Eternos ~ sendo reescrita~
1 Azuis como o céu
Notas iniciais
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~RESSURGINDO DAS CINZAS~
Eu fiquei um milenio longe e.e mas pelo menos serviu pra algo, eu juntei o conto original, que já havia sido postado e agr estou repostando :V, com umas cenas que tinha perdidas por aqui, dei uma revisada e sejamos felizes, amém? amém!
o conto em si n foi alterado, mas teremos um antes e um depois e.e seis vão ver
15/05/2011
. . .
Ele estava vestido de pirata!
Foi a primeira coisa que notei no menininho de olhos azuis parado na porta da minha casa. Ele me encarava com curiosidade e segurava a mão de um menino moreno maior que ele.
-Cory! — Minha mãe exclamou ao ver o mais velho e o abraçou. — Quanto tempo não te vejo, olha como cresceu! Esse é o Louis? — Ela olhou para o menor.
-É sim. — Cory respondeu, animado e começou a puxar o pequeno para dentro de casa. -Parabéns Jeff!
Depois que minha mãe me cutucou foi que eu percebi que ele falava comigo.
-O..Obrigado! — Resmunguei meio sem jeito.
—Venha Cory, vou lhe mostrar aonde deixar os presentes.
—Sim senhora. — Cory soltou a mão do pirata, que montou um bico no começo, mas depois voltou a me encarar.
—Oi! — O cumprimentei baixinho, na tentativa de acabar com o clima que já chegava a me envergonhar. — Eu sou Jeff!
Ainda em silêncio o piratinha pegou uma cartolina do chão e começou a enrolar ela calmamente.
—Você... — Recomecei, tentando não focar no que ele fazia. — Tem 10 anos também? — Ele terminou de enrolar a cartolina e me encarou de novo. — O que foi?
Ele se aproximou um pouco e ergueu o rolo na minha direção, usando-o para cutucar minha testa.
—Ei! — Resmunguei, emburrado. — Por que fez isso?
—Você é bonitinho. — A voz dele soou tão doce que chegava a ser fofa. — Queria saber se é real. — Ele fez uma pausa, olhando para todos os lados, principalmente para dentro da casa, onde a festa acontecia. -Tenho.
— O que?
— 10 anos.
—Ah! — Então ele estava ouvindo afinal. -Sua fantasia é do super man? — Ele quis saber, e eu sorri orgulhoso:
—Sim.
—Prefiro o Batman! — A seriedade com que ele disse aquilo me fez crer que esse era o tipo de assunto que não se debatia, pelo menos na cabeçinha desmiolada dele.
— Você é estranho. — Resmunguei e tudo que ele fez foi abrir um sorriso torto.
—Eu sei.
—Gostei de você. — Admiti, com sinceridade e vi os olhos deles brilharem.
—Jura? — A surpresa dele parecia real. — Não costumo ouvir isso de ninguém. Além do papai e da mamãe e do Cory.
—Poxa... — Foi tudo o que consegui dizer.
—Quer ser meu amigo? — Louis perguntou um pouco enrubecido, pela primeira vez desde que apareceu ele demonstrou um traço de vergonha.
Admiti que pensei bastante, mas afinal o que custava tentar? Não era como se fosse fazer tanta diferença não é mesmo?
—Pode ser! -Respondi, dando de ombros.
Então ele sorriu, dando pulinhos de alegria e deixou algumas lágrimas escaparem de seus olhos, me abraçando em seguida.
Eu o achei extremamente fofo.
— Você é o meu primeiro amigo, vamos ser melhores amigos para sempre!
. . .
Eu ainda me lembro da chuva, caindo sobre nós...
Seus olhos se encontravam com os meus e seu sorriso era o mais lindo.
. . .
13/ 04 /2016
Louis não foi a aula por vários dias e quando finalmente deu sinal de vida foi por telefone, sua voz parecia cansada, na hora pensei que fosse apenas por causa do sono. Ele me convidou a ir com ele em um lugar onde poderíamos conversar em paz, dizia ter que me contar algo importante e eu aceitei.
Nós nos encontraríamos em uma ponte de ferro mal movimentada, era pra lá que sempre íamos geralmente para conversar sobre a escola, sobres nossas famílias e nossas vidas, era lá onde falamos sobre nossas angústias e sonhos por tanto tempo, foi lá que eu senti pela primeira vez...
"Pode ir mesmo, Jeff?" — Sua voz soou pelo telefone e me tirou de meus devaneios, eu concordei novamente e lhe garanti que estaria lá em um segundo, na verdade estava um tempo horrível, não parava de chover, se eu não soubesse o quanto ele é teimoso tentaria convencê-lo a irmos outro dia.
Suspirei quando ele encerrou a chamada. O que eu não fazia por Louis?
. . .
Era uma grande ponte de ferro que ligava um bairro a outro e em baixo dela um rio corria tranquilo, a ponte ficou meio esquecida por causa das grandes estradas, mas isso só a tornava melhor para as nossas conversas e piadas.
Quando escureceu, eu fui diretamente pra lá, Louis não demorou muito a chegar e naquele dia, quando eu olhei para ele, para o seu cabelo desalinhado, seus olhos azuis um tanto avermelhados e a expressão de cansaço visível, soube que algo estava muito errado:
"Louis, o que está havendo?" — Perguntei sem esperar muito.
"Vão me levar pro hospital." — Ele sorriu meio forçado, mas sua voz demostrava todo o cansaço que parecia tentar esconder. — "Acho que estou doente de verdade".
"Como assim doente? É por causa das suas dores de cabeças e coisas do tipo? Eu pensei que não era nada demais e que os desmaios era porque você não dormia direito e... Espera..." — Ele focou o olhar no chão. — "Louis não me diga que veio aqui fugido!"
"Tudo bem, não digo." — Ele havia se apoiado em uma das estruturas de metal que sustentavam a ponte e continuou olhando para o chão.
"Vou te levar de volta arrastado, menino teimoso!"
Ele revirou os olhos e me ignorou:
"Cory disse que é algo que eu sempre tive, mas quando eu era menor os médicos disseram que não era nada demais, então... Ele está realmente furioso... Só agora que eu realmente fiz outro exame." — Louis retirou um envelope do bolso e o ergueu pra mim. — "Eu peguei na cozinha, mas não tive coragem de ver o resultado."
"E quer que eu veja?" – Senti o meu coração acelerar e ele assentiu lentamente. — "Não posso... Isso..."
"Por favor, Jeff, é a unica pessoa no mundo que eu confiaria algo tão... Algo como a minha vida."
Senti meus olhos marejarem e, com as mãos tremendo um pouco, eu abri e li o resultado.
. . .
"Eu me pergunto o que mudou..." – Louis sorriu levemente sem disfarçar a tristeza que sentia, em suas mãos estava o envelope um pouco amassado, e ele olhava para o céu enquanto a brisa daquela noite tocava seu rosto com delicadeza, fazendo seu cabelo se bagunçar discretamente.
Ainda estávamos na ponte e eu ainda estava em choque.
"Tudo isso é lindo, Jeff! E só agora eu notei."
Eu baixei os olhos, aquilo não podia ser real.
"Nada mudou Louis." — Minha voz não passava de um sussurro — "Ainda somos eu e você e um mundo a nossa volta." – Sem perceber, deixei que as palavras se guiassem sozinhas, eu não sabia o que ele estava realmente sentindo, mas eu tinha certeza de que tudo que ele queria era um pouco de sinceridade — "Um mundo que pode parecer grande para pequenos seres como nós, mas..." – Fiz uma pequena pausa para respirar e ele me olhou nos olhos. — " Um mundo que nos proporciona momentos únicos que ainda não acabaram. "
"Mas que vão acabar um dia... " – Louis deixou algumas lágrimas escaparem, eu não podia sequer medir o que ele estava sentindo de verdade. "Vão acabar."
Pois Louis estava morrendo, esta era a verdade.
"Mas não acabaram, ainda não acabou." — Segurei sua mão e ele me encarou sem entender. "Nós ainda temos algum tempo, eu estarei com você." – Pois eu te amo, completei mentalmente, sem conseguir dizer de modo claro, eu sabia e sempre soube o que sentia por ele, eu não tinha duvidas, mas...
"E eu você somos amigos para sempre, se lembra? E o sempre, Louis, é até o fim."
Mas quando eu tentava dizer a ele eu sentia meu corpo travar e minha garganta sentia falta do ar e das palavras. Eu era tão... Covarde.
"É normal sentir que o mundo me pertence?" -Ele perguntou do nada, soltando minha mão e caminhando com dificuldade até a beirada da ponte, observando o rio correr calmamente, eu sorri e dei de ombros, me juntando a ele.
"Depende... Se seu mundo for uma pedra." – Comentei em tom de brincadeira e ele mostrou a língua, quanta maturidade. — "Depende do que é seu mundo!"
Louis ergueu os olhos para o céu, e sorriu torto, logo começando a se balançar como se ouvisse alguma musica. "Você é normal?" – Perguntei quando ele segurou um dos meus braços, o colocando em seu ombro e o outro em sua cintura.
" E o que é ser normal? " — Seus olhos tinham um brilho diferente. -"Dance comigo" – Ele pediu simplesmente, colocando um braço na minha cintura e o outro no meu ombro.
"E o que estamos dançando?" – Decidi entrar na 'brincadeira', ele sorriu de um jeito doce, pegou seu celular no bolso e encaixou o fone de ouvido, me entregando um lado do fone e encaixando o outro no ouvido, antes mesmo que eu terminasse a difícil tarefa de encaixar o meu ele já foi dando o play e uma melodia lenta e suave logo começou a tocar.
Louis estava fraco, até mesmo eu poderia notar, mas ainda assim ele começou a me guiar em uma valsa a seu modo. Tentei fingir que não notava as lágrimas brotando em seus olhos, eu mesmo tentava não chorar enquanto ouvia a letra da musica, tudo soava incrivelmente como uma antecipação de uma possível despedida, mas eu não queria me despedir, eu queria viver com ele para sempre, e um para sempre não poderia ter fim.
Por isso apenas dancei, sem dizer nada, deixei meus passos serem guiados pelo ritmo dele.
Quando a musica estava no final, ele sorriu largamente e começou a balançar a cabeça.
"No que está pensando? " Ele aumentou o sorriso, na verdade ele começou a rir e me encarou, seus olhos pareceram brilhar, mas eu vi, era óbvio, que ele estava se escondendo no seu sorriso. "Fala comigo, Lu!"
Ele diminuiu o sorriso e, de repente seus joelhos perderam as forças ele se deixou cair, as lágrimas o dominando, os soluços sem pausa, e ele chorou de verdade pela primeira vez desde que chegamos aqui.
Me ajoelhei a sua frente e quando finalmente falou sua voz saiu como um sussurro:
— Em viver mais um dia, Jeff!
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