Eu, ela, e o fim do mundo.
4 Capítulo 4 - Nova Jersey
Notas iniciais
Pov Eduarda
O relógio marcava seis horas da tarde. O sol já começava a se por, logo a noite chegaria. Eu e Max continuamos lá atrás aproveitando o bom vento. A viagem estava sendo tranquila. Chegamos à entrada de Nova Jersey por volta das seis e meia. Pessoas ainda trabalhavam no muro que a essa altura já estava bem alto. Era incrível olhar para o horizonte e ver que o muro percorria quilômetros inacreditáveis sobre a divisa de Nova York com Nova Jersey. Seria exatamente assim nos outros países que faziam divisa. Eu só não sabia como estava a construção do muro nas outras partes. Profissionais do mundo todo pareciam estar ali. Era inacreditável o número de pessoas, e impressionante como o muro estava se erguendo rapidamente. Só restava saber uma coisa : ele seria mesmo resistente?
Entramos por uma pequena abertura no muro, deixada daquela forma para as pessoas que fossem chegando, passarem. Claro que depois de uma boa inspeção pelo pessoal do exército. Fomos direcionados ao local onde outras pessoas de Nova York estavam. Havia um número considerável de novaiorquinos, porém, o número de zumbis seria bem maior.
— Onde está todo o resto? — Pergunto a um integrante militar que nos acompanhava.
— Estão lá. Em Nova York. Nossos sinais foram cortados bem antes do que esperávamos, em alguns cantos. Então milhares não ouviram os avisos e pode ser que nem saibam com o que estão lidando. Os que estão aqui são os que conseguiram chegar. Sejam bem vindos a Nova Jersey. — O militar diz frio.
— Duda isso aqui não é nem a metade da metade da população de Nova York. — Ana diz. E ela tinha total razão. Eu já havia tirado a minha conclusão. .. Se os mortos vivos resolvessem vir para esse lado, o muro seria apenas um obstáculo qualquer no caminho deles. Por toda parte haviam máquinas trabalhando. Um barulho altíssimo de destruição, pois diversas coisas eram destruídas para que o muro seguisse enfrente. Foi aí que eu soube que eles não sabiam com o que estavam lidando. Não tinham nem idéia. O barulho só serviria para atraí — los.
— Não estamos seguros aqui. — Digo e todos olham para mim.
— O que? Claro que estamos Eduarda. Olha em volta, milhares de armas com esses soldados preparados. Comida e água suficiente para todos nós. — Rafael se pronuncia.
— Rafael ela tem razão. Precisamos ir embora daqui, o mais rápido possível. — É claro que Max concorda comigo. Ele sabia assim como eu o perigo que seria ficar ali.
— Eu não vou. Nem mesmo a minha família. Estamos bem aqui. Estamos protegidos. Vamos ficar e ajudar na construção do muro. E vocês também deveriam fazer isso. É ele que nos mantém vivos agora.
— Eu não teria tanta certeza Rafael. Mas, é a sua decisão final? Pense um pouco nas suas filhas.
— É só o que eu faço Eduarda. E é por isso que não vamos a lugar algum. — Ele estava decidido.
— Tudo bem.. e você Jonas? — Eu estava torcendo para que ele ficasse. Mas isso não aconteceu.
— Tô contigo e não abro! — Max ri da cara que faço.
— Ana? — Eu já sabia a resposta dela, mas eu deveria perguntar assim mesmo.
— Vou com vocês é claro. — Sorrio para ela. Sou retribuída.
— Papai, eu queria ir com eles... — Julieta diz. Rafael olha confuso para ela.
— Mas é claro que não! Eu te proíbo Julieta! — Ele grita com ela. Julieta já era bem grandinha, porém, para seu pai ela ainda era a sua pequenina.
— Eu já tenho dezoito papai... Não pode mais me proibir. Não irá acontecer nada a mim. O muro está aí para confirmar isso. — Rafael enlouquece com o que sua filha diz. Ele apanha seu revólver e aponta para Jonas.
— Isso tudo é culpa sua seu desgraçado! — Na mesma hora eu aponto o revólver para Rafael.
— Calma Rafael, você não está pensando direito. Você está assustando todos aqui. — Max apenas fica observando. Ele não tinha como fazer alguma coisa visto que só eu estava com uma arma. Dois soldados se aproximam e apontam a arma para nós dois.
— Ei! Tá tudo bem! Eles só estão conversando! — Max grita para os soldados.
— Quero que os dois larguem as armas agora. — Um dos soldados se pronuncia.
— Rafael, olha pra mim. A sua filha tem direito a uma escolha. . Não acha?
— Não Eduarda. Isso é tudo culpa desse rapaz.
— Papai não! Por favor abaixe essa arma! — Julieta implora aos plantos. Marta afasta Julie dali.
— Você não vai a lugar algum Julieta. Ou eu juro que mato ele. — Ana está assustada atrás de mim. O clima é de tensão e cada vez mais os soldados vão ficando impacientes.
— Julieta é melhor você ficar. — Jonas finalmente diz.
— O que? Mas você disse que seríamos muito felizes ontem a noite. Você não pode me deixar aqui. — Ela chora e chora.
— Você esteve com ele ontem a noite Julieta?!
— Senhor largue a arma! — Max se aproxima sem que Rafael perceba e aplica um golpe certeiro nele. O velho senhor cai e sua arma também.
— Desculpa Rafael. Mas você precisa esfriar a cabeça. — Os soldados ajudam Max e o seguram retirando ele dali logo em seguida.
— Vamos embora daqui Jonas. Julieta você fica. Converse com seu pai e ajude sua mãe. Será o melhor para ti.
— Tudo bem. Já nem sei mais se iria. Pelo visto, Jonas é apenas mais um cara idiota que eu burra confiei.
— Julieta não precisa falar assim também. Foi apenas uma noite e já passou. Não tem por que abandonar seu coroa por minha causa.
— Tá sendo ridículo Jonas. — Ana diz. Graças a Deus ela concordou comigo em relação a ele. — Fica bem moça. Dê um beijo na sua irmã por mim. Vou sentir saudades dela. Cuida do seu pai. Só a família importa em momentos como esse.
— Pode deixar Ana. Vou sentir saudades de vocês. Até de ti Max. Não vai me dar um abraço? — Ela estende a mão para ele. Surpreendentemente Julieta puxa Max para um beijaço, na frente de Jonas, que fica de boca aberta.
— Manda a ver maninho! Uhul! — Ana da gritinhos de felicidade. Os dois se separam já ofegantes.
— Bem melhor do que o do Jonas. Como eu pude deixar você passar?
— Mas que....puta. — Jonas diz todo enfurecido partindo para cima de Max.
— Epa. Vamos embora Jonas. Já deu de showzinhos por hoje. — Acompanho ele para fora da tenda que nos acolhia da pequena garoa que caia. Ana vem logo atrás de mim. Max ainda demora um pouco lá dentro. Se despedindo formalmente. Só que não. Tinha alguns carros parados lá na frente. Teríamos que caminhar um pouco na chuva.
Ao caminharmos um pouco para longe do muro, consigo abrir a porta de um carro, quebrando seu vidro. Tiro os cacos do estofado e abro caminho para Ana sentar no banco ao lado do motorista. Abro a porta de trás para Jonas. Max estava demorando para chegar.
— Com certeza ele tá transando. — Ana diz para implicar com Jonas, que fica visivelmente irritado com o comentário.
— Chega desse assunto pequena.. O nervosinho aí vai acabar tendo um ataque.
— Sua cara ficou muito engraçada Jonas. Na boa cara!
— Cala boca.
— Finalmente! Olha ele lá. — Digo. Max vinha carregando duas mochilas. O filha da puta tinha conseguido recuperar. Os soldados tiraram de nós assim que chegamos para distribuir para todos assim como todas as outras coisas que eram compartilhadas lá. Tinha comida e água para alguns dias naquela bolsa. Max entra no carro todo contente. O sorriso branco do garoto deixaria o sol no chinelo.
— Vou ter que ir atrás com esse cara? — Jonas diz.
— Eu mudo de lugar com você Max. Vem pra cá. — Ana já iria sair do carro para trocar de lugar. Olha pelo retrovisor para Max e ele entende.
— Ana não precisa. O galã aí vai na minha companhia sim ou se não ele pode descer do carro. Já foi cara. Voce deu uns pegas e eu também. Quanto mais rápido você aceitar dessa forma, mais rápido voltaremos a ter uma boa convivência. Afinal, pelo que entendi pra você só foi uma noite e pronto. Duda podemos ir. — Jonas engole o seco e continua com a cara fechada. Ele não reclama mais de nada o caminho todo. Morro de ri por dentro.
Uma coisa me chama atenção. Enquanto dirijo, Ana põe sua cabeça encostada no vidro do carro e olha para mim por um bom tempo. Perguntei algumas vezes o que ela tinha e ela apenas fazia sinal de negativo com a cabeça. Sorri algumas vezes por ver que ela também sorria. Aquela altura eu já estava vermelha de tanta timidez. Ela me causava esse nervosismo bobo.
O muro ficava para trás, longe de nossas vistas. A cidade de Nova Jersey estava praticamente vazia. Quase todos estavam ajudando na construção do mesmo. Procuro por um hotel ou motel onde possamos passar a noite tranquilos. Encontro um hotel bem simples aberto. Ali não podíamos invadir nada até por que se o muro funcionasse, as pessoas iriam voltar para suas vidas nornais. Ou mais ou menos isso ai. A hospedagem não era muito cara. Eu e Ana rachamos uma conta e ficamos no mesmo quarto. Jonas e Max pagaram seus receptivos quartos. Os dois não ia ficar no mesmo é óbvio.
— Novaiorquinos? — O dono do local pergunta.
— Sim. Chegamos agora pouco.
— Não quiseram ficar lá por perto?
— Não. Achamos melhor descansarmos por aqui. Amanhã voltamos pra lá. Para ajudar, claro.. e o senhor?
— Não aguento pegar no tranco minha jovem. — Todos rimos. — Tenham uma boa noite de sono. Fiquem tranquilos pois o prédio será devidamente trancado. Estarão seguros. Temos um café bem simples amanhã às oito horas, se quiserem.
— Claro, vamos adorar. Obrigada. Boa noite para ti.
Subimos até os quartos pelas escadas pois não haviam elevadores. Claro que Max reclamou.
— Um vinhozinho meninas? — Max pergunta.
— Onde você conseguiu isso? — Ana diz tirando o vinho da mão de Max.
— Tenho meus contatos. — Ele pisca. — Vou tomar um banho e já volto aqui para acompanhar vocês em uma taça pelo menos.
— Fechado! Também vou tomar um banho.
Ana vai para o banheiro e Max para seu quarto. Pego três taças na recepção com o senhor Aldo. Ele é gentil. Meu celular vibra com uma mensagem de Max.
" O vinho é todo de vcs. Pense no q falei. Não esqueça de usar a camisinha.
Ps: Me deve uma ; ) "
Mas que filho da mãe. Era tudo um circo dele. E eu estava doida para ver ele pegando fogo. Volto correndo para o quarto e separo uma roupa. Ana sai do banheiro assim que termino de responder Max.
" Obrigada. Não vou esquecer! Ps: Te devo até três ;) ."
A mulher encantadora estava apenas de toalha no mesmo quarto que eu. Doía de ver Ana daquele jeito e não poder joga — la na cama e fazer amor a noite inteira com ela.
— O que foi Duda? Parece que nunca me viu de toalha. — Ela diz e sorri. Só então percebo que estava quase babando.
— Hã? Vou tomar meu banho. Já volto. — Eu precisava fugir dali enquanto não fazia besteira.
Ducha de água fria. Era a minha salvação. Na verdade eu sabia que bastaria chegar perto dela novamente para o calor subir mil vezes mais.
Pov Ana .
As coisas estavam meio estranhas entre mim e Duda. Ou talvez fosse algo da minha cabeça. No carro eu não conseguia parar de olha — la, deixei ela um pouco tímida, mas eu não podia desviar o olhar daquele sorriso lindo que ela sempre me dá.
Recebo uma mensagem. É Max.
"Arrumei uma companhia. Aproveitem o vinho! ; )"
" Poxa Max. Traíra. Amanhã quero saber tudo sobre essa companhia. Bjs. Boa noite. "
Bom, já que seria apenas eu e Duda, decido abrir o vinho. Encontro as taças dentro do frigobar. Duda sai do banheiro já vestida. Eu quase nunca via ela de toalha, em todos esses anos juntas. Seu cabelo ainda está molhado assim como o meu.
— Relaxada? — Pergunto.
— Só depois de um bom vinho. — Entrego uma taça para ela. — Obrigada.
— Por nada meu bem.
— Vem vamos sentar na cama. — Ela me convida e pega a garrafa de vinho.
— Não vou te fazer massagem por que da última vez você acabou dormindo e me deixando sozinha. — Duda sorri.
— Eu sempre durmo pequena!
— Verdade. Mas não faço mais.
— Poxa. — Duda faz um biquinho lindo. Golpe baixo. — Cadê o Max?
— Ele me mandou mensagem. Está com companhia! Então não vem.
— Companhia? Quem será? — Eu e ela nos olhamos curiosas.
— Eu acho que é a Julieta! — Digo.
— Não! Será? Tadinho do Jonas.
— Tadinho? Achei que ele fosse um babaca pra ti.
— Ele é. Mas convenhamos que ele pegou uma gata! — Fico bastante incomodada com o comentário de Eduarda. Tento deixar pra lá.
— Sim, e o Max também.. aliás, acho que só eu que não pego ninguém. — Sorrio. Logo Duda me corrige.
— Não, não. Eu também não peguei ninguém. — Bom, era verdade.
— Não seja por isso. — Não sei o que me passou pela cabeça, mas me aproximo dela e dou um selinho em seus lábios. É rápido demais até pra ela reagir. — Pronto, agora pegou!
Pov Eduarda
Com certeza eu não peguei. Até por que com ela eu demoraria mais do que isso. Muito mais. Ana me pegou completamente de surpresa. Será que era o vinho falando mais alto nela? Mas nao tomamos nem meia taça ainda. Ela estava sóbria. Até demais. O que me deixou abismada.
— Ana...
— Oi meu bem. O que foi?
— Não faça isso.. Vai que eu apaixono. — Falo tentando levar para o lado da brincadeira para ver até onde isso iria dar.
— Você se apaixonar com um selinho desses? Nada haver né pequena. — Ela sorri. É, a verdade é que nem precisou do selinho para eu me apaixonar.
— É, eu sou muito galinha pra isso. Posso deitar no seu colo? — Falo já deitando pois sabia que a resposta seria sim. Deixo meu vinho no criado mudo ao lado da cama, junto com a garrafa. Ela ajeita um travesseiro em seu colo para que eu fique mais alta e ali eu me deito. Pela primeira vez no dia eu me sinto relaxada. Ana passa a mão em meus cabelos molhados e sorri para mim. — Por que você estava olhando para mim lá no carro? Da mesma forma que está agora. — Pergunto baixinho.
— Não sei. Eu gosto de admirar você. És como um anjinho. Tão linda e tão perfeita.. — Ela passa a mão pelo meu rosto fazendo um carinho tão bom que me maltrata. A essa altura eu já estava pulsando calor.
— Anjinho? Sério?
— É fofo, não? Não gosta que eu te chame de anjinho, anjinho? — Ela sorri. Ela estava de implicância. Ana passa o dedo no contorno dos meus lábios e quase me mata. Afasto os lábios um pouco para respirar. — Aqui fica o meu sorriso preferido. Sorri pra mim anjinho. Sorri. — É inevitável não obedece — la. Mas não deixo barato. Seguro seu dedo atrevido entre os dentes e pressiono um pouco. Aquilo teve efeito nela. Eu sei que sim. Ela vira o último gole de vinho de sua taça.
— Vai ter uma dor de cabeça enorme amanhã
— É a primeira taça, pequena . Deixa de ser chata.
— Sou só um pouquinho. Continua o carinho. Não sei por que você parou.
— Continuo, mas nada de morder. — Ela diz séria.
— Nem foi forte! — Me defendo.
— Foi sim. Mais do que você pensa. — Nos olhamos por alguns instantes entre sorrisos. Ela se inclina um pouco e sua boca chega perto da minha. Perto o suficiente pra eu fazer merda.
— Não faça isso Ana.. Já falei que posso me apaixonar. — Eu estava boba com a iniciativa dela. Mais boba ainda com o sorriso dela tão perto do meu. Eu não sabia nem que rumo tomar.
— Só queria ver uma coisa...
— Que coisa? — Fico confusa.
— Ver se seu sorriso se torna ainda mais perfeito pertinho do meu. . E olha, eu acho que sim.
— É? Por que tá me maltratando assim? — Sou direta.
— Por que você fica ainda mais gostosa sem saber o que fazer. — Somos apenas sussurros. Nenhuma se atreve a invadir o espaço da outra. Ou, em outras palavras, ir para os finalmentes.
— Ana, não brinca assim..
— Não estou brincando.. E não estou bêbada. Que fique bem claro isso. — Ela sorri. — Só quero ter a certeza de que você beija bem. Mas pra uma ativa até que você tá bem devagar.. — Coloco uma mão em sua nuca e faço carinho ali. Fico me deliciando com aquela visão maravilhosa que era seu rosto próximo ao meu. Logo eu seguro em seus cabelos molhados e tomo conta dos seus movimentos. Ela apenas fecha os olhos e soltar o ar pesado pela boca. Beijo os dois cantos de sua boca, até dar um selinho em seus lábios.
— Isso vai te matar eu sei. Assim como me mata. Eu gosto assim. Bem devagar. Até conseguir o que eu quero.
— Já conseguiu. — Ela olha diretamente nos meus olhos e logo me beija desesperadamente. É claro que eu não suporto ficar deitada. Sem tirar os meu lábios do dela, nos livramos do travesseiro e sento em seu colo na cama. Ela recebe bem o meu corpo e faz questão de junta-los ainda mais. Sua mão passeia por minha barriga e costas por dentro da blusa. Ela crava as unhas ferozmente em mim me fazendo pirar. Nossa línguas travam batalhas infindáveis. Parecia que uma havia sido feito especialmente para outra.
Quando o ar se faz necessário nos separamos entre selinhos e sorrisos bobos..
— Ah meu Deus... Como você faz isso tão bem .. — Ela diz. — Por que eu nunca tinha provado antes?
— Eu quero você. Quero casar com você. E viver pra sempre do seu lado.
********
— Eduarda? Dormiu novamente e me deixou sozinha? — Sinto alguém me chacoalhar.
— Hã? O que foi?
— Você dormiu de novo! Poxa Duda. Não quero ficar sozinha. — E tudo não passou de uma porra de sonho...
— Quando eu dormi? — Pergunto confusa.
— Assim que deitou no meu colo.
— Sério? Desculpa. ..eu...eu...Preciso de um banho. Gelado. .
— Mas outro? — Ana pergunta e sorri.
— Sim, tô precisando. Está muito calor aqui. Já volto. — Parecia tão real. Eu senti ela tão perto de mim. Mas tudo não passou de um sonho. E cá estou eu tomando um banho gelado por conta de um sonho pervertido com a mulher mais linda do planeta. Ainda bem que não costumo falar dormindo. Bom, pelo menos o Max diz que eu não faço isso. Já dormimos várias vezes na casa um do outro em tempos de projetos feitos por nós dois.
Pov Ana
Eu estava tão perto dela...Tão perto da sua boca.. Vou acabar enlouquecendo com isso. Acho que é apenas uma confusão em minha mente. Devo me abrir com o Max sobre isso. Acho que ele não me criticaria por isso. Não é?
Eu simplesmente senti vontade de chegar mais perto dela, de encostar meus lábios no seu...Assim como no selinho, só que bem mais demorado do que um. Mas eu não fiz nada, apenas fiquei ali parada perto dela por um bom tempo. Depois decidi acorda — la. Ela me mataria se soubesse o que eu fiz. Qual é, somos amigas. Com certeza ela brigaria comigo. Preciso urgentemente de um homem. Estou ficando louca perto dela. Estou desejando algo inalcançavel. Não quero perder ela pra sempre com esses meus desejos errôneos. Isso tem que sumir. Com certeza é mais fácil falar, por que de agora em diante ela seria a minha única família. Ela e o Max.
— Pequena desculpa ter dormido. Eu estou bem cansada ...e o seu colo me faz tão bem. — Senti uma alegria percorrer em minhas veias. Era o efeito Duda. Novamente ela estava com seus cabelos pretos molhados.
— Tudo bem. Até acostumei. — Sorrio e ela vem pra perto de mim e deposita um beijinho em minha bochecha. — Você quer descansar?
— Quero. Você dorme comigo? — Um convite um tanto perigoso...
— Sim. Pode deitar aqui. Vou só guardar o vinho no frigobar. — Duda me obedece e se deita do lado direito da cama. O quarto do hotel era simples, um banheiro, uma cama de casal e dois criados mudos, um de cada lado da cama, frigobar, um pequeno guarda roupa e um ar condicionado que não funcionava muito bem, era como se nem tivesse um no quarto. Quando volto para cama encontro Duda deitada de barriga para baixo. Me deito ao lado dela e seus olhos acompanham meus movimentos. Dou um beijo de boa noite em sua testa e hesito um pouco na hora de sair de perto dela.
— Por que tá tão longe? Eu não mordo não. — Duda diz. Acho que aquela distância era a mais indicada no momento, mas eu não podia dar bandeira, acabo chegando pra perto dela.
— Eu mordo, então não me perturbe. — Falo brincando fazendo Eduarda sorrir. Viro — me para o lado oposto do dela para poder dormir. Ficar olhando ela tão serena e tranquila não iria ajudar muito no meu processo de " Não se apaixone por sua melhor amiga".
Sinto um certo braço deslizar por minha cintura e um corpo bem quente colar atrás do meu. Fecho os olhos tentando conter o meu prazer, o que se torna impossível. Ela não sabia, mas ali eu estava entregue. Eu parecia uma gelatina de tão mole que estava em seus braços. Sinto sua respiração perto da minha nuca.
— Boa noite pequena. — Ela dá um beijo casto em meu pescoço que me arrepia até a alma. Seria impossível dormir com ela tão perto a mim, sentindo seu calor, sua respiração. Eu pensava em mil coisas e não conseguia me concentrar no cansaço para poder pegar no sono. Felizmente, uma hora acabei sendo vencida. Adormeci em seus braços pela primeira vez de muitos anos de amizade. Só que meus sentimentos naquela noite estavam tão bagunçados quanto os cabelos de Eduarda.
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