Eva

12 Cap. 11


Notas iniciais
Esse é o último capítulo narrado pelo ponto de vista da nossa ''monstrinha'', como alguns leitores já a chamam (rs) . A fanfic já está acabando, e vem muuuuita surpresa e rolo por ai. Gostaria por favor que divulgassem meu primeiro ''vídeo-trailer'' da minha fanfic, no meu canal no YOUTUBE. Sei que tá bem cafona , mas deem um desconto, é meu primeiro vídeo (rs) https://www.youtube.com/watch?v=Kc1wDkch7uA CURTAM, COMPARTILHEM, SE INSCREVAM ! OBRIGADA PELO CARINHO , BOA LEITURA ! AJUDEM NA DIVULGAÇÃO !

Quando adentramos o celeiro, Ian fez-me sentar diante de um pequeno cubo de palha cuidadosamente empilhada e depois sentou-se diante de mim. Abri a garrafa empurrando a rolha utilizando apenas o polegar direito como quem espantasse um inseto.
''--Minha nossa'', ele riu fraco ''--Parece que é uma mulher muito forte. Vem de Genebra ? ''
''--Digamos eu nasci lá '' -- Enfatizei a palavra nasci , quando na verdade fui construída lá. Mais uma vez a lembrança da minha descoberta de toda a verdade fez-me arder de raiva por dentro, mas tentei controlar-me ao máximo, forçando um belo sorriso para ele , ''--Queira me perdoar mas acho que teremos que bebê-la sem taças. Esqueci-me delas.Gosto de ficar em lugares escuros e razoavelmente silenciosos com esse, pois ainda consigo ouvir o som da orquestra mesmo as portas do celeiro estando fechadas.O som está abafado e isso é o que importa .''
''--É alguma amiga de Lucinda ? Uma parente ? Se os Leonheartz não são a sua família, quem são ? '' -- Ele estava bebendo mais do que eu, o que me deixou satisfeita pois a minha ideia era totalmente essa. Sua curiosidade fez-me aproximar ainda mais dele .
''--Não importa,Lucinda já não faz mais diferença na sua vida , certo ? '' -- Sussurrei para ele, que em nenhum momento conseguia desviar os olhos dos meus. Eu percebia que suas tentativas de disfarçar para olhar o decote que o meu vestido formava eram inúteis e aquilo me fez triunfar por dentro.
''--Certo. Já fazia tempo que eu não tinha uma conversa tão agradável quanto esta, já sinto o poder da bebida sobre mim '', -- ele riu, mas desta vez com satisfação e os efeitos do álcool já começavam a afetar sua sanidade .''Dê-me licensa por um momento, vou ver se encontro alguma coisa para comer.'' -- Ele se levantou do seu monte de palha com dificuldades e desapareceu atrás de um outro monte ainda maior.Enquanto eu ouvia os sons que ele produzia , vasculhando atrás de alguma coisa, comecei a andar pelo local. Em um canto, deparei-me com um pequeno bau empoeirado e resolvi abrí-lo. Dentro haviam alguns pequenos objetos que deveriam ter algum valor sentimental para ele, como uma pequena bola dura e branca, um anzol de pesca, um pequeno boneco feito de pano cujos olhos eram botões e um desenho provavelmente feito à carvão, retratando Lucinda de forma tão perfeita que em uma rápida impressão eu julgaria ser uma pintura. Era totalmente idêntico e quando eu me preparava para rasgá-la , ele surgiu do mesmo lugar em que desaparecera. Dobrei o desenho de qualquer jeito e o escondi em uma das mangas do vestido. Ele estava diante de mim com uma pequena bandeija de madeira, que continha um queijo , com uma faca perfurando-o e um pedaço grande de pão.
''--Sinto muito, mas isto foi o melhor que consegui , não tenho tanto luxo quanto o que você provavelmente teve em Genebra. ''-- Ele estava zonzo devido à bebida, a faca fora fincada no queijo de qualquer maneira e ele nem percebera que o pedaço de pão que me apresentava já começava a apodrecer .
''--Não se preocupe com isso meu querido. Já não me importa mais , eu quero só você. '' -- E aproximando-me dele de forma decidida, encostei-o na parede de madeira e o beijei. Ele retribuiu meu beijo com intensidade e me senti satisfeita com tudo o que estava acontecendo. Aquela sensação de prazer era nova e me invadia de forma deliciosa e seguindo meus instintos femininos, deitei-o sobre o chão e comecei a me despir. Ele não percebera que as tiras de pele que Lucinda utilizara para cobrir minhas costuras começavam a se desgrudar de meu corpo , e não demorou muito para que fizéssemos amor , mas após o ato, devido ao seu estado de embriaguez, Ian adormeceu. Levantei-me cuidadosamente e vesti minhas roupas. Enquanto cobria seu corpo com um pano surrado e pensava no que deveria fazer, ouvi um barulho de uma das portas do celeiro se abrindo e quando virei-me para identificar o que era, uma criança alva e de cabelos negros penteados para trás,vestida em um pequeno terno cor de chumbo me olhava com os olhos arregalados.
''--P-Perdão senhorita'' -- O menino gaguejou . ''-- Mas acho que deixei minha bola cair por aqui.Ela rolou para o celeiro então achei que o Sr. Moscovick pudesse me devolver ... '' -- Ele falava pausadamente , olhando do corpo coberto para mim repetidas vezes.
Reconhecendo-o como o irmão caçula de minha criadora e temendo que o menino pudesse ter testemunhado tudo, agarrei-o sem dificuldade com as duas mãos e o ergui.
''--O que você viu ? O que você viu ? '' -- Gritei com raiva . ''-- Diga-me ,miniatura de humano idiota ! ''
''-- Oh, humano ? O que você quer dizer com isso ? Você não é humana ? Eu não fiz nada, eu não sei de nada, juro senhorita ! Por favor me solte ! ''
''-- Não creio em mais nenhuma palavra do que qualquer um do sangue de Lucinda me diga! É por causa da sua irmã que eu me tornei ISTO ! ''-- E usando uma das mãos, arranquei a gargantilha de couro que Lucinda me fizera colocar, revelando as negras , compridas e grossas costuras que davam a volta pelo meu pescoço. ''-- É melhor me dizer a verdade de uma vez por todas, ou corto seu pênis antes mesmo de você descobrir para o que ele serve .''
O menino começou a chorar sem parar e aquele som era ensurdecedor para mim. Ele acabou por urinar nas calças, molhando meus sapatos e aquilo era o suficiente para mim. Com as duas mãos quebrei-lhe o pescoço e joguei o corpo ao lado de Ian, numa tentativa de incriminá-lo.
Quando eu me preparava para manchar o corpo de meu amante adormecido com o sangue do menino , o som da orquestra parara totalmente , pois um choro alto de mulher pode ser ouvido por toda parte. Olhei pelo buraco da fechadura do celeiro e avistei todos os convidados em volta do poço. Alguns homens seguravam tochas e a mãe da criança que eu assassinara chorava descontroladamente abraçada ao marido. Certamente ela deu por falta da criança e alguem encontrou o corpo no poço.
''--Foi ela! Foi aquela garota! Eu lhe pedi para segurar minha filha por apenas alguns minutos e ela a matou ! Tenho certeza ! Porque acham que ela não está aqui ? ''-- A mulher berrava e percebi que Lucinda olhava para o poço não apenas com choque , mas com uma expressão que subentendia de que ela começava a desconfiar de que eu não era tão inocente assim.
Ouvi um ruído de exclamação e reconhecendo a voz de Ian, observei-o olhar para o corpo do menino e para mim ao mesmo tempo, com os olhos arregalados e assustado. ''Então foi você ... '' -- Ele surrurou enquanto sorrateiramente eu colocava um dos braços atrás das costas numa tentativa de pegar uma forquilha que estava encostada ao lado da maçaneta. '' Você é uma assassina ! ''-- Ele gritou. Mas não pode se levantar para pegar as roupas e fugir, pois eu atirei a forquilha contra sua direção que perfurou sua cabeça , fazendo-o tombar para o lado. Tirei a gravura de Lucinda que eu escondera na manga da roupa e escrevi um pequeno recado para ela, atrás do desenho com a ponta do dedo, fazendo o sangue de Ian como tinta.
''--Eu ouvi um grito vindo do celeiro, vamos até lá ! ''-- Alguém gritou e pude sentir aos poucos a claridade das tochas e ouvi barulhos de passos correndo a se aproximar. Coloquei a gravura no colo do meu já ex-amante e correndo, atravessei uma das paredes do celeiro, produzindo um grande buraco na parede de madeira e quando as portas do celeiro foram arrombadas, me escondi atrás de uma árvore.
''--Meu Deus.''-- O irmão mais velho de Lucinda estava horrizado ao ver o irmão e o empregado do pai mortos e sem vida como bonecos. O cheiro de sangue era fortíssimo e o pai de Lucinda desmaiou. Enquanto algumas pessoas tentavam socorrê-lo, outras soltavam murmuros de horror como '' quem seria capaz de fazer algo assim? '' ou '' será mesmo que fora a jovem misteriosa ? ''. Mas os murmuros se calaram quando Benjamin, com a voz tremida devido ao choro pela morte da filha calou a todos.
''--Há algo aqui para... Lucinda''. -- Ele leu com dificuldade , pois certamente as lágrimas embaralhavam sua visão. '' Um bilhete ''.
E avistei minha criadora, caminhando lentamente e se curvando para pegar o papel que eu lhe deixara . Colocou uma das mãos à boca em sinal de horror ao ver que era um desenho seu, assinado por Ian e seus olhos ficaram ainda mais perplexos quando ela virou-o para ler o que tinha atrás, escrito com sangue.
''--Em nome de Deus, o que diz aí? '' -- Ceasar perguntou . E Lucinda leu pausadamente e em voz alta, deixando todos ainda mais apavorados.


'' Sei de toda a verdade. Anna.''