Eu... Você... Nós.
50 Moleque.
Notas iniciais
Pov. Edu.
Gabriela desmaia em meus braços, fico nervoso, a única coisa que me vem à cabeça é leva-la para a cama e esperar ela acordar. Enquanto ela dorme fico pensando no que fazer, eu não quero magoar ela, quero ver ela sempre bem, mas a coragem para contar me falta. Eu não queria traí-la e ela disse que iria tentar ser amiga da Anjo, mesmo não gostando dela, se soubesse o que nós fizemos ela iria odiá-la ainda mais e eu iria perde-la, não quero perde-la! Saí de casa, decidido a contar, mas, de repente, a coragem sumiu, não quero falar, mais ao mesmo tempo quero... Eu batia os pés de nervosismo, eu conto ou não? Tenho coragem ou não? Percebo que Gabriela acorda, o que me faz sair de meus pensamentos, a única coisa que consigo dizer é:
– Acordou amor? – sento ao lado dela na cama.
– Sim... Eu tive um sonho estranho... – ela diz ajeitando os cabelos.
– Como foi o sonho? – mexo no cabelo dela.
– Sonhei que você tinha me trocado pela Angélica. – fico nervoso, o que essas mulheres têm? 6º sentido? A vontade de contar era enorme, mas o medo de perder ela era muito maior. Ajeito-me na cama e digo:
– E co-como fo-foi isso? – não consegui controlar o nervosismo.
– Bom... Você queria que eu fosse amiga dela e eu disse que não aí você saiu bravo e quando eu vi você estava beijando ela... – começo a suar, não conseguia contar a verdade a ela, a coragem me faltava nessa hora. — Você está bem? – ela diz preocupada, eu segurava o lençol com força tentando controlar o nervosismo.
– S-sim... É-é... E-eu es-estou pre-preocupado com você... – Pelo visto ela acreditou. Bom, não era mentira, mas não era toda a verdade.
– Eu... – agora ela parecia um pouco nervosa. – Quer dizer... Isso é normal... – normal? Da onde ela tirou essa história de que desmaiar é normal?
– Normal? – tiro minha dúvida.
– É... – ela suspira.
– O que tem de normal em desmaiar do nada?
– É assim mesmo quando se fica grávida... – ela me olha esperando a minha reação.
– Grá-grávida? – fico boquiaberto, como assim grávida?
– É... – ela senta na cama, que ela ainda estava deitada, e se ajeita.
– E você me fala assim? Sem aqueles discursinhos? – falo descontraindo, quando a ficha cai de que isso é sério... – Espera... E-eu s-sou o p-pai? – voltei a ficar nervoso, eu queria ser pai um dia, mas não agora.
– N-não sei... Po-pode ser do Ca-Caio... – ela segura a minha mão tentando me passar segurança.
– Hum... E o que você vai fazer se for dele? – fico sério, eu quero assumir o bebê, pois também pode ser meu...
– Vou cuidar da criança... Por quê? – me olha confusa.
– Sozinha?
– É... Eu jamais iria pedir ao Caio para me ajudar a cuidar, muito menos pedir para ele assumir... Fora o fato dele está na cadeia... – Então o bebezinho iria ficar sem pai? Pergunto para mim mesmo.
– Então a criança vai ficar sem pai? – fico indignado, eu sei como é crescer com a ausência de um parente importante... Como... Uma mãe... É como um buraco que não tem como preencher...
– É... Acho que sim... – me olha confusa... Com certeza ela não está entendendo nada.
– E-eu assumo... – proponho segurando a mão dela e olhando fixamente em seus olhos, eu sabia que ela iria deixar eu assumir.
– Não posso dar essa responsabilidade a você... – ela resiste.
– Mais também pode ser meu... – insisto.
– E se não for? – “não estou ligando se é meu ou não, eu quero assumir.” Penso.
– Mais eu vou assumir, está decidido! – seduzo-a sorrindo, eu sabia que ela não conseguiria dizer não quando eu faço isso.
– Como eu digo não para uma carinha dessa? – aperta as minhas bochechas e começou a rir. Tiro as mãos dela do meu rosto e seguro-as em cima da cama.
– Então eu vou ser pai? – passo a mão em seu rosto. “Eu vou ser pai!” penso comemorando em pensamento.
– Vai... – ela fala tentando se acostumar com a ideia, mas eu sei que logo ela irá se acostumar.
– Amor... – a notícia me tirou de meu foco, eu queria muito contar a ela, mas o medo me consumia... Começo... Ponho o cabelo dela atrás da orelha e continuo. – Eu amo você, muito, você não tem noção do quanto... – eu estou muito arrependido do que eu fiz, mas não consigo contar... – Saiba que eu quero estar ao seu lado e te ajudar em tudo o que você precisar. Nunca duvide de meu amor por você, mesmo que eu faça besteiras, tá? – seguro levemente em seu queixo e olho fixamente em seus olhos. Eu sou um fraco! Não aguento mentir para a MINHA Gabi! Isso está acabando comigo por dentro.
– Tá... Meu amor... Por que está dizendo estas coisas? – ela me olha triste, é como se ela sentisse que algo aconteceu, não duvido que ela sinta, mas eu acho melhor eu contar no momento certo.
– Porque eu sou um idiota que só faz besteiras... – tento mudar o clima da conversa, sorrindo, tentando esconder minha tristeza, mas eu sei que ela suspeita de algo.
– Que besteiras que você faz? – ela me olha séria.
– Não sei... Já fiz tantas besteiras na vida... – quando ela faz essa pergunta relembro de algumas coisas que eu fiz.
Permaneço me sentindo péssimo por não conseguir contar a ela e eu espero que esse sentimento passe com o tempo, pretendo contar quando for à hora certa... Qual é a hora certa? Não sei... Quando a coragem finalmente chegar. Deito na cama e ela deita em meu braço, põe seu braço por cima da minha barriga e sua perna em cima da minha, em pouco tempo, adormecemos juntos.
Acordo com uma gritaria. Abro os olhos devagar e vejo Gabriela também acordando, a gritaria vinha da sala, nós sentamos, ela encosta-se ao meu ombro, ainda sonolenta, e eu pergunto:
– O que está acontecendo lá na sala? – ela acorda totalmente num pulo. – O que fez? – ela parecia estar com medo.
– Hoje meu pai vinha me visitar... Não sei por que ele está gritando, mas pra ele estar assim não deve ser boa coisa... – ela ia se levantar da cama quando o pai dela adentra o quarto com raiva enquanto alguém, que acho que deva ser a mãe, tenta segura-lo.
– QUEM É ESSE MOLEQUE? – o pai dela grita apontando o dedo para mim.
– Calma pai... Só o respondo quando ficar você calmo... – Gabriela diz com uma calma... Enquanto eu estava com medo, o pai dela parecia que ia me arrancar de lá a tapas...
– FICAR CALMO? COMO VOU FICAR CALMO SE VOCÊ ESTAVA DORMINDO AGARRADA COM ESSE MOLEQUE QUE NEM ME FOI APRESENTADO! – eu estava vendo a hora que ele iria pular no meu pescoço até arrancar minha cabeça com as mãos.
– CALMA! – a mãe se coloca na frente dele e põe as mãos no seu peitoral.
– EU VOU MATAR ESSE MOLEQUE! – disse tentando partir pra cima de mim, Gabriela olha para mim, segura em minha mão e diz olhando para seu pai.
– Esse moleque – põe bastante ênfase. – é o meu namorado, Eduardo e... – ela suspira tentando criar coragem para dizer algo... Olha para mim, dava para ver um brilho em seus olhos. – Eu o amo. – me dá um selinho e depois olha para os seus pais, que nos olhavam boquiabertos.
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