Eu sou o Título
2 O seguinte ao Primeiro
Notas iniciais
Eu desisti. Uma coisa ridícula.
É muito difícil esconder segredos. Ainda mais quando esse é seu trabalho. E quando se tem amigos você quer deixá- los à par de tudo. Mas existem segredos que põe em risco a sociedade. E só eu posso guardá- los.
Claro que tenho amigos. Uma casa. Um trabalho simples ( jardineiro). Um animal de estimação ( um gato). Eu chamo ele de Thomas. Já tive namoradas, mulheres, homens... eles contribuíram muito Mas tudo isso é mentira. Falso. Um disfarce. Todos eles são trocáveis, reciclados, apagados... Menos o gato. Eu chamo ele de Thomas.
Eu vou contar a você onde estou. Fique feliz pois não conto a verdade a ninguém. E já te contei muito sobre minha vida. Estou fugindo da polícia. Eu dirijo um carro suíço. O CCX. Com 800 cv ( cavalos), motor V8, azul metalizado. A 180 km/h. Só não corro mais porque estou numa cidade.
Eu não sei que cidade é essa. Vou descrevê- la. Veja se você reconhece. ( Eu vivo nela desde pequeno. A polícia veste preto. Tem carros branco/ preto. Não é uma cidade grande. Há mais parques que prédios e não são poucos. Há mais casas que parques. Em cada casa há mais de um ser vivo. Tudo do departamento do Governo está exatamente calculado no centro da cidade. Que é da onde o metrô sai para todos os lados da cidade. Temos mais de 300 estações. A exatamente 22 km do Governo, em cada ponto cardeal. Norte. Sul. Leste. Oeste. Há um prédio. Feito de vidro espelhado. Os prédios definem as Zonas da cidade. Eu moro na Zona Oeste. Junto com meu gato. Eu chamo ele de Thomas. Thomás, NÃO !! Thomas. A minha casa é igual à todas da Zona Oeste que são todas iguais à minha. Todas as casas da Zona Sul são iguais as da Zona Sul. E assim por diante. ) Espero que você não saiba aonde eu moro. Pois isso seria um risco.
Estamos no ano de 2028. Ainda está igual, sem nenhuma mudança desde que nasci ( 2000).
Continuando. Estou sendo perseguido. Eu sou procurado em 5 cidades. Esse é o estado de Carolina do Norte. Eu amo meu estado. A polícia está atrás de mim porque o Manda- Chuva a colocou na minha cola. Mas, relaxando. Eles são uns molengas... Entretanto não posso ficar assim para sempre.
Já que te contei muito sobre minha vida... Vou dizer como a história termina. Eu não gosto de enrolar. Aceite isso como Spoiler. Eu vou morrer.
Paro o carro em frente ao edifício aonde trabalho e saio correndo. Passo pelo porteiro e nem dou oi. Vou direto para os elevadores. Aperto o botão mais de uma vez. Mesmo sabendo que não adianta nada. Dez... nove... Vamos, rápido. O elevador não chega mas a polícia sim. Passam pela primeira porta. Um monte deles fica lá. Pelo menos 7 policiais entram pela segunda. E o mais alto deles grita.
“ NÃO SE MECHA. PONHA AS MÃOS NA CABEÇA. NÃO QUEREMOS TE MACHUCAR !!!!!”
Talvez a ordem seja para me pegarem vivo. Não me importo. Não quero viver. Dois... Um... Eu pego o lixo perto do elevador e taco no mais perto. Abre a porta. A única coisa que escuto são estampidos e tiros. Todos muito altos. Entro e a porta se fecha. Dos policiais eu me salvei mas de suas balas, não. Uma atingiu meu pé. Sinto uma dor alucinante. Outra passou raspando. Cortou minha orelha e raspou minha têmpora. Mas a pior de todas é a alojada no meu baço. Quando olho consigo ver o buraco, sangue e meu osso.
Estou indo para o ante- último andar. O 49°. A porta se abre e saio. Ainda consigo andar.
Está uma noite limpa. Uma brisa leve sopra. Deve ser por volta das 3h da manhã. Dou um pulo na piscina para limpar o sangue escorrendo. Subo na mureta. Em seguida na beirada do apoio. É preciso muito equilíbrio. Olho para cima. Consigo ver várias estrelas. As plêiades. Siriús. Aldebarã. Vejo alguns planetas. Júpiter. Engraçado só vejo os helicópteros dos repórteres. Olho para baixo. Realmente. Quando se olha de cima tudo parece pequeno e insignificante. Que tentação. O que mais quero é me juntar com meu gato, na minha casa. Estou esperando o sinal.
O barulho do motor do elevador. Eles estão subindo. Não estou conseguindo ficar em pé de tanta dor. Ouço o “ dlim”. Avisando que a porta vai abrir. Esse é o sinal. Então pulo. Penso no Gato. Estou morto, ou melhor, já morri.
Vou Voltar e RASGAR Você...
A repórter bonita, loira e magra, pega o microfone e sai correndo da van. São 7h da manhã. Ela se posiciona bem. Com uma ótima visão do morto. “ Tudo tem que sair perfeito”. Ela estava aborrecida. Há menos de um mês, a repórter trabalhava para a mais renomada emissora de TV da cidade. Então foi demitida. Mas graças a sua namorada conseguiu um emprego nessa pequena emissora local. Recentemente elas tiveram uma briga e se afastaram. Agora, a loira namora o camerazinha, que por sinal, vai entrar com ela, ao vivo.
“ EI !! Presta atenção. Nós vamos entrar em 30 segundos. Pare de brincar.”
“ Ela é muito dominante e mandona. O que deixa ela cansativa.”
– Estamos, agora, em frente ao Edifício, na Avenida, que acorreu o suicídio. Temos a informação de que o tenente da polícia já foi liberado para falar conosco. Tenente, o que a perícia descobriu do morto.
– Boa tarde – o tenente gostava de aparecer na mídia. Mas gostava ainda mais de repórteres bonitinhas. Assim como essa. – o suicida, em questão, estava sendo perseguido pela polícia que não tinha a intenção clara de matar. A ordem era somente prendê- lo. Mas pelo visto o perseguido estava assustado demais para ouvir a polícia, que agiu totalmente no seu dever de cumprir a lei.
– Tenente, por que exatamente ele estava sendo perseguido?
– A polícia recebeu informações, de fontes anônimas, que ele havia furtado papéis muito importantes do dono da Empresa, e pretendia vendê- los a preço altíssimo. Mas infelizmente esses documentos não foram encontrados junto do morto. Por tal razão a polícia irá investigar na casa do suspeito. E é claro que a imprensa esta convidada, para reportagens. Obrigado.
– E pode ter certeza de que nós estaremos lá.
A repórter bonita faz um sinal de corta e corre, feliz, para abraçar o namorado. Parece que a entrevista rendeu muita audiência. Somente olhando os dois, o tenente aparentava decepção.
E durante o resto da semana, não se falava nada além disso.
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