– Achaeus, tirem o corpo da garota de minha tenda, aplique a quinta punição ao garoto e depois o mate e devolvam ambos os corpos a sua família e faça o soldado amigo da família aplicar a punição e levar os corpos.

– Sim senhora conquistadora. – me sorriu perversamente.

Essa era a senhora conquistadora que todos temiam e deveria ser assim sempre, Achaeus sabia minha forma de ser, eu não entendi sua atitude neste caso, talvez ele tivesse ouvido os boatos de que talvez eu estivesse tendo sentimentos por Gabrielle, assim como Alkanthys insinuou e quis provar por ele mesmo e até para o exercito ali presente que tudo não passara de mentiras. Eu sempre estive a frente de todos os meus inimigos por pensar cinco passos, talvez até dez a frente e não seria agora que eu me enganaria, ou deixaria de avaliar todas as possibilidades.

– Aproveitou o presente senhora?

– Sim Alkathys, coloquei em prática alguns novos métodos, pena que a garota não suportou.

– Pelas flechas em seu corpo acho que seria difícil ela aguentar mesmo senhora.

– Eu pedi que ela não se mexesse, ela não me ouviu, tive que arrumar um método de segurá-la. – sorri.

– Sim, nessa hora creio que todos do acampamento ouviram esse momento, e agora que vi o maxilar quebrado entendi por que não houve mais gritos durante a noite.

– Estou sentindo algum tipo de reprovação Alkanthys.

– Jamais minha senhora, veremos agora o treinamento do exercito e logo partiremos para o segundo acampamento de concentração.

– Então vamos Alkanthys.

Treinei com alguns de meus soldados e logo parti para o segundo apartamento, a mesma rotina, sentar-me com alguns soldados, beber, ter uma ou duas prostitutas em minha cama, treinar e ao final do quinto dia eu estava voltando ao castelo, preparada e revigorada para receber meus ilustres convidados.

Liberar aquelas sensações, pensamentos e atos animalescos e até mesmo anormais me trouxeram certa paz, por que me lembraram de quem eu deveria ser, as pessoas às vezes dizem quem você é à vida toda. No meu caso elas dizem que sou um monstro. Infelizmente para manter a ordem eu preciso agir assim. Não quero que as pessoas me enxerguem diferente. Não pode haver mudanças, a não ser que eu as mude. Não existem fadas madrinhas nesse mundo. E seria bom que meus inimigos, aliados e quem quer que fosse soubesse quem eu era quem eu sou e quem sempre serei.

Logo que o dia seguinte iniciou-se meus convidados chegaram, e lá estava Éracles, oque ele tinha de beleza tinha de arrogância. Qualquer mulher cairia de amores por ele, ele tinha uma lista extensa de conquistas, nunca soube de alguma que ele tenha entregado o coração.

– Senhora conquistadora que grande honra poder estar em sua presença.

– Seja um de meus soldados e terá a honra de me ver sempre.

– Sabe que não posso deixar as Gálias senhora.

– Sim compreendo.

– Peço que se acomodem nos quartos que lhes foram preparados, descansem desta viagem tão desgastante, logo comeremos e depois nos reuniremos. – falei procurando ser uma boa anfitriã.

O almoço foi tranquilo eu troquei algumas palavras com meus convidados, onde a conversa resumiu-se em reclamar das viagens, aclamar os aposentos e me bajular. A reunião após o almoço teve como ponto principal os crescentes ataques de bárbaros na divisa das terras galesas.

Fato que neste momento me preocupava, para que os exércitos da divida da Gália não estivesse dando conta é por que requeria uma atenção maior, eu me preocupava pois se continuasse assim eu teria que intervir com soldados, seria uma nova guerra, sem falar que eu estaria a mercê tanto dos bárbaros quantos dos meus lobos em peles de cordeiros galeses.

A tarde foi cansativa estudando pontos de estratégia, discutiríamos esse mesmo tópico no decorrer dos próximos dias, além de verificar quanto às divisões dos alimentos entre os soldados, as negociações entre os diversos aliados ali presentes variavam de todas as matérias primas e alimentos, e deveriam serem negociadas nos próximos dias também, agora era a hora que eu mais odiava, ser a diplomática.

No fim do primeiro dia reuni meus convidados no maior salão do castelo, grandes porções de comida e as mais belas escravas corporais servindo os melhores vinhos.

Notei Gabrielle entre elas, praticamente nua, com uma peça de roupa cobrindo somente abaixo de sua cintura, assim como as demais escravas, mas somente ela me chamava a atenção e notei os olhares dos demais sob ela, ela ainda tinha marcas no corpo, agora menos visíveis, notei o olhar de Éracles em mim e seus olhos seguiram os meus, um pequeno deslize de minha parte, e um sorriso irônico surgiu em seus lábios.

Resolvi pegar a primeira escrava e sentar-me com ela em meu colo, logo ela serviu-me o vinho e passou a acariciar-me.

– Apreciem meus caros, escolha aquela que mais lhe chame atenção e façam o que sentirem vontade.

Notei que Èracles aproximou-se de Gabrielle, e passou as mãos em seus seios, eu observava por minha visão periférica e aquilo me gelou, eu sentia um ciúmes arrasador, mas evidenciar qualquer afeição por Gabrielle somente a deixaria na mira dos meus inimigos ali presentes. Éracles com certeza tinha seus informantes e eu lhe dei uma simples confirmação ao olhar para ela no momento que cheguei, um deslize que eu não deveria ter cometido e isso me enchia de ódio profundo.

Passei a noite toda conversando com todos os aliados presentes, enquanto continuava observando Éracles com Gabrielle, após duas marcas de vela, ele retirou-se com ela, pude notar que ela lançou-me um olhar de súplica, tive que controlar a vontade de atravessar aquele salão e arrancá-la dele, mas novamente eu teria que eliminar qualquer sentimento.

Três marcas de vela após Éracles ter saído com Gabrielle todos os demais convidados também haviam se retirado, eu estava em meu aposento com a escrava que me servira a noite toda, eu não poderia simplesmente expulsá-la dali, e o ódio que corria em minhas veias ao imaginar Gabrielle com Éracles por todo esse tempo finalmente tomara conta de mim.

O monstro veio à tona, rasguei a roupa da escrava e lhe esbofeteava com raiva, usei e abusei daquele corpo, fiz tudo o que me deu vontade e um pouco mais.

Após aplacar um pouco da minha raiva resolvi colocar a escrava para fora e tomei a decisão de espiar o que acontecia entre Éracles e Gabrielle, eu sabia que seria uma tortura auto imposta, mas eu precisava, eu precisava saber se ela sentia prazer com ele, se ela teria a mesma audácia como teve comigo, eu precisava vê-la como ela era uma escrava que satisfaz quem está com ela.