Notas iniciais
Gente esse cap demorou muuuuito pra sair, me perdoem por isso, mas espero q ainda queiram ler ^.^ Cap especialmente para meus cinco lindos leitores>> W-V-Neves,Kuchiki Keithy,W-Stars,Liloh e Crol6425

Angustia. Esta era a palavra que definia perfeitamente o que eu sentia naquele momento. Esperava que ela me desse uma resposta imediata. Imaginava seu rosto com um pequeno toque de tristeza. Seus lábios se moveriam lentamente, me dizendo que não gostava de mim daquela forma, que me enxergava unicamente como um amigo. E eu sorriria de forma gentil e diria que não me importava, que o único sentido da minha vida seria ver seu sorriso e, apenas isso era suficiente para me deixar feliz, extremamente feliz.

Mas não foi assim que aconteceu. Orihime-chan ficou um enorme tempo me encarando, talvez tentando decifrar o significado das minhas palavras. Pude ver como, gradativamente, seu rosto, antes pálido, assumia uma leve coloração avermelhada. Seus olhos, que a pouco se mantinham nos meus, de forma quase hipnotizante, corriam para o chão. Mais alguns minutos em silêncio. Não tive coragem de interrompê-lo, mesmo que aquela calmaria fosse agonizante e, talvez, até mesmo desesperadora. De repente ela sorriu, como se não houvesse nada no mundo que pudesse atingir sua felicidade genuína, como se nada pudesse afetar seu olhar angelical sobre mim.

– Ishida-kun... – ela dizia, com naturalidade. – Não brinque comigo assim.

Encarei-a com um olhar levemente confuso, enquanto sua suave voz invadia os meus ouvidos.

– Obrigada por querer me animar, mas não precisa disso, Ishida-kun. – ela concluiu ainda sorrindo.

Senti-me tentado, por aquela voz adocicada em harmonia com seu delicado e inigualável sorriso, a concordar com ela. Não seria mais simples admitir que tudo aquilo era mentira? Que foi apenas uma forma de animá-la?

– Não estou brincando.

Assustei-me ao ouvir minha voz, num tom extremamente sério, que não deixava transparecer nenhum sentimento. Tinha pronunciado a frase antes mesmo de dar-me conta de que o fazia. Não era de o meu feitio fazer algo assim. Mas era sempre assim, quando se tratava de Orihime-chan, ela era a única que me fazia agir dessa forma, minha única exceção. Agir antes de pensar era algo praticamente insuportável para mim, mas naquele momento senti-me como um espectador de minhas ações. Minha mão ergueu-se, sem que eu percebesse, e repousou sobre a bochecha de Orihime-chan, que dessa vez, pude perceber que além de avermelhada também estava um pouco quente.

– Falo sério, quando digo que te amo. – depois da primeira vez que as tinha dito, as palavras saíam com tamanha naturalidade que cheguei a me assustar.

Seu sorriso desapareceu e ela encarou-me, com um rosto que exprimia seriedade. Depois deu um suspiro alto, como se, por meio dele, admitisse que tinha me entendido. Talvez desde o início tivesse entendido perfeitamente o que eu disse, só não queria acreditar.

– Ishida-kun... – encontrei nessas palavras o toque de tristeza que busquei antes.

Esperei ansiosamente o meu momento, no qual eu diria que não me importava, no qual sorriria gentilmente, parecia cada vez mais difícil manter a calma, a tensão dominava a minha mente por completo.

– Ishida-kun é tão bom comigo. Está comigo, quando choro, não me deixa cair, quando tropeço, entende o que eu sinto... – ouvi-a falar com voz chorosa. Suas palavras, de certa forma, me deixavam orgulhoso de mim. Saber que ela apreciava os meus pequenos esforços para fazê-la sorrir, minhas tentativas desesperadas para tirar qualquer sinal de tristeza do seu olhar. Mas sabia qual seria sua resposta. Não me iludi com seus comentários animadores, pois já havia imaginado aquela cena inúmeras vezes e, nem mesmo nos meus melhores sonhos acreditei que sua resposta seria positiva.

– Mas... – ouvi a voz da minha querida Orihime, hesitante. Não tive nenhuma dificuldade para perceber que por trás de sua voz trêmula havia um pouco de medo, medo de me ferir. – Eu amo Kurosaki-kun. – ela finalmente disse.

Meu sorriso gentil não estava lá. Era impossível sorrir, ou sequer aceitar que aquelas palavras chegassem aos meus ouvidos.

– Kurosaki... – o som baixo que saiu da minha boca, mais parecia um grunhido, do que uma palavra.

Abaixei minha cabeça e, com os punhos cerrados, tentava manter a calma. Mirava o chão, com olhos que imaginei estarem aparentemente furioso.

– Ishida-kun. – Orihime me chamou.

Seu rosto estava tão confuso e assustado que por um instante pensei que eu tinha sido a causa. Minha reação para com suas palavras foi exagerada e se isso a assustara. Não podia me perdoar. Como podia ter feito isso a minha amada? Qualquer coisa que eu fizesse a ela, ao meu anjo, a minha única exceção, que sequer a tivesse feito esboçar sentimentos de medo ou tristeza era imperdoável. Mas logo eu compreendi, depois de mira-la com um olhar provavelmente mais assustado e talvez desesperado que o dela, que ela não tinha medo de mim ou da minha reação e sim do quanto ela poderia ter me machucado. Isso me fez sorrir levemente, como se estivesse apenas ouvindo uma piada.

Dando uma nova olhada para a linda jovem a minha frente, vi como seu rosto agora se iluminava com um belo sorriso de alívio, que eu sabia pertencer somente a ela. Seus lábios finos e rosados pareciam a cada segundo mais e mais tentadores para mim. Tinha que fugir daqueles lábios, daquele olhar tão extasiante. Vi a única saída em abraça-la, assim poderia sentira a macieza de sua pele e o perfume de seus cabelos avermelhados, sem provar do gosto de seus lábios.

Ficamos ali alguns segundos, imóveis, apenas sentindo a segurança que o meu abraço dava a ela e que os braços dela davam a mim. O silêncio dessa vez não trazia angustia ou ansiedade, apenas uma sensação de tranquilidade, que penso nunca ter sentido antes.

– Ishida-kun. – ela disse interrompendo aquele silêncio, agora tão agradável.

Orihime-chan tentou fugir do meu abraço. Por um momento a impedi. Tive medo de que nunca mais pudesse chegar tão perto dela, de que nunca mais pudesse ouvir aquele silêncio agradável. Mas sabia que ela não era minha, que nunca seria minha, então a deixei ir. Ela demorou um pouco para tentar se afastar de novo, estranhei sua atitude, mas não perguntei o porquê.

Ela se afastou muito pouco, apenas o suficiente para que seus olhos pudessem ver os meus. Não sei ao certo o que era, mas algo neles parecia completamente diferente do que havia no olhar que me dera até agora. Desde o dia em que nos conhecemos, que agora parecia estar num passado infinitamente distante, nunca tinha visto olhos assim me encararem.

– Eu também te amo, Ishida-kun. – aquilo foi tudo o pude ouvir, o que queria ouvir, o que desde sempre quis ouvir e agora tinha ouvido, da boca da minha Orihime-chan.



Notas finais
Motivos para demora: falta de tempo, certo bloqueio criativo e falta de tempo rsrs. Bom se gostaram deixem seus reviews please :)