Eu, meu inimigo e nosso bebê
5 Capítulo 4
Notas iniciais
P.O.V Thalia Grace
– Você só vai comer isso? — Zoë olha para minha maçã como se ela fosse um monstro.
– Sim. — eu digo e mordo a maçã. — Algum problema com ela?
Zoë olha em volta antes de falar.
– Você está comendo por dois agora, Thals. — ela diz tão baixo que quase não escuto devido ao barulho do refeitório.
– Por isso mesmo, Zoë. Eu não quero passar mal de novo.
Ela revira os olhos e se levanta.
– Vou comprar um suco pra você. — ela diz com firmeza e sai antes que eu possa protestar.
Volto a comer minha maçã enquanto observo o refeitório.
– Oi, mamãe. – Annabeth sussurra em meu ouvido e me faz dar um pulo na cadeira.
–Se você fizer isso outra vez, vou deixar de ser. — digo irritada. — Você quase nos matou de susto!
Ela ri e se desculpa. Zoë volta com um copo de suco amarelo na mão.
– Maracujá pra te deixar calminha. — ela me entrega o suco. — Beba tudo!
–Tá bom, mãe. — digo.
– A única mãe aqui é você. — ela diz e eu reviro os olhos. — Temos literatura agora, Annie. Vamos?
Annabeth concorda e elas se despedem de mim e vão para a aula delas. Continuo tomando meu suco lentamente e olhando em volta, até que alguém toca em meu ombro. Viro e dou de cara com a cria do demônio.
– Você está viva. — Jade diz com a voz enojada. — Que maravilha!
– Qual o problema, Jade? — digo com raiva. — Estou tentando tomar meu suco, caso não tenha percebido.
Me levanto para sair dali antes que eu perca a paciência. Jade fica em meu caminho, me impedindo de passar.
– Calma aí, linda. — ela diz e sorri. — Você não vai sair daqui até eu quiser.
Conto até dez e tento me controlar. Empurro-a para o lado e tento passar. Ela prende sua mão em meu braço.
– Você é surda, Grace? — ela ri debochadamente. — Você não vai sair.
Antes que eu possa me controlar, suco de maracujá escorre por seu cabelo e ela solta um gritinho agudo. De repente, todo o barulho do refeitório se vai.
– Opa. — eu digo com sarcasmo.
– Eu vou matar você. — ela diz com a voz carregada de ódio.
Ela se aproxima de mim e levanta sua mão para dar um tapa, me preparo para segurar seu braço, mas alguém faz isso por mim.
– Não tem nada melhor pra fazer, Jade? — Bianca di Angelo diz e solta com força o braço de Jade.
– Não se intromete, di Angelo. — Jade diz e se volta para mim novamente.
Bianca di Angelo se coloca entre nós. Jade abre a boca para falar algo, mas a voz de Nico di Angelo a impede de continuar.
– Chega, Jade. — ele diz.
Não tinha notado sua presença até o momento, e parece que Jade também não. Ele está há mais ou menos um metro de nós e tem os braços cruzados e a expressão séria.
– Nico, diga a sua irmã que isso é entre Grac... — ela começa a dizer e Nico a corta.
– É melhor você ir se limpar antes que chegue alguém da direção. — ele diz de modo seco.
Jade bufa, mas faz o que Nico disse. Todos a acompanham com o olhar até a saída do refeitório.
– Essa garota é tão insuportável. — Bianca diz e se vira para mim.
– Eu teria me defendido sozinha. — digo para ela.
– Eu sei. — ela dá de ombros. — Você teria a matado.
Dou uma risada e Bianca sorri.
– Não vou deixar ninguém chegar perto do meu sobrinho. — ela pisca pra mim.
Olho para Nico e vejo que ele está olhando incrédulo para Bianca.
– Obriguei Nico a me contar. — ela diz depois de ver como Nico a olha. — Espero que não se importe.
– Tudo bem. — eu digo e dou um sorriso fraco pra ela e me viro para Nico. — Ela é sua irmã, e uma hora todo mundo vai saber mesmo.
Bianca sorri para mim.
– Você tem aula de história agora, né? — ela pergunta e eu assinto. — Nós também. Vamos.
Ela anda em direção a porta e eu a sigo, Nico faz o mesmo, ficando ao meu lado. Bianca segue em frente pelo corredor, cumprimentando algumas pessoas. Eu e Nico a seguimos com alguns passos atrás.
– Está tudo bem? — ele diz quebrando o silêncio.
Olho para ele e balanço a cabeça.
– Está. — eu respondo. — Só não gostei do fato de ter desperdiçado suco com aquela lá.
Faço uma cara de nojo e Nico dá um sorriso de lado.
– Acho que ela só está com ciúmes. — ele diz.
Olho confusa para ele.
– Ciúmes? — questiono.
Nico faz que sim com a cabeça.
– Ontem ela falou que disseram que estávamos nos pegando na enfermaria, ela deve ter ficado com isso na cabeça. — ele dá de ombros. — Ela nunca tinha te provocado tanto antes.
– Ah, isso é ótimo. — digo ironicamente.- Não quero nem pensar como vai ser quando ela descobrir.
Nico faz uma careta, provavelmente pensando em como Jade vai reagir ao saber da minha gravidez. Toco a barriga e ele olha para minha mão.
– Acho bom ela não tentar tocar em nós. — eu digo pensando em meu bebê e eu. — Porque eu não vou deixar.
– Eu também não. — ele diz de modo sério.
Continuamos o caminho em silêncio.
Quando chegamos na sala, quase todas as mesas estão ocupadas. Ao contrário das outras salas, que têm mesas para duas pessoas, a sala de história é composta por mesas redondas com cinco lugares.
– A mesa do Leo tem lugar para nós. Venham. — Bianca nos puxa pelo braço.
Sento entre Bianca e Nico.
– Chegou nossa rainha do suco. — Leo diz piscando e sorrindo para mim.
Bianca dá uma risada e vejo que Jade, agora de cabelo preso, se volta para nossa mesa e nos encara com ódio. Quando seus olhos encontram Nico, ela dá um sorriso e pisca para ele.
– Como você aguenta? — pergunto enojada.
– Ela é legal. — ele diz e eu arqueio a sobrancelha. — Ela é legal comigo. — ele se corrige.
– O que não fazemos pra pegar alguém, né? — dou uma risada. — Deve ser difícil ser legal quando se é ela.
Nico sorri e ficamos em silêncio até o fim da aula.
...
– Agora é educação física. — Bianca choraminga apoiada no ombro de Nico. — Eu não quero, estou com cólica.
– Sorte sua. — murmuro e os dois irmão olham pra mim.
Bianca ri.
– Estou feliz que esse bebê esteja na sua barriga. Eu não suportaria uma das garotas que meu irmão fica esperando um bebê dele. — ela olha para Nico. — Sem ofensas, maninho.
– Não estou ofendido. — Nico diz e ri. — Mas lembre-se que eu e Thalia nos odiamos. É igualmente difícil pra mim.
Reviro os olhos.
– É ainda mais difícil pra mim, di Angelo. E se eu levo esse bebê na barriga por nove meses e ele nasce igual o pai? — eu digo e olho para minha própria barriga — Não faça isso com a mamãe, por favor.
Nico revira os olhos e Bianca ri.
– Vocês são tão fofos. — ela olha para minha barriga e sussurra. — E estranhos também, então seja como a titia.
Ela se vira e continua andando, Nico e eu a seguimos.
P.O.V Nico di Angelo
– Façam duas equipes. — o treinador Hedge diz. — Vamos jogar queimada hoje.
Como a quadra havia mais espaço que uma sala de aula, educação física era a única aula em que todos do terceiro ano faziam juntos. Por esse motivo, era sempre uma completa bagunça.
– Professor. — escuto a voz de Thalia. — Eu não posso participar da aula hoje. Não estou me sentindo muito bem.
O treinador olha e faz um joia com a mão para ela. Quando a olho, vejo que ela está pálida.
Quando percebo, já estou me aproximando dela.
– Qual o problema? — eu pergunto e sento ao seu lado na arquibancada.
– Estou um pouco tonta. Deve ser o sol. — ela responde. — E fome. Annabeth foi buscar comida para mim.
– Quer que eu vá até a enfermaria com você? — pergunto e ela arqueia a sobrancelha para mim.
– Está mesmo me perguntando isso? — ela dá um sorriso divertido para mim. — Estou surpresa.
Dou de ombros.
– Tenho um terço de culpa pela sua tontura. — olho para o treinador Hedge que está gritando. — E faço qualquer coisa para fugir dessa aula também.
– Justo. — ela diz. — Mas não é preciso, só vou me sentar e esperar minha comida. Obrigada, di Angelo.
– De nada, Grace.
Eu me levanto e volto para a quadra. Olho para trás e vejo que Annabeth chegou com a comida. Thalia parece desesperada tentando abrir o pacotinho do canudo para tomar o suco.
Antes que eu possa me controlar, estou sorrindo. Talvez não seja tão difícil ter Thalia Grace como a mãe do meu filho.
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