Abri os olhos e vi as costas nuas de Kate subindo e descendo em cima da minha cama. O cabelo ruivo estava no rosto e as mãos embaixo do travesseiro, ela estava de bruços de maneira que eu via a extensão de suas costas iluminadas pelo sol até o edredom cobri-la. Aquela era a cena mais bonita que eu já tinha visto. Tiro o cabelo do seu rosto e ela nem se mexe. Eu não queria acordá-la, sabia que estava cansada, nesse últimos dias eu a tenho arrastado todos os dias junto comigo pro bar, e eu queria aproveitar esse sábado pra que ela descansasse. Mas infelizmente meu celular tocou. Peguei o celular rápido no criado mudo ao lado da cama e olhei para ver se ela tinha acordado. Não tinha. Mas tinha puxado a coberta até a cabeça.

– Alo ? — sussurrei.

– Por que está sussurrando, querido ? — minha mãe perguntou.

– Não quero acordar alguém, mãe.

– Ah...- ela disse — hoje é aniversário do Ran, não se esqueceu, não é?!

– Não, não esqueci.

– Ótimo! Oito horas, só pra te lembrar. Trata o Jack e sim ele pode trazer a menina com quem está saindo.

– Dessa vez ele está namorando sério, mãe — eu ri — mas...mãe?

– Sim.

– Posso levar alguém ? — olhei para Mindle que cobriu o rosto com o edredom.

– Como ela se chama ?

– Kate.

– Claro — eu sabia que ela estava sorrindo do outro lado — te vejo a noite, querido.

– Tchau, mãe.

Desligo o celular e me virou para Mindle, me apoiando nos cotovelos. Retiro o edredom do seu rosto e ela ainda tinha os olhos fechados, mas eu sabia que tinha acordado, sabia também que tinha ouvido. Beijei seu rosto e ela sorriu.

– Vou te levar pra conhecer minha família — beijei seu rosto de novo — hoje a noite — outro beijo — as oitos horas.

Ela abriu os olhos e passou os braços em volta do meu pescoço com alegria. Seu corpo se juntou ao meu e eu fiquei quente na mesma hora.

– Nem acredito! — ela diz animada.

Me soltei dela devagar e tomei uma distancia segura para não retomar a noite passada naquele momento.

– Se não vai ficar apavorada, não tem graça ! — digo fingindo frustração.

– Idiota — ela ri e se estica para pega minha camiseta que estava jogada no chão.

Ela se levanta da cama e entra no banheiro. Nem dá pra acredita que isso está acontecendo. Kate Mindle é minha! Em todos os sentidos que a palavra ‘’minha’’ implica.

– Eu tenho roupas aqui, isso implica em poder ir com você ? — grito.

– De jeito nenhum — ela ri.

Visto uma cueca e saio do quarto, Amy e Jack estão na cozinha e assim que me vê ele tapa os olhos de Amy, brincando.

– Você precisa andar pelado pela casa o tempo todo ? — ele ri.

Eu rio e ele tira a mão dos olhos de Amy. Nem se eu quisesse Amy me veria mais do que o amigo de Jack, e eu nunca a veria assim, essa já tinha se tornado uma cena rotineira por aqui. Era bom ter isso todos os dias. Ouvimos o som do chuveiro ser ligado.

– Hoje é o aniversário do Ran — digo pegando suco na geladeira — minha mãe disse pra vocês irem.

– Quem é Ran ? — Amy pergunta.

– O ''pai'' do Alec — Jack faz aspas ao falar pai — na verdade ele é meio que o mordomo, mas a gente passava mais tempo com ele do que com outra pessoa.

– Hm...Nós vamos? — ela diz animada.

– Claro! O Ran é gente boa demais pra gente deixar de ir.

– Ótimo! — ela disse animada — Sempre quis saber como é a mansão do Alec.

– É quase um país independente aquele lugar.

– Menos, Jack — eu rio.

Tomo um dois copos de suco, nós continuamos conversando até Mindle sair do quarto usando um short que mostrava seu útero e mais uma da sua coleção de meia camisetas. Eu odiei aquilo. Não porque Jack estava aqui, eu sabia que ele nem olharia para a Mindle, mas por ela continuar insistindo em usar essas roupas.

– Bom dia, gente — diz sorrindo, quando seus olhos para em mim ela me olha de cima a baixo com um olhar de reprovação — porque está vestindo só isso ?

– Eu avisei — Jack disse rindo.

– Ah cala a boca, Jack. Você está do mesmo jeito.

Ele ri mais ainda e Amy também.

– Vou tomar banho — digo, me livrando.

Passo por Mindle beijo o alto de sua cabeça.

– Já volto.

...

Estava em pé na sala de Mindle andando de um lado para o outro. Ela estava demorando muito e disse que eu não podia nem chegar perto da porta do quarto. Ouvi a porta abrindo e quando ela chegou na sala eu não pude deixar de admirá-la de boca aberta. Ela era sem duvida alguma a mulher mais bonita que eu já tinha visto na minha vida.

– Acho que eu não posso dizer que você está linda. — ela me olha, claramente, decepcionada e até magoada — Eu não tenho palavras para descrever como você está perfeita!

Então abre um sorriso enorme, eu diminuo o espaço entre com largas passadas, tomo seu corpo nos meus braços e a beijo. Ela se afasta sorrindo.

– Vamos nos atrasar.

– Quem liga ?

– Vamos, amor.

Solto-a e nós vamos até o carro. Durante o caminho, ela estava com as mãos juntas em cima do colo, claramente nervosa. Quando entramos na propriedade, seu queixo caí e ela aperta as mão mais ainda.

– Acho que eles não vão gostar de mim — diz ao sair do carro.

– O que ? Lógico que não — fecho a porta atrás dela — eles vão amar você.

– Espero que sim.

Beijo o alto de sua cabeça e a abraço.

– Amor, eles vão amar você. Não precisa ficar assim.

– Você que disse que se eu não ficasse nervosa, não ia ter graça.

Sorrio para ela e ela para mim, andamos até a porta onde sem bater, entramos. A casa estava toda iluminada, mas não estava cheia de pessoas, ouvimos risadas e eu sabia de onde elas vinham. Andamos até a sala de jantar que estava toda iluminada, haviam bexigas espalhadas pela parede e em cima da mesa havia uma mesa posta para um jantar. Mas o que chamou minha atenção não foi isso, foi que estavam todos ali. Ran, Mag, Lena, Fred, Michael e Ian, filhos de Lena e Fred, Jack e Amy.

– Alec! — Ran gritou ao me ver.

Ele veio até mim e eu o abracei forte.

– Parabéns, Ran!

– Obrigado, Alec!

– Ran — disse o soltando — essa é a Kate, minha namorada.

– Kate! — ele disse e a abraçou forte — é um prazer conhece-la.

– Obrigada, Ran! E feliz aniversário!

– Obrigado! Gostei dessa menina!

Fomos até a mesa e eu apresentei Kate a cada um que não a conhecia. Os gêmeos de 17 anos, Michael e Ian, que antes estava esbasbacados com a beleza da Amy ficaram ainda mais quando viram a Mindle.

– Mãe, pai...Essa é a Kate, minha namorada.

– Oi — ela disse sorrindo envergonhada.

– Kate! — minha mãe a abraçou — Você é linda, querida!

– Obrigada — ela disse ficando vermelha.

– É um prazer, Kate — meu apenas lhe deu um aperto de mão, mas disse essas palavras de um jeito tão gentil que eu vi quando os músculos das costas da Mindle relaxaram.

A noite foi tão boa que eu nem acreditei que pudesse ter sido daquele jeito com meu pai e minha mãe junto conosco. Geralmente nos aniversários do Ran, a gente comemorava na cozinha com Lena, Mag e Fred, era sempre assim, e eu amava, mas dessa vez, ver todos tão felizes juntos, parecia perfeito. Até perfeito demais.

– Faz um pedido, Ran! — Kate diz ao acabar o parabéns.

Ran fecha os olhos como uma criança, em seguida abre e assopra a vela.

– Parabéns! — gritamos todos juntos.

– Mindle — sussurro — vou buscar o presente do Ran, já volto.

– Ok.

Saio de fininho de perto dos outros e vou para fora até o carro. De lá eu tiro uma caixa onde está o presente, a caixa não é muito grande, mas de um tamanho significável. Quando voltei a sala, todos me olharam.

– Seu presente — anunciei.

– Ah, Alec, não precisava.

Entreguei a caixa e esperei, ansioso, ele abrir. Quando abriu me olhou com olhos tão brilhantes que eu não consegui não rir.

– Como conseguiu ?

– Dei meus pulos.

Ran tirava as camadas de caixinhas de vidro, casa uma com um mini modelo de carros clássicos. Eu sempre soube como ele amava essas coisinhas, por isso eu achei o presente ideal, mesmo tendo gastado cada centavo que eu tinha guardado.

– Teve ter sido caro...

– Ah, Ran! Pare de bobeira! Isso é seu!

– Obrigado!

Ele se levantou e me abraçou de novo. Conversamos um pouco mais e por fim fomos em bora. Nos despedimos de cada um, Jack e Amy aproveitaram a deixa para ir também.

– Obrigado por ter vindo! — Ran diz.

– Não foi nada.

Saio abraçado com Mindle. Do lado de fora, ela pare e me abraça.

– Isso foi lindo! Quero dizer, o que você fez pelo Ran.

– Ah, não foi nada.

...

– Você quer alguma coisa da cozinha ? — pergunto me soltando de Mindle delicadamente e saindo do sofá.

– Não, obrigada.

Estávamos assistindo a uma maratona de filmes antigos na TV. Fui até a cozinha. Tinha acabado de pegar o copo na mão quando a tontura me atingiu de uma vez me lançando para frente. Segurei na pia com força para me manter de pé. Tinha alguma coisa errada. Dessa vez, tinha alguma coisa errada. Eu não sabia o que, mas pela primeira vez, eu tive a sensação que eu poderia realmente...morrer.

– Não, não, não — supliquei para mim mesmo quase chorando — não faz isso. Não hoje.

– Alec ? — Kate me chamou rindo — Por que está demorando tanto ?

Soube quando seus passos chegaram na cozinha porque ela me viu de costas e eu estava curvado, tentando respirar. Ela parou abruptamente.

– Alec ? — então voltou a se mover vindo até mim.

Eu não podia me mexer. Sentia que se eu me mexesse essa dor me rasgaria ao meus de cima a baixo. Mindle parou de frente para mim desesperada, segurou meu rosto com as mãos.

– Alec, o que eu faço ?

Eu não consegui responder, só olhei em seus olhos e me arrependi na hora de ter feito. Ela saiu de perto de mim correndo e voltou logo depois com o telefone nas mão, ela discou o número com as mãos tremendo.

– Oi! Preciso de uma ambulância! Meu namorado, eu não sei o que está acontecendo, ele...eu não sei. Só sei que eu preciso de ajuda!

Ela desligou o telefone e jogou ele ensina da mesa com um barulho. Segurou meu rosto de novo.

– Meu amor — ela chamou — o que eu faço ? Eu...não sei o que fazer!

– Mindle... — consegui dizer, mas não acabei a frase.

Senti meu corpo desabar e cair pra frente, mas Mindle me segurou. Ela não aguentaria meu peso.

– Alec! — ela gritou quando me segurou.

Senti seu corpo tenso embaixo do meu, eu era pesado demais para ela. Eu não sei quanto tempo ela agüentou, porque tudo ficou quieto e escuro.