Eva

1 Prólogo


Notas iniciais
Façamos o homem à nossa imagem, como nossa semelhança, e que eles dominem sobre os peixes do mar, as aves do céu, os animais domésticos, todas as feras e todos os répteis que rastejam sobre a terra (Gênesis 1,26).

–PRÓLOGO-

BRUXELAS , 13 DE FEVEREIRO DE 1799

DIÁRIO DE LUCINDA LEONHEARTHZ

Se algum ser vindo do futuro retornasse à esse tempo e me revelasse todas as consequências dos meus atos, eu não iria acreditar. Mas agora me lamentar já não adianta, uma vez que eu me encontro em uma cela cinzenta, fria e pequena, cujas paredes transmitem a sensação de que irei ser esmagada. A grossa corrente atada à uma pesada esfera de ferro presa na minha canela esquerda, apertando-a , não me deixa esquecer do meu destino certo : serei condenada.

Ah, como eu lamento ter visitado Genebra e ter encontrado essas malditas anotações ! Como eu fui tola ! Gostaria muito de expressar toda minha raiva contra Victor Frankenstein, o autor daquele caderno , mas já não adianta. A forca está cada vez mais próxima e já não há razão para eu lançar pragas contra ele, pois já está morto a muito tempo, pela data. Agora mais do que nunca tenho a convicção de que mereço morrer, pois agi de forma tão monstruosa e desumana quanto ele.

As lembranças de que consegui criar uma criatura perfeita à partir de pedaços de corpos sem vida me arrepia em excitação até certo ponto, pois fui a primeira mulher a conseguir isso, o que já é um triunfo para nós do sexo feminino nesta presente época, já que não temos direito a praticamente nada. Mas os poucos minutos de entusiasmo logo se vão, pois meu coração se aperta ao ouvir os soluços que não cessam do lado da minha cela. É ótimo que há uma grande parede de pedra nos separando, pois odiaria contemplar o sofrimento e a dor estampados no rosto de Anna. Minha filha, minha criação.

Encontrei esse diário soterrado no canto esquerdo desta cela, quando fui trazida para cá depois de Anna e escrevo estas palavras à partir de um pedaço pontiagudo de carvão. Não me incomodo com a negra camada de sujeira que envolve meus dedos e contorna minhas unhas, pois espero relatar nessas páginas amarelas tudo o que aconteceu e o que nos fez parar aqui. Espero sinceramente que após a minha morte alguém o encontre e reflita sobre essas palavras, não importa de onde essa pessoa vem ,o que fez ou o que pretende fazer . Peço meu amigo (ou amiga) que não cometa os mesmos erros que Victor e eu cometemos. Não o conheci mas agora, quando a chegada do meu sono eterno se encontra cada vez mais próxima, sinto que somos tão parecidos quanto eu imaginava.

Mas já não adianta mais chorar pelo meu futuro, deixe-me voltar ao passado. Quando você, caro leitor, encontrar essas palavras amargas, já não estarei mais nesse mundo , então satisfaça meu último desejo, pois já não tenho mais ninguém para fazê-lo por mim : deixe-me leva-lo ao passado. Ao passado que gerou a minha atual ruína, porém vou me apresentar antes : Chamo-me Lucinda Leonhearthz e tenho 25 anos de idade. Fui condenada à forca e enfrentarei minha sentença daqui a sete dias.

Notas finais
Espero que gostem, caso sim, postarei o primeiro capítulo em breve.