Even Love
17 Capítulo XVI - Seria tudo um sonho?
Notas iniciais
Eu estava em pé em frente a porta do Fangtasia.
Alguma coisa tinha me levado até ali, e eu já tinha quase certeza de que sabia o que era. Eu sabia o que Eric era – ou pelo menos tinha duvidas que ele não era um simples maníaco -, primeiro ele entra em minha vida, fazendo de tudo para conseguir ficar comigo, depois morde o pescoço de minha melhor amiga, e agora
Will morre com o pescoço totalmente dilacerado.
Antes, uma voz em minha cabeça me implorava para ficar longe de Eric Northman, mas agora ela sussurrava para que eu fosse atrás dele, porque, no fundo, eu sabia oque ele era. Não sei como, mas simplesmente essa ideia maluca surgiu em minha cabeça e me fez parar para pensar. Era como se eu apenas estivesse esquecido esse fato. Como se eu já tivesse convivido muito tempo com essa verdade e agora simplesmente tivesse esquecido. Era frustrante.
Mas a voz continuava dizendo para que eu fosse até ali, para que eu o fizesse confessar a verdade e para que eu o fizesse pagar pelo o que fez com Victoria e Brian. Eu podia ser louca por dar ouvidos a uma voz dentro de minha cabeça – ou por ter essa voz em minha cabeça -, mas eu tinha que tirar satisfações.
Não tinha ninguém na frente do bar e tudo indicava que também não havia ninguém do lado de dentro. Eram exatamente 20h00min e o bar só abria as 22h00min, eu teria tempo de sobra para encurralar Eric. Eu o faria pagar.
Dando um suspiro alto e audível, empurrei a porta pesada do bar e entrei. E sem ter tempo nem para dar uma olhada do lado de dentro, ouvi o barulho de algo quebrando. Imediatamente virei-me para o balcão a tempo de ver a cara de espanto de uma mulher vestida de garçom e com cacos de vidro espalhados perto dos pés.
— Ah, meu bom Deus. – Ela sussurrou. – Será que é possível?
A mulher devia ter no máximo 35 anos. Era loira, baixinha e a pele era tão bronzeada e entupida de cosméticos que chegava a ser laranja. O chiclete em sua boca ficou bem visível quando ela se aproximou de mim correndo e com a boca aberta ainda de espanto.
— Sou a Britney! Lembra-se de mim? – Britney abriu um sorriso que mostrou todos os seus dentes escurecidos pelo fumo. – Mas eu pensei que você... Você não envelheceu um dia. – Ela disse e sua mão foi para meu rosto, com a intenção de tocar em minha pele.
E então uma porta bateu com força atrás de nós, ela se encolheu de medo e eu não precisei nem olhar para dizer quem estava ali. Fechei os olhos com força, para abri-los e me virar para encarar Eric.
Ali estava ele. Vestindo apenas uma calça jeans escura perigosamente baixa, e sapatos. Deixando seu peitoral, definido e branco, amostra. Um sorriso cheio de segundas intenções surgiu em seu rosto quando me viu parada ali, o encarando.
— Cuidado para sua baba não molhar o chão, Nora. – Ele encostou-se ao batente da porta e cruzou os braços. Só ai fui perceber que eu realmente o comia com os olhos. Recompus-me e andei até ele em passos largos.
— Preciso falar com você. Agora. – Completei e ele sorriu, saindo da frente da porta e me dando espaço para entrar. Eric foi logo atrás de mim.
— Bem, já estava mais do que na hora. – Ele logo encostou as costas na porta de madeira e cruzou os braços. – Veio saber a verdade, não é? Finalmente relacionou as coisas.
— Eu quero saber tudo. Começando pelo oque você é. – Disse no calor do momento, deixando-me levar por uma força dentro de mim que eu nem conhecia, mas logo me arrependi, e se ele só fosse um humano com sérios problemas psicológicos?
Eric riu.
— Você sempre quer ir direto ao ponto. Nessa questão você não mudou em nada. – Ele foi até mim, por meio da força bruta, puxou meu queixo para cima para que eu pudesse olhar em seus olhos. – Céus. Você está mais gostosa do que há dezessete anos, se é que isso é possível.
Tentei me soltar dele, mas sua outra mão agora me prendeu pelos cabelos, fazendo-me olhar para ele e somente para ele. Cerrei a mandíbula, decida a não deixar ele me beijar de novo, mas ele apenas continuou falando.
— Lembra-se dessa mesa? – Ele virou minha cabeça e me fez fitar uma mesa de escritório, a madeira era escura e estava na cara de que era uma velharia. Senti seus lábios roçarem em minha orelha quando ele disse num sussurro: — Foi ai que transamos pela primeira vez.
Dito isso, um choque pareceu me atingir, fazendo-me lutar contra as mãos de Eric até que ele me soltasse. Rindo, ele foi se sentar a ponta da mesa.
— Do que você está falando? – A sensação estranha tomou conta de meu estomago e minha cabeça parecia prestes a explodir. – Eu nunca transaria com você.
— Não sóbria. – Deu os ombros.
— Você vai me contar ou não a verdade? – Apontei para ele. – Você poderia ter matado a Victoria! Você matou o Will! – Explodi e fui para cima dele, tentando socá-lo o máximo que conseguisse, mas suas mãos foram mais rápidas e pararam meus punhos no meio do caminho.
— Sou um vampiro, Nora. – Disse como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. – E se quer saber, o sangue daquele asiático era incrivelmente bom. – Sua risada rouca ecoou pela sala.
Olhei-o, esperando que ele desmentisse ou apontasse para mim e dissesse que era brincadeira. Mas nada aconteceu. Por mais que aquilo fosse loucura. Uma baita de uma loucura. Em algum lugar da minha mente, da minha mente obscura e estranha, aquela pequena voz que vinha me incomodando desde que eu o conheci, estava concordando com ele. Como se de repente tudo tivesse se colidido.
A sala ao meu redor girou. Uma. Duas. Três vezes, até que eu senti meus joelhos cedendo e eu cai de bunda no chão.
Ele era realmente um vampiro? Não que ele não parecesse com um. Mas vampiros realmente existiam? A resposta era bem clara em minha cabeça.
Sim. Eles existiam.
— Você é doido. – Sussurrei, em negação. Tentei levantar-me, mas senti uma pontada forte em minha cabeça, e então voltei ao chão.
Vampiros existem, Nora. Você já os viu. Você já amou um. Minha outra eu com a voz distorcida sussurrou em minha cabeça e eu apertei meus ouvidos como se pudesse evitar que o som chegasse até mim.
— Tem certeza que eu sou o doido por aqui? – Ouvi a voz de Eric e logo depois uma mão agarrou-me pelo braço, me levantando com facilidade e guiando-me até o pequeno um sofá de couro, onde curvei meu corpo e escondi minha cabeça.
Eu estava enjoada.
— Só isso? – Ele de repente disse. – Não vai perguntar sobre os vampiros? Ou sobre sua... – Ele não terminou de falar, porque a porta de madeira se chocou contra a parede fazendo um baque tão forte que me fez pular do sofá.
Olhei para a porta e o vi. Minha salvação, ou melhor, perdição. Lá estava ele, com seus cabelos pretos e macios presos sobre um boné azul, seus olhos negros e brilhosos não me olhavam, mas sim a Eric, encarando-o com raiva.
— Achei que tivesse dito pra ficar longe dela. – Disse com a voz baixa e controlada, e num piscar de olhos ele já estava prensando Eric contra a parede, com uma mão apertando com força a garganta do mesmo.
— E eu que tivesse dito pra não encostar em mim. – Eric debateu e as posições mudaram. Agora Patch estava contra a parede. – Tem que contar para ela. Até quando acha que ela vai aguentar sem saber de nada? Quanto tempo acha que vai demorar até ela explodir?
— Eu decido isso. – Eles se soltaram e Patch andou até mim. – Ela é minha. Sempre foi. Você não tem direito de dar sua opinião sobre nada. – Patch ofereceu a mão para mim, fitando-me de um jeito tão intenso que por um momento imaginei nós dois num universo paralelo.
Mas a fantasia acabou. E eu voltei a dura e louca realidade que eu estava vivendo.
— Não. – Murmurei e cruzei os braços para que ele não pegasse minha mão. – Eu quero saber a verdade.
— Não há verdade nenhuma, Nora. Ele só está colando besteiras na sua cabeça.
— Se são besteiras, então porque tudo faz tanto sentido na minha cabeça? – Minha voz saiu embargada, mas eu me recusava a chorar na frente deles. – Por que desde que eu conheci vocês tudo na minha vida mudou? Por que eu tenho esses flashs? Por que eu sinto como se já conhecesse vocês dois há tanto tempo? E não se atreva a dizer que eu estou ficando louca. Eu sei que você também sente isso, e também sei que estão escondendo alguma coisa de mim. – Juntei todas as forças que me restavam e levantei-me num pulo. Encarei os dois. – Se tem alguma coisa que querem me contar, é melhor que digam agora, porque eu juro que vou sair por essa porta e nunca mais vou falar com nenhum dos dois.
Eles se entreolharam e Patch foi o primeiro a fazer alguma coisa. Ele andou até mim, e quando pensei que ele fosse me tocar, fechei os olhos esperando que sua pele morna tocasse a minha, mas invés disso apenas se sentou no sofá onde eu estava e me puxou junto.
— Dizendo assim parece tão fácil. – Ele disse e tirou o boné da cabeça, deixando seus cachos negros soltos. – Você acredita em anjos, Nora?
— Anjos do tipo Deus e Lúcifer? – Perguntei incrédula.
— Isso. – Ele estalou a língua e passou a mão pelos cabelos. – Vai parecer loucura se dissesse que sou um desses anjos?
Minha boca se abriu, mas logo a fechei de novo.
— Sim. Vai parecer loucura. – Balancei a cabeça devagar, tentando engolir essa ideia.
— A Nora passada era bem mais interessada em seres sobrenaturais.– Intrometeu-se Eric. Eu e Patch olhamos para ele ao mesmo tempo, e ele só levantou as mãos, num gesto de paz. – Só estou dizendo.
— Que droga de “Nora Passada” é essa? – Perguntei, com a voz calma. Queria que me levassem a sério, mesmo achando que já estavam brincando comigo desde a hora em que Eric disse que era um vampiro.
— Você acredita em reencarnação? – Patch perguntou. Abri a boca pra responder, mas Eric passou na minha frente.
— Conte de uma vez. Não vejo a hora de poder cravar minhas presas nesse pescoço. – Sua boca pareceu salivar, mas antes que ele desse um passo em minha direção, Patch já estava de pé diante de mim.
Aquilo tudo era uma perda de tempo! Por que ele simplesmente não me contava logo oque estava acontecendo? Passei por Patch e fitei apenas Eric.
— Então fale você. Conte de uma vez.
Ele sorriu para mim, sombrio.
— Você já viveu outra vida, Nora. – Observei-o. – Você é a reencarnação da boa e antiga Nora Grey. Viveu em Coldwater, Maine, durante seus 17 anos de vida, dai que saíram suas lembranças. Você já nos conhece, já convivemos juntos. Inclusive, fomos até namorados...
Patch o cortou imediatamente:
— Eric. – Rosnou.
— Tudo bem, tudo bem. – Deu os ombros. – Você morreu por causa de vampiros, pode até ter sido um pouco minha culpa, mas acredito que sua rebeldia que tenha estragado com tudo mesmo. Quando você morreu, um dos vários inimigos do nosso bom amigo Patch, jogou uma maldição em você. Você reencarnaria e teríamos que conquista-la de novo, e teríamos que controlar bem isso se não quiséssemos mata-la, mais uma vez. – Ele pigarreou.
Respirei fundo e esfreguei bem os olhos para ter certeza de que não estava dormindo. Virei-me para Patch.
— O que ele disse é verdade? – Perguntei mesma já sabendo a resposta.
— Sim, Nora. Nós já namoramos antes, você e Eric já tiveram um pequeno relacionamento também e você morreu no meio disso tudo. No meio dessa disputa entre dois mundos. – Disse sério e veio até mim, puxando-me para um abraço, como se quisesse que eu o desculpasse.
Mas a pergunta era: Como desculpá-lo se eu não me lembrava de nada?
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