Eu quero ser teu lar
1 Você me encontrou.
Notas iniciais
Emma sentia se cansada, esgotada por sempre acabar sendo responsável por ter que levar o mundo de todos em suas costas, ultimamente as visões sobre sua morte estavam cada vez mais frequentes, a rainha má a cada dia aparecia com uma estratégia diferente.
Ela estava cansada de se sentir fora do lugar, de se sentir frustrada por ver que morar com Killian não estava aliviando seu sentimento de solidão, muito pelo contrário, sentia-se nadando contra a maré, sem forças para continuar.
— Vai sair? – Henry perguntou observando ela vestir a jaqueta vermelha e passar as mãos pelos cabelos impacientemente.
— Preciso respirar um pouco – respondeu procurando suas chaves pelo balcão da cozinha.
— Killian levou.
— O que? – a loira questionou confusa.
— Killian levou suas chaves.
— Que ótimo – ironizou respirando fundo e sentou-se em uma das cadeiras.
— Pode usar a minha – Henry jogou a chave em direção a Emma que rapidamente a pegou.
— Não vai trazer a Violet aqui enquanto eu não estiver né?
— Não tem que se preocupar, Killian deve chegar em uns 5 minutos, se não quer companhia é melhor se apressar.
— Te vejo mais tarde, garoto.
***
Ao andar pelas ruas de Storybrooke, Emma considerava vários lugares para ir, mas em todos eles era como se ela fosse acabar encontrando alguém e naquele momento a única coisa que ela precisava era ficar sozinha. Como Killian estava morando com ela, decidiu ir até as docas e se deitou em um banco deixando a brisa gelada bater em seu rosto, sentiu-se aliviada por ter colocado sua jaqueta e fechou os olhos perdendo-se em pensamentos.
— Você tem que parar de me culpar, Regina! – o grito de Zelena ecoou pelas docas fazendo Emma se levantar num pulo encarando tudo a sua volta.
A loira respirou fundo e decidiu ir até a direção daquele grito, sabia que a probabilidade de se arrepender era bem alta, mas desde quando ela escutava a razão?
Para sua surpresa ela viu Regina sentada em um banco sozinha encarando o mar.
— Eu não acho que tentar se matar afogada seja uma boa opção – tentou quebrar o gelo, a morena apenas revirou os olhos – Tem formas mais eficientes, talvez eu possa te ajudar a forjar um incêndio na mansão, ou até mesmo uma corda no seu pescoço e...
— Se continuar com essas ideias a corda será amarrada no seu pescoço, Swan – a morena retrucou cortando-a, Emma por sua vez se sentou ao lado dela e começou a encarar as ondas, longos 10 minutos passaram até a morena se sentir entediada – Vai ficar aí parada sem dizer nada?!
— Você ameaçou amarrar uma corda em volta do meu pescoço, Regina – Emma forçou um tom ofendido – Como ainda me sinto muito jovem para morrer, prefiro ficar encarando o mar até que você crie coragem de se jogar.
— Você está entrando em contradição.
— Por que diz isso?
— Por que eu te conheço, Emma – Respirou fundo enquanto flashs de memórias passavam por sua mente – No mínimo sinal de que eu fosse me jogar, você me impediria.
— Não acho que sua teoria está correta – Emma retrucou emburrada.
— Minhas teorias sempre estão corretas, é como um dom ou maldição, depende de qual lado você vê.
— Então você está me dizendo que sempre sabe o que vai acontecer, antes que aconteça?
— Na maioria das vezes, sim – afirmou mais para si do que para Emma.
— Talvez você esteja certa a respeito disso.
— Eu sempre estou – disse friamente.
— Você nem sabe ao que eu estou me referindo – retrucou encostando a cabeça no apoio do banco encarando as estrelas – Tem que diminuir esse ego.
— E sobre o que você está falando?
— Estou falando sobre a primeira coisa que você disse – refletiu por alguns segundos enquanto a brisa gélida tocava seu rosto mais uma vez, apesar de estar ali “discutindo” com a morena, Emma finalmente sentia-se em paz – Eu provavelmente faria alguma coisa para impedir que você se jogasse no mar, causasse um incêndio ou até mesmo colocasse aquela corda no pescoço, mas discordo da parte em que você sempre sabe como as coisas vão ser.
— Na maioria das vezes, eu sei – por mais que estivesse tentando engolir seus sentimentos, Regina não pôde conter as lágrimas escorrendo por seu rosto – Eu não consigo parar de pensar que de alguma forma, por minha culpa Robin está morto. Eu devia ter salvado a vida dele!
— Hey – Emma percebeu que Regina estava tremendo, tanto por estar expondo aqueles sentimentos depois de tanto tempo, quanto pelo frio que estava fazendo, desencostou-se do banco e instintivamente tirou a jaqueta colocando-a sob os ombros da morena – Não se cobre assim, você fez tudo que estava ao seu alcance por ele, tá tudo bem...
— Eu nunca vou poder ter alguém, as pessoas que eu amo sempre irão embora pelas consequências das coisas que eu fiz, por quem eu fui, Robin era meu amor verdadeiro e agora eu estou sozinha assistindo a felicidade de todos, como sempre, mas eu me sinto incapaz de poder fazer alguém feliz e talvez essa seja a pior dor que alguém possa sentir.
— Se tem algo que eu tenho visto ultimamente é que a felicidade não entra em portas trancadas – Emma escolheu cuidadosamente suas próximas palavras – Eu não tenho noção da dor que você está sentindo agora, é fora do meu alcance entender, mas eu sei que se você se fechar e ficar engolindo tudo isso sozinha, nunca vai ser feliz.
— Talvez esse seja meu destino.
— Não é – retrucou corajosamente – A Regina que eu conheço é forte, ela vai lidar com essa dor, vai sofrer e voltará mil vezes melhor que antes e você não precisa ter pressa pra ficar bem de verdade, tem muros que só a paciência derruba, mas quando alguém tentar entrar, não tranque as portas, ou eu vou ser obrigada a pular as janelas e convenhamos que eu já estou um pouco cansada de ter que ir sempre pelo caminho difícil – lançou um sorriso sincero para a morena.
***
Após a descoberta de que poderiam matar a rainha má sem matar Regina, Emma sentia-se um pouco mais tranquila, não via a hora de conseguir alguma oportunidade para isso.
— Tem certeza que quer fazer isso, amor? – Killian perguntou sentando-se ao lado da loira.
— Talvez esse seja meu destino.
— Mãe, não faça isso – Henry pediu num tom calmo enquanto Regina foi para o outro lado da sala sem saber o que dizer.
— Henry – Emma se levantou e foi até ele – Eu posso para-la, com essa espada eu posso salvar todos nós!
— Mas essa espada é o que te mata – retrucou – Como você sabe que não é assim que você morre? Enfrentando a rainha má? E se ela for a pessoa por baixo do capuz da sua visão?
— Não posso fugir dessa batalha por achar que pode ser a última – desviou o olhar – Sou a salvadora, garoto...
— Você também é minha mãe – disse inconformado enquanto se afastava dela.
Naquele momento Emma sentiu os espasmos fazendo com que sua mão começasse a tremer descontroladamente, aquela visão se fez presente mais uma vez, a figura do capuz se aproximando de mata-la.
— A rainha má foi vista descendo a rua principal – David se aproximou cortando aqueles pensamentos.
— Certo, vamos – Regina se fez presente pela primeira vez naquela conversa.
— Não – Emma retrucou – Você não pode, a única forma de machucá-la é machucando a si mesma e eu não posso deixar você fazer isso.
— E se algo acontecer com você? Eu não posso te deixar enfrentar isso sozinha... eu...
— Eu consigo, Regina. Você precisa ficar aqui e cuidar do Henry, por favor.
— Boa sorte – ela respondeu encarando os próprios pés até que Emma saísse e batesse a porta.
***
Emma respirava fundo andando pela rua principal procurando por algum sinal da rainha má, sua mão voltou a tremer mas desse vez não era pelas visões, ela sentia o medo percorrer todo seu corpo.
— Socorro – o grito desesperado veio de dentro do Grannys.
— Não tão rápido, senhorita Swan – a rainha má saiu da porta dos fundos quando Emma se aproximava de Jasmine – Isso é sobre mim, sempre é – deu uma gargalhada maléfica.
— Isso mesmo – Emma disse girando a espada e fazendo um rápido movimento em direção dela.
— Posso quebrar o pescoço dela antes que chegue mais perto – a rainha advertiu fazendo um gesto com uma das mãos apertando o pescoço de Jasmine fazendo assim a loira recuar – Assim é melhor – concluiu esfregando a lâmpada mágica.
— Que merda está acontecendo? – Aladin perguntou confuso.
— Acredito que tenho três desejos – ela disse andando e encarando Emma.
— Vá em frente, deseje – Aladin retrucou impacientemente – Eles sempre vem com um preço.
— Claro que sim e é exatamente por isso que não desejarei nada pra mim – sorriu maliciosamente – Vou te dar algo – apontou para a loira – Algo que você sempre quis, algo que você confiou ao Aladin.
— Você nos ouviu? – Emma perguntou sentindo um nó na garganta. — Ainda não aprendeu? Eu ouço tudo, você desejou não ter sido a salvadora, então é exatamente isso o que terá – Emma olhou em volta por medo do que fosse acontecer – Gênio de Agrabah, eu desejo que o desejo de Emma Swan de nunca ter sido a salvadora, seja concedido.
***
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