Eu matei Joe Kingston
2 O Bilhete cor-de-rosa
Alguém que tocava a campainha da mansão fez com que Valentina largasse a taça de vinho e quase caísse no choro novamente, como se houvesse acabado de despertar em uma realidade triste. Ela sempre esperava que Joe aparecesse batendo a porta, mas a verdade é que ele não apareceria lá, ou em lugar algum. Joe Kingston estava morto.
Relutante para se levantar do sofá confortável, Valentina se rastejou até a porta. Abriu-a, sem ao menos se dar o trabalho de espiar pelo olho mágico. Victor olhou-a dos pés a cabeça. Ele quem havia interrompido seu quase mar de choro.
– Eu vim assim que recebi o seu recado.
– Entre, por favor. — a mulher deu espaço para que ele passasse e, logo, fechou a porta.
Victor Montgomery era um agente policial local, entretanto, com o passar das semanas se tornou um amigo de Valentina. Ela gostava de estar na companhia dele, achava que Victor a compreendia. Ele perdera a esposa num acidente de carro.
– Aonde está? — Victor quis saber.
Ele era um homem alto, de físico atraente. Seu cabelo negro estava sempre bem cortado e arrumado, de modo que comparava-se com ondas formadas na frente. Victor era bonito, aliás, de acordo com os parâmetros sociais, lindo de uma forma Clark Kent.
– Está aqui. — respondeu Valentina, atirando no balcão um envelope cor-de-rosa
– Recebi com as cartas de lamentos de amigos distantes. Eu não li todas, — comentou a mulher com um olhar cansado — mas decorei o nome de cada um. Essa carta não tinha remetente, precisei lê-la pra saber do que se tratava.
Victor ainda examinava o envelope, e só o abriu quando Valentina parou de falar. Ele leu mentalmente cada palavra do bilhete pequeno de dentro.
"Joe Kingston morreu. Sabemos o nome da culpada. Uma salva de palmas para Valentina Wardle.
Leve a culpa para o túmulo, vadia!"
– Valentina, isso é só uma brincadeira de muito mau gosto. Não pode levar isso a sério.
– Eu sei que não posso chama-lo aqui toda vez que me sentir mal, Victor, mas eu não tenho mais ninguém aqui em Bristol.
– Não se trata disso...
O fato de de se chamarem pelo primeiro nome era prova de quão haviam se tornado íntimos. Nem ao menos se lembravam quando isso começou.
– Por que não aceita a minha sugestão? Vá para Southampton e passe um tempo com seus avós.
– Não quero ir pra Southampton. — ela lembrava exatamente como havia sido difícil largar os avós, e como seria difícil fazer isto novamente.
– Tem outro lugar que você possa ir?
– Tenho uma amiga em Bath.
– Por que não liga para ela?
– Eu quero acompanhar a investigação do assassinato de Joe. — justificou.
– Se preciso, vou até Bath mantê-la informada.
Valentina deu um sorriso amargo, que Victor não soube identificar, pois já havia lhe conhecido dessa forma triste.
– Vamos lá! — ele tentou soar animador — Sair de Bath vai lhe fazer bem. Além do mais, saber que você mora aqui nessa casa sozinha e dispensa os empregados toda noite, me assusta.
– Eu gosto de ficar sozinha. — ela justificou novamente.
– Pode fazer isso por mim?
A ruiva olhou a expressão delicada de Victor e sorriu, dizendo:
– Tudo bem.
Ele tocou os ombros dela amigavelmente e a abraçou sem muito contato físico.
– Se descobrirem algo, você será a primeira a saber.
– A polícia de Bristol vai fazer de tudo para abafar o caso.
– Valentina, eu estou no caso. Você precisa confiar em mim.
– Eu confio, Montgomery.
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