Notas iniciais
Espero que gostem desse capítulo.

Assim que minha mãe chegou da loja, fui conversar com ela.

- Mãe, alguns policiais vinheram aqui em casa ontem, pra pegar minhas impressões digitais, pra comparar com as do estilete encontrado com o corpo daquele homem que foi assassinado à uns meses atrás.

- Mas porque isso agora? O que você tem com isso?

- Mãe, o estilete, é meu, e eu usei ele pra matar aquele homem.

Ela não disse nada, achei melhor falar de uma vez que ficar fazendo delongas. Ela começou a me olhar como se eu fosse a pior pessoa do mundo, vi ódio no olho dela, e medo também como se eu fosse fazer algo com ela.

Ela me olhou, as lágrimas começaram a cair do seus olhos e consequentemente dos meus também.

- PORQUEEEE? PORQUE VOCÊ FEZ ISSO SUA, SUA... MALDITA! ISSO QUE VOCÊ É UMA MALDITA. Ela disse chorando muito, mas com um ódio indescritível nos olhos.

- Mãe, ele tentou matar a Mari, ai eu fui e esfaqueei ele, foi só para salvar minha vida e a dela, acredite em mim.

- Não me chama de mãe, eu não coloquei um monstro no mundo, não mesmo, saí da minha casa agora Sophia, AGORA. Disse ela apontando em direção à porta.

Saí em direção a porta, de cabeça baixa e chorando. Ela me jugou sem ao menos querer saber realmente o que aconteceu, não posso imaginar o tamanho da dor que ela está sentindo nesse momento, afinal a filha dela é uma assassina.

Não sabia para onde ir, saí de casa com a roupa do corpo, sem dinheiro, sem nada. Resolvi ir pra casa da Mari, felizmente ela me deixou entrar, contei para ela o que aconteceu, ela não acreditou, mas disse que eu não poderia ficar na casa dela por muito tempo, ela disse para eu tentar voltar para casa.

Eu não teria coragem de fazer isso jamais, não sei o que minha mãe seria capaz de fazer.

Pra falar a verdade eu sabia sim, e tinha muito medo que minhas suposições virassem verdade.

Dormi essa noite na casa de Mari, a gente quase não conversou, eu dormi no porão para que a mãe dela não soubesse que eu estava lá. Acordei com ela batendo na porta.

- Sophia, Sophia, abre a porta, rápido.

- O que tá acontecendo?

- Sophia, vinheram prender a gente, tão lá fora falando com minha mãe, o que a gente faz? Disse ela chorando muito.

- Vamos nos entregar, é a única coisa que podemos fazer agora.

Fomos em silêncio em direção a porta da sala, onde estavam os policiais, a mãe de Mari e minha mãe também.

Tinha muita gente do lado de fora, vizinhos, fotógrafos, repórteres … os policiais entraram, e falaram que estávamos presas pelo assassinato de José Luiz da Silva.

Minha mãe e a mãe de Mari, estava juntas sentadas no sofá vendo tudo, minha mãe foi na casa de Mari cedo falar para mãe e elas decidiram ligar para a policia.

Elas nos olhavam com pena e ódio, poucas lágrimas caiam dos olhos delas.

Eles nos algemaram e abriram a porta.

No caminho até o camburão as pessoas nos xingavam de palavrões, assassinas, bandidas... Mari chorava muito, eu já estava mais conformada, se até minha mãe me odiava, o que eu poderia esperar dos outros?

No caminha ate à delegacia, Mari também me olhava com um ódio nos olhos.

- Isso tudo poderia ter sido evitado se você tivesse se entregado antes, eu não matei aquele homem, eu e você sabemos disso.

- Não precisa de me culpar, eu já fiz isso, pode ficar tranquila, eu vou dizer que você não matou ele, em breve você poderá acompanhar a desgraça que se tornou minha vida no conforto da sua casa nos jornais, revistas e o diabo a quatro.

Chegamos na delegacia e fomos juntas encaminhadas para a sala de depoimentos, chegando lá começou o interrogatório.

- Sophia de Alvarenga, Mariana Laje Santos, porque vocês mataram aquele homem eim? Acharam ele favelado demais para viver no mesmo mundo que vocês? Disse ele com um tom de petulância e sorrindo.

- EU NÃO MATEI NINGUÉM! Mari falou chorando e gritando.

- Ei Ei, calma garotinha, você não está na sua casa.

- Ela tá falando a verdade, eu matei ele, e não foi com o estilete, o estilete eu peguei da mãe dela e feri a nuca dele, o golpe fatal eu dei com uma faca, que eu enterrei no quintal da minha casa, se quiserem provar podem ir lá desencavar e vão ver que só tem impressões digitais minhas lá, ela não pegou na faca.

- Querendo proteger a amiga? Ele falou mais uma vez com ironia.

- Não, eu matei aquele homem, ela não fez nada.

- Levem essas assassinas para a cela.

Os policiais nos pegou pelo braço com brutalidade, nos levou para uma sela fedida, pequena e com 2 papelões no chão.

Mari só chorava, eu não conseguia esboçar nenhuma reação, fiquei parada, somente pensando no que aconteceu nos últimos meses e mudou minha vida e de um monte de pessoas radicalmente.

Passamos a 1ª noite na sela, mas depois fomos mandadas para um abrigo de menores infratores, já que só temos 16 anos.

O lugar era horrível, assim que chegamos todas as outras meninas de lá olharam pra gente com um certo deboche, não éramos ricas, mas deu pra perceber pelas roupas que nós usávamos que nossa situação financeira era melhor que a delas. Fomos encaminhadas para falar com a supervisora, ela nos orientou como agir nos primeiros dias, ficarmos juntas, não encarar as outras meninas, tentar sair o mínimo possível dos nossos quartos.

Por sorte eu e Mari ficamos no mesmo quarto, mas não conversávamos, eu as vezes tentava, mas minha presença era indiferente pra ela que só chorava.

Notas finais
O próximo capítulo vai ser pequeno, e vai ser contado pela mãe da Sophia, só o próximo capítulo será assim.