Eu Gosto de Você
5 Capítulo 5
1
Yamapi olhava com bastante atenção ao redor. Em alguns momentos, até mesmo se virou para trás. Jin, que vinha a uma distância segura mais atrás, achou o comportamento do amigo bastante suspeito. Certamente, ele estava escondendo algum coisa. O que seria?Algo a ver com o Ryo?Seria possível mesmo que seus melhores amigos estavam envolvidos em algo amoroso?Concentrado em seu alvo, Jin, andava tranquilamente com as mãos dentro dos bolsos da japona, sem ao menos suspeitar da movimentação atrás de si.Kamenashi vinha a frente de Koki e Junno, o mais alto, vinha por último. Kame parou bruscamente quando Yamapi virou em uma esquina e, consequentemente, Jin também. Sem aviso prévio do breque da tartaruga, Koki se chocou contra ele e se segurou em sua cintura automaticamente. Kame olhou para trás.– Gomen! Não vi você parando!– Mas você estava olhando para frente, Koki... – Junno, eu não vi ele parando! – sorriu, com os dentes à mostra de forma ameaçadora. Ao menos, essa era a sua intenção. Kame girou os olhos. E imaginou o ataque histérico de Jin se estivesse presenciando aquela cena. – Ok, Koki... – ele disse, olhando para trás – Só que o Koki Júnior está acordando. – disse, de forma entediada e baixa, mas pareceu a Koki uma voz terrivelmente sedutora – Você precisa mesmo esfregar minha coxa desse jeito? – arqueou uma sobrancelha. – É só um pedido de desculpa, Kame-chan! – e ele sorriu como uma criança arteira e se afastou. – Ah... Koki Júnior é tão cheio de energia! – ele nem ao menos se mostrou envergonhado. – Puft... – Kamenashi riu de leve. – Koki Júnior? Do que vocês estão falando? – Junno piscou. – Deixem de besteiras, vamos acabar perdendo eles! – Kame os alertou e caminhou até a esquina, olhando com cuidado para não se percebido pela pessoa alucinada que estava fantasiada que nem um retardado seguindo Yamapi. 2O celular tocou e Yamapi o sacou rápido do bolso. Viu o nome no visor, sorriu e atendeu com bom humor:– Yo!– Preciso falar com você... Tem um tempo quando?– É urgente? Se não for, tenho o primeiro período livre amanhã... Passo na sua casa, pode ser?– Hum... Tem algo pra agora?– Na verdade, sim. – Algo secreto? – Hum... Talvez. – Hum... Algo sobre o Ryo?– Eh?! – Yamapi franziu a testa. Como aquela pessoa poderia saber sobre isso. – Por que seria sobre Ryo? Né? Você sabe o que eu... – Hum... Não me esconda nada por muito tempo, Pi... Você não consegue. – Ora, ora... Em todo caso, vamos conversar amanhã?– Está combinado. Te espero então. – Ok. Bye, bye!Yamapi riu de leve. O que será que ele tinha a lhe dizer sobre Ryo?3Jin se escondeu atrás de um poste próximo a Yamapi e pode escutar toda a conversa. Parece que alguém tinha feito uma pergunta a respeito de Ryo e Pi se mostrou nervoso. Sim, seu melhor amigo só podia estar apaixonado por Ryo. É isso, então. Certo. Pi, não se preocupe, vou ajudá-lo. Se é essa a sua felicidade, não me importo que o Kazuya me encha o saco depois, vocês ficarão juntos. Só preciso convencer o Ryo de que ele é gay!4– Acho que ele pretende atacar o Pi agora!! – exclamou Kame, alarmado ao ver o perseguidor erguer o braço e fechar o punho direito e sacudir a cabeça com determinação, como se dissesse "certo, é agora". – Ah, precisamos impedir! – Junno se desesperou. – Deixem comigo!Kamenashi e Junno olharam para Koki, que sacou um spray de pimenta de seu bolso. Expressões de interrogações dos dois fizeram o rapper explicar:– Isso é útil! Todo artista deveria carregar um! Nunca se sabe quando você será perseguido por um doido-brega-usando-máscara-Hannya! – disse sabiamente. – Spray de pimenta... Não combina muito com aquele que faz o papel de bad boy no KAT-TUN... – Kame comentou, olhando-o com incerteza. – Ah, não?! – Koki riu, coçando a parte de trás da cabeça. – Que seja. Vou lá!– Não, espera! Deixa isso pra último caso... Somos em três, podemos dar conta dele! – Eu queria testar meu spray... – Koki resmungou e recebeu um olhar nada amigável de Kamenashi – Ok, façamos do seu jeito, líder!Kame não pode deixar de notar o tom irônico na voz do rapper. Sacudiu os ombros. Estava bem, contando que realmente o obedecessem. O trio ficou à espera do momento certo para atacar o misteiroso rapaz de máscara.5Ele viu Yamapi entrar em um prédio antigo e estranhou. O que seu amigo estaria fazendo em um lugar que parecia abandonado como aquele? Não era só o prédio, mas a rua também estava vazia e pouco iluminada. Franziu a testa, estava cada vez mais confuso, mas tinha certeza de que Yamapi, afinal, não lhe contava tudo. Sentiu uma pontada de mágoa e fez um bico. Ele contava tudo ao outro. Contou até mesmo que estava namorando com Kamenashi... Coisa que se a tartaruga descobrir, o mataria. Afinal, não era ele, Jin, que queria manter tudo escondido?Era isso o que ele refletia ali, parado em um beco, onde tinha se refugiado para que Pi não o descobrisse e ganhar uma distância segura para continuar a segui-lo. Isso não foi preciso, porque o outro entrou naquele prédio.
Tinha que descobrir o que ele estava fazendo ali. Estava prestes a ir pela mesma direção quando um peso caiu sobre suas costas e ele, sem equilíbrio, foi ao chão. Por instinto, Jin se virou para empurrar o que quer que tenha caído sobre si e já estava com a gola da pessoa que o atacava em suas mãos quando o reconheceu. Koki não esperou a surpresa de Jin passar e também lhe tomou a gola. Ergueu o punho para atingir sua face. – Muito bem, Koki!Aquela voz. Kamenashi estava ali, Jin se assustou. Se ele descobrisse sua identidade... Kame se zangaria. Ainda que Jin não soubesse dizer o motivo, ele sentia que seu namorado ficaria bravo. Era como se fosse uma reação automática do corpo de Jin, por isso ele conseguiu tirar forças para reverter a situação e jogou Koki para o lado. Levantou-se o mais rápido que pode e tentou fugir, mas Junnosuke apareceu repentinamente em sua frente para lhe bloquear o caminho. Que caralho! O que esses três estão fazendo aqui?A sua mente calculou rapidamente os riscos. Encarar Kamenashi não era uma opção válida, portanto, só podia seguir em frente. Decidido, avançou como um touro contra o loiro, que o recebeu de braços abertas para segurá-lo. O choque foi inevitável. Junno sentiu o impacto da cabeça do rapaz mascarado em seu peito. Reagiu segurando-o. Cravou suas mãos com afinco na japona. Maldito Junno! Me solta!!Jin colocou ainda mais força, mas não houve tempo suficiente. Koki também se uniu ao amigo para imobilizá-lo. Foi com desespero que Jin viu Kamenashi se aproximar, mas é no desespero que o ser humano consegue encontrar ainda mais força. Jin sacudiu violentamente o próprio corpo de tal forma que Koki cedeu e o soltou. Junno também não conseguiu resistir por muito mais tempo. Uma vez livre, Jin avançou contra Koki e o jogou para trás. Pensou em ganhar tempo jogando o rapper contra a tartaruga. Ele só não contava que Kamenashi, ao perder o equilíbrio, fosse ao chão com Koki por cima dele. Jin piscou, abobalhado, quando notou a mão de Koki no SEU bem mais precioso. Rapper dos infernos, como ele podia se atraver a tocá-lo dessa forma? Esquecendo-se totalmente de sua situação, Jin agarrou Koki pela camisa e o tirou de cima de Kamenashi, que olhou para o agressor sem compreender aquela atitude. Ainda no chão, Kame os viu trocarem socos. Junno tentou ajudar Koki, mas o agressor se mostrava muito descontrolado. Definitivamente, era um lunático, não devia estar em seu juízo perfeito e pessoas assim são muito fortes e perigosas. O spray de Koki caiu de seu bolso e rolou pela calçada quando recebeu um golpe mais forte. Os olhos de Kamenashi acompanharam o objeto e ele engatinhou até ele, desviando-se dos golpes perdidos, e o pegou. Sorriu e se ergueu.Naquele momento, o rapaz mascarado girava a sua frente por ter recebido um golpe em seu queixo. Parou e se apoiou na parede de uma loja, tentando recuperar o fôlego. Kamenashi não teve dúvidas. Tiiizzzzzzzzzssssssss. Jin tentou se virar para escapar, mas não foi rápido o suficiente. Seu olho direito imediatamente como a arder. Ele levou as duas mãos ao seu olho, como se pudesse minimizar a ardência, sem sucesso. – AHHH! Eu vou ficar cego!!! – gritou – Itteeeeeeeeeee!– Agora ele não vai mais fugir! Eu disse para usarmos o spray desde o início! – Koki disse.O rapper se aproximou e voltou a golper o inimigo. – Chega, Koki! Chega! Ele não vai mais fugir! – Kamenashi segurou o rapper. – Desse jeito você vai matá-lo!– Eu preciso descontar, Kame-chan! Alheio aos amigos, Junno se aproximou com um lenço. – Tome, cubra o olho com isto... Acho que vai amenizar um pouco... Gomen ne... Acho que exageramos um pouco. Se você é um fã, bastava apenas pedir um autógrafo para a gente, não siga mais um de nós dessa forma!– Arigatou, Junno... – ele agradeceu o lenço. Retirou a máscara e cobriu o olho, como recomendado. – EH!!!!!? JIN???O olho bom, o que não havia sido atingido, de Jin se arregalou ao perceber o que tinha feito. Tentou recolocar a máscara rapidamente, mas o estrago estava feito. Ele podia sentir o olhar mortal de Kamenashi sobre si. Raciocínio de Kamenashi Kazuya.Yamapi sendo seguido por um homem máscarado. Homem Máscarado é fã de Pi. Perseguidor. Peserguidor é Akanishi Jin. Meu namorado. Meu namorado estava perseguindo Yamapi porque é fanático por ele. Akanishi Jin é fanático por Yamashita Tomohisa, com quem vive grudado para cima e para baixo!!! E a quem fica abraçando nos corredores da agência!!!!!!!!!!!!Raciocínio de Akanishi Jin. Eu vou morrer!!!!!!!!!!!!!!!Jin quis correr, mas sabia que não teria tempo, então apenas engoliu em seco e exibiu um belo sorriso para Kamenashi.– Não é nada do que você está pensando, Kame!– Percebeu que está é a segunda vez que você me diz isso em tão pouco tempo? E é a segunda vez que o motivo é o Pi? – ele rosnou. – Calma, eu posso explicar! – Vai me explicar o que? Que é um fanático pelo seu melhor amigo? Porque não fica com ele de uma vez? – Kazu, não confunda as coisas... Eu amo você!Kame riu e Jin ficou mais tranquilo. Precisava ser rápido e esclarecer as coisas, mas, então, percebeu que o riso era irônico quando sentiu o punho de Kame em seu estomâgo. Ele se contorceu pela dor e teve que forçar seu olho bom para enxergar as costas de Kamenashi sumindo na noite. – Kazu, espera... Saco!!Mancando, com uma mão no estômago e a outra segurando o lenço sobre seu olho, ele tentava inutilmente segui-lo. Junno e Koki, esquecidos pelo casal, se entreolharam. – Não era para o namoro deles ser um segredo? – Junno perguntou, com a testa franzida.– É... Mas acho que só eles mesmos acreditam nisso. – Koki sacudiu os ombros – E é sempre divertido provocar o Jin... Por isso eu toquei no Kame.– ... Mas você ainda nem sabia que era o Jin naquela hora, Koki... – Não se atenha a detalhes insignificantes. Vamos comer? Essa movimentação toda me deixou com fome de novo. Junno sacudiu os ombros e acompanhou o rapper a outro restaurante.6Ele mantinha uma expressão séria, pois estava refletindo nas informações que acabara de ouvir e olhava atentamente para o seu interlocutor. Yamashita Tomohisa estava calmo, era difícil ler algo em seu rosto. Sem se incomodar em ser observado com tanta atenção, Yamapi levou a xícara de café aos lábios e bebeu. – Então... É isso? – Takki lançou um olhar indagador, enquanto segurava o queixo. – Sim. Tudo o que eu te contei. Exatamente assim.– Eu nunca poderia imaginar... – Sentimentos não se controlam, afinal... – Yamapi sacudiu os ombros – Ninguém consegue escolher a quem amar. – Isso é... – ele sacudiu os ombros – Tudo bem, não se preocupe, eu não direi nada. Manterei o seu segredo. – Arigatou, Takki. – Só tem uma coisa. – O que é?– Bakanishi... Ele vai chegar ao final disso... Ele está mesmo empolgado com essa coisa de investigação e, não sei se revelarmos tudo a ele fará ele ficar de bico calado com o Ryo. Yamapi considerou aquela hipótese. Concordava com Takki. Jin era capaz de estragar todo o plano e, isso, ele não podia permitir. Fitou a porcelana, já vazia, então sorriu enigmático. – Então... Só há um jeito. Takki o olhou e sorriu divertido. Ao que tudo indicava, Yamapi tivera a mesma idéia que a dele. – O que você pretende? – quis se certificar.– Vamos deixar Bakanishi ocupado! – Pi sorriu ainda mais. 7Ryo sentia sua cabeça pesada. Não tinha conseguido dormir, afinal, e estava de mau-humor. Resmungou algo que Shigue entendeu como "bom dia" e acenou com a cabeça. Riu de leve de um comentário desconexo de Massu, sem fazer questão de realmente entender o amigo. – Yo! – Pi chegou logo depois. Ryo o observou. Será que Yamapi também era apaixonado por Tegoshi, afinal? Bufou. – O que você tem, Ryo? Parece que está de mau-humor! – comentou Koyama.– Oh! Brilhante observação, Keii. Estou realmente surpreso com a sua atenção. – Owe, Ryo. – Deixa, Pi, eu não ligo. – o mais velho impediu Tomohisa de chamar a atenção do moreno colocando um braço na frente do seu peito, obrigando-o a parar. – Se em todos estes anos eu não estivesse acostumado com o gênio dele... – riu. – O que seria de mim?
– Ainda assim... – Pi insistiu. – O sempre protetor dos fracos e oprimidos, não é, Pi? – Ryo ironizou. – O que há com você hoje? – É melhor deixá-lo quieto. – aconselhou Shigue. Ryo e Pi trocaram olhares e ao moreno pareceu que o amigo havia ficado extremamente chateado. Olhou para outro lado. – OHAYOUUUU, MINNA!!A entrada barulhenta de Tegoshi fez todos desviarem a atenção para ele. Ele entrou sorridente. – Olhem o que eu ganhei do Okura-kun!! – e ele girou sobre os calcanhares e exibiu a camisa que Ryo tinha experimentado na noite anterior. Ryo estreitou os olhos. Okura é mais rápido do que eu pensei... Cretino. – Okura-kun é muito gentil! – Tegoshi continuava a falar sem parar – Eu tinha comentado que estava pensando em comprar esta camisa e ele foi lá e comprou antes! Estou muito feliz!Nem era preciso dizer o quanto estava contente. O seu sorriso demonstrava isso o suficiente, ao menos, isso era bastante evidente para Ryo. Tegoshi mantinha uma das mãos na camiseta, mostrando o presente com bastante carinho. – Eh? Por que Okura lhe deu um presente? Ele está com más intenções! – Massu fez bico. – Tá com ciúmes?! – Tegoshi o provocou. – Como vocês pensam mal das pessoas... Isso só prova que Okura é uma pessoa gentil! – Koyama comentou. – Em todo caso, agora que Tego chegou, vamos para o estacionamento... Devemos seguir para o estúdio para a sessão de fotos!– Ok!! – foi o coro que recebeu em resposta. Yamapi e Koyama foram os primeiros a deixaram o camarim, seguidos por Shigue. Massu terminou de ajeitar sua mochila e saiu. Ryo continuava sentado no sofá, com os olhos fechados, sem perceber que apenas Tegoshi e ele ficaram no camarim. Ainda sentia sua cabeça latejando. Tão pouco percebeu a aproximação do caçula do grupo. Apenas quando ele se sentou ao seu lado, foi que ele tomou consciência dele. Sentiu o perfume que usava, era o preferido de Tegoshi e ele só o trocava por outro quando esquecia de comprar um novo. Era perfeitamente natural, portanto, que aquele aroma fosse um velho conhecido de Ryo. Quantas vezes ele não esteve próximo o suficiente para ser atraído por aquele perfume?Abriu os olhos e encontrou outro par o fitando-o com curiosidade. Era como se Tegoshi enxergasse algo de muito curioso. Ele não sorria, mas também não era possível dizer que estava sério. Seus olhos sempre demontravam muita graça, como se eles estivessem sorrindo o tempo inteiro. Ryo sentiu sua boca ficar seca. Tegoshi inclinou a cabeça para o lado. Em que diabos aquela criatura estava pensando, Ryo queria muito saber. – Aconteceu alguma coisa, Ryo? – finalmente ele disse algo – Você não parece bem.– Você deve estar andando muito com Koyama. – disse, mas Tegoshi não entendeu o seu gracejo. – Estou só com dor de cabeça. – Tenho aspirinas, quer?– Já tomei, valeu. Vamos indo?– Vá na frente, eu vou guardar o presente do Okura-kun para não amassar durante as fotos. Ryo ergueu uma sobrancelha. – O que é? – Tegoshi quis saber.– Tacchon tem um péssimo gosto. Isso não ficou bem em você. – ele disse e deu as costas, saindo sem ver a expressão magoada de Tegoshi.
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