Por um lado tinha o lado racional da coisa. Eu seria uma assassina, mataria pessoas… Por outro lado, se me alimentasse de sangue humano, ficaria mais forte e teria as minhas capacidades! A Lua consegue fazer coisas espantosas! Porque é que eu não poderia?

– Cris, então? — perguntou a Lua.

– Eu… eu acho que se tivesse capacidades, era tudo mais fácil e assim podia-te ajudar, para não te sobrecarregares!

– Para quem não queria ser um monstro, estás a ir muito bem. — Disse Lua com uma frieza que me espantou.

– Lua, não me julgues por favor! Eles comem peixe eu como carne, qual o problema? Por favor… Não faças isso. Continuo eu, a tua amiga!

– Posso ser tua amiga e dar o conselho de que não estás a fazer a escolha correcta? É que é isso que eu estou a fazer. Nunca disse que deixaria de ser tua amiga. Mas não te compreendo.

– Obrigada. — sorri para ela.

– Esperem lá! Tu és uma bruxa?

– É e eu teria algum cuidado, posso me distrair… Sabes ainda sou nova no assunto.

– Lua?! — Repreendi.

O Dário foi para ao pé do Bruno, do Ruben e da Ju e estava a ser interrogado.

Eu fiquei a conversar com a Lua.

– Quanto tempo eu fiquei adormecida?

– Dois dias, na verdade não estiveste adormecida, mas sim morta. Pregaste-nos um grande susto! Quando te trouxemos pensávamos que tinhas adormecido, mas passado pouco tempo não respiravas. Não tinha a certeza se te ias transformar.

– E em relação ao que és?

– Eu estive a fazer umas pesquisas… Sou descendente dos Druidas. Uma tribo muito antiga que era conhecida pela sua magia proveniente da natureza.

– Druidas hein! Um nome engraçado.

– É…

– Quem se lembrou deste lugar?

– Fui eu. Costumava vir aqui com os meus avós.

– E onde estamos nós?

– Parque das rosas. Acho que tu também já estiveste aqui! Lembras-te do primeiro fim de semana que passaste connosco? Nós viemos acampar com os nossos pais aqui.

– Então estamos perto!

– Sim, para aí a uns 5km de distância.

-Hum…Tens saudades deles?

– Claro! Tu não?

–Tenho… Imensas. Mas não foi por isso que perguntei. Tu és a única que está mesmo viva!

– Estás a pensar que eu sou a única que pode ir ter com eles, não é?

Acenei.

– Estás enganada. Iam-me fazer perguntas sobre vocês, e o que é que eu dizia?

– Não vi as coisas dessa maneira.

Olhei para ela, ela estava exausta, ainda não tinha dormido para cuidar de nós. Senti um nó no coração. Ela é mesmo um anjo.

– É melhor ires descansar! Estás com um ar terrível.

– Obrigadinha! — Comecei a rir-me. — Mas acho que vou segui o teu conselho. Até manhã pessoal!

– Até manhã. — disserem todos juntos o que provocou ainda mais gargalhadas. Fui ter com eles.

– Nós dormimos? É que não me sinto nada cansada.

– Não, não dormimos. — Disse o Bruno.

– Hahaha, tu não viste nenhum filme de vampiros? — Perguntou-me o Dário.

– Não… Gosto mais de Drama e romance, os vampiros assustam-me.

– Haha, olha a ironia da coisa! — Disse a Ju.

– Bem aposto que o Drama já viveste. — Disse ele cada vez mais próximo de mim. — Falta o romance!

Senti o meu coração a bater mais rápido. Não é justo! Porque é que ele me faz isto? Ele sabe que eu fico assim...

Ele estava á minha frente a sorrir-me. Corei.

– Uhhhhh! — Gozaram o Ruben e a Ju. — Temos casal.

– Não sejam parvos! E nós não somos um casal! — Não ainda.

Durante a noite fomos todos caçar, apesar de já o termos feito de manhã, precisávamos de caçar outra vez. O Dário diz que é por sermos ainda recém vampiros e que com o passar do tempo basta alimentarmo-nos uma só vez.

Dividimos o grupo de caça em dois, o Dário e eu para um lado e eles para o outro. O motivo da divisão é logico e só de pensar que iria estar sozinha com o Dário, sentia o nervoso miudinho na minha barriga. Nós encontrávamos sempre campistas selvagens, o que nos facilitava a tarefa.

Fiquei a observá-lo caçar, ele era algo de outro mundo, tinha que ser! Como tinha que caçar desliguei os meus sentimentos. Não me sentia bem quando caçava alguém e o via sofrer.

Depois da caça, ele estava a limpar o terreno e eu, por força de habito, olhei para trás para ver se alguém tinha escapado e reconheci o local onde estava.

– Dário?

– Sim?

– Eu vou só ver uma coisa. Não me demoro nada ,ok?

– Ok, mas despacha-te.

Eu estava perto de casa, sabia disso, corri e pouco tempo depois eu estava a ver a casa por detrás das arvores.Os meus pais estavam ali, a policia também. Eu tive apenas que me concentrar um pouco para perceber o que eles estavam a dizer.

– Oh Gui, ela tem que estar aqui algures. — disse a minha mãe abraçando o meu pai.

– Nós procuramos em todo o lado. Não havia nada que indicasse que ela estava ali. -Disse o policia.

– Ouça, ela ligou-me minutos antes de eu chegar lá. Ela disse-me que tinha encontrado sangue, e que tinha a certeza de que eles estavam ali. Eu acho que ela os encontrou.

– Mas então porque não disse nada? Porque não vieram todos? Do que se escondem?

– Isso é o que vocês têm que descobrir.

Nesse momento fui empurrada contra a arvore.

– O que pensas que estás a fazer? — Era o Dário.

- Eu só queria ver como eles estavam.

– O que achas que ia acontecer se eles te vissem?

– Nada eu dava uma desculpa qualquer para eles acreditarem que eu queria estar sozinha.

– E o que eles iriam pensar ao ver o teu aspecto?

– Os olhos…

– Os olhos e não só! A pele e os dentes…

– Não pensei nisso.

– Pois acho que tu não medes as consequenciais dos teus actos. Eu disse-te que te ajudava a ter auto-controlo, mas tens que ter paciência.



Notas finais
o mesmo do que as outras vezes