Eu vejo além do monstro
20 Capítulo 20
Notas iniciais
*Xena*
O dia logo amanhecera e eu estava à frente de meus soldados e generais, vinte e quatro das minhas melhores infantarias seguir-me-iam, todas com as armaduras com o meu escudo no peito, as estradas estavam juncadas de neve, o céu, como sol nascendo anunciava como seria o restante do dia, o primeiro passo para o inicio da marcha fora dado, os tambores com sons ásperos, acompanhado pela adrenalina da batalha emergente, logo a frente era possível ver nossos inimigos, portando suas espadas, machados, lanças e demais armas, ao fundo de tudo os arqueiros, a primeira batalha começaria, e eu deveria liderar meu exercito para a vitória.
O exercito que Éracles reunira tinha uma quantidade impressionante de “soldados”, diria até que era maior do que os comandados que eu trouxera, mas já estive em situações desproporcionais e sempre ganhei e isto me deixava confiante afinal, eu não me tornara a senhora conquistadora por motivos banais.
– Sabem o que têm a fazer – gritei aos meus soldados.
Os arqueiros ergueram-se, retesaram os arcos e soltaram-nos. As flechas de penas negras silvavam durante o voo. Mais dois bandos de arqueiros lançavam também as suas, muitos deles disparando para o céu, de modo a que os projéteis caíssem verticalmente no local para onde marchávamos e adiantando o ataque, logo as flechas inimigas também vinham ao nosso encontro.
Havia uma chuva de pontas de aço que atingiam soldados de ambos os lados, logo a batalha tornou-se mais pessoal e logo nos enfrentávamos corpo a corpo. Logo Éracles usou uma arma diferente da que eu conhecia, e bolas imensas de fogo voavam pelo céu, atingindo soldados de ambos os lados, eu não previa isto, meus batedores não me informaram de tal arma, e a raiva foi instantânea, eu odiava ser surpreendida, o monstro tomou conta, e minha espada mancou-se de mais sangue, eu matava sem nenhuma piedade, estava possuída por algo que agigantava minha força e sede de sangue, meus soldados viam isto e logo se deixaram contagiar, e contra todas as probabilidades ao fim do dia havíamos ganhado a primeira batalha, com um número de baixas extremamente altas.
Após cuidar dos pequenos ferimentos em meus braços dentro de minha tenda, reuni-me com meus generais e pedi os relatórios, apesar da batalha ganha, perdi três generais e um quinto do total dos meus soldados, algo que me causou leve preocupação, mas que não deixaria ninguém perceber.
– Farei uma única pergunta, que tipo de arma era aquela? – perguntei extremamente nervosa.
– Ouvi alguns boatos, algo chamado catapulta senhora conquistadora, uma arma ainda em desenvolvimento.
– Em desenvolvimento? Por acaso ela parecia em desenvolvimento hoje? E como meus batedores e informantes não sabiam disto?
– Não sabemos informar senhora conquistadora, ao que parece Éracles a mantinha em total sigilo.
– Quero que descubram seu mecanismo, quero que a destruam ou a tragam para mim, e acima de tudo, quero que Éracles me conte exatamente quem lhe deu essa brilhante ideia antes que eu corte sua cabeça no fim desta guerra.
A noite fora longa e eu mal dormi, estratégias vinham em minha mente, eu fora pega de surpresa, algo que não deveria acontecer e havia perdido bons soldados e generais, respirei profundamente, e comecei a vestir-me logo eu estaria novamente no campo de batalha.
Nas guerras anteriores eu quem invadia e acabava com reinos, porém sempre mandei meus mensageiros, desta vez era o contrário, não houve mensageiros, eu mesma levava a mensagem, não haveria perdão por tal traição.
Logo estávamos novamente no campo de batalha, eu ouvia os berros enquanto os projéteis lançados por arcos que não pareciam arcos eram melhores, as flechas diferenciadas, meus soldados tropeçavam, caíam, rastejavam e morriam. Meus arqueiros disparavam com a máxima velocidade possível, lançando as flechas, mas, subitamente apareceu um tipo de escudo. Um escudo mais leve e maior, diferente de tudo o que eu já vira Éracles mais uma vez me surpreendia, de onde ela havia conseguido tantas armas novas e diferentes eu me questionava e logo me lembrei de Ares, maldito, ele superou-se desta vez.
– Mais próximo! – gritei – Preparem suas espadas e morram lutando!
Alguns defensores morriam, pois tinham tido de avançar para disparar os arcos diretamente sobre os inimigos. Não havia um tipo de padrão no ataque de nossos inimigos, eles eram animais ferozes que simplesmente matavam sem escrúpulos, machadadas, pedradas, o que estivessem à mão tornavam-se armas, quando o crepúsculo veio os campos tingidos de corpos e sangue foi o que restara, pelo menos essa parte estava sendo respeitada por ambos os lados, havia um tipo de pacto não decretado comum a todas as guerras, não haveria ataque após o sol se por.
Neste combate eu senti um gosto que há tempos não sentia, o gosto da derrota, uma nova reunião e pelo menos algo de bom, havíamos recolhidos as armas e alguns escudos usados pelos inimigos e eu fiquei com um exemplo de cada para analisar melhor, descobri que o arco melhorado tinha o nome de balestra, fiquei encantada como mecanismo, e conhecedora de armar como era, passei a noite toda estudando ambas armas, buscando uma forma de reproduzi-las e melhora-las usando-as a meu favor, algo me dizia que as surpresas de Éracles não paravam por aí.
– Ares, apareça, precisamos conversar. – vencendo meu orgulho o chamei.
– Sabia que me chamaria minha querida.
– Sem delongas Ares, foi você quem “presentou” Éracles?
– Ciúmes minha cara?
– Não estou para brincadeiras Ares.
– Minha cara, eu simplesmente quis igualar a chances desta batalha, por assim dizer.
– Igualar?
– Minha cara deste lado tem você – ele mostrou a mão direita — e deste lado tem tudo o que possa ser usada para ter uma chance de derrota-la – mostrou a mão esquerda – não me desaponte Xena.
Após a conversa com Ares comecei a preparar-me para novas surpresas no campo de batalha, com o passar dos dias, luas, eu percebi que o exercito de Éracles aumentava, e eu não conseguia entender o motivo, eu tive que chamar mais soldados, a guerra era algo extenso, mas eu não deixava que avançassem, meus recursos eram ilimitados e os de Éracles pareciam também serem na mesma proporção, como foi possível que ele organizasse tudo isto sem que eu sequer suspeitasse? Comecei a questionar o que de fato eu havia feito durante meu tempo como senhora conquistadora, como meus súditos e aliados podiam tramar algo deste tamanho e eu somente saber quando já era tarde demais. Fora algo que aconteceu bem escondido, e eu sentia que o dedo de Ares estava mais que metido nesta situação.
Havia outras batalhas por pequenos grupos que Éracles enviava na calada da noite para saquear, alguns conseguiram ir longe e este foi o pior momento, numa reunião eu ouvi que um grupo conseguira chegar a Amphipolis através do mar, houve perdas de vidas de muitos aldeões, meu coração gelou ao ouvir aquilo.
Amphipolis ficava a três dias de viagem do acampamento e eu já estava planejando como faria para me ausentar do campo de batalha por pelos uma semana sem que houvesse maiores suspeitas.
Fale com o autor