Notas iniciais
Olá crianças... Mil perdões mas essa semana foi pra lá de puxada para mim...Era tanto cansaço que quando tentava escrever não conseguia.. kkkk Espero que gostem! Vou tentar mante duas atualizações por semana, não prometo nada, mas vou tentar... A trilha sonora do capítulo é Love is a losing game da diva mor Amy! Comentem... Podem mandar sugestões, opiniões e tudo mais... Bjocas

Desligo o telefone, encho os pulmões de ar e levanto da cama. Pronto, decisão tomada, o procedimento está marcado para amanhã às 15h, já tenho o endereço da clinica e é só chegar na hora marcada e com o dinheiro em mãos. Pensei bastante, vou pedir esse dinheiro ao Lucas... Cinco mil reais é o que o João Lucas gasta em uma noitada, acho que não terei problema em conseguir esse “empréstimo”. O Lado ruim é que a gente vai ter que se encontrar, o melhor para mim seria nunca mais olhar na cara dele, mas isso eu vou ter que encarar... Pego o telefone e penso numa desculpa esfarrapada, nada me vem à cabeça, Como pode uma pessoa tão importante na sua vida, tão íntima se tornar quase um estranho em tão pouco tempo? E esse desconforto que sinto só de pensar em encarar uma conversa com ele?

Pior do que esse enjôo todo santo dia não deve ser. Que inferno isso, sério, sempre achei que enjôo na gravidez era frescura de mulher querendo chamar a atenção... Retiro o que disse e peço perdão... Esse enjôo todo é quase incapacitante, não sei como as outras mulheres agüentam... Minha mãe já está com a pulga atrás da orelha, outro dia cheguei aqui com um pacote de absorvente na mão só para despistar, por enquanto ela engoliu... Por enquanto.

São seis e meia da tarde, daqui a pouco o Lucas chega em casa, espero conversar com ele depois do jantar da família Medeiros Mendonça e Albuquerque. Soube que o pai dele resolveu que ele daqui por diante vai bater cartão na Império, sei que ele deve estar possesso mas acho que vai ser bom para ele... Quem sabe assim ele não cresce e aprende a valorizar o que e tem?

Entro no banho, aproveito a água morna para me acalmar, escolho uma roupa qualquer, diferente da outra vez, esse encontro não está carregado de expectativas, minha decisão está tomada e essa conversa com o Lucas é apenas um meio de agilizar as coisas. Encontro a minha mãe na cozinha, jantamos juntas (ela fez uma sopinha maravilhosa, impressionante como mãe sabe o que a gente precisa...) fico um tempinho com ela, adoro esses momentos de trégua entre a gente... Me despeço avisando que vou ao cinema e não volto muito tarde.

Entro no ônibus que me levará à Zona Sul e coloco os meus fones de ouvido, coloco na playlist aleatória e de repente ouço a voz cortante da Amy... Sempre Amy.

“For you I was a flame

Love is a losing game

Five storey fire as you came

Love is a losing game”

Impressionante a capacidade que a Srta. Winehouse tem de me fazer chorar... Não queria chegar lá nesse estado, preciso me acalmar, não quero o Lucas especulando, fazendo perguntas... Procuro não pensar na gente, mas ouço os versos:

“Why do I wish I'd never played
Oh what a mess we made
And now the final frame
Love is a losing game”

Às vezes uma canção retrata o seu momento com perfeição... Pra você eu fui apenas mais um caso... O amor é um jogo de azar... Que eu preferia não ter jogado... Que estrago nós fizemos não é João? E essa é a cartada final. O amor é um jogo de azar e eu perdi. Essa é a minha conclusão dessa história toda, eu perdi! Percebo que estou chegando ao meu destino, retiro os fones pego um espelhinho e trato de me deixar apresentável, dou sinal ao motorista e desço um pouco antes, uma caminhada à beira mar vai me fazer bem.

Depois de caminhar um pouco chego ao prédio do João, dou boa noite ao porteiro que já me conhece e me manda subir enquanto interfona para a cobertura, subo novamente pelo elevador de serviço e toco a campainha quem atende dessa vez é a Rosa, cozinheira da família.

– Boa noite Rosa, o João tai?

– Boa noite menina Du, tá sumida... Ele e os patrões ainda não terminaram de jantar, quer que eu avise que você chegou?

–Não precisa, eu espero eles terminarem...

– Tudo bem então, quer um pouco do mousse de maracujá que eu preparei para a sobremesa?

–Claro que sim...

A Rosa me serve a sobremesa na cozinha, comemos juntas e conversamos amenidades. Pouco tempo depois o Silviano aparece e faz aquela cara de contrariado, acho que vai dar uma bronca na Rosa então me adianto:

Boa noite Silviano

–Boa noite Srta. Eduarda, posso saber porque está comendo aqui na cozinha?

–Cheguei agora e não quis interromper o jantar da família imperial, quando vi a mousse não resisti e pedi um pouco para a Rosa, que muito gentilmente me serviu...

–Mesmo assim, assim, a Srta. como visita a um dos donos dessa casa deveria ter sido encaminhada a outro cômodo...

–Relaxa Silviano, foi eu que pedi para comer aqui, ok? Eles já terminaram?

–Sim mademoiselle, pode se dirigir aos aposentos do Sr. Lucas, ele deve estar lá...

Entro naquela casa que conheço tão bem quanto a minha e vou direto para o quarto do Lucas, rezando para não encontrar ninguém pelo caminho, bato na porta e ninguém responde, entro no quarto e percebo que o Lucas está com fones de ouvidos e parece muito compenetrado na canção. “Deve estar pensando nela” é o que me vem à cabeça ao contemplar tal cena, mas, eu não tenho nada a ver com isso, repito para mim mesma. Resolvo fazer uma brincadeira e chego por trás dele tapando- lhe os olhos.

Isis? Ele responde instintivamente...

Nessa hora sinto um embrulho no estômago, seguro a ânsia que sinto, puxo os fones dos ouvidos dele e respondo, sem graça:

–Acho que essas porcarias todas estão começando a afetar seu cérebro, a Isis dentro dessa casa?

–Du? Até que enfim... Por onde você se meteu? Você nunca ficou tanto tempo longe...

– Ah, para de drama, também nem foi tanto tempo assim...

–Não foi tanto tempo? Cinco semanas Eduarda... Acho que a gente nunca ficou nem cinco dias sem se falar...

–Nossa, quanto drama!

–E depois vai até as Docas atrás de mim e me larga lá? O Josué disse que você saiu de lá a pé e nem olhou para trás...

– Isso eu fiz sim, e não me arrependo. Quem não cumpriu a promessa que me fez foi você João Lucas, o que é que o Sr. quer? Morrer? E já vou logo te adiantando que foi a última vez na minha vida que eu pisei naquele lugar, da próxima vez, você vai ter que se virar sozinho...

– Desculpa, eu sei que fiz merda, eu também não pretendo colocar mais os meus pés ali, eu te prometo Du, foi a última vez...

–Não precisa me prometer nada, apenas cuide-se, eu não vou poder largar tudo para ir atrás de você sempre que precisar... Eu tenho a minha vida!

–Nossa... Aconteceu alguma coisa? Você nunca falou assim comigo...

– Aconteceu sim Lucas, eu cansei de ser babá de marmanjo, você precisa aprender a se cuidar sozinho.

– Falou agora igual ao meu velho... O que foi Eduarda encaretou?

–Não Lucas, eu apenas cansei!

Nessa hora eu me sento, abaixo minha cabeça, e choro. Ele se senta do meu lado, me abraça não diz nada, depois de algum tempo nessa posição eu me levanto já recomposta e começo a caminhar de um lado para o outro do quarto criando coragem para fazer o meu pedido... Quando abro a boca para falar, o João Lucas me interrompe...

–Eu sei que voltar às Docas não foi a maior das besteiras que eu fiz... Eu sei que falei o que não devia aquele dia Du, me perdoa! Eu fui um Mané, eu só não esperava... As coisas sempre foram tão claras entre a gente: e de repente, aconteceu... Eu estava confuso e achei que fazendo uma piada, sei lá... Desculpa...

Eu não quero falar sobre isso. Respondo seca.

–Mas Du, a gente precisa conversar sobre o que aconteceu...

Não aconteceu nada de importante e para mim isso basta.

Ele me olha frustrado, balança a cabeça e leva as mãos ao rosto, respira fundo e prossegue com a voz falsamente animada:

–Ok! E aí, quer beber alguma coisa, ou então dar um rolé por aí...

– Beber só se for água e sair? Acho que prefiro ficar por aqui mesmo, deixa eu te mostrar esse jogo que eu baixei. Me aproximo dele com o celular e começo a mostrar o meu novo xodó... Ele não está nem um pouco interessado e em dez minutos estamos os dois deitados olhando para o teto. Nessa hora eu crio coragem:

– João...

–Hum!

–Papo reto: Você sabe que a nossa amizade sempre foi sincera, verdadeira, que eu não me aproximei de você por causa da sua grana, né?

–Claro que sim! Nunca pensei diferente...

–É que você andou falando uns troços estranhos...

–Eu não disse que você era interesseira, disse que você curtia ter um amigo milionário... Eu menti por acaso?

–Não, não mentiu... E eu nunca neguei isso. Tinha que ter alguma vantagem em agüentar a sua chatice tantos anos. Olhei para ele e caímos na gargalhada. Ele me joga um travesseiro e eu devolvo com uma almofada no meio da cara.

Eu só queria deixar isso bem claro, respondo já sem graça. Ele segura a minha mão e me dá um sorriso... Impressionante como o sorriso dele me desarma, já toda derretida e antes de fazer uma outra besteira, lembro do que eu fui fazer ali, me sento na cama, olho ele nos olhos e solto:

–Já que é assim, então, pela primeira vez na vida eu vou te pedir uma grana João... Eu juro que eu não tenho mais a quem recorrer, só a você meu amigo... Me empresta cinco mil reais? Assim que der eu te pago, aos poucos, parcelado mas eu pago! Mas pelo amor de Deus, me arruma essa grana?

Ele me olha atônito e pergunta:

–Eduarda, calma... Antes de qualquer coisa me responda, o que é que está acontecendo? Eu te conheço á anos e você nunca me pediu dinheiro, deve ser alguma coisa muito grave...

–É grave sim, por isso eu tô aqui, eu tive que passar por cima do meu orgulho para te fazer esse pedido.

–Se é tão grave assim me conta o que está acontecendo? Eu sou seu amigo e quero te ajudar...

É coisa de família, eu não posso contar, mas te garanto que a melhor ajuda que você pode me dar é me arrumando essa grana.

–Poxa vida Eduarda, o que é tão sério assim que você não pode me contar? Achei que a gente não tinha segredo um para o outro...

–Confia em mim Leke, e me arruma essa grana, digo já implorando...

Ele me olha nos olhos e responde: Pode se abrir, eu quero te ajudar...

Eu fico sem palavras, não achei que seria tão difícil! Caramba, essa grana não é nada para ele, precisa de tanto interrogatório? Eu me levanto pego a minha bolsa, devolvo o olhar, abro a porta e jogo a minha última cartada.

–Se não quer emprestar a grana era só dizer não e pronto! Não precisa desse teatrinho de amigo preocupado. Bato a porta atrás de mim e me dirijo ao corredor enquanto caminho em direção às escadas sinto a mão do Lucas puxando o meu braço. Olho para trás e o Lucas me olha sério:

–Não pense que vai me deixar falando sozinho. Me diz logo Du, o que está acontecendo com você?

Nada que te interessa, respondo.

–Se veio até aqui me pedir ajuda me interessa sim, vamos desembucha, eu quero te ajudar...

–Se quer me ajudar já sabe como... Devolvo.

–Eu não tenho essa grana... Depois do meu sumiço meus pais cortaram minhas regalias, nesse momento devo ter menos dinheiro no banco que você...

Nessa hora eu me desespero e começo a gritar com ele:

Como é que é? Você está me dizendo que não tem como me ajudar? Eu estou aqui, engolindo o meu orgulho, jogando a minha dignidade no lixo, você tem noção do quanto eu estou desesperada para te fazer esse pedido... E tudo isso por nada? Porque você não me disse antes?

Por que eu te conheço e sei que você deve estar muito enrascada para me pedir dinheiro, eu quero sabe emr que confusão você se meteu?

Que confusão você ME meteu né, João?

–Agora a culpa é minha? Posso saber que merda eu fiz dessa vez?

–Você me ENGRAVIDOU! A grana que eu te pedi é para pagar o aborto!

Digo isso aos berros e só aí percebo que a família inteira do João Lucas está observando a nossa briga. Olho para ele e ele está branco feito papel, a mãe dele me olha com fúria enquanto o resto da família me olha como se eu fosse um zumbi. Nessa hora escuto a voz do comendador Medeiros, ele olha para mim de cima a baixo e pergunta:

– A moça está grávida do meu filho João Lucas, é isso que eu ouvi?

–É isso sim, mas eu vou tirar já está tudo resolvido, só preciso do dinheiro...

– Já está tudo resolvido é uma vírgula, a moça está falando de um neto meu. João Lucas foi você quem mandou ela tirar esse filho?

–Não meu pai, eu jamais faria uma coisa dessas...

–Então entre vocês dois no quarto que nós três vamos conversar.