Even Love
13 Capítulo XII - Uma carona com Eric Northman.
Notas iniciais
Demorei pra postar? Acho que sim, né? Então, aqui estou eu! A preguiça me possuiu esses dias e eu tava sem cabeça pra pensar. ç-ç
Mas então espero que gostem. Nada demais acontece nesse capítulo, só a entrada de um personagem que depois vai fazer uma diferença na história, as loucuras da Vic e um plano de Eric Northman. ((: Sinto muito, mas o Patch não aparece nesse capítulo. ~todas choram.
Aproveitem! Prometo que não vou mais demorar tanto tempo pra postar. Perdoem os erros. Meu Finale chegou e eu não vejo a hora de ler, então obviamente não dá tempo.
O relógio da sala de estar tocou, anunciando que já eram 15:00 horas.
Coloquei a ultima trouxa de roupas sujas na máquina de lavar e então sai da lavanderia, indo em direção a cozinha, parei encostada ao balcão enquanto virava de uma vez só um copo de água. Quase que automaticamente, o que eu vinha evitando o dia todo aconteceu. Patch já estava em meus pensamentos.
Nem limpar a casa toda conseguiu me distrair. Eu tinha lavado o banheiro, limpado cada canto da sala, arrumado os quartos e por fim, tinha lavado toda roupa suja que estava espalhada pela casa. Nada. Absolutamente nada disso conseguiu que eu ficasse sem pensar nele. E francamente? Eu já estava me irritando com isso.
Não falava com Patch desde sexta-feira à tarde. Tinha me controlado ao máximo por não chamá-lo de volta para dentro quando o vi indo até sua moto, pela janela da cozinha. Meu celular estava desligado caso eu caísse na tentação de discar seu número. Eu precisava ficar sozinha. Pensar e apenas relaxar seria bom para minha mente perturbada.
Não era bom pensar nele o tempo todo, eu não queria me apaixonar por Patch.
Afinal, o amor era complicado.
Mas não podia deixar de pensar que se eu não tivesse conhecido Patch, num domingo normal, á essa hora da tarde, eu estaria deitada em minha cama enquanto teclava numa conversa animada com Brian, ou talvez estaria pensando o que usaria para impressionar Brian, ou como tentaria beijar Brian da próxima vez em que nos víssemos, ou simplesmente em Brian. Ele me fez parar de pensar em Brian, o que era uma coisa surpreendente. Meus devaneios frequentes por meu melhor amigo foram trocados por devaneios com um cara chamado Patch Cipriano.
Depois das lembranças que eu vinha tendo, era difícil não imaginá-lo ao meu lado. Antes de conhecê-lo, eu nem me imaginava vivendo um “feliz para sempre” com alguém, e muito menos tendo tanto desejo assim. Patch despertava uma parte de mim que eu nem sabia que existia. Uma Nora que acreditava em contos de fadas e finais alegres, uma Nora que era tudo o que eu tentava não ser. Boba e apaixonada.
Perdida em pensamentos, dei um pulo quando o celular vibrou em meu bolso. Uma mensagem de Victoria.
“Hoje vou fazer minha primeira tatuagem! Não é legal? E você vai comigo. Passo na sua casa em vinte minutos. Beijos.”
Suspirei pesadamente e subi as escadas correndo. O banheiro estava quase brilhando de tanto que eu o tinha esfregado com força, devido a raiva de me pegar pensando em Patch.
Tomei um banho rápido e gelado. O tempo lá fora estava quente, como quase todos os dias na Califórnia, então vesti um short escuro, uma blusa de mangas com algumas estampas coloridas na frente e um tênis azul da Nike. Olhei-me uma ultima vez na frente do espelho e acabei soltando os cabelos, deixando que eles ficassem caídos até o meio de minhas costas. Eles não tinham uma cor definida, estavam num tom entre o cobre e o castanho escuro, era cacheado e não era domado nem pela melhor capinha do mundo.
A campainha lá em baixo tocou e, atrás da porta, Vic estava pulando de um lado para o outro, empolgada.
— Não é o máximo? – Perguntou colocando os cabelos para o lado. – Finalmente convenci minha mãe a me deixar fazer uma tatuagem!
— Claro. – Concordei, saindo de casa e trancando bem a porta.
Isso sim era uma novidade. A mãe de Victoria era muito dedicada á igreja e, acima de tudo, dava muita importância para os comentários que suas amigas de culto diziam. Basicamente, eram um grupo de velhas que fofocam de tudo e de todos. E certamente ela não ia que a filha a entrasse como um dos tópicos de chacota por ter uma tatuagem. Bem, seria uma surpresa se ela até agora não fosse alvo dessas zombarias, já que agora ela estava com o cabelo raspado num dos lados da cabeça e tinha todo o tipo de piercing espalhado pelo corpo.
— Vamos ter que ir de ônibus. – Ela bateu um dos pés, irritada, mas logo começamos a andar até o ponto mais próximo. – Meu irmão saiu com a droga do carro na noite passada e até agora nada dele voltar.
— Tudo bem, o estúdio do Tate é perto. – Dei os ombros, pouco me importando se teríamos que andar de ônibus.
— Espero que ele faça barato para mim. – Resmungou Vic. Tate era dono de um dos mais famosos estúdios de tatuagem dessa área, nós éramos bem chegadas a ele já que hora ou outra Victoria decidia que queria se furar em outro lugar.
Vimos um ônibus se aproximar, no final da rua, e corremos para chegar ao ponto á tempo. Embarcamos e nos sentamos na ultima fileira. O ônibus era o meio de transporte mais comum naquele estado da Califórnia, já que os terremotos eram um pouco freqüentes, os metrôs estavam fora de cogitação.
Em alguns poucos minutos, estávamos no centro da cidade. Era verão, então os turistas lotavam as lojas, igrejas e pontos turísticos, mas principalmente as praias. Passamos, ainda de ônibus, pela frente da praia mais frequentada, quase não dava para ver areia de tantas toalhas que se estendiam por cima dela.
Vic deu um pequeno pulo ao meu lado.
— Definitivamente nós temos que vir á praia. – Disse, sorrindo. Victoria era uma daquelas pessoas que poderia passar um dia todo na praia e acabaria o dia com a mesma cor. Ou até mesmo um pouco mais pálida. Diferente de mim, que era só pegar um sol e já ficava parecendo um pimentão.
Apenas dei os ombros. O ônibus parou no ponto que ficava em frente ao estúdio e, num pulo, nós estávamos lá dentro. Como já era esperado, fomos recebidas pelo abraço apertado de Tate. Visto de longe, você nunca imaginaria que ele era tatuador. Talvez fosse por seu porte físico. Ele era imenso, devia ter no mínimo uns 1,97 de altura, seus ombros eram enormes e seus braços musculosos eram do tamanho de uma tora de árvore. Digamos que ele tinha o corpo digno de um lenhador. A cabeça era raspada e, por baixo da regata fina e gasta que ele usava, ele tinha praticamente uma camisa de tantas tatuagens.
— Pode me soltar agora, Tate. – Protestei, quando ele me abraçou forte demais.
— Ah, desculpe. – Encolheu os ombros. Ele podia ser enorme, mas lá no fundo era tímido e carinhoso. – E então, que parte do corpo a Victoria veio furar hoje? Se ainda resta alguma intacta. – Tate riu.
— Rá-rá. – Vic disse, sarcástica. — Quero fazer uma tatuagem. – Cruzou os braços para esperar a resposta.
— Você é de menor, seus pais teriam que vir juntos. – A voz de Tate foi alta e clara. E num instante, a alegria de Victoria acabou e ela deixou os braços caírem ao lado do corpo. E foi nesse exato momento que Tate começou a gargalhar.
Virei-me para ele com a sobrancelha erguida.
— Estou brincando com você. – Conseguiu dizer em meio às risadas. – É claro que eu faço para você.
O sorriso voltou ao rosto de Victoria, e ela bateu palmas.
— Ótimo. Estive pensando em algo sexy e assustador. Sabe? – Ela começou a tagarelar enquanto Tate nos levava até uma das muitas salas climatizadas do estúdio, ele bateu na porta de uma, mas não teve resposta, então ele a empurrou gentilmente.
A sala era toda branca e iluminada, o carpete era vermelho escuro e possuía poucos móveis. Apenas um sofá, uma daquelas cadeiras reclináveis de tatuador junto de uma mesa de aço com todos aqueles equipamentos, uma banqueta e uma escrivaninha lotada de papeis que estava num dos cantos. A única prova que aquele lugar era realmente habitado por alguém eram os pôsteres que lotavam as paredes. A maioria com imagens de animes e mangás e alguns com fotos de bandas.
— Fiquem aqui, vou chamar o Will. – Disse Tate e nos deixou ali na sala. Victoria já se sentou na cadeira reclinável e eu me contentei com o sofá velho que estava encostado em uma das paredes.
— Isso vai ser tão legal. – Cantarolou minha amiga. Não se passaram nem dois minutos e a porta se abriu, revelando um garoto que não devia ter nem dezoito anos de idade. Os olhos eram puxados, o cabelo cor de areia caia de forma delicada e bonita em seu rosto, os olhos eram castanhos claros e a pele meio pálida.
— Yo. – Ele cumprimentou em japonês.
Eu cumprimentei de volta em quanto Vic soltava um “O que?”. Ele riu.
— É uma saudação, Vic. – Eu expliquei, revirando os olhos.
— Ah, é muito difícil dizer “oi”? – Resmungou, obviamente brava por ser a única a não entender.
O tatuador riu mais uma vez e entrou mais na sala. Ele vestia uma camisa preta por de baixo de sua jaqueta branca, a calça era preta e justa nos lugares certos. Senti o cheiro cítrico de seu perfume quando ele passou por mim.
— Sou Will. – Ele sentou-se na banqueta ao lado de Vic, já colocando as luvas. – E vocês?
Bem, ninguém podia dizer que ele não era simpático. E nem que não era bonito, ele tinha certa beleza oriental.
Victoria continuou irritada, com os braços cruzados.
— Nora, prazer. – Sorri para ele. – E essa pessoa ignorante ai, é a Victoria.
Will sorriu para mim de modo encantador, antes de colocar a máscara azul que tampava seu nariz e boca. Eu me senti boba por um momento. Vic, vendo a troca de sorrisos entre mim e Will, pigarreou.
— Você não é novo demais para ser tatuador? – Perguntou.
— E você não é nova demais para fazer uma tatuagem? – Rebateu Will. Segurei para não rir quando Vic franziu a testa para ele. – E então, o que vai querer?
— Eu estive pensando em... – Ela se curvou para poder sussurrar no ouvido do garoto. Ele ergueu o olhar para mim enquanto ela se ajeitava e sorria, inocente.
— Tudo bem. – Will começou a preparar os materiais a mesa ao seu lado e depois se virou para mim. – Ela disse que preferia ficar sozinha na sala enquanto eu faço meu trabalho.
— Vic! – Exclamei.
— Eu quero fazer uma surpresa. OK? – Ela se deitou de barriga para baixo na cadeira reclinável e levantou a blusa roxa que usava até a metade das costas. Will lançou-me um olhar tímido enquanto eu me levantava do sofá e ia para a porta.
Sai batendo a porta atrás de mim. Voltei para a recepção e joguei-me num dos sofás de couro que mobiliavam a sala.
Demorou mais ou menos duas horas para Vic sair de lá de dentro. Nesse tempo, eu já tinha saído para tomar sorvete, conversado com a secretaria de Tate, isso tirando às vezes em que quase cochilei no sofá. Finalmente, Victoria saiu da sala, acompanhada por Will.
— Demorei? – Perguntou em quanto parava na minha frente. Levantei-me do sofá, sonolenta e com o cabelo esparramado. Ela foi até o balcão da recepção e puxou o cartão de crédito da mãe de dentro da bolsa. Enquanto Vic pagava, Will ficou para trás para conversar comigo.
— Sua amiga fez uma tatuagem realmente estranha. – Ele disse parando ao meu lado.
— Ela é estranha.
— Eu que o diga. Ele deu em cima de mim o processo inteiro. – Seus olhos castanhos me fitaram. – Mas eu estava mais interessado na amiga ruiva dela.
— Eu não sou ruiva. – Cortei-o e quase pude vê-lo ao meu lado com uma cara de tacho.
— Hm, tudo bem. – Pigarreou. – Então, eu estive pensando... A gente poderia sair, não sei. Se você me passar seu número talvez nós pudéssemos combinar alguma coisa.
Virei-me para ele, que automaticamente sorriu. Um sorriso cheio de dentes braços e brilhosos, realmente bonito, mas o único sorriso que eu queria ver agora, era o de Patch. Percebi. Vendo pela minha expressão que eu ia dar um fora, ele se apressou:
— Ah, vamos. Dê-me uma chance.
Bem, eu precisava mesmo tirar Patch de minha cabeça, pelo menos um pouco.
— Tudo bem. Passe seu celular. – Ele se rapidamente já estava com seu Iphone branco em mãos e eu coloquei meu número na agenda dele. Devolvi o celular bem a tempo de Victoria se virar e se despedir, de um jeito intimo demais, de Will.
— Nos vemos qualquer dia. – Disse ela e logo me puxou para fora da galeria. Lá fora o céu já estava escuro e batia uma leve brisa. Os carros passavam tranqüilamente na rua vazia a nossa frente e a maioria dos banhistas que saiam da praia só ao entardecer, estavam a pé, arrastando suas bóias e toalhas pela calçada.
Comecei a andar para o lado que o ponto de ônibus estava, mas Vic começou a me arrastar para o lado contrario.
— Onde você está indo? – Perguntei, soltando-me dela.
— Enquanto eu estava lá dentro, meu novo namorado me ligou e perguntou onde eu estava, bem, eu disse, logo ele se ofereceu para me dar uma carona. Não é fofo? – Sorriu. Estávamos caminhando até o único carro que estava realmente estacionado perto ao meio-fio.
Era uma BMW M5, um dos últimos carros lançados pela empresa. Branco, polido e com cheirinho de novo. Comecei a imaginar quem seria a paixão da semana de Vic, para ter um carro desses, não podia ser qualquer um.
— Não vai me mostrar sua tatuagem? – Perguntei quando estávamos chegando perto do carro. Ela parou por um instante e levantou a blusa. O desenho era realmente estranho. Ali, nas costas dela, estava uma mulher com o rosto contorcido numa expressão de pânico enquanto, de seu pescoço, jorrava sangue. A fonte do ferimento eram quatro furinhos perto de sua jugular.
Obviamente ela fora mordida por um vampiro. Arrepiei-me com a idéia dos vampiros, eles eram legais e tudo mais, mas do jeito que o sangue saia da garganta da mulher me deixava atordoada.
— Price. – Ela me chamou pelo sobrenome. – Qual é? Não está com medo da tatuagem, não é? Ainda falta colorir a maior parte, por isso vou voltar amanhã. – Ela abaixou a blusa e continuamos seguindo até o carro. Eu estava cabisbaixa, ainda pensando no sangue. Ouvi a porta do carro bater e Vic soltar um gritinho de alegria, imaginei que o príncipe encantado da BMW tinha beijado-a.
Mas quando eu levantei o olhar, pude ver que ele não era muito bem um príncipe encantado. Bem, não que ele não fosse bonito, sexy e gostoso. Digamos que sua personalidade não ajudava muito. Ele era o maior idiota.
O caminho para casa ia ser longo. Afinal, eu ia pegar uma carona com Eric Northman.
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