Eu Queria Que Não Fosse Assim
29 Kate
Pânico! Eu estava em pânico!
–Alec fala comigo? – desespero saia com dificuldade da minha voz, ele estava em meus braços, ele era muito pesado mas com cuidado consegui abaixar até os paramédicos chegarem. Dentro da ambulância liguei pro Jack que surtou, e disse que ia ligar pra família.
Eu sabia que eu era única chance de Alec, ele parecia muito pior do que das outras vezes e agora vendo o deitado na maca com paramédicos gritando sua linguagem técnica que eu não entendia mas pela expressão deles não era boa coisa. Eu me sentia como um objeto estranho na cena, aquele que não pertence ao local. Eu sabia que não era bem assim, eu conhecia o Alec e tinha ligado pra ambulância mas ainda sim eu sentia como se aquilo fosse surreal pra mim.
Uma vez eu li um livro que falava duas frases importantes, a primeira era que só existe um pecado o de roubar, quando você mente está roubando o direito da outra pessoa de saber a verdade. Não que isso se aplique totalmente a essa realidade mas de certo modo se encaixa. Não saber o que se passa no mundo de Alec me incomoda e muito, sei que falei que confiaria nele mas mamãe sempre disse que quem confia diz a verdade, sempre. E ai entra a segunda frase que dizia que só porque somos sinceros não quer dizer que todos sejam. Acho que só eu tenho essa virtude nesse cenário.
Depois de horas na sala de espera, eu já tinha chorado, tomado café, conversado com os pais, com Jack e agora Amy tentava me fazer ir pra casa. Não ia funcionar, eu sabia que não iria conseguir fazer qualquer coisa enquanto não visse que ele estava bem.
–Parentes de Alec Jones. – diz o medico. Todos se levantam imediatamente, eu fico por ultimo em meio a todos, acho que ainda tenho medo. – O quadro dele evoluiu e agora está instável sobe coma induzido.
–Quando podemos ver ele? – pergunta Jack.
–Só pessoas da família podem entrar na UTI.
...
Sua respiração estava profunda, ele dormia fazia algum tempo mas a enfermeira disse que era por causa do analgésico. Ele tinha acabado de sair da UTI e eu já tinha sido autorizada a entrar no quarto, eu era a única que ainda ficara no hospital depois de alguns dias. Amy estava muito brava comigo por eu não ter ido pra casa mais que duas vezes durante essa semana. Eu sabia que ele iria acordar breve, eu sentia.
–Hey! – diz Jack entrando
–Oi.
Continuo olhando pro Alec, ele prende toda minha atenção.
–Ele fica tranquilo assim, não é? – Jack diz.
–Sim, parece um anjo. – silencio se forma novamente mas não dura muito. – Jack, estou com medo.
–Ele também tem.
–Porque ele não me conta? Eu to com ele quase o tempo todo, eu preciso saber como reagir o que fazer, mas do que isso eu preciso conhecê-lo.
–É complicado..
–É lógico que é, se não ele não estava aqui mas eu não aguento mais ser a única que não sabe o que se passa. –digo com um tom elevado.
– Eu já disse pra ele que você deve saber, mas ele não quer contar.
–Então me conta você.
–Eu? Tá doida? Ele é meu amigo, e a doença é dele Kate. –ele abaixa chega perto. – É pessoal, eu não posso.
–Ninguém pode. Acho que nem eu posso mais com isso. – as lagrimas escorrem quentes pelo meu rosto. Jack me abraça forte.
–Calma. Vai ficar tudo bem. – continuo em silencio.
Ouço um barulho e quando olho Alec se mexe lentamente, sua expressão ainda é de dor com os olhos fechados.
–Alec?
Ele abre os olhos e sorri.
–Amor. –ele olha pra Jack e depois volta a atenção para mim. – eu já acordei, pode parar de se consolar com esse ai.- eu sorrio.
–Péssima hora pra senso de humor Alec.
–O que foi? – pergunta Alec.
–Você que insiste em ser o Sr mistério. Será que você não vê que ela tá sofrendo? – Alec me olha e eu não nego. – Você e seu super ego não veem que ela é a única que está ao seu lado sempre.
–Jack eu acabei de acordar..
–Eu sei, e ela acabou de chorar. — ele diz batendo a porta do quarto. A tensão se estala, eu olho pra Alec que parece ainda processar as palavras.
–Eu preciso saber Alec.
–Você disse que confiava?
–Eu confio, e me preocupo. Tenta me entender, eu não sei o que fazer quando você tem seus desmaios. – meu rosto voltou a molhar-se, não contive o pranto. – Poxa não dá pra ver que eu..Eu te amo Alec!
–Amor não cura o que eu tenho.
–Então o que cura? Fígado, rim, medula me fala eu rodo o mundo por você.
–O que eu tenho não tem cura Kate. – ele disse enquanto a lagrima desceu pelo seu rosto. – aneurisma não tem cura. – fiquei em choque, estátua onde estava. – Meu pai tem e quando contou pra minha mãe ela largou todos os sonhos dela pra ir cuidar dele. Eu não quero que isso aconteça com você, com a gente. Eu te amo demais pra te ver sofrer com o que vai acontecer mais cedo ou mais tarde.
–Seu pai ainda não morreu.
–Ele é bem menos aventureiro que eu.
–Então é isso? Você está correndo pra morte de braços aberto? Que tipo de idiota é você? – minhas lagrimas agora de raiva escorriam e minha voz se elevava a cada palavra. – Que tipo de pessoa egoísta é você? Você não está se importando com sua família, com seus amigos..comigo? E ainda não ia ter a vergonha de me contar?
–Eu tenho uma bomba na minha cabeça, você queria que eu encarasse isso como? Você sabe que você vai explodir a qualquer momento, a qualquer momento você já era, o que você faria? Se coloca no meu lugar.
–Não consigo. Preciso pensar. – falei saindo do quarto.
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