Eterno
9 Capítulo 10
Notas iniciais
Aproveitem.
- …bazaradan kan! – eles assistem a massa brilhante desaparecer e todos suspiram, aliviados.
- Eles estão aparecendo muito, não acham? – Ayako pergunta – Só hoje já foram mais de vinte!
- Agradeça que são apenas espíritos secundários. – Masako diz – Se… ele decidisse se mostrar, você não estaria nem de pé.
- Alguém sabe onde Mai-san está? Não a vejo desde o café da manhã. – Jonh diz, levemente preocupado.
- Eu acho que ela está brincando com o Aydan e o cachorro.
- Naru-chan deixou? – Ayako pergunta, surpresa – Ele deve estar com um humor magnífico.
- Há, deve ter feito isso para se livrar dela. – Hoshou diz.
- Provavelmente. Não vejo motivos para o Naru ainda tê-la como assistente. A única coisa que ela faz é chá. – Masako diz.
- E ela tem sonhos que ajudam mais no caso do que você e sua conversa com os espíritos. – Ayako retruca, lançando um olhar irritado para a médium e ganhando outro em resposta.
- Ao menos não coloco a mim mesma em problemas e prejudico os outros.
- Se Mai não se colocasse em situações perigosas ela não seria a Mai. – Hoshou sorri – Bem, eu vou na cozinha fazer um sanduíche. Alguém vem?
- Desculpe, Shibuya-san me alertou para voltar a base logo após os exorcismos.
- Bem, então vamos Ayako. – Hoshou passa o braço pelos ombros da miko, arrastando-a pelo corredor.
- Espero que nada aconteça. – Jonh murmura uma pequena oração, fazendo o sinal da cruz.
- Você quer dizer eles se matando ou o espírito aparecendo? – Masako pergunta, virando-se.
- Os dois. – Jonh sorri e Masako não pode evitar, mas dá um leve sorriso.
O padre e a médium entram na base, ganhando alguns olhares de reconhecimento e sentando-se no sofá.
- Como foram os exorcismos, Jonh? – Luella pergunta, sorrindo para o padre.
- Foram muito bem sucedidos, mas há muitos espíritos aqui. É impossível exorcizar todos eles em tão pouco tempo.
- Levaria ao menos meses com todos nós. – Masako completa – A única opção para se purificar essa montanha completamente é exorcizando o espírito que está controlando todos os outros.
- Nós não sabemos quem ele é, então por enquanto vamos continuar com os exorcismos. – Naru diz sério – Onde estão Matsuzaki-san e Bou-san?
- Takigawa-san estava com fome, e Matsuzaki-san o acompanhou até a cozinha. – Jonh responde, sorrindo.
Alguns minutos depois, a porta se abre e Mai, Hoshou e Ayako entram. A garota tinha um sorriso malicioso no rosto, enquanto Ayako possuía um leve corado nas bochechas e Hoshou comia um sanduiche, tentando esconder sua própria vergonha. A miko e o monge sentaram o mais distante possível um do outro, evitando se olhar. Mai andou até a mesa de Naru, postando uma xícara de chá a sua frente e sorrindo maliciosamente para o garoto, que responde com um simples olhar.
‘Então ela os pegou no flagra, hm?’
- Então, Matsuzaki-san, algo aconteceu enquanto estavam na cozinha? – Naru pergunta calmamente.
- D-d-do que e-e-está fa-fa-falando?! – a mulher gagueja – Na-na-nada a-a-aconteceu! Certo? – a mulher se vira para Hoshou.
- É claro! Nada aconteceu! O que podia acontecer?! – o homem ri nervosamente, ganhando olhares estranhos de todos.
- Não estou perguntando se algo aconteceu entre vocês e sim se algo aconteceu enquanto estavam na cozinha. Noite passada a temperatura do cômodo estava consideravelmente baixa.
- Oh. Oh… — Ayako murmura, aliviada – Não, nada de anormal.
- Hm, então algo de normal aconteceu. Se importa de dividir? – Naru pergunta, sabendo que tinha encurralado a miko no momento em que ela o olhou de olhos arregalados.
- Olá!!! – a porta é aberta de repente e Yasuhara aparece, sorrindo – Sentiram minha falta?
- Yasu! – Mai olha o garoto, surpresa, enquanto Ayako suspirava aliviada. – Você chegou!
- Yep, Mai-san. – o garoto abraça a garota – Espero que não tenha me traído enquanto eu não estava aqui.
- Yasu! – Mai grita embaraçada, empurrando o garoto.
- Bou-san! Eu senti tanto a sua falta! Quase não consegui dormi a noite, pois seu corpo não estava lá para me abraçar! – o garoto se agarra ao braço do monge.
- Alguém atire em mim. – ele murmura – Yasuhara, pare de brincar! Deus, isso é tão esquisito! – o homem empurra Yasuhara, que sorri – Duvido que algum dia você encontre uma namorada!
- Do que está falando? Eu tenho uma namorada! – Yasuhara diz, colocando a mão sobre o coração e fingindo-se de magoado.
- Você tem?! – todos o olham chocados.
- É claro, eu sou um homem, tenho minhas necessidades que apenas uma mulher podem satisfazê-las.
- Quem é? A garota deve estar possuída ou então o cérebro dela não deve funcionar direito. – Ayako diz, olhando para o garoto e imaginando a namorada dele.
- Mai-san… — ele se vira para a garota, olhando de esguelha para o chefe – Você não contou a eles sobre…nós? – ele sorriu ao ver a sobrancelha do chefe tremer.
- Que nós?!
- Isso é o suficiente. – a voz de Naru ecoa pela sala, todos se sentando imediatamente, sérios –Yasuhara, conte o que descobriu.
- Bem, por onde devo começar… Há séculos uma pequena cidade foi construída aqui. Era bastante isolada da capital, mas ainda as famílias nobres ainda tinham grande influência. Nessa mesma vila ou cidade, nasceu uma nobre chamada Catherine Felix, que logo após seu nascimento foi prometida a Bryan Ghorte, o filho de um burguês da capital, pois a família estava em falência. A criança foi crescendo e logo todos notaram sua beleza e carisma. Ela era amada por todos da vila, que apoiavam o casamento arranjado, pois imaginavam ter uma melhoria de vida com a fusão das duas famílias. Apesar do ambiente frio em que cresceu dentro de casa, a garota sonhava em encontrar seu verdadeiro amor, com quem se casaria e formaria sua família, mas ela escondia isso, pois amava sua família e ela era a única que podia salvá-los da miséria.
Os anos passaram e a cada aniversário seu, ela ficava cada vez mais deprimida e resolveu escrever um diário, talvez como forma de expressar seus sentimentos.
- Presumo que tenha conseguido todos eles. – Naru olha o garoto, sério.
- Bem, eu não tinha muita opção, certo? Era pegar ou morrer. – o garoto sorri – Continuando. Um dia, depois de ter discutido com os pais sobre seu casamento que seria realizado em alguns meses, a garota fugiu de casa, refugiando-se na floresta assombrada, segundo os moradores. Ela se perdeu, mas por sorte alguém achou ela. O homem que viva na cabana no topo da montanha era chamado Daniel, não tenho sobrenomes nem histórico, descobri por causa dos diários. De acordo com Catherine, ele teria se refugiado aqui por ter sido expulso da cidade, mas nada é mencionado no diário do homem. Bem, eles continuaram se encontrando e algumas vezes Daniel é mencionado como homem de máscara.
- Por que? Ele usava uma mascara ou algo do tipo? – Hoshou pergunta, curioso.
- Bem, ela apenas mencionou que o rosto dele sempre estava coberto por algo, provavelmente uma máscara. Bem, um dia, seu pai a trancou no quarto, pois havia escutado boatos das fugas da jovem, mas ela era um pouco rebelde e aventureira, então ela apenas fugiu pela janela, planejando voltar antes que seu pai percebesse. Por algum motivo, nesse mesmo dia, Daniel não se mostrou no local combinado, onde ele iria guiá-la até sua casa. A garota esperou e esperou, e quando anoiteceu, decidiu voltar. Mas se perdeu.
- Eh, ela não…morreu, certo? – Mai pergunta, triste pela mulher.
- Oh, não, ao contrário, por causa disso, ela finalmente conseguiu realizar parte de seu maior sonho. Catherine foi encontrada por um camponês, Ethan, e foi amor a primeira vista, literalmente.
- Por que sempre tem que ser um pobretão e uma rica? – Hoshou se pergunta – Quero dizer, não poderia ser um pouco fácil e botar duas pessoas da mesma classe, já que na época só era aceito assim?
- Cala a boca. Quanto mais difícil for os obstáculos, mais linda é a história. – Ayako diz – Além disso, não seria interessante uma história de amor onde os personagens simplesmente se apaixonam e se casam.
- Realmente… — Mai concorda.
- Continue. – Gene sorri para Yasuhara.
- Bem, a garota pediu a seu melhor amigo, Daniel, para ajudá-los a fugir dali, assim poderiam se casar e viver juntos.
- Mas eles nunca deixaram a montanha. – Naru completa.
- Exatamente. Ninguém mais ouviu falar de Catherine Felix e nunca encontraram seu corpo. Os séculos passaram e só voltaram a habitar o topo da montanha quando houve uma tempestade de neve e a cabana foi destruída. O homem que construiu a casa de hoje viveu por pouco tempo aqui, apenas seis anos, antes de morrer aos 82 enquanto dormia. A próxima família que viveu aqui, tinha um filho de 14 anos, que desapareceu misteriosamente. Dois dias depois, o pai matou a mulher e suicidou-se. As famílias que se seguiram, todas moraram aqui por pouco tempo, até que algo as assustasse ou algum familiar morresse. Houve uma, que durou apenas uma semana, composta por um casal de recém-casados. A mulher foi encontrada morta na cozinha, queimada e o homem no banheiro, afogado. Mais duas famílias moraram aqui antes da família do Edgar-san; a primeira composta por um casal e seu filho de 7 anos e a segunda por um casal e sua filha de 19 anos. Da primeira, o homem morreu, mas a mãe e a criança saíram da casa antes de se machucarem ainda mais. Da segunda, a filha e a mulher morreram. O homem se mudou imediatamente após isso.
- Sr. Edgar, Nick, Liliam, Aydan e duas empregadas. Uma foi morta e a outra desapareceu. Podemos quase dizer que esse espírito está focado em mulheres jovens. – Gene diz, olhando para o irmão.
- Mas por que atacou apenas a Mai? E a Lilian-san? Ela tem apenas 22 anos. Ela ainda é muito jovem.
- Acho que posso responder a essa pergunta. – Yasuhara diz, tirando um pequeno livro do bolso. Estava amarelado e velho, as páginas levemente corroídas pelo tempo. – Aqui Shibuya-san. – o garoto oferece o livro ao chefe, que o pega, abrindo-o. Todos assistem os olhos de Naru adquirirem uma expressão surpresa por poucos segundos, antes de voltarem ao normal e ele fechar o pequeno livro com força.
- Mai, chá. Bou-san, vá com ela. Jonh, vá com Yasuhara-san buscar o resto dos diários e as informações. Matsuzaki-san, faça amuletos de proteção e depois distribua entre nós. Hara-san, se quiser pode se retirar para descansar. Mandarei alguém chamá-la quando o jantar estiver pronto.
- Obrigada. – a médium se levanta, rumando para a porta.
- Eu vou levá-la. – Gene sorri para o irmão, acompanhando a jovem.
- Naru, você acabou de beber uma xícara de chá. Só hoje, eu já fiz mais de vinte para você.
- Faça o chá. Ou é tão difícil para você fazer um pouco de chá? – o garoto a olha, claramente sem paciência.
- Só estou preocupada, Naru. – a garota diz cerrando os punhos.
- Não preciso de sua preocupação, apenas faça o que eu disse, Mai.
- Ta! Se você pegar uma doença por causa do chá, eu não vou cuidar de você! – a garota grita, pisando duro para fora do cômodo e sendo seguida por Hoshou, que lança um olhar repreendedor ao garoto e some pela porta.
- Noll, você não precisava ser ignorante com ela. Mai estava apenas preocupada com seu bem-estar. – Luella diz, olhando para o filho que agora massageava suas têmporas, tentando de algum modo diminuir a dor de cabeça que sentia.
‘Tudo por causa de uma pintura de uma mulher que morreu séculos atrás. Por que Catherine Felix parece tanto com a Mai? Se colocassem as duas na minha frente, eu provavelmente pensaria que eram gêmeas.’
Naru se encosta na cadeira, virando-a e olhando pela janela. Por que Mai era tão ‘atraente’ para os espíritos? Por que sempre algo tinha que a ver com ela? Por que, só por uma única vez, outra pessoa não poderia ser o alvo? Não que ele desejasse isso para alguém, mas já era praticamente um hábito Mai ser o alvo e ele realmente odiava isso. Ele odiava vê-la sendo machucada, ele odiava vê-la chorando, ele odiava quando ela tinha sonhos e ele não podia salvá-la neles ou impedi-la de ver algo horrível e principalmente, ele odiava quando ela o olhava com aqueles brilhantes olhos castanhos cheios de medo e ele não podia fazer nada sobre isso.
- Aqui está o chá, ó Grande Rei do Chá que irá ficar doente por ser um idiota. – ele vira a cadeira, observando Mai colocar o chá com força na mesa, olhando-o com irritação. Ele dá um pequeno sorriso em agradecimento apenas para ela ver e observa com orgulho as bochechas da garota ficarem avermelhadas. Era tão fácil fazê-la feliz.
- D-de nada. – ela sussurra, virando-se e sentando ao lado de Gene, que havia voltado há alguns segundos.
Após alguns minutos observando os outros, a garota foi se deixando levar pelo sono, seus olhos se fechando lentamente e então a escuridão tomou conta.
Os gritos eram abafados pela madeira velha da casa, que rangia a qualquer brisa. Apenas a idade. Mas não era o suficiente para tornar aquelas vozes tão familiares completamente mudas. Ele andava pelo corredor fazendo seu máximo para não provocar nenhum barulho e chamar atenção desnecessária para si. A casa era assustadora a noite, escura como a noite, parecia haver olhos e ouvidos na parede, prontos para denunciar o garoto fora da cama. Mas apesar disso, ele prosseguiu.
- …expulsos! – as vozes estavam cada vez mais perto e ele já podia definir a voz máscula e poderosa de seu pai.
- …não... dinheiro… você… — então sua mãe estava lá também. Por que eles estavam acordados? Por que gritavam?
- É sua culpa! É tudo sua culpa que aquela… coisa nasceu! – algo quebra e o garoto recua, todo seu rosto ainda mascarado pela escuridão.
- Ele é seu filho! Ele é uma parte sua! – ele para na frente da porta, seu olho azul espiando pela brecha. Sua mãe, sim, sua bela e corajosa mãe, com seus cabelos loiros cacheados e seus olhos azuis como o céu, estava ali. Por que? Por que ela gritava tão alto e chorava?
- Aquela coisa não é meu filho! Aquilo é uma aberração!
‘Eu sou uma aberração?’
- Não me culpe por ele ter nascido assim! Você queria um filho, agora o tem! – a mulher grita, as lágrimas caindo por seu rosto, fazendo-o brilhar sob a luz do luar.
- Eu queria um filho, não um monstro! – o homem de cabelos loiros e olhos verdes grita, seu rosto contorcido em desgosto e fúria.
‘Eu sou um monstro?’
- É tudo sua culpa! Nem mesmo uma criança você pode me dar! Para que diabos você serve então?! – o homem grita furioso, olhando para a mulher com tamanha fúria que a fazia tremer.
- Não é minha culpa! Você deveria tê-lo ajudado! Onde você estava quando ele estava crescendo?! Desse jeito, ele só irá piorar! – a mulher diz e logo é cortada por um som agudo, seguido por uma dor lancinante em todo seu corpo.
‘Por favor, parem de brigar. Eu vou melhorar, eu juro, papai.’
- Não ouse falar assim comigo mulher! A educação dele é responsabilidade sua! Aquele monstro não deveria ter nascido! Só nos trouxe problema! Toda a cidade quer nos expulsar por causa dele!
‘É minha culpa? É por que eu nasci? Então… Eu não deveria ter nascido?’
- Ele é nada mais que um monstro! Monstros devem ser eliminados!
‘Eu os faço infeliz? Vocês não me queriam? Vocês não me amam?’
- Ele é um monstro! Desde que nasceu e para sempre será um monstro!
…
‘Para sempre serei um monstro.’
- Eh? – Mai olha ao seu redor, vendo não mais uma casa escura e sem vida, e sim uma praia. O mar azul, o sol brilhante, as ondam batendo levemente contra a areia.
- É lindo, não? – uma voz melodiosa ao seu lado diz e a garota sorri.
- Sim. É real?
- Depende. Você quer que seja real? – os dois se olham e os olhos da garota se arregalam. Ele estava sem a capa. Sem nada cobrindo o corpo além de uma espécie de manta branca.
‘Tão lindo…’
Seu cabelo era preto, caindo por seus ombros musculosos e fortes e descendo por suas costas, sendo suavemente levantados pela brisa marítima. Sua pele alva parecia brilhar sob o sol, seus olhos eram um tom caramelado iguais aos seus e, com toda certeza, esse homem podia ter qualquer mulher aos seus pés.
- Sim, Mai? – ele sorri ao ver a expressão admirada da garota.
- Você… você está mostrando seu rosto para mim…
- Sim. Pensei que era hora de deixá-la me ver. O que acha? Sou o que esperava? – o homem sorri gentilmente e Mai concorda bobamente.
- Eu posso… Qual é o seu nome?
- Por enquanto você pode me chamar de Yiyan.
- Yi…Yan? Que nome esquisito. – a garota ri, e volta a olha para o mar.
- O que você achou da cena que lhe mostrei?
- Foi você? – a garota se vira surpresa.
- Sim.
- Bem, eu realmente não gostei nem um pouco do pai. Ele continuava chamando o próprio filho de monstro, quem faz isso?! Alguém deveria mostrar a ele o que é amor e como se ama! – a garota diz, furiosa.
- Talvez. E o garoto?
- Ele estava tão confuso e triste… Eu não sei se aguentaria ouvir meus pais me chamando de monstro e dizendo que não me queriam. – ela abaixa a cabeça, triste.
- Você deveria ter seguido meu conselho, Mai. Você deveria ter voltado. Agora, nada que fizer poderá alterar seu destino.
- Você quer dizer… que eu vou morrer?
- Todos morrem um dia, Mai. – ele sorri gentilmente, acariciando seu rosto – Mas o que você faz enquanto vivo é que irá decidir quem você é e o que virá a ser após sua morte.
- Sim…
- A moeda sempre tem dois lados. – ele sussurra em seu ouvido, desaparecendo ao poucos.
- O que? Esper… — então tudo some.
Fale com o autor