perguntar se ainda tem lugares para o show de hoje. – Disse simplesmente e abriu a porta para sair.

– Victoria! Você disse que íamos direto para ca... – Parei de falar quando me dei conta que ela já tinha fechado a porta na minha cara. – Droga. – Murmurei e voltei a me encostar no banco de couro.

No escuro, ouvi a risada de Eric bem mais próxima a mim do que eu gostaria, eu não tinha a mínima ideia de onde ele estava, mas eu sentia uma respiração bem próxima a mim. Discretamente, passei a mão no banco ao meu lado para me certificar de que ele não tinha passado para trás.

– Vou esperar lá fora. – Anunciei e fui para a porta tentando abri-la, puxei com força, mas nada. Tateei a porta até achar o pino para destrancar a porta, tentei em vão abaixá-lo, quando me dei conta de que Eric tinha trancando as portas uma onda de desespero de invadiu.

Olhei em sua direção e, graças a luz do luar, consegui ver suas mãos brancas e pálidas no volante.

– Abra a porta, Eric. – Minha voz quase saiu falhada.

– Com medo? – Ele riu da própria piadinha de mau gosto. – Não vou te fazer mal, Nora. E prometo que só vou tirar todo o seu sangue, como Victoria falou, quando você pedir. – Eric acendeu as luzes do interior do carro e pude vê-lo sorrindo. As presas finas e um pouco maiores que o normal pareceram me dar um choque elétrico, fazendo-me ficar estática no banco de trás.

– Qual é o seu problema? Você é psicopata ou algo do tipo? – Bati no encosto do banco a minha frente. – E eu sei que você está tramando alguma coisa.

– Tramando alguma coisa? – Ele pousou a mão no queixo, como se estivesse pensando. – Seja mais especifica em suas suspeitas.

– Você está com Victoria por algum motivo macabro que eu ainda vou descobrir. – Estreitei os olhos.

– Bem, desista, porque eu não estou tramando nada. Sua amiga é gostosa, e boa em fazer certas coisas... – Não ia deixar falar mal daquele jeito de minha amiga. Levantei minha mão para dar um tapa na cara de Eric, mas a porta do passageiro abriu num rompante e uma Vic alegre colocou a cabeça para dentor do carro.

– Minha tia conseguiu lugares ótimos. Venham. – Na mesma hora, Eric destrancou as portas do carro e eu pulei para fora na mesma hora.

– Victoria! Eu não vou entrar ali! Você disse que íamos direto para casa! – Bati o pé no chão uma vez para acentuar minha raiva. Eric riu.

– Então é verdade. Quando uma garota está estressada, ela bate o pé. – Ele cruzou os braços na altura do peito, e olhou para mim com superioridade.

– Eu vou bater na sua cara se continuar... – Victoria tapou minha boca com a mão para que eu me calasse e sorriu para Eric, nervosa.

– Bem, então vamos chamar um táxi para você... – Ela tirou a mão devagar de minha boca. Eric estalou a língua e se desencostou do carro.

– Eu posso leva-la para casa. – Vic começou a protestar, mas ele colocou uma das mãos em seu ombro direito e olhou diretamente para seus olhos. – Você vai entrar e esperar por mim. Entendeu? – Dito isso, numa voz calma e possessiva, Victoria sorriu igual a uma boba e logo se virou, esquecendo completamente de mim.

Ele tinha feito a mesma coisa que fez com Brian no dia em que fomos ao seu bar, com aqueles olhos claros, grandes e perfeitos, até eu quase tinha vontade de entrar no café e esperar por ele. De algum jeito, ele conseguia fazer com que as pessoas o obedecessem, eu até entendi agora que tinha sido com Vic – já que ela faria tudo por ele -, mas eu não conseguia tirar de minha cabeça como ele tinha feito Brian entrar naquele banheiro e não sair por nada.

– Como você faz isso? – Perguntei em voz baixa.

– Isso o que? – Respondeu normalmente e contornou o carro para poder entrar.

– Isso, fazer as pessoas te obedecerem. Como faz isso? – Perguntei cruzando os braços. Eu não entraria naquele carro de novo, e se ele tentasse aquilo comigo?

– Entre logo no carro, Nora. – Disse, apenas com seu rosto aparecendo na janela do passageiro. Eu o ignorei e andei até a saída do estacionamento. Eu não precisava da ajuda dele, nem de sua carona. Minha casa ficava um pouco longe, mas seria melhor andar sozinha por ruas escuras do que ficar presa num carro com um psicopata.

Consegui andar até a esquina da quadra, até que o carro de Eric apareceu ao meu lado, o carro andava na velocidade em que eu andava e vez ou outra, Eric tocava a buzina. Ignorei e continuei a andar. Andei até que, na metade da quadra seguinte, pude ver algum movimento. Três garotos, que não pareciam estar em seu estado normal, desciam a rua em minha direção. Eles gargalhavam e cambaleavam de um lado para o outro na calçada e, quando me viram, pararam por um momento.

Parei por um momento pensando em minhas opções. Eu podia seguir andando e correr o risco de ser seguida e até violentada por aqueles três bêbados, ou entrar no carro com Eric e apreciar uma ótima carona ao lado de um maníaco. Mas parece que Eric não estava afim de me dar opções. Ele saiu do carro num rompante e num segundo estava ao meu lado, puxando-me pelo braço.

Consegui me soltar quando chegamos ao meio-fio, e cruzei os braços, decidida a não entrar. Quem ele pensava que era? E assim, vendo que eu não ia entrar, ele abriu a porta do carro e apontou para dentro.

– Se não entrar em cinco segundos, eu vou ser obrigado a te jogar ai dentro. – Disse, num tom ameaçador.

Suspirei alto e dei uma ultima olhada para a outra rua. Os três garotos continuavam ali, encostados no muro, como se só estivessem esperando Eric dar o fora dali. Então, com esse pensamento, eu entrei no carro e fechei a porta com um baque. Eric entrou logo em seguida, fechando a porta e acelerando no mesmo instante. O carro corria e não diminuía para fazer curva alguma, naquela velocidade, com o vento entrando pela janela aberta e jogando o cabelo em meu rosto, eu me lembrei de Patch, de como ele desrespeitava as leis de transito e dirigia daquele jeito impudente.

Em questão de minutos, o carro de Eric parou em frente a minha casa e eu finalmente me toquei.

– Como sabe onde minha casa fica? – Perguntei, desconfiada.

– Victoria me disse mais cedo.

Certo, era uma explicação aceitável e plausível, mas isso não fazia meu medo de ser observada e perseguida diminuir. Eu não tinha que desconfiar de Eric em tudo, mas estava certo de que ele estava tramando alguma coisa. Falando daquele jeito misterioso, ou simplesmente, falando como se nos conhecêssemos há muitos anos. Aquilo me estressava, me deixava nervosa, talvez pelo motivo de ás vezes parecer que eu já o conheço. Se não fosse isso, eu poderia pedir para ele parar de falar desse jeito, mas quando ele fala... Aquela sensação em meu estomago volta e eu quase me lembro de algo. Algo importante. Algo que eu não devia ter esquecido.

Abri a porta e comecei a empurrá-la para sair, mas a mão branca e fria de Eric parou em cima da minha, puxando a porta de volta. Abri a boca para gritar, mas ele conseguiu ser mais rápido.

– Espera. – Ele tirou a mão de cima da minha e voltou a coloca-las no volante. Ele riu pelo nariz. – Por que você nunca me deu uma chance de explicar tudo? – Sussurrou.

E ali estava ele, falando sobre coisas que pareciam ter acontecido há anos atrás, ou

– Talvez porque você seja assustador. – Murmurei. Ele sorriu.

– É, você costumava me dizer isso.

– Costumava? Engraçado, pois não me lembro de ter dito nenhuma vez. – Ia continuar a falar se ele não estivesse me olhando com uma expressão séria e apreensiva. Parei de falar e abaixei a cabeça.

– Nora, acho que já está na hora de você saber algumas coisas. – Ergui a cabeça a tempo de ver seu sorriso tremular. Sua mão escorregou para cima da minha, no banco, e eu rapidamente tirei a minha dali, deixando-as entrelaçadas em meu colo.

– Eu tenho uma coisa para perguntar, primeiro. – Mordi o lábio, enquanto ele assentia para que eu continuasse. – Você e Patch já se conhecem?

Aquilo estava em meus pensamentos á dias, acho que já estava mais do que na hora de eu perguntar para um deles.

– Ah, o anjinho. – Disse com nojo. – Sempre se metendo no caminho.

Espera, ele tinha acabado de chamar Patch de “anjinho”?

– Como vocês se conheceram? – Insisti.

– Bem, estou surpreso dele ainda não ter te contado isso. – Ele se virou para mim. – Digamos que eu e ele não nos entendíamos muito bem. E continua assim. – Fiquei em silêncio, como incentivo para que ele continuasse a falar. – Há alguns anos... Nós disputamos a mesma garota. Acho que isso acabou sendo demais para ela, e ela morreu.

– Ela morreu? – Repeti, ainda em choque.

– Assassinada. Uma tragédia. – Deu os ombros. – Você é muito parecida com ela. – As pontas de seus dedos tocaram de leve minha bochecha, o toque gélido pareceu esquentar minha pele. — Os olhos são os mesmos, os cabelos também. – Seu dedo se enrolou em um cacho de meu cabelo. – Até o jeito de falar, e a voz. – Ele se afastou. – Talvez seja por isso que Patch está se aproximando de você.

– Acha isso mesmo? – Por um momento fiquei insegura. E se fosse isso mesmo?

Para começar, a primeira vez que eu e Patch nos vimos, ele tinha me confundido com alguém, e logo depois, ele começou a ter esse interesse repentino por mim, aparecendo do lado de fora de minha escola, me levando para almoçar. Sendo gentil comigo. Talvez Eric estivesse certo sobre isso, talvez Patch só estivesse impressionado por ter encontrado uma pessoa que se parece tanto com seu amor.

Ou talvez Eric estivesse mentindo sobre tudo isso.

– Tenho certeza disso. Mas acho que você tem que saber de uma coisa... Ele jurou não amar mais ninguém, a não ser ela. – Ele me olhou. – Embora vocês sejam parecidas fisicamente, suas personalidades são opostas. Ela era certinha demais, preocupada demais com as consequências. – Seu rosto se aproximou do meu, de modo com que nossas bocas ficassem a centímetros uma da outra. – E já deu para ver que você não é nem um pouco assim.

E então, ele me beijou.



Notas finais
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