Eu Tenho Morrido para Salvar Você
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Notas iniciais
Comecei a trabalhar na loja da minha mãe. Ela é dona de uma loja de produtos de beleza. Nunca imaginei que trabalhar com minha mãe seria tão bom, ficamos muito próximas nos últimos dias, ríamos bastante, coisa que eu já não fazia à um bom tempo. Quando estou perto da minha mãe, todos os meus problemas somem com apenas um sorriso dela, sei o quanto ela deu e ainda dá duro para me sustentar sem meu pai.
Meu pai morreu quando eu tinha 6 anos, ele bebia e fumava muito, morreu de cirrose. Ele trabalha em uma grande empresa mineradora, com o dinheiro do seguro minha mãe como sempre foi uma mulher de muita fibra, não abaixou a cabeça e abriu a loja, no começo tive que sair do colégio que eu estudava pelo auto custa da mensalidade, mas depois que a loja começou a dar lucro pude voltar.
Estudar pela internet é muito mais difícil que eu pensava, mas é bem melhor que ter que dá de cara com o Pedro e a Mari.
Estava conseguindo aos poucos retomar minha vida de antes, saía com minha mãe, ríamos, víamos filmes, mas o peso na minha consciência estava ficando cada vez maior. Queria muito desabafar com minha mãe sobre o que eu fiz, mas sei que ela não ia entender.
Comecei a ter pesadelos, sempre a mesma coisa, me imaginava sendo presa.
- Sophi, a Mari ligou, ela disse que precisa falar com você urgente. Disse minha mãe entrando no meu quarto enquanto eu estudava.
- A Mari? Ela disse o que queria?
- Não, só falou que precisa falar com você. Disse ela saindo do quarto.
O que será que ela queria comigo? Matei minha curiosidade ligando pra ela.
- Oi Mari, é a Sophia, minha mãe disse que você me ligou, o que você quer comigo.
- Foram na escola ontem recolher impressões digitais nossas para comparar com as encontradas no estilete que você usou pra matar aquele homem. Perguntaram se tinha algum aluno faltando e eles falaram que você tinha saído da escola logo depois que ele foi assassinato, pelo que fiquei sabendo eles pegaram seu endereço na secretaria e vão ai na sua casa hoje.
- Droga! É claro que vão desconfiar de mim, saí da escola logo depois do assassinato.
- É, liguei pra te avisar, pra eles não te pegarem de surpresa.
- Obrigada por avisar Mari, mas eles pegaram suas digitais?
- Pegaram.
- Se eles compararem vão ver que você pegou no estilete.
- Eu sei, mas eles devem pegar as suas também, vão ver que nós duas pegamos. Estamos ferradas.
- É acho que é o fim para mim, melhor eu me entregar, antes que você seja acusada.
- NÃO SOPHIA! NÃO FAZ ISSO. Mari disse gritando, me assustei com isso.
- Hey, não grite, mas é o melhor para se fazer agora.
- Não, as impressões podem não bater, calma não faça nada precipitado.
- Tá legal, mas porque você me ligou pra avisar isso, você não precisava.
- Sei lá, acho que eu deveria, você salvou minha vida afinal, é uma forma de agradecer.
Ela disse isso e desligou. Fiquei surpresa, ela não tinha obrigação de me avisar, pelo contrário, quanto menos ela me ajudar, menos culpa ela vai ter, acho que ela só queria agradecer mesmo. Por um momento eu até cheguei a pensar que ela queria de certa forma me proteger, mais sei que não era isso.
De certa forma me preparei para a vinda dos policiais aqui em casa, mas não sabia o que dizer sobre o estilete, então resolvi dizer que tinha o perdido.
Tocaram a campainha, fui atender.
- Senhorita Sophia de Alvarenga por favor. Disse um policial bem alto, acompanhado de mais dois que estavam mais atrás dele.
- Sou eu, o que desejam?
- Ficamos sabendo que você se ausentou da escola logo depois do assassinato de José Luiz da Silva, vinhemos pegar suas digitais já que fizemos isso com todos os seus colegas de escola para comparar com as encontradas no estilete que foi usado para cometer o crime.
- Entrem, mas você com certeza vão encontrar minhas digitais lá, minhas e de uma amiga minha, o estilete é meu e no dia do assassinato eu emprestei a ela. Mas o perdi, só me dei conta quando cheguei em casa.
- Você está tentando me dizer que no mesmo dia que perdeu o seu estilete ele foi usado para matar um homem, não acha coincidência demais minha jovem?
- Não, de forma alguma.
- Bom, vamos recolher suas digitais mesmo e comparar, depois voltamos com um mandato para ver suas coisas, essa história está muito mal contada.
Eles recolheram minhas digitais, fizeram umas perguntas e foram embora, prometendo voltar com um mandato.
Fiquei muito apreensiva durante a visita deles, dei sorte que quando eles vinheram minha mãe não estava em casa, mas já que eles voltariam para vistoriar a casa, tinha que dar uma satisfação à minha mãe ela deveria saber o que estava acontecendo.
Notas finais
O que será que ela vai contar pra mãe dela???
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