Eu vejo além do monstro
26 Capítulo 26
Notas iniciais
#Gabrielle#
Eu ouvia Xena dar todas as instruções aos seus senhores de guerra, a forma como ela passava as estratégias era impressionante, eu estava maravilhada com a percepção dela para cada ação, cada reação, cada possível evento, eu sabia que ela era inteligente, com uma capacidade de estratégica acima da normal, afinal de contas, não era por acaso do destino que ela era a senhora conquistadora.
Eu não podia negar minha tensão, era a primeira batalha que de fato eu enfrentaria, lutar contra alguns bandidos era de fato perigoso, mas ali, olhando a para aqueles senhores da guerra, homens e mulheres que fazer da morte sua vida, era completamente diferente. Eles possuíam em seus olhares uma chama diferente, era como se ansiassem por isso e Xena não estava diferente, ali ela não era a minha senhora, ela era a conquistadora. Eu somente mantinha as esperanças de que ela não se perdesse, a esperança era meu guia, é o que me faz viver cada dia e principalmente cada noite. E minha esperança naquele momento se resumia a crer em cada palavra de Xena, de que venceríamos aquela guerra, de que voltaríamos para nossa casa, aquela esperança de que depois que mesmo que estivermos nessa guerra, que quando ocorrer de estarmos longe dos nossos olhos não será a última vez que olharemos uma para a outra.
Fui desperta do meu pequeno devaneio pessoal, quando senti o toque de Xena em meu rosto, seus senhores da guerra já haviam se retirado, restando somente nós duas em sua tenda.
— Pequena, já solicitou o ajuste na armadura de sua preferência?
— Sim, minha senhora. – Não havia conotação sexual em minha resposta, mas não pude evitar de sentir minhas pernas bambas ao receber aquele olhar de Xena, o mesmo que ela me dá quando está faminta de me ter.
— Me excita quando ouço você me chamando de minha senhora em qualquer circunstância, mas irei me refrear até este momento de maior tensão passar, vá se arrumar pequena, temos longas marcas de vela pela frente, você verá pelas próximas luas o pior lado da humanidade, e isso incluí meu pior lado, e meu único desejo e esperança é que você veja além do monstro!
— Xena, eu sei quem você é, e sei em quem precisará se transformar, e eu admito que me assusta, mas compreendo, eu lhe aceito por completo minha senhora! – não pude resistir e logo senti seus lábios nos meus, tão rápido como veio, foi. Ela se retirou e eu me encaminhei para a tenda de armaduras, onde a indumentária me aguardava.
A armadura já me aguardava, foi modelada perfeitamente, eu sabia que somente fora rápido assim por se tratar do “pedido especial” de Xena, ou seja, o anel em meu dedo, a armadura fora forrada com uma camada a mais de couro, assim a defesa seria maior, ela era leve e era bem fácil de me movimentar com ela. Ouvi as cornetas e soube que os soldados deveriam se posicionar, eu sabia que o que me aguardava não seria simples, mas eu esperava que Athena me guardasse.
Eu sabia o que me esperava e agora eu refletia sobre isso, tirar vidas, essa guerra seria isso, eu tirando vidas, eu e Xena já havíamos falado sobre isso, eu me colocaria nessa posição estando pronta ou não eu teria que tirar vidas.
Procuro não pensar nisso, mas não posso negar que isto me apavora, que direito tenho eu de tirar uma vida de outro ser humano, mas também, que direito eles têm de tentar contra inúmeras pessoas indefesas? Matando mulheres e crianças desprotegidas? Eva... Somente de pensar em minha filha perdendo a vida na espada de um desses bárbaros, eu me arrepio toda, eu mataria quem ousasse encostar um dedo nela, e mesmo assim ainda me sentiria errada.
Enchi o peito, e me encaminhei para minha posição. Eu ficaria no pelotão de retaguarda, Xena me instruíra assim, seria um combate tenso nas linhas de frente e eu entendia que eu não estava pronta para estar ao seu lado, não aceitei de bom grado, mas entendia, ela não poderia lutar se estivesse focada em me proteger, até eu treinar mais eu não poderia nos expor a mais este perigo.
Notei aqueles homens ao meu lado, eles tinham os olhos focados, todos com o semblante impassível de ser lido, por serem do exercito da conquistadora eu sabia que deveriam ser assim, o treinamento os fizeram duros, Xena tinha convicção de que inspirava a lealdade de seus homens através do medo, mas depois de ouvir algumas conversas eu sabia que não era o fator principal, eles sentiam-se seguros com ela no comando, ela era uma estrategista brilhante, uma guerreira sem igual, e era um consenso de quase toda a população que havia prosperidade e segurança maior desde que ela se tornara a governante.
Vi Xena passar por todas as unidade de forma rápida e se postar a frente de um tipo de caixa redonda (pra quem assistiu malévola: dona do mal é o dispositivo onde fazem os comunicados do reino) e ouvi sua voz ressoar por todo o acampamento, aquele aparelho era algo novo e fiquei maravilhada:
— Sabemos que esta batalha não será o fim desta guerra, infelizmente, mas com certeza causaremos ainda mais baixas nestes bárbaros, daqui a algumas luas eu estarei em meus aposentos com uma bela taça de vinho me recordando de mais uma vitória, eu sei disso, pois sei que sairemos vitoriosos, esta é minha esperança, eu peço que todos se prendam no que farão após a vitória desta guerra, que o raio de sua glória seja visto e os trovões de seu ouvido sejam ouvidos de leste a oeste, e sede vós os vingadores de nossas terras. Este exército é formado por homens que conhecem seu dever e tem a coragem de fazê-lo! Não deixem que nenhum homem se esqueça de quanto ameaçadores nós somos. Nós somos leões.
Todos os soldados baterem em seus peitos e esticaram seus braços, gritaram o nome de Xena por três vezes e partiram em marcha, enchi meu peito e segui, a eletricidade que percorria meu corpo era algo parecido quando fui encaminhada pela primeira vez que estive nos aposentos de Xena, a ansiedade do desconhecido. Me enchi de toda a coragem que pude e trinquei minha mandíbula, eu devo me tornar outra pessoa a partir deste momento, devo me tornar uma guerreira, devo proteger o meu povo e somente isto deve ser meu foco!
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