Eterno Verão
3 A casa de praia - parte 1
Notas iniciais
13 de Julho, Sábado.
Casa de Yuri, 5:30 da manhã.
Um carro parou na frente da casa de Yuri e buzinou duas vezes. Na terceira vez Yuri acordou. Quem será? Eu estou de férias... e que horas são ? Meu Deus ainda são 5:32. Pensou Yuri esfregando os olhos e caminhando em direção à porta para ver quem era. Ao abri-la viu Mei fora do carro.
– Meu Deus, Mei! Esqueci completamente! – Disse Yuri, quase que entrando em pânico.
–Y-Y-Yuri... V-Vista uma roupa! Isso não são modos de receber alguém. – Disse Mei corando, ao ver que Yuri estava de cueca.
– Desculpe. É que tava muito calor. Você está linda Mei. – Ela estava usando um vestido rosa claro que lembrava muito o tom das cerejeiras daquele verão.
–O-Obrigada. Vai se trocar. Ainda temos que passar na casa do Thai.
Yuri correu pra se trocar e por algumas coisas em uma mala para o fim de semana. Ele já tinha avisado aos pais, que ainda se encontravam dormindo, que iria passar o sábado e o domingo na casa de praia dos Lee, então decidiu não acorda-los para avisar que estava saindo. Deixou apenas um bilhete dizendo: “Estou indo. Preferi não acordá-los. Mais tarde eu mando noticias. Yuri.”.
Yuri estava usando uma camisa de botão branca e uma bermuda azul clara.Quando ele entrou no carro cumprimentou o senhor Lee. Ele era um homem bastante elegante e estava de terno naquela hora da manhã. Yuri ficou se perguntando o que ele iria fazer para estar de terno uma hora daquelas. Sua reposta veio mais cedo do que esperava.
–Deve estar se perguntando o que uma pessoa faz usando terno a essa hora. Acertei? – Disse o senhor Lee num tom de brincadeira.
–Na verdade, estava um pouco curioso. – Disse Yuri, um pouco envergonhando.
–Bem, é que tenho uma reunião em um hotel de Tokyo às 08:00. Parece que se interessaram no meu trabalho depois de me verem na TV. – O senhor Lee foi convidado de um programa de Chefs do Japão e foi reconhecido como um dos melhores do ano. — Me encontrarei com sua mãe – Falou se dirigindo à Mei. — e depois voltamos para Osaka, para buscar você.
– Pai, a casa de Thai é aquela ali da esquina. – Disse Mei, quando eles viraram a rua.
Ao pararem, o senhor Lee buzinou uma vez. Esperou um minuto e a porta se abriu. Thai, ao contrário de Yuri, estava todo pronto com sua mala nas mãos. Ele estava usando uma camisa vermelha e bermuda branca. Yuri corou um pouco por notar que fizera o pai de Mei esperar por ele um bom tempo, enquanto Thai já estava pronto no momento em que ele chegou.
Quando Thai subiu no carro ele cumprimentou o senhor Lee. E então os 4 seguiram em direção a casa de praia. O senhor Lee estava sempre recebendo ligações no seu celular para confirmar os horários de sua reunião. E um dos telefonemas foi o da mãe de Mei. Foi a ligação que mais durou. Enquanto isso, os três conversavam um pouco sobre o que iriam fazer ao chegarem lá. Estavam muito animados.
Ao passar 30 minutos,depois de saírem da casa de Thai, chegaram na casa de praia da família Lee. Era algo extremamente linda. Era a combinação perfeita de modernidade e natureza. Todas as portas eram transparentes, que davam visão do interior da casa. Na entrada da casa tinha um belo jardim com uma piscina que refletia a luz do sol na água, que dava a impressão que não parava de brilhar.
O pai de Mei entrou na casa carregando algumas sacolas brancas com a ajuda de Mei. Era o almoço deles.
– Como meu pai vai precisar sair agora, não teve tempo de preparar nada especial pra comermos. Então ele fez uns pedidos do restaurante dele pra gente poder comer aqui. – Explicou Mei.
–Divirtam-se meninos. Vejo vocês no domingo pela noite. E Mei, qualquer ajuda que precisar fale com o Will.
– Pode deixar, Pai.
Quando o senhor Lee saiu com o carro Thai perguntou:
–Quem é Will, Mei?
–Ah, ele é um antigo amigo e funcionário do meu pai. Ele cuida dessa casa pra gente, quando não estamos aqui.
– E ai,vamos para a praia? – Disse Yuri.
–Vamos ! – Respondeu Thai.
– Esperem.
– O que houve Mei?
–Não querem ver as pranchas?
–Sim! – Disseram Thai e Yuri , quase ao mesmo tempo.
Então ela os levou para dentro da casa. As pranchas ficavam em uma parede na sala. Penduradas ali pareciam mais com peças de decoração do que com pranchas de surf. Mas elas eram realmente lindas. Eram quatro. Uma brilhava com um tom de vermelho vivo. A outra era totalmente o oposto, um azul quase da cor do céu que estava lá fora. Tinha uma branca com flores de cerejeiras e com o nome de Mei pintado de rosa nela. E a ultima era uma branca com detalhes em tribais preto com bordas douradas. Mei explicou que a vermelha e a azul eram de seus primos que vieram no ano passado para o Japão. E a com detalhes tribais ela ganhara de presente de aniversário de um dos primos. E a sua que, tinha seu nome, tinha sido presente do seu pai.
–Podem escolher. –Disse Mei. – Mas acho que não vão querer a que tem meu nome, por isso vou ficar com ela.
–Posso escolher a azul?
–Sim Thai. E você Yuri, qual vai querer?
–Acho que quero aquela com detalhes tribais preto com dourado.
–Bela escolha! Aquela ainda não foi usada. Você vai estrear ela hoje. Agora vamos nos trocar para irmos.
Mei estava usando um biquíni preto. Thai e Yuri estavam com calções de banho, um na cor amarela e o outro roxo, respectivamente.
–Por que você esta com vergonha Yuri? Até parece que nunca nos viu assim.
–E-Eu não estou com vergonha! Ei! Quem era mesmo a garota que me viu de cueca ficou com vergonha quando eu abri a porta?
–Aquilo foi diferente! Era cueca e não sunga! –Disse Mei.
–Quando foi isso? – Perguntou Thai com a voz um pouco carregada. Yuri logo notou e disse:
–Deixa isso pra lá, Thai. E então? Vamos?
Com as pranchas em mão os três desceram para a praia. O clima estava simplesmente perfeito. O sol brilhava lá no alto e havia poucas nuvens. A areia era de um tom bege e a água era quase transparente no inicio da praia e ia ficando esverdeada a medida que ia se distanciando da costa. Quando pararam, Mei explicou um pouco o que seus primos haviam lhe dito sobre o surf. Primeiro ela botou a prancha na areia e fez uma demonstração do que eles precisariam fazer quando estivessem na água. E depois era só tentar se equilibrar na prancha quando a onda passasse. Antes deles entrarem na água Yuri disse:
–É tão bom tá aqui com vocês. Queria que esse verão fosse eterno. Prometam uma coisa. Prometam que nossa amizade sempre superará tudo e que sempre vamos ficar juntos.
– PARA SEMPRE JUNTOS! – Gritou Mei, que foi seguida pelo grito de Thai.
– PARA SEMPRE JUNTOS!
E então os três saíram correndo em direção ao mar com as pranchas nas mãos. Mei era a única que conseguia ficar em pé na prancha até a onda perder a força. Yuri conseguia se manter firme na prancha por uns 3 segundos e depois caia. Thai tentava se esforçar o máximo possível para ficar em pé e fazer igual a Mei. Toda vez que ela o elogiava ele sentia-se com mais vontade de tentar. Depois de um tempo os três ficaram sentado na prancha e esperavam alguma onda razoavelmente boa para poderem pega-la.
–Ai vem uma boa. Eu vou na frente tá? Espero vocês dois lá na areia. – Disse Mei.
Mei parecia que tinha nascido para o surf. Fazia tão bem que parecia algo natural e fácil.
Quando Yuri e Thai ficaram sozinhos, Thai disse:
–Yuri... acho que estou gostando mesmo da Mei.
–C-Como assim gostando?
–Você sabe...
–Sei?
–Sabe! Você mesmo me perguntou ontem no parque, lembra?
–P-Perguntei?
–Sim.
E então Thai viu que os olhos de Yuri estavam um pouco vermelhos.
–Yuri? Você está bem?
–S-Sim... É só o sal da água que está ardendo meus olhos. Ai vem mais uma onda, eu vou nessa, te espero lá com a Mei.
–Certo.
Yuri não conseguiu ficar nem 1 segundo direito em pé na prancha. Caiu e depois nadou até sair da água para ficar onde Mei estava.
–Você está bem Yuri? Parece estar tremendo...
–Não se preocupe. É o frio quando vento bate.
–Ah, entendi. Olhe, ai vem o Thai.
Thai conseguiu ficar em pé durante a onda toda. Quando ele saiu da água foi recebido por um abraço de Mei que estava gritando e parabenizando-o.
–Vocês viram? Eu consegui! – Exclamou Thai.
–Sim! Eu e o Yuri vimos tudo.
–Sim. Parabéns Thai. – Disse Yuri, com um sorriso.
–Vamos comer? Estou faminta. Depois de almoçarmos voltaremos para cá para praticarmos mais.
E então os três voltaram para a casa dos Lee.
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