Eu, meu inimigo e nosso bebê
4 Capítulo 3
Notas iniciais
P.O.V Annabeth Chase
Logo depois que falamos com Nico di Angelo, eu decido ir até a casa de Thalia e ver se está tudo bem, arrasto Zoë comigo.
Quando chegamos lá, Hera nos atende e diz que Thalia está no jardim.
– Deveríamos ter ligado, Annie. — Zoë diz. — Talvez ela não queira ver ninguém.
– Eu não saio daqui enquanto não ver como minha amiga está. — eu digo e continuo andando.
No jardim, encontramos Thalia deitada embaixo a árvore que está lá desde que éramos crianças. Ela encara o céu com as mãos sobre a barriga.
– Me dê motivos para não jogar meu tênis em você. — digo e me sento ao seu lado, sendo seguida por Zoë. — Por que saiu da escola sem avisar?
– Me desculpe por invadir sua casa, Thals. — Zoë se defende. — Ela me obrigou a fazer isso.
Thalia se senta e olha para nós. Seus olhos azuis estão inchados e vermelhos.
Eu nunca via Thalia chorar, ela estava sempre forte e gostava de resolver seus problemas com tapas e gritos, nunca com lágrimas. Não a via chorando há 5 anos, quando sua mãe morreu. Se ela estava assim, algo sério tinha acontecido.
Zoë segura a mão de Thalia, que está trêmula.
– O que aconteceu, Lia? — pergunto com preocupação. — Algum problema com você? O que a enfermeira disse?
Quando ela olha para mim, seus olhos se enchem de lágrimas e ela desaba sobre nossos braços.
– Eu destruí minha vida. — Thalia diz entre soluços. — Destruí todos os meus planos.
– O que aconteceu, Thals? — Zoë diz calmamente com uma voz doce. — Se acalme e nos diga, para que possamos ajudar você.
Thalia se afasta e olha para nós. Dá um suspiro e seca suas lágrimas com as costas da mão.
– Isso aconteceu. — ela aponta para a própria barriga.
Olho confusa para ela. O que ela quis dizer com isso?
Ela está chorando porque está se achando gorda? Ela está com alguma doença na barriga?
– Isso o que, Lia? — aperto sua mão. — Tem algo errado com você?
– Não, Annie. Não há nada de errado comigo. — ela aponta novamente para a barriga — Não há nada de errado com nós.
Nós?
Antes que eu possa perguntar, entendo o que ela quis dizer. Minha boca se transforma em um "O" e as palavras não saem. Zoë solta um som estranho da boca e olha para a barriga de Thalia com os olhos arregalados.
– Eu estou grávida. — Thalia diz e se deita no chão outra vez. — Eu. Estou. Grávida.
Não consigo dizer nada. Estou chocada demais para conseguir formar uma frase. Thalia está grávida? Eu não conseguia acreditar nisso.
– Você está falando sério? — Zoë pergunta ainda com os olhos arregalados. — Como? Grávida de quem?
– Nico. — Thalia fecha os olhos com força. — Tem um bebê di Angelo bem aqui.
P.O.V Nico di Angelo
Ouço batidas na porta de meu quarto pela décima vez em cinco minutos. Finjo que não escutei.
– Não vou sair daqui até você abrir essa porta, Nico. — Bianca diz do outro lado da porta e espera uma resposta. — Não me faça chamar mamãe para tirar você a força daí.
Bufo e levanto para abrir a porta.
Sei que ela está falando sério sobre chamar minha mãe, e isso deixaria tudo muito pior. Destranco a porta e Bianca invade meu quarto antes que eu tenha tempo de tirar a mão da maçaneta.
Ela se joga em minha cama e me encara.
– Fale. — ela diz.
Olho para ela e finjo que não sei do que ela está falando.
– Falar o que, Bia? — me jogo ao seu lado.
– Não seja falsinho, Nico! — ela dá um tapa em meu braço. — Você vai para a enfermaria com Thalia e volta todo estranho, me deixa sozinha na escola, volta andando para casa e se tranca nesse quarto o dia inteiro. — ela respira fundo antes de continuar. — Ou você me conta o que aconteceu ou eu te jogo daquela janela.
Ela aponta para a janela do meu quarto e me encara.
– Não aconteceu nada, Bianca. — minto. — Só fiquei estressado por ter passado tanto tempo com Thalia Grace em uma enfermaria.
Bianca me fuzila com os olhos e se senta na cama. Ela não vai desistir até que consiga o que quer.
– Eu estou com você desde o útero, seu idiota. Sei muito bem quando você está mentindo para mim.
Ela dá um suspiro e seu rosto ganha em uma expressão mais calma.
– Confie em mim, Nico. — Bianca pede.
Ela segura minha mão e dá um sorriso fraco. Sei que posso confiar em Bianca, e eu preciso mesmo falar sobre isso com alguém.
Respiro fundo e fecho os olhos.
– Thalia está grávida, Bianca. — digo.
Minha irmã se joga ao meu lado novamente.
– Uau. Agora eu entendo sua preocupação. — ela se agarra em meu braço. — Imagine como deve estar a cabeça dela... — Bianca suspira tristemente. — Eu gosto muito de Thalia, espero que fique tudo bem.
– Eu também espero. — digo baixo.
Ficamos sem dizer nada por um tempo. Até que Bianca resolve quebrar o silêncio fazendo a pergunta que eu temia.
– Quem é o pai da criança? — ela questiona e eu continuo em silêncio. — Nico, quem é o pai?
Abro os olhos e Bianca olha atentamente para mim.
– Eu, Bianca. — digo, finalmente. — Eu sou o pai.
P.O.V Thalia Grace
– Você pretendia contar pra gente que dormiu com Nico quando? No chá de bebê do filho de vocês? — Annabeth grita e eu quase enfio seu rosto na grama.
– Fale baixo, Annabeth! — olho em volta procurando minha madrasta ou alguém que possa ter escutado. — Quer que Hera escute?
Annabeth arregala os olhos e pede desculpas desesperadamente. Zoë segura a risada e eu me permito dar um sorriso.
– Mas Annie está certa, Thals. — Zoë diz. — Você simplesmente se esqueceu de contar que foi pra cama com o garoto que você odeia desde que nasceu?
– O garoto que ela supostamente odeia. — Annie diz a corrigindo.
– Eu o odeio, sim! — quase grito. — Mas eu estava bêbada, então resolvi fingir que nunca tinha acontecido e esquecer. E estava dando certo, até que... — toco minha barriga.
– Vingança divina, Thalia Grace. — Annabeth joga uma folha em meu rosto. — Eu teria lembrado de você de tomar a pílula do dia seguinte!
Zoë dá um tapa no braço de Annabeth, que olha confusa para ela.
– Não diga que a criança é uma vingança divina, Annabeth! É só um bebêzinho.
Não aguento e dou uma risada. Pela primeira vez no dia não me sinto como se estivesse desmoronando.
Eu estou grávida, mas não sozinha.
P.O.V Nico di Angelo
– Eu vou ser tia? — Bianca grita e sai da cama em um pulo. -Ai. Meu. Deus. Eu vou ser tia!
– Fala baixo, Bia! — digo irritado.
– Desculpa. — ela diz e sorri pra mim. — É que eu estou muito animada, você sabe que eu sempre quis um sobrinho, Nico.
Olho para ela com raiva. Como ela poderia estar tão feliz em uma situação como essa?
– Isso não é legal, Bianca. — olho pra ela. — Já parou pra pensar na reação dos nossos pais?
– Oh, você tem razão. Não vai ser fácil. — ela se senta novamente. — E tem a família de Thalia também. Se ela é irritada e violenta daquele jeito, imagine como o pai dela deve ser.
Eu a olho com irritação.
– Você não está ajudando, Bianca!
– Opa. Vou ficar calada e deixar você pensar. — ela se deita virada para mim.
Fecho os olhos e tento tirar tudo isso da minha cabeça. Quem sabe eu durma e quando acordar vejo que tudo não passou de um sonho?
– Nico? — minha irmã diz com menos de cinco minutos de silêncio.
Abro os olhos e a encaro.
– Será que os olhos serão azuis como o de Thalia ou escuros como os seus? — ela pergunta com um ar sonhador.
Reviro os olhos para ela, ignorando sua pergunta.
– Será que você pode parar de falar sobre isso, Bianca? — digo irritado. — Eu quero dormir um pouco.
– Tudo bem, Nico. — ela se levanta. — Me desculpe, ok? Eu só fiquei animada com a notícia, mas sei que é difícil pra você. Estou do seu lado para qualquer coisa.
Eu balanço a cabeça concordando e ela beija minha bochecha, deixando o quarto em seguida.
Pelo menos alguém ficou feliz ao saber sobre esse bebê.
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