Even Love
15 Capítulo XIV - Gatinho medroso.
Notas iniciais
Viu? Eu disse que não demoraria a postar. u-u Até porque eu queria agradecer a recomendação que eu ganhei, muito obrigada. s2
Boa leitura!
Os lábios de Eric eram gelados e macios.
Eu apenas fiquei ali, parada e estática. Acho que meu cérebro não tinha conseguido acompanhar seu movimento e, por isso, eu ainda estava ali, com os olhos arregalados e com minhas mãos apertando o banco de couro em baixo de mim.
Pareci despertar quando senti sua gélida língua passar por meu lábio inferior. Tentei me afastar imediatamente, mas Eric, com uma rapidez que não consegui acreditar, colocou as duas mãos em meu rosto, puxando-me para mais perto ao mesmo tempo em que sua língua invadia minha boca a força. A boca de Eric tinha um estranho gosto metálico, quase como se ele tivesse acabado de beber um copo de sangue. Seu beijo era incrivelmente apaixonante e ardente, que, por um momento, me esqueci da ideia de fugir dali. Eric explorava toda a minha boca, como se quisesse memorizar cada centímetro.
Saia de perto dele. Não confie nele. Pulei no banco ao ouvir minha própria voz em minha cabeça, mas isso me despertou para onde eu estava e com quem eu estava, e, antes mesmo que eu pudesse fazer algum movimento, ouvi o barulho da porta ao meu lado se abrindo num baque e logo depois uma coisa quente rodeou meu braço, puxando-me para fora do carro. E então, tudo aconteceu rápido demais.
Eu estava fora do carro, com a respiração ofegante e as pernas bambas. Patch estava ao meu lado, com uma mão pousando em meu ombro e uma expressão assassina no rosto. Seus olhos que já eram pretos, agora pareciam mais duas órbitas negras que absorviam cada detalhe daquela cena. E Eric... Bem, Eric tinha saído do carro em tal velocidade que meus olhos não puderam acompanhar, ele também tinha uma expressão de ódio no rosto e, era impressão minha, ou suas presas pareciam ou pouco maiores do que o comum? Não tive tempo de arrumar uma explicação plausível para isso, porque Patch tinha me deixado de lado e parado na frente de Eric, de modo que eles ficassem na minha frente, se encarando mortalmente.
E mesmo ali, no meio de toda aquela confusão, não pude parar para notar as diferenças entre os dois.
Eric tinha cabelos loiros e bem penteados, olhos claros, que pareceriam gentis se eu não já conhecesse seu lado psicopata, suas roupas estavam de acordo com sua idade, uns 25 anos. Ele vestia uma calça jeans clara e reta, camisa rosa clara com gola V, uma jaqueta de couro marrom e sapatos pretos e lustrosos. Ele era alto. Muito alto. Talvez uns 1,95 de altura. Seus músculos eram esguios e não tinha nada muito definido.
E bem a sua frente, estava seu contraste em pessoa.
Patch devia chegar facilmente aos 1,90 de altura, mas seus músculos eram definidos e duros, tanto que nem uma de suas roupas conseguia esconder. Os cabelos, que agora estavam escondidos em baixo de um boné azul, eram negros e se enrolavam em pequenos cachos na região da nuca. Os olhos pretos que eram calmos e apaixonantes, agora estavam com uma aparência maléfica, assim como seus lábios carnudos se contorciam num careta enquanto olhava para Eric. Patch já usava uma roupa bem mais descontraída, uma calça jeans preta meio justa – que me dava uma visão ótima de seu bumbum -, botas de motoqueiro, e um casaco de moletom cinza de zíper e, por baixo, uma camisa preta.
Os dois pareciam ser de mundos diferentes, mas, ainda assim, eu sentia uma forte atração por ambos.
— Eu disse para não tocar num fio de cabelo da Nora. – Rosnou Patch. O músculo de sua mandíbula estava cerrado, assim como seus punhos. Como se ele estivesse pronto para pular em Eric. – Eu avisei para ficar longe dela!
Eric sorriu de canto, com sua expressão se tornando cada vez mais assustadora.
— E desde quando eu obedeço as suas ordens?
— Desde quando meu punho socou a sua cara. – Rebateu Patch com sarcasmo. Eric trincou os dentes, encarando-o.
— Quer mesmo arrumar briga, anjinho? – Debochou.
— Claro que sim. Esperei quase duas décadas para poder chutar essa sua bunda.
Eric se curvou um pouco para frente, ficando quase em posição de ataque, como se fosse um felino ou algo do tipo. Eu quase podia sentir a hostilidade saindo dos dois. Eles estavam ali. Na minha frente. Brigando... Por mim? Ou será que só agora estariam acertando as contas sobre a garota que eles haviam disputado? E eu tinha ouvido errado, ou Patch tinha dito “duas décadas”? Nem ele chegava a ter duas décadas de idade, como poderia ter esperado tudo isso?
Mas nada aconteceu. Apenas o silêncio. Nenhum dos dois chegou a se mover um milímetro para ir para cima do outro, eles apenas se encaravam. Até que Patch disse, numa voz calma:
— Está com medo, gatinho medroso?
E então tudo pareceu ir rápido demais para meus olhos conseguirem acompanharem. Num segundo, Eric estava pulando em cima de Patch. Eles caíram na grama, com as costas de Patch sofrendo todo o impacto. Mas ele nem pareceu sentir, porque logo depois ele já tinha empurrado Eric e agora estava em cima dele. Os punhos de Patch socavam o rosto do loiro com força e agilidade, tanta que eu esperei ouvir os ossos de Eric se quebrando, ou ao menos um protesto de dor vinda de sua parte. Mas nada aconteceu.
Recuei para trás, exasperada. Tropeçando em meus próprios pés, cai de bunda na grama. E esse foi o meu pior erro. Patch virou o rosto em minha direção, como que para ver se eu não tinha me machucado, e foi nesse momento que Eric conseguiu jogá-lo para trás com um chute.
— Pare! – Gritei para Eric quando o vi levantar-se do chão, meio cambaleante. Ele andou com calma até Patch – que já tinha se levantado – e parou, olhando-o dos pés a cabeça.
— Você ficou mais forte desde aquela vez. – Ele passou as costas da mão nos lábios para limpar um pequeno filete de sangue que tinha escorrido de sua boca.
Patch deu os ombros.
— Então, da próxima vez, pense melhor. – Patch passou a mão em seu casaco para limpar tirar a sujeira que os sapatos de Eric tinham feito ali. – Beije um poste, não minha garota. Ou eu vou cortar sua língua fora com uma faca de prata.
As palavras de Patch quase fizeram meu peito explodir. Minha garota. Minha garota. Minha garota. Então eles estavam brigando por mim. E ele ainda tinha terminado a frase ameaçando cortar a língua de Eric com uma... Faca de prata? Isso era no mínimo sinistro.
— Não tenho medo de você. – Eric murmurou.
— Deveria ter. – Disse Patch num tom ameaçador. – Não chegue perto dela.
Abaixei a cabeça por um segundo para conseguir me levantar do chão e, quando voltei a levantá-la para olhá-los, Eric estava com sua mão branca no pescoço de Patch, enforcando-o. Mas o mesmo nada parecia sentir, pois logo depois também levou sua mão ao pescoço de Eric.
— Isso é uma ameaça? – Perguntou o loiro.
— Sim, é uma ameaça. – Respondeu Patch. E, como se entrassem em um acordo silencioso, os dois abaixaram as mãos no mesmo momento, deixando-as caírem ao lado do corpo.
Eric riu, seco, antes de começar a andar até seu carro. Ele me lançou um ultimo olhar antes de abaixar a cabeça para entrar no carro. Dei um passo para trás, como se a força daquele olhar estivesse me empurrando para trás. A BMW M5 avançou para frente apenas com o ronco silencioso do motor, e em poucos segundos, ele já estava no fim da rua.
— Vocês são completamente loucos. – Murmurei, dando ênfase em casa palavra.
Patch veio até mim e chegou a abrir os braços com a intenção de me abraçar, mas pareceu pensar melhor e só parou a minha frente.
— Você está bem? – Perguntou. Pude notar que ele ainda se controlava para não me tomar num abraço.
— Sim. – De repente lembrei que a única coisa que tinha sofrido era um tombo, e porque tinha tropeçado em meus próprios pés. Passei a mão na parte de trás de minha calça pra tirar a terra que havia grudado ali.
— Escute, Nora... – Ele começou a falar, mas eu levantei a mão, interrompendo-o.
— Acho que eu que deveria fazer você escutar, não? – Mordi o lábio. – Isso foi você defendendo minha honra ou acertando as contas por causa daquela outra garota?
— Outra garota? – Ele arqueou a sobrancelha.
— Aquela que vocês disputaram antes. A que era parecida comigo. – Isso devia estar mexendo com ele, mas eu simplesmente não conseguia parar de questioná-lo.
Eu queria saber oque a outra garota significava para ele. Eu queria saber se ele ainda sentia algo por ela. Se ela era mesma parecida comigo. Se ele realmente gostava de mim ou só tinha se interessado porque eu era parecida com sua ex-namorada morta.
E eu queria saber sobre isso, porque eu estava começando a me apaixonar por Patch.
Mas ele não respondeu, apenas ficou estático a minha frente.
— Eu realmente sou parecida com ela, não sou? – Assenti para mim mesma. – É por isso que se aproximou de mim? Por que eu me pareço com sua ex-namorada morta? – Aumentei um pouco um tom de voz.
Patch levou as mãos à cabeça, tirando o boné e bagunçando todo seu cabelo. Ele obviamente estava nervoso, e isso só me fazia tirar mais conclusões precipitadas.
— É verdade, então. O que Eric disse era verdade. – Coloquei uma mecha de cabelo para trás da orelha, tentando manter minha atenção em qualquer outro lugar que não fossem as reações de Patch.
Deixe ele se explicar, pensei.
— Você acredita mesmo em Eric Northman, Nora? O cara que acabou de te beijar a força? – Sua voz estava rouca, e ele de repente parecia exausto e cansado. – Vai mesmo acreditar nas baboseiras que ele diz? Sim, nós brigamos por uma garota antes. E sim, ela era muito parecida com você. Mas, Nora... – Ele deu alguns passos, acabando com a distancia entre nós, só para pegar meu rosto entre suas mãos, forçando-me a olhar para ele. – Vocês conseguem ser tão iguais e tão diferentes ao mesmo tempo. Sua personalidade é totalmente oposta ao dela, e eu estou apaixonado por isso. Pelo o que você é por dentro. – Com o indicador, ele tocou o local onde, agora, meu coração batia forte. – Consegue acreditar em mim?
Encarei-o por um tempo. Ele parecia estar sendo sincero com suas palavras.
Finalmente, concordei com a cabeça.
— Mas você não me contou tudo. O que diabos foi aquilo com Eric? Ele parecia um animal... – Sussurrei, me entregando completamente as caricias que Patch fazia em meu rosto.
— Tem coisas que você ainda não está pronta para saber. – Uma de suas mãos escorregou por meu pescoço, passando por meu ombro, braço e finalmente parando em minha cintura, apertando-me contra ele, num abraço carinhoso.
— Eu não vou engolir essa desculpa, Patch. — Ele não disse nada. Apenas me abraçou. – O que? Vai me dizer que Eric é um vampiro? – Ri de minha própria piada enquanto Patch continuava em silêncio.
— Tudo ao seu tempo. – Sussurrou em meu ouvido, e enfim deu-me um beijo molhado e delicado em minha testa.
Ao invés de estar tentando engolir tudo o que ele me disse, tudo o que eu conseguia pensar era que: não era ali que eu queria ter ganhado um beijo.
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