Eterno Verão

2 12 de Julho – O inicio das férias de verão


Notas iniciais
Esse capitulo e o terceiro irão mostrar tudo o que aconteceu antes dos fatos relatados no capitulo 1.

12 de Julho – O inicio das férias de verão

A Academia Estadual de Osaka é um dos colégios mais bem conceituados da região. E era lá onde Thai, Yuri e Mei estudavam. Faziam o 1º ano do ensino médio. Era o ultimo dia de aula para dar inicio as tão esperadas férias de verão. O professor Heitor era professor de inglês e sua aula era a ultima. Ele era americano. Alto, loiro e possuia um par de olhos verdes que faziam a maioria das meninas suspirarem. Ele tinha em torno de 40 anos. Veio do exterior para dar aulas de inglês no Japão. O senhor Heitor era conhecido como um professor exigente e não admitia desrespeito em sua sala.

Ao entrar na sala, ele se deparou com todos os alunos eufóricos. Todos estavam desejando que o relógio marcasse 12:00 para que pudessem desfrutar do verão. Heitor sabia disso , então com apenas um olhar para os alunos foi o suficiente para que eles entendessem e fizessem silêncio.

A sala do primeiro ano era bem agradável. Tinham duas janelas enormes que davam uma vista magnífica para a quadra da escola e para a piscina. Mei sentava no meio da sala na parte esquerda, encostada na parede, Thai sentava-se logo atrás de dela e Yuri sentava ao lado de Thai. Passaram-se vinte minutos de aula quando o senhor Heitor teve que dar uma saída da sala para pegar água. Logo em seguida Yuri virou-se para Mei e Thai e disse:

– E ai? Estão animados?

–Não muito. – Disse Thai, olhando para a janela observando os outros alunos terem aula de educação física na quadra.

– Ao menos olhe para a pessoa quando ela estiver falando com você. – Retrucou Yuri.

– Não enche. – Murmurou Thai.

– E você, Mei? O que vai fazer nas férias? Está animada, não está?

– Sim! Provavelmente irei passar uns dias na casa de praia dos meus pais e depois vamos visitar minha tia na Europa. Vai ser muito divertido. Se vocês não tiverem nada planejado, podiam passar esse final de semana na casa de praia comigo. O que me dizem? – Disse Mei, empolgada.

– Não sei não... – começou a dizer Thai, mas foi logo interrompido por Yuri.

– Ele vai! Ah Thai, deixa de ser chato. Vamos passar esse final de semana todos juntos. A Mei vai viajar depois, não vamos mais ficar os três juntos. Além do mais, eu sei que você não tem planos para essas férias.

– Eu... – E mais uma vez Thai fora interrompido por Yuri.

– Ah, por favor. Vamos? Eu faço qualquer coisa por você depois. Vai ser divertido. Melhor do que passar o primeiro final de semana das férias de verão em casa.

– Isso mesmo. – Concordou Mei. – Vamos, Thai. Vai ser super divertido. Lá tem umas pranchas de surf que meus primos deixaram quando foram no ultimo ano. Podemos usa-las para praticar. Eu não sei muito, mais aposto que vai ser muito divertido.

– Entendi, entendi. Parece que vocês não vão me deixar em paz se eu não aceitar. Eu vou.

– UHUUUUUUUU! – Gritou Yuri com muita empolgação. Ele nem havia notado que o professor Heitor já tinha retornado para a sala e tinha mandado os alunos lerem um artigo em inglês do livro.

– I think that mr. Nakaruma already know about the text. Please, tell me about it. – Disse o professor Heitor.

– O que foi que ele acabou de dizer? – Yuri perguntou desesperado para Mei.

– Ele disse que acha que você já sabe do que se trata o artigo e pediu para falar sobre isso para ele. – Sussurou Thai.

– Se trata de... de... vejamos... – Yuri estava ficando vermelho. – Eu... I’m sorry. – Disse por final. Todos da sala riram quando notaram que Yuri, o garoto que quase não ficava corado, estava todo vermelho. Quando o professor abriu a boca para falar algo, foi interrompido pelo alarme do colégio. Aquilo era musica para os ouvidos de Yuri. Significava que a situação constrangedora chegara ao fim. Mas antes dos alunos saírem correndo da sala o senhor Heitor disse:

– Pratiquem bastante o inglês de vocês. Teremos um teste na primeira semana de aula, quando voltarmos. E principalmente o senhor Nakamura, pratique muito seu inglês e da próxima vez não será salvo pelo alarme.

Yuri corou mais um vez e depois pegou suas coisas e saiu da sala. Logo após saíram Mei e Thai.

– Vocês viram aquilo? Aquele professor me odeia! Eu nunca fiz nada pra ele. Na verdade , acho que ele odeia todo mundo.

– Esquece isso Yuri. – Disse Thai.

– Gente! Não acredito. Estamos de férias !!! O verão está chamando pela gente, eu posso sentir isso. — Disse Mei.

Ao saírem do colégio, os três sentaram na grama da praça que havia ali perto. O sol brilhava forte lá no alto. O céu estava com poucas nuvens. O vento do verão batia no rosto dos três. Thai notou como o cabelo ruivo de Mei ficara lindo naquele exato momento em que o vento fez com que ele esvoaçasse, não só o cabelo, mas Mei parecia tão bonita.

– O que foi Thai? – Perguntou Mei.

– N-Nada. Por quê? — Disse Thai, desviando o olhar de Mei.

– Estão sentindo isso? Estão sentindo? Essa brisa calorosa do verão. Isso é a liberdade. – Disse Yuri, ficando de pé e abrindo os braços. – Vejam! Estou me sentindo tão livre. Tão infinito. Vamos lá, vocês podem sentir também. Tentem!

E então Mei se levantou e fez exatamente o que Yuri estava fazendo. Thai ficou olhando incrédulo para a cena que estava vendo. No meio do parque os dois estavam de braços abertos sentindo a “liberdade” trazida pelas férias de verão, parecendo dois loucos.

–Vem sentir também, Thai. – Disse Yuri, puxando Thai para perto de si. – Vamos lá. É só abrir os braços. Tente.

E então, Thai também estava de braços abertos.

– Sentiu? – Perguntou Mei.

– Parecemos três bêbados, abrindo os braços no meio do parque. Já já aparece alguém perguntando o que houve.

– Que venham! – Respondeu Yuri. – Vamos lhe dizer que estamos sentindo a liberdade.

Então os três se olharam e começaram a rir. Riram muito. E depois se deitaram na grama novamente.

– Tá tão bom, não é? Só faltava um sorvete agora, pra esfriar um pouco esse calor. – Disse Mei.

– Olha lá Mei! O senhor que vende sorvetes! – Falou Thai, apontando para um senhor que vinha com um carrinho que se encontrava do outro lado do parque.

– Vou lá comprar pra gente. Já venho. – Disse Mei, que já ia se levantando para ir em direção ao soverteiro.

Quando Mei estava numa distancia razoavelmente longe Thai disse para Yuri:

– O que você acha da Mei?

– Como assim?

– Ah, você sabe... Ela parece mais bonita ultimamente, não acha?

– Pra falar a verdade, não. Continua sendo a mesma Mei de sempre. Mas por quê voc... – Antes de Yuri terminar de perguntar, Thai o interrompeu dizendo:

– Nada, esqueça isso. Ai vem ela com nossos sorvetes.

– Chocolate para você, Thai, e menta para você, Yuri.

– Você ainda lembra dos nossos sabores favoritos, Mei. – Disse Yuri.

– Lógico. Que tipo de amiga seria eu se não lembrasse? Estamos juntos a quase 4 anos.

Ao terminar de tomarem o sorvete Mei se dispediu de Yuri e Thai com um abraço. Ela precisava chegar em casa para almoçar com seus pais. O pai de Mei era dono de um restaurante famoso em Osaka e sua mãe estava terminando o curso de arquitetura na Universidade de Tokyo. A mãe dela havia chegado em Osaka uma semana atrás para visitar a sua avó, mas ela iria retornar hoje no final da tarde.

Quando Thai e Yuri ficaram sozinhos no parque, Yuri começou a falar com um pouco de vergonha:

– Você está gostando dela, não é?

– De onde você tirou isso?

– É verdade não é? Você ama a ...

–Não enche, Yuri. – Disse Thai, ficando todo vermelho. — Olha, eu vou indo pra casa por que prometi a minha mãe que chegaria a tempo para o almoço. Até mais.

– Até... – E em seguida, Yuri também estava indo para sua casa.

Horas mais tarde, Mei mandou uma mensagem para Yuri e Thai avisando que seus pais haviam concordado em deixar que eles fossem passar o final de semana com Mei na casa de praia e que ela e o senhor Lee , pai de Mei, iam na casa deles amanhã cedo para leva-lós.