Eterno

8 Capítulo 9


Notas iniciais
Boa leitura!!!
Beijos!

- Ele nos quer fora daqui? – Naru repete, olhando para o pai.

- Sim. – o homem diz, abraçado a esposa.

- E disse que virá pela Mai?

- Alguém virá por ela.

- Mai, você realmente é um doce para os fantasmas. – Hoshou olha para a garota, sorrindo — É quase como se você fosse o sonho de consumo deles.

- Não diga isso! – Ayako bate na cabeça do monge.

- Oww! É a minha cabeça essa que você está batendo! Eu uso ela para pensar!

- Como pode pensar quando nem mesmo tem cérebro?

- O que você disse, obaa-san?!

- Obaa-san?! Seu monge rebelde!

- Eu escolhi o caminho da música!

- Eles são sempre assim? – Ryu sussurra para Mai, olhando para o casal brigando.

- Sim… — Mai sorri sem graça.

- Hara-san, Gene, Matsuzaki-san, contem o que sentiram.

- Essa casa é maligna. – ela ajeita suas roupas, lançando um último olhar irritado para Hoshou — As árvores estão tão assustadas que nem ousam tentar purificar o ambiente. Tudo está corrompido pelo ódio e o medo. – Ayako diz, tremendo inconscientemente.

‘ Corrompido… Onde eu ouvi isso?’

- Ela está certa, Naru. Há tanta energia do mal aqui, que nenhum espírito consegue sair. Eles estão todos presos a essa casa, não podem seguir em frente. O ódio e o rancor são muito fortes. E não estão centralizados em algo, mas em tudo. Eu não consigo imaginar uma pessoa tendo tanta escuridão no coração. – Masako diz, seria – O que quer que tenha acontecido aqui, ficou marcado no espírito da montanha. Quem quer que tenha morrido aqui, estava completamente corrompido com o rancor. É horrível.

- Gene. – Naru olha o irmão.

- Tentei conversar com os espíritos que flutuam por aqui, mas eles estão assustados demais. Eles estão gritando por ajuda, não é a melhor coisa para se ver. Aos poucos eles estão sendo drenados pela ‘coisa’, desaparecendo. A coisa está se alimentando deles e ficando cada vez mais forte. Noll, temos que fazer algo rápido, ou todos nós iremos morrer aqui.

- Corrompido!!! – Mai pula do sofá, como se houvesse descoberto a cura para a AIDS.

- O que foi, Mai? Deu uma eureka? – Hoshou sorri.

- Naru! Eu tive um sonho e…

- Um sonho? – o garoto a olha, sério – E por que não me disse antes?

- Eu estou contando agora. – Mai retruca, recebendo um olhar do chefe. Então ela conta todo o seu sonho.

- Bem, isso explica todo o ódio que o fantasma tem. – Luella suspira

- N-não é como se ele tivesse nascido assim ou se transformado de repente nesse ódio ambulante. – Mai diz – É como se ele tivesse perdido todas as esperanças de que o mundo tem salvação.

- Talvez ele tenha tido uma infância difícil. A família abusava dele ou algo assim. – Ayako sugere.

- Ele provavelmente foi pobre. A vida antigamente aqui na Inglaterra para os pobres era bem difícil. – Ryu comenta.

- Ou muito rico. Ricos têm tendência a depressão. – Masako diz.

- Não, provavelmente pobre. – Naru diz – Depressão não faz uma pessoa odiar tudo e todos ao seu redor.

- Mas o que aconteceu com ele que o fez odiar tudo? – jonh pergunta.

- Deve ter sido horrível… — Mai olha para baixo, triste.

Os amigos continuam a conversar, imaginando quem estaria por trás de todo o horror que acontecia na casa. Algumas horas depois, foram almoçar, mas logo voltaram ao trabalho. Mai havia perdido a conta de quantas xícara de chá já havia feito para o chefe e imaginava como alguém podia beber tanto chá e não passar mau. Ayako e Hoshou já haviam brigado, criticado um ao outro e feito um inferno dentro da base até Naru se pronunciar e fazê-los calar a boca.

Já havia anoitecido, e nada mais havia acontecido. Sinceramente, Mai estava agradecida, mas também muito entediada. Não tinha absolutamente nada para fazer na casa e Naru não a deixava ficar sozinha por um segundo, sempre tinha alguém com ela, até mesmo na hora de fazer o precioso chá.

- Martin! Ryu! – Edgar entra na sala ofegando, com Lilian atrás de si.

- Mai, tem algo errado com o Aydan! – a garota diz, desesperada.

- PAI!!! Rápido!! – o grito de Nick chega ao ouvido de todos.

Mai, como sempre, é a primeira a correr, sendo seguida por Lilian, Ryu e todos os outros. Ao chegar no segundo andar, correm em direção ao quarto do garoto, mas a porta estava fechada.

- Pai! – Nick grita de novo – O Aydan está subindo pelas paredes!!!

- Nick, a porta está fechada!!!

- A culpa é dele! Droga, seu fantasma imbecil! Deixa o meu irmão em paz!

- Nick!

- Naru, o que fazemos? – Mai olha o garoto, seus olhos cheios de medo pelo garotinho dentro do quarto.

- O espírito não quer nos deixar entrar. Vamos ter que lidar com ele daqui de fora. Bou-san.

- Okay! – o homem junta as mãos em um formato especial, respirando fundo e começando a recitar seu mantra.

- Aydan! Não toque nisso! Aydan!! Garoto mau!!! – Nick grita.

- Meu deus, se algo acontecer ao Aydan… — Lilian começa a chorar e o pai a abraça.

- Calma, Lilian. Nick está lá dentro. Ele não vai deixar nada acontecer ao seu irmão.

- E se eles se machucarem?

- Vai ficar tudo bem, certo Naru? – Mai olha o garoto.

- Gene. – Naru olha o irmão, que sorri, e senta no chão, cruzando as pernas e entrelaçando os dedos, como se estivesse rezando, mas deixando seus dedos mindinhos e indicadores levantados, com os polegares entre os indicadores.

- Gene-bou, não é hora de fazer yoga, sabe? – Hoshou olha para o garoto.

- Cale-se. – Naru diz e continua olhando para o irmão.

Gene respira fundo, fechando os olhos, então recitando palavras rapidamente. Sua boca se movia numa velocidade incrível, que fazia impossível a leitura de lábios. As palavras saiam de sua boca como uma maldição, mas Mai sabia que o que o garoto estava fazendo devia ser para salvar Aydan e Nick.

-Pai, uma ajudinha aqui seria legal!– Nick grita.

‘Noll, pode me escutar?’

‘O que está havendo ai dentro?’

‘Aydan está possuído por um espírito. Não o chefe, mas o alimento dele. Temos de fazer um exorcismo rápido’

‘Você pode?’

‘Não tenho energia o suficiente para me manter em espírito e fazer um exorcismo Noll... Não a sua, seu cientista idiota!’

‘É a única coisa que vai conseguir aqui.’

‘Segure a mão de Mai e toque meu corpo.’

‘O que?’

‘Faça!’

- Mai, mão.

- O q-que?

- Sua mão.

- Hã, okay. – ela estende a mão e Naru entrelaça seus dedos, agachando-se e então tocando o ombro do irmão. Ele fecha os olhos, respirando com equilíbrio, inspirando e expirando no mesmo ritmo, então deixa a energia fluir para fora de seu corpo.

‘Obrigado, Noll, Mai.’

- Eh? – a garota olha para o chefe – Isso foi o Gene?

- Sim. Afastem-se da porta e dele. – Naru ordena, puxando Mai pela mão e andando para mais perto do final do corredor.

- Pai?! Pai, o Aydan ta fazendo umas coisas muito estranhas!

- Eugene está tentando resolver, filho! Tente ficar calmo e não se machuque! – Edgar grita.

- Eu estou calmo! A porcaria desse fantasma é que está endoidando! Ahh! – eles escutam um barulho enorme, como se algo estivesse se partindo no meio.

- Nick! – Lilian grita, chorando.

- Pai! O Aydan ta ficando irritado. O que estão fazendo ai?! Ele acabou de quebrar a cama!

- Ele quebrou a cama? – Ayako repete incrédula.

- O garoto tem força, hã? – Hoshou olha para Naru, prestes a falar algo quando Gene é jogado contra a parede.

- Gene! – Mai solta a mão de Naru, correndo até o garoto que agora tossia, tentando se levantar – Você está bem?

- Noll. – ele sussurra.

- Estou aqui.

- Ele me expulsou. – ele sussurra baixinho, apoiando-se em Mai – O espírito líder… está lá dentro. Ele vai comer os espíritos.

- C-como assim comer os espíritos? – Mai pergunta, assustada, sentindo algo cutucando sua perna.

- Lin.

- Sim. – o homem se retira, sumindo pelo corredor.

- O que vamos fazer? Nick e Aydan estão presos lá dentro e o líder se mostrou. – Luella olha o marido – Temos que fazer algo.

- Jonh, pode fazer algo?

- Não, desculpe. – o padre olha para baixo.

- Ah! – Masako cai.

- Masako? — Ayako olha a garota, preocupada – Tudo bem?

- Muito forte… O ódio… Como ele pode sentir algo assim? É tanto ódio…

- Bou-san, pare de me chutar! – Mai diz, irritada.

- Mai, eu não estou tocando em você. – Hoshou a olha sério.

Os olhos da garota se arregalam e ela olha para sua perna, vendo uma sombra preta deslizando por seu tornozelo.

- Mai!

- Kyaa!!! – a garota grita ao sentir a sombra se apertando sobre sua perna e ser arrastada para dentro do quarto, a porta fechando logo após sua entrada.

- Mai! Mai! – Naru batia na porta, tentando abri-la – Mai!

- Não! Não, me coloque no chão!!! – Mai grita, agitando os braços e tentando se liberta.

- Você está aqui. – uma voz tenebrosa sussurra e Mai vê Aydan no canto do quarto, seus olhos completamente pretos e ele sussurrava algo rapidamente. Então ela percebe o real estrago que o quarto estava. Tudo estava quebrado, objetos voavam pelo ar, uma parte da cama estava embaixo da janela e outra estava jogada no canto oposto a Aydan. Os brinquedos estavam espedaçados no chão, ou então voavam em todas as direcções, batendo nas paredes e partindo em pedaços que voavam em direcções opostas.

- Droga! Como diabos você entrou aqui?! – Nick grita, escondido detrás do pedaço da cama e olhando para Mai, que estava flutuando de cabeça para baixo.

- Não saia dai! – Mai grita – Kyaaa!!! – ela é chacoalhada, como se fosse um brinquedo.

- Eu quero seu coração.

- Mai!!! – as batidas na porta ficam mais fortes.

- Me solte!

- Eu não sou um monstro!

- Pare de fazer isso, por favor!! – Mai grita – Kyaa!! – a garota é libertada e cai no chão de joelhos – Por favor! Nós queremos ajudar!

- Você me traiu! Você é igual aos outros! – de repente Aydan abre a boca, como se estivesse gritando, mas nenhum som deixava seus lábios. Então ele cai no chão, tremendo.

- Aydan! Aydan!!! – Nick se levanta, pronto para correr até o irmão, mas a cama é empurrada e ele fica preso entre ela e a parede – Me solta! Me solta agora!

- Nick! – Mai corre até ele, tentando puxar a cama.

- Me deixe! Vá salvar o Aydan!

- Mas…

- O Aydan!!! – o garoto grita e Mai obedece imediatamente.

- Corrompido! Corrompido! Todos estão corrompidos! – a figura repetia, olhando fixamente para Mai – Ninguém merece a vida. Todos devem morrer!

- Não! Todos merecem viver, sim! – a garota o encara, ajoelhada ao lado de Aydan – Só porque você sofreu algo ruim, não significa que todos merecem o mesmo!

- Todos estão corrompidos! Morram! Morram!!! – ventos se espalham em todas as direcções, como se fossem formados do fantasma, que se aproximava de Aydan lentamente.

- Não! Pare, eu não vou deixar você machucá-lo! – Mai abraça o corpo inconsciente do garoto.

- Você não pode fazer nada.

- Por que está fazendo isso?! – a garota pergunta, chorando – Por que você insiste em machucar os outros? Não está vendo que isso só o machuca mais?

- Eu não sou um monstro. Eu não sou um monstro. – ele toca a cabeça de Aydan, que é jogada para trás e o garoto começa a ficar pálido.

- O que você está fazendo faz de você um monstro!!! – Mai grita, sentindo algo fluir de seu corpo e envolver o espírito, que começa a gritar, como se estivesse em dor.

- Eu não sou um monstro! EU NÃO SOU UM MONSTRO!!! – então o tempo parece parar por alguns segundos, e o fantasma desaparece.

Todos os objetos que estavam voando caem, e Mai abraça Aydan, cobrindo mais de seu pequeno corpo e protegendo-o. Assim que Nick sente a pressão sob a cama sumir, ele a empurra e escuta a porta se abrindo, vendo um homem alto com o cabelo cobrindo parte de seu rosto. O nome dele era chinês…Lou? Noll? Não, esse era um dos gemeos. L… Começava com L.

- Mai! – Hoshou vê a garota no chão com a criança inconsciente em seu colo.

- Pare. – Naru ordena, apesar de seu corpo estar queimando com o desejo de envolver a garota em seus braços e saber que nada havia lhe machucado – Não se aproxime dela.

- Ela pode estar machucada! – Ayako diz, avançando, mas sendo segurada por Gene.

- Não se aproxime dela.

- Shibuya-san… — Jonh olha para o chefe sem entender e então olha para a garota no chão. – Oh. – ele finalmente percebe o porque de se manterem afastados.

- Olhem. – Ryu aponta para o chão ao redor de Mai – Não há nada perto dela. Nem um pedaço de brinquedo nem nada. Por que acham que todo o quarto está sujo e bagunçando e o chão ao redor dela não?

- Oh… — todos observam, finalmente entendendo.

- Mai, desfaça a barreira. – Naru diz.

- Eh? – a garota é tirada de seus pensamentos – O que disse?

- A barreira. Desfaça-a.

- Que barreira? Eu não estou fazendo nada. – Mai o olha, confusa.

‘Acha que ela a montou inconscientemente, Noll?’

‘Talvez. Ela ainda não sabe a extensão de seus poderes, nem nós.’

- Naru?

- Olhe. – Gene sorri, pegando o braço de um boneco de plástico e jogando em Mai, mas ele para a alguns centímetros de distância dela no ar e então é jogado longe – Você tem uma barreira ao seu redor Mai.

- Saiam da minha frente. – Nick abre caminho entre o grupo – Saiam! – ele passa por Naru, que o encara sem expressão, esperando pela repulsão quando o garoto chegou perto de Mai, mas nada aconteceu.

- Você está bem, Mai? Obrigado por proteger meu irmão. – Nick sorri para a garota, que o encara surpresa.

- Foi você?

- Sim, eu coloquei a barreira. Mas aquele fantasma idiota consegue passar por ela como se fosse uma folha de papel. – Nick resmunga – Otário.

- Oh, obrigada. – Mai sorri.

- Você colocou a barreira, Nick? – Ryu olha para o garoto, surpreso – Você não me disse sobre ter poderes psíquicos.

- Não é da sua conta. – Nick resmunga, pegando Aydan em seus braços – Lilian, me ajude.

- Sim. – Lilian e o irmão saem do quarto, para serem seguidos pelo pai.

- Mai. – Gene sorri, com a mão estendida e a garota a pega, levantando-se.

- O que aconteceu, Mai? – Hoshou pergunta, após terem voltado para a base.

- Tinha uma coisa na minha perna, como se fosse uma sombra e me puxou para dentro do quarto. O Nick estava se protegendo com o pedaço da cama e o Aydan estava parado no canto do quarto, murmurando algo. Então o espírito apareceu e…

- Está tudo bem, Mai. – Ryu sorri, segurando sua mão confortadoramente.

- Não… E-ele continuava repetindo ‘Eu não sou um monstro’.

- Monstro? – Martin a olha, intrigado.

- Sim.

- Ele dizia que tudo estava corrompido e devia morrer. Eu senti como se… o mundo estivesse acabando.

- Apocalipse? – Jonh a olha, curioso.

- Mais ou menos. É como se todo o desespero, o ódio e a raiva do apocalipse estivessem concentradas nele.

- Isso não é bom. – Ryu olha para Martin – Antes de vocês virem para cá, os ataques não eram tão fortes.

- O fantasma está atrás dela. – alguém diz e todos se viram, vendo Nick parado na porta, com os braços cruzados.

- Como? – Luella o olha, surpresa.

- O espírito, a coisa está atrás dela. – ele diz, olhando para Mai.

- Eu?

- Você por acaso disse a eles o que a coisa falou? ‘Você irá me trair. Você é igual aos outros’.

- Trair, hm? Decepcionado no amor? – Hoshou olha para Mai – Que garota má, hm?

- Bou-san!

- Mai, existe algo que não está me dizendo? – Naru olha a garota, sério.

- Bem…

- Mai!

- Ta bom. – a garota suspira – É só que antes da gente chegar aqui, eu tive um sonho no avião…

- Antes do caso sequer começar. Isso não é nada bom. – Ayako murmura – Você nunca teve um sonho antes do caso.

- Eu sei, por isso achei que não significava nada, mas então o espírito hoje disse algo…

- O que?

- ‘Eu não sou um monstro’. No meu sonho, tinha um garotinho que estava sendo maltratado pelas outras crianças. Elas continuavam jogando pedras nele e chamando ele de monstro.

- Você viu o rosto dele?

- Não. – Mai abaixa a cabeça – E-ele estava tão triste e tão solitário. Então ele começou a se zangar e… perdeu o controle.

- Como assim perdeu o controle? – Jonh olha a garota, sem entender.

- Era como se ele tivesse chegado ao seu limite e explodido.

- Ele morreu?

- Não...

- Noll, o que está pensando? – Gene olha o irmão.

- O espírito. Talvez seja essa criança. Mas não quero tirar conclusões precipitadas. – ele desvia o olhar da janela – Hara-san, Gene, Matsuzaki-san, andem pela casa e vejam se algo mudou. Houve dois ataques em menos de 24 horas, o espírito deve estar enfraquecido. Se tiverem a oportunidade, façam um exorcismo.

- Sim.

- Takigawa-san, Jonh-san, Martin e Luella, olhem todas as informações que temos até agora. Tudo, até mesmo uma receita e façam um relatório dos pontos que chamam mais sua atenção.

- E eu? – Mai pergunta.

- Chá.

- Lógico! – Mai diz sarcasticamente.

- Vou com você, Mai. – Ryu sorri, levantando-se.

- Nick, poderia responder algumas de minhas perguntas?

- Ok. Tome cuidado, Mai. – o garoto sorri.

- Sim. – ela suspira. Ótimo, agora outra pessoa achava que ela era uma inútil que só servia para atrair problemas.

- Não se preocupe, Mai. Estamos apenas preocupados sobre você. – Ryu sorri, entrando na cozinha.

- Eu sei, é sempre assim. – ela resmunga – Eu só queria que uma única vez eu conseguisse me proteger e que ninguém tivesse que vir correndo para me salvar.

- Entendo.

- Ryu-san, eu… não entendo. – ela diz, após colocar água no forno – Eu pensei que fosse médico.

- Eu sou. Mas também sou um cientista.

- L-luella-san disse algo sobre você estar morto quando se viram. V-você voltou a vida igual o Gene?

- Como? Não. – ele ri – Eu não tive a sorte de ter morrido e ter tido uma bela garota para me ressuscitar.

- Então por que… Me desculpe, você não precisa falar se não quiser. – a garota diz rapidamente ao ver o olhar no rosto do homem.

- Sabe, Mai, eu tenho uma filha. Ela é muito gentil, alegre e é o que tenho de mais especial em todo o mundo. Na época, eu trabalhava como pesquisador na organização do Martin. Ele e Luella eram meus melhores amigos, inclusive, eu que juntei os dois.

- Incrível!

- Sim. O problema é que na época, eu era muito famoso e muito importante para o mundo paranormal. Minhas pesquisas e experiências tiveram grande significado e a EP, uma organização americana estava tentando a todo custo me contratar ou ao menos me manter no negócio. Eles chegaram ao ponto de me ameaçar para isso.

- Eh?!

- Eu estava com medo do que poderia acontecer a minha mulher e minha filha e escondi-as o melhor possível.

- Elas estão bem?

- Saberá daqui a pouco. – ele sorri – Pois bem, o pouco tempo que passei com minha filha foi o melhor de toda minha vida. Eu a amava mais do que tudo e faria qualquer coisa por ela. Um dia, eu a vi no parque, agachada na frente de um jardim. Ela segurava um pequeno passarinho em suas mãos, que estava com a asa quebrada. Ela chorava, como se a sua vida dependesse do pássaro e de repente, ele saiu voando.

- Que bom! Ele estava bem!

- Não, Mai. Ele estava mal. Minha filha o curou.

- Eh? Ela era…

- Sim, ela tinha poderes paranormais. Entenda, curar algo para alguém com PK-LT é quase normal, dependendo da habilidade da pessoa, mas reviver algo é outra história.

- Reviver?

- Algumas semanas depois, ela desmaiou. Por alguma razão, o pequeno hamster de estimação dela que havia morrido naquela manhã estava brincando em sua gaiola como se nada houvesse acontecido.

- Ela ficou bem, certo?

- Sim. Assim que a liberaram do hospital, eu a trouxe em segredo para meu laboratório em Londres. O que descobri poderia chocar todo o conhecimento paranormal do mundo. Mas se eu contasse, significaria colocando a vida de minha filha em risco e isso eu nunca permitiria. Escondi-a de tudo e todos, fazia testes e mais testes, pesquisava durante dia e noite e tentava descobrir um jeito de bloquear seus poderes e deixá-la viver uma vida normal.

- Você conseguiu?

- Não. Quando ela tinha em torno dos 11, eu queimei tudo.

- Eh?

- Meu laboratório. Queimei e destrui tudo. Todos pensaram que fora um infeliz acidente. Eu comprei passagens de avião para o Japão e iria sumir da face do planeta com minha família. Por azar, ou sorte, esqueci minha carteira no banheiro e voltei para pegar, perdendo o voo. Duas horas depois, esse mesmo avião caiu no mar. Eu havia morrido para todos. – ele sorri — A água está fervendo.

- Eh? Ah!! – Mai corre até o fogão, tirando a chaleira e depositando a água quente nas diversas xícaras.

- Vamos.

- M-mas a história… — Mai o olha, ansiosa para escutar mais.

- Apenas saiba que minha filha está viva e muito bem. Ela está mais bonita do que eu jamais imaginei. – ele sorri amorosamente, abrindo a porta.

- Fico feliz por você, Ryu-san. – Mai sorri, pegando a bandeja e saindo da cozinha.

- Há quanto tempo trabalha para o Davis?

- Dois anos.

- você gosta? Ele parece ser…

- Idiota? Narcisista? Sabe-tudo? Egocêntrico? Maníaco por chá? Orgulhoso?

- Eu ia dizer rígido, mas se você diz que ele é tudo isso... – Ryu ri.

Ao chegar na base, Mai distribui as xícaras de chá para todos, sentando-se ao lado de Martin e começando a olhar entre as informações.

- Acharam algo? – Ryu pergunta.

- Nada de significado. Mas eu ainda acho que o espírito aqui tem algo a ver com aquela história de amor.

- Não podemos descartar outras possibilidades apenas porque você quer que seja uma história de amor, mãe. – Naru diz friamente, sem tirar os olhos do papel.

- Que história de amor? – Hoshou pergunta, curioso.

- Está nos diários. – Luella sorri – Martin?

- Estão com você, não, querida?

- Não, eu pensei que havia lhe dado. – o casal se olha, então olha para o filho e se levantam, rumando para a porta, até um voz fria como a do demônio pará-los.

- Vocês esqueceram os diários? – a voz de Naru parecia atravessar os ossos de todos presentes, que tremeram, não querendo ser vitima da ira do rapaz.

- Hã… Hm… Talvez? – Luella sorri, esperando diminuir a raiva do filho.

- Se fosse eu, já estaria correndo montanha abaixo. – Hoshou sussurra para Mai, que coloca a mão na boca, tentando esconder um sorriso.

- Se você acha engraçado, por que não vai busca-los, Mai? – Naru se vira para a garota, que desvia o olhar, nervosa.

- Não é tão ruim assim, N-naru. Podemos pedir para o Yasu trazer.

- Aqui não tem internet. Só energia elétrica e por um determinado tempo. Telefonemas também estão um pouco fora de alcance. Só recebe, não liga. – Ryu diz.

- Bem, então… — Mai se vira para Luella – Estou muito decepcionada com você, Luella-san!

- Mai! – a mulher a olha, incrédula.

- Naru-bou, e agora?

- Continuem procurando nas informações que temos. Madoka ou Yasuhara-san irão notar que meus pais esqueceram os diários.

- Noll, e os diários que estão na biblioteca no pé da montanha? – Lin olha o rapaz.

- Yasuhara-san ficou encarregado de pegá-los.

- Mas você disse que a biblioteca não queria nos dar. Como ele vai pegá-los? – Hoshou olha para Naru, confuso.

- A pessoa que cuida da biblioteca é uma mulher. – é a única coisa que ele diz, antes de voltar sua atenção para seus papéis.

- Mulher? E dai? – Mai olha para Hoshou, ainda sem entender.

- Acredite ou não, aquele garoto tem um grande poder de sedução sobre as mulheres. – o monge sorri e Mai fica vermelha.

- Parem de conversar e voltem a trabalhar.

- Sim.

Os amigos voltam a se concentrar nos papéis a sua frente, organizando-os por datas. Após isso, dividiram o material em três pilhas, divididas entre Mai, Jonh e Hoshou e cada um começou a ler a sua, separando o de mais importante. De vez em quando, Mai e Hoshou se juntavam, comentando sobre uma das noticias de jornais velhos e rindo, ou então brincando com a caneta até Naru mandá-los parar. Jonh ficou o tempo todo calado e de vez em quando se permitia um sorriso pelas brincadeiras dos amigos. Luella e Martin ficaram responsáveis por ler o que os três separavam como importante e enquanto não tinham nada para ler, escreviam tudo que o grupo anterior de sua organização havia descoberto. Supostamente, essas informações deveriam ter sido registradas, mas os papéis foram perdidos na confusão que provocou a saída do grupo.

Naru, por sua vez, limitava-se a gerenciar o trabalho dos amigos e pais enquanto lia as informações que Edgar havia lhe dado sobre o histórico da casa. Sinceramente, Naru esperava já ter descoberto alguma pista sobre quem era o espírito que procuravam e já atacara Mai duas vezes, mas não havia nada de estranho no histórico, a não ser o sumiço repentino ou morte dos que já moraram ali. Era óbvio que o que quer que motivasse o espírito, não tinha limitações quanto a suas vítimas. Idosos, crianças, jovens, bebês; qualquer um que se aproximasse ou entrasse na casa era morto. Quem fosse esperto ou sortudo o suficiente, escapava, mas nunca mais colocava os pés naquela montanha.

Naru estava preocupado. Não por si, mas por Mai. A garota tivera dois sonhos antes do caso começar, fora atacada duas vezes em seu primeiro dia na casa e o espírito declarara que viria pegá-la. Ele imaginava por que em todo caso, sem exceção, a garota era vítima. Tudo bem, ela tinha poderes psíquicos latentes e podia se comunicar algumas vezes com os espíritos, mas Masako também podia. Então por que ela era escolhida como alvo? Por que não ele, ou Hoshou, Ayako ou Jonh? Não que ele quisesse que alguém sofresse o que ela sofria com todos os sonhos e ataques paranormais, mas ele não queria que ela fosse vitima de algo assim. Era…injusto. Mai é gentil, engraçada, honesta, corajosa, otimista, tem um bom coração, ela é uma boa pessoa. Coisas boas deveriam acontecer com ela, não ruins.

‘Noll’

Naru a protegeria. Sim, não deixaria nada acontecer a ela. Ele não arriscaria perder a única pessoa além de seu irmão que podia fazê-lo sorrir ou se importar com algo. Ele não assistiria a morte dela como fez com a de seu irmão. Como a de seus pais. Mesmo que custasse sua vida, ele protegeria Mai. Ele preferia perder tudo, menos ela. Mai era a única… a única capaz de fazê-lo sentir tudo que um humano deveria sentir, de preencher o buraco em seu coração.

‘Noll, me escute!’

‘Gene?’

‘Finalmente. Eu estava quase achando que você estava me bloqueando de propósito.’

‘O que quer?’

‘Preste atenção, mande alguém fechar a porta da base e não permita ninguém a sair dai.’

‘Por que?’

‘Há um lobo dentro da casa.’

‘…Você está bem?’

‘Sim. Hara-san e Matsuzaki-san estão comigo no momento, estamos no quarto em que nossos pais estão dormindo.’

‘Entendo. Lin encontrará o lobo pelas câmeras e pensarei em um jeito de tirá-lo da casa.’

‘Sim. Tome cuidado, Noll. Ah, avise Mai de que Aydan já acordou e está bem.’

Naru fecha os olhos por alguns segundos, respirando fundo, então levanta-se, rumando para a porta.

- Naru, onde está indo? – Mai pergunta, observando o chefe abrindo a porta e olhando o corredor.

- Nick, o que está fazendo? – Naru pergunta, percebendo o garoto olhando para debaixo da mesa no final do corredor.

- Oh, Oliver, você e seu grupo viram o Light?

- O que está acontecendo? – Hoshou coloca a cabeça para fora da base, vendo Nick.

- Você viu o Light?

- Quem?

- Light, nosso lobo.

- Tem um lobo dentro da casa?!!! – Hoshou grita, incrédulo e Naru lança um olhar ao homem. Será que era tão difícil ficar quieto e não criar pânico?

- Tem um lobo dentro da casa?! – Mai se levanta, assustada.

- Calma – Nick sorri – Ele não é perigoso.

- Um lobo é carnívoro e isso deixa bem claro que ele é um perigo. – Martin diz – Espere, onde está o Gene?

- Gene! – Luella se levanta, temendo pelo filho.

- Ayako! Eu tenho que ver se ela está bem! – Hoshou faz menção de sair dali, mas Naru segura seu braço – O que?!

- Ela está bem. Ela e Hara-san estão com Aniki. Fique dentro da base.

- Você está louco, tem um lobo dentro da casa! Seu irmão não é o todo poderoso!

- Assim como você também não é. Fique dentro da base. – Naru ordena, sua voz rígida e seus olhos frios.

- Ah não. – Nick diz de repente.

- O que?

- E-eu esqueci de deixar a carne dele do lado de fora. Ele não comeu. Light fica bastante irritado quando não come.

- Você diz isso agora?! – Ryu grita.

- Cala a boca seu velho! É só dar um po… Oh shit! – Nick começa a correr pelo corredor em direção a eles, entrando na base — Feche a porta!

Naru tira sua cabeça de fora do corredor a tempo de ver um vulto enorme correndo em sua direção, com olhos azuis. Ele e Hoshou entram, fechando a porta e trancando, mas ficando ali, usando seus corpos como peso.

‘Gene, ele está aqui.’

- Droga! – Hoshou grita ao sentir a primeira pancada contra a porta. – Por que diabos você tem um lobo… como bicho de… estimação?! Não podia… — outra pancada — …ser um lindo gatinho… — outra pancada e a porta cede – …ou um peixinho?!

- Eu e Aydan gostamos de lobos. – ele diz como se fosse a coisa mais óbvia do mundo – E Light não é só um lobo. É uma mistura de lobo e Husky Siberiano.

- Cala a boca e acalma ele, Nick! – Ryu diz, irritado.

- Você pirou? Se eu for lá fora, viro comida de Light!

- Mai, vá para detrás da minha mesa e se esconda! – Naru ordena e a garota não hesita em obedecer.

- Naru-bou, a porta quebrou! – Hoshou diz, olhando para o chefe e esperando uma daquelas ideias brilhantes.

- Prestem atenção. – Naru ordena, sério – Eu e Bou-san sairemos da frente e o lobo irá entrar com impacto, parando mais ou menos no meio da sala. Corram para fora assim que ele entrar e escondam-se. Eu e Bou-san atrairemos ele para fora da casa.

- Nós atrairemos? – Hoshou olha para o rapaz, esperando ter imaginado a frase – Ah Naru-bou…

- 1. 2…3! – Naru e Hoshou saem da frente da porta, que é jogada para frente, permitindo a entrada do grande vulto.

Light, como Nick chamava, era um grande Husky Siberianos, apenas com poucos traços de lobo. Seu pelo era fino como o gelo e branco como a neve, seus olhos de um azul penetrante como o mar, seus dentes se mostravam perfeitamente através de seus lábios e Mai realmente não queria descobrir como era estar entre eles.

- Corram! – Naru ordena e todos correm para a porta, espalhando-se pela casa. Ao gritar isso, o rapaz esperava chamar a atenção de Light, mas ele não deu a mínima atenção. Ele estava olhando para Mai.

- N-naru… — Mai olha para o rapaz, o medo estampado em seus olhos de um jeito que Naru não gostou nem um pouco.

- Mai, fique calma. Nada irá acontecer. – o garoto diz, aproximando do lobo com calma – Respire fundo.

- E-estou com m-m-medo.

- Estou aqui, Mai. Nada irá acontecer a você.

- M-m-mas… — ela hesitou ao ouvir Light rosnar, mostrando seus dentes afiados e prontos para triturar qualquer coisa.

- Eu to com a carne! To com a carne! – Nick chega correndo, com um grande pedaço de carne crua na mão.

- Mai, corra! – Naru diz ao ver o lobo pulando em direção a ela. Por alguns segundos de diferença ele não acertou a garota, que arrodeou a mesa na mesma hora em que o lobo pousava no chão, soltando um grunhido e então correndo atrás de Mai.

Tudo aconteceu muito rápido. Num segundo Mai corria em direção a Naru, e no outro estava no chão sentindo um peso sobre si. Ela prendeu a respiração, abrindo um de seus olhos lentamente e dando de cara com a bela face de Naru em cima de si.

- N-naru? – ela sussurra.

- Shh. Ele está em cima de mim. – ele sussurra tão baixo que Mai quase não escutou. Mai fecha os olhos ao ouvir um pequeno grunhido e após alguns segundos os abre, dando de cara com dois olhos azuis. Mas eles não eram os de Naru. Por um tempo indeterminado ela encara aqueles olhos da cor do oceano, mas ao escutar um pequeno ganido, ela desvia seu olhar para o lado, vendo algumas gotas de sangue no chão que faziam um caminho até a pata de Light.

- Nick? – Mai chama, hesitante.

- Calada, Mai. – Naru sussurra.

- Nick? – ela tenta de novo.

- Vocês estão bem? Ele mordeu você, Mai? – Hoshou pergunta.

- Não. Nick, você poderia colocar o pedaço de carne na minha mão?

- Mai… — Naru aperta a cintura da garota, num aviso.

- Por favor?

- O-okay. – Nick se aproxima cuidadosamente – Light, quieto. Sou eu, Nick. – o garoto tenta acalmar o grande cachorro, que simplesmente o olhava, atento. Após alguns segundos, Mai sente algo frio e fedorento sendo colocado em sua mão e sorri, aliviada.

- Light? – ela tenta, sorrindo – Você está com fome? Essa carne está uma delícia. – o cachorro rosna em resposta, aliviando o peso sob os dois – Você quer? Quer? Pega! – Mai joga a carne o mais longe possível e suspira ao ver o cachorro saindo de cima de Naru para pegar a carne.

- Okay, tudo bem agora. – Nick se deixa cair no chão, aliviado – Desculpem por isso.

- Próxima vez, avise! – Ryu diz, socando a cabeça do garoto. Ele havia escolhido não deixar a base ao perceber que Mai ficaria presa atrás da mesa. Ele não abandonaria a garota ali.

Todos os outros estavam na entrada da base, atentos a qualquer movimento do cachorro.

- Noll, você está bem? – Gene olha o irmão, preocupado.

- Sim.

- Mai, o que está fazendo!? – Ayako grita ao ver a garota engatinhando para perto de Light.

- Shh! – a garota lança um olhar para trás.

- Mai, afaste-se desse cachorro agora. – Naru ordena.

- Mai, não atrapalhe ele quando está comendo. E ele não gosta de mulheres. Não se aproxime. – Nick diz, assistindo a garota.

- Não… — ela continua se aproximando e para quando o cachorro lhe olha, rosnando.

- Ele está com raiva. Saia daí Mai! – Lilian diz, preocupada com a garota.

- Shh… — ela sussurra, esticando a mão para tocar na cabeça dele – Está tudo bem, garoto. Não vou machucá-lo. Tudo bem. – ela sorri, quase tocando seu pêlo, mas parando quando Light avança alguns passos – Isso, venha aqui. Calma… — seu sorriso aumenta quando consegue sentir os fios brancos entre seus dedos – Bom garoto. Você está machucado, certo? Sua pata… — Mai estica a mão em direção a pata de cor escura. O sangue havia cristalizado sobre ela, formando aquela crosta vermelha e branca por causa da neve. Ao tocar o machucado, Light recua, desconfiado, mas logo relaxa, deixando Mai tocá-lo a vontade.

A garota segura a patas entre suas duas mãos, fechando os olhos e deixando sua energia fluir pelas mãos, chegar até a ponta dos dedos e se espalhar pela pata machucada, que em pouco segundos se restaurou, como se nunca houvesse sido machucada.

- Pronto, novo em folha! – a garota sorri, soltando a pata, para logo ser jogada ao chão por Light, que a encarou por alguns segundos e deu uma grande lambida em seu rosto, latindo – De nada. – ela ri, abraçando ele e fazendo força para trocar de posição, ficando em cima dele agora. O cachorro pareceu aceitar o desafio e rolou no chão, ficando por cima de Mai e latindo novamente.

- O que diabos você fez com o Light? – Nick olha apavorado para seu cachorro-lobo, que latia alegremente, seu rabo balançando de um lado para o outro.

- Ele estava machucado, eu só ajudei. – Mai responde, enquanto brinca com o cachorro.

- Nick, ele gosta dela. Por que? – Lilian pergunta, levemente com ciúmes. Ela sempre invejara o fato de Light gostar mais dos irmãos que dela.

- Não sei. Eu pensei que ele odiava as mulheres já que não gosta de você. – o irmão diz, pensador – Bem, pelo menos ele não atacou ninguém.

- Você pirou?! – Hoshou e Ryu olham o garoto, incrédulos – Ele pulou em cima da Mai. Duas vezes! Ainda bem que o Naru-bou protegeu ela, se não, ela viraria comida de lobo.

- Noll, você está bem? – Luella corre até o filho, que se levanta elegantemente, ajeitando suas roupas.

- Estou bem. – ele responde friamente, lançando um olhar maligno para o cachorro que agora brincava alegremente com Mai – Tire ele daqui. E Mai, limpe seu rosto. Depois, faça chá.

- Eh… — Mai olha para Naru, fazendo biquinho igual uma criança – Eu quero brincar com o Light.

- Chá. Agora. – o rapaz repete, sentando-se em sua cadeira e olhado para Masako, Gene e Ayako – Contem o que…

Mas Mai não escutou mais. Alguns minutos depois, ela entrou na base, carregando uma bandeja com várias xícaras e com um belo cachorro lealmente ao seu lado.

- Eu disse para se livrar dele. Você não me escutou? – Naru diz friamente, levando a xícara a sua boca e aspirando o doce aroma. Mai realmente sabia fazer o melhor chá de todos.

- Não é minha culpa. – Mai reclama – E ele é muito fofo, não posso simplesmente dizer não.

- Você diz não para mim. – Naru olha a garota.

- Seu narcisista! Você não é nem um pouco fofo! Nem um pouco! – ela repete, irritada, pisando duro até o sofá e sentando-se com força, cruzando os braços, mostrando a língua para o chefe e virando o rosto e perdendo a face admirada de Naru, lógico, camuflada por sua máscara inexpressiva.

- Ok, ok, parando a briga, casal de pombinhos. – Hoshou diz – O que vamos fazer, Naru-bou? Quero dizer, o espírito já atacou duas vezes hoje e eles disseram que não sentiram nada mudar, nem um pouquinho. Ou seja, esse espírito, seja lá quem for, é mais poderoso do que imaginamos.

- Não devíamos subestimá-lo. – Jonh diz, sério.

- E ele quer o ‘coração’ da Mai. – Gene completa – O que acha que significa?

- Não é literalmente? Talvez ele fosse um assassino em série quando vivo e tinha um fetiche por corações de garotinhas fofinhas como a Mai.

- Por que não pode ser outra pessoa só para variar? – Mai resmunga para si mesma, acariciando a cabeça de Light para tentar se distrair do fato de ter um fantasma atrás de si.

- Mai, você teve algum outro sonho ou intuição? – Naru olha a garota, sério.

- Não. Eu ainda estou meio perdida sem o Gene para me ajudar lá. Era mais fácil com as dicas, sabe?

- Bem, trate de memorizar qualquer sonho que tenha ou intuição e me contar. Toda e qualquer informação é crucial.

- Então, noll, o que faremos? – Luella pergunta – Ideias?

- Eu sugeriria um exorcismo, mas parece não ter um efeito muito grande. – Ryu diz, pensando – Talvez seja melhor esperar e descobrir mais sobre quem estamos lidando.

- Eu concordo. – Martin sorri – E Mai deve estar cansada, não? – o homem olha para a garota, sorrindo – Ser vitima de um espírito não é fácil.

- Eh? N-não, estou bem! – Mai sorri. Tudo bem, ela estava um pouco cansada, qualquer um estaria. Mas ela não queria ir dormir e perder algo importante. E Naru provavelmente a faria ficar acordada, dizendo que ela não fazia nada além de dormir e que não precisava de alguém assim no caso. Ela queria ser útil para ele. Ela não podia ser um problema maior do que já era. E Mai queria provar que não era uma garotinha indefesa, em que toda vez que um friozinho era detectado, ela precisava de alguém vindo correndo para salvá-la. Ela podia se proteger. Sozinha. Sem colocar Naru e os outros em perigo.

- …ai. Mai! – ela é tirada de seus pensamentos pela voz de Naru, que no momento estava em pé a sua frente.

- Eh? – ela olha ao redor, percebendo a sala vazia. – Onde está todo mundo?

- Eu os liberei por hoje. Todos foram dormir. Você pode ir também.

- E você? – ela pergunta, observando o chefe pegar alguns papéis na mesa e olhá-los.

- Eu ainda vou ficar aqui. Tenho que olhar alguns arquivos.

- Então eu vou ficar também.

- Está tudo bem. Vá dormir, Mai.

- O que? Não suporta mais a minha presença? – a garota pergunta, olhando-o com uma expressão triste. Naru a olha por alguns segundos, então suspira, largando os papéis e andando até ela. Ele se senta ao seu lado, então puxa a garota para seu colo, ganhando algumas reclamações do cachorro e uma bela face rosada por parte de Mai.

- O primeiro dia, Mai. É o primeiro dia que estamos aqui e você já foi atacada duas vezes e escolhida como alvo.

- E-eu… me de-desculpe… — a garota abaixa a cabeça, envergonhada.

‘Por que eu sou tão idiota assim?! Por que eu só dou problemas para o Naru? Uma vez, apenas uma vez, eu queria poder ajuda-lo. É pedir demais?’

- Não estou dizendo que é sua culpa. – ele usa sua mão para levantar gentilmente o queixo da garota e fazê-la o olhar nos olhos – Eu apenas não quero que se machuque, Mai. Eu não gosto de vê-la em dor ou em terror.

- Sabe, Naru – a garota sorri, abraçando o pescoço do namorado – Você nunca foi tão carinhoso assim comigo antes.

- Eu estou tentando… ser melhor com sentimentos. Mas eu não sou tão emotivo quanto você. Demonstrar carinho pela minha assistente? Não estava nas minhas prioridades. – o garoto passa seus braços pela cintura dela, com um pequeno sorriso nos lábios.

- Ser um idiota arrogante orgulhoso com a garota que você gosta não é legal. – ela resmunga, fazendo um biquinho que fez Naru querer beijá-la ali mesmo e continuar por toda a noite. Ela era tão fofa.

- Se eu me lembro corretamente, e eu lembro, esse idiota arrogante e orgulhoso sempre fez você ficar corada. Ainda faz. – o sorriso dele aumenta ao ver o rosado nas bochechas da garota se intensificar.

- Nã-nã-não é ve-verdade! – ela gagueja, ficando mais vermelha a cada segundo.

- Hmm? Você diz isso, mas seu corpo me diz outra coisa. – ele sorri maliciosamente, suas mãos acariciando a cintura e a perna da garota sensualmente.

- Pa-pare…!

- É perigoso aqui, Mai. – ele diz de repente, completamente sério – Talvez você seja atacada outras vezes, talvez você se machuque, seus sonhos serão mais fortes. Prometa que irá me contar tudo. Prometa que não irá esconder de mim se estiver com medo, triste ou em dor. Se seus sonhos ficarem muito perigosos, prometa que irá tentar sair deles, acordar para o mundo onde eu posso protegê-la.

- Na-naru… — a garota o olha surpresa. Era a primeira vez que ele mostrava tanta preocupação por ela. Era tão bom saber que ele se importava com ela desse jeito. – Eu prometo.

O rapaz aproxima seu rosto e roça seus lábios suavemente contra os dela, mas logo o beijo passivo se torna intenso e cheio de volúpia. Quando Mai beijava Naru, ela sentia um calafrio percorrer seu corpo, os lugares onde Naru a tocava carinhosamente ficavam quentes, seu coração acelerava a tamanho ritmo que ela achava ser possível Naru escutar as batidas. O mundo poderia estar acabando, mas ela não trocaria esses momentos por nada.

Ele abre a boca, mas nenhuma palavra sai. Ela sorri. Ele realmente estava tentando duro por ela. Mesmo que não percebesse.

- Eu também te amo, Naru. – ela sorri, abraçando o garoto novamente.

Ser amada e amar realmente era uma coisa maravilhosa.

Notas finais
Reviews?