Eterno
10 Capítulo 11
Notas iniciais
Infelizmente, eu entrei no 3º ano do Ensino Médio e como vocês devem saber, a vida é dureza. Só tenho tempo de escrever nos finais de semana e é muito pouco tempo, pois tenho que estudar também. Então, eu não sei quando vou postar de novo.
Bom, espero que consiga atrair os meus velhos leitores de volta e conseguir novos. Obrigada pela consideração e por não terem desistido de mim.
Beijos e aproveitem!
- Boa noite, Mai. – é a primeira coisa que escuta ao abrir seus olhos e encontrar dois orbes azuis lhe encarando. Ela os observou por um momento, procurando por algo, então piscou, percebendo que aqueles não eram os olhos azuis de seu… quase namorado.
- Eu vou reclamar para o distribuidor de guias de sonho sobre quem ele me dá. – a garota resmunga, levantando-se do colo de Gene, onde havia acabado dormindo e usado como travesseiro.
- Como assim, Mai? Você teve algum sonho? – Gene pergunta sorrindo e atraindo a atenção de seu irmão mais novo.
- Yeah, mas seria bem mais fácil se os meus guias falassem a minha língua. Por que é tão difícil simplesmente dizer: “Aconteceu isso e isso, agora você deve fazer isso.” É tão difícil assim? Vocês precisam entender que meu cérebro não é igual ao do Naru.
- Então você teve um sonho, Mai-san? – Jonh pergunta novamente, esperando saber o que havia acontecido.
- Presumo que ou o sonho não tem importância alguma ou você esqueceu sobre ele. – Masako diz, olhando a garota.
- Bem, eu não diria que é muito importante, mas… — então a garota conta todo o seu sonho, omitindo a parte com Yiyan. Ela queria enteder melhor sobre o que ele havia falado antes de contar ao chefe. Ela queria ser útil. Mais do que tudo. A melhor parte de seu trabalho era quando Naru a olhava, dava um tapinha em seu ombro e dizia ‘Bom trabalho’. E ela queria escutar isso de novo. Logo.
- Entendo. – Naru diz – Apenas isso, Mai?
- Sim. – ela mente. Não era completamente uma mentira, ela só escolheu omitir alguns fatos.
- Mas Mai, quem é o seu guia agora? – Hoshou pergunta.
- Eh?
- O guia dos seus sonhos. Quem é?
- Nã-não quero dizer. Melhor, não posso dizer.
- Como assim não pode dizer, Mai? É apenas um nome. – Ayako reclama, curiosa. Talvez esse fosse o começo para outro escândalo envolvendo Naru e a garota.
- Ele não quer que eu diga.
- Então é um homem. – Naru afirma.
- O que?! E-eu nã-não disse isso! – ela gagueja, já amaldiçoando o instinto e as habilidades super desenvolvidas de observação de Naru.
- Você usou o pronome ‘ele’, o que deixa bem explícito o gênero de seu novo guia astral.
- Ele é bonito? Ele é velho? Como ele é, Mai?! – Ayako enche a garota de perguntas
- Você se apaixonou por ele? – Luella acompanha a miko, animada.
- Eh?! Sem chance.
- Ah é, seu coração puro pertence unicamente a um narcisista. – Ayako retruca sarcasticamente.
- Eu pensei que o seu também, Ayako. – Mai resmunga e a mulher se cala, virando-se e começando uma conversa com Jonh.
Após alguns minutos, Aydan abre a porta da base, chamando a atenção de todos. O garoto olhou para todos, ainda com as mãos no trinco, e então avistou Mai. Ele correu até ela e pulou em seu colo, abraçando-a com força.
- Aydan! – a garota sorri – Você quer brincar comigo? – o garoto balança a cabeça – Ah, está se escondendo da Lilian? – ela fica em silêncio por alguns segundos, como se esperando a resposta, então adquire uma expressão de repreensão – Você sabe que não pode simplesmente não comer, Aydan. Se você não se alimentar, vai ficar fraco. – então ela sorri – E não vamos mais poder brincar juntos.
- Mai, o que diabos está fazendo? – Hoshou pergunta, olhando para a garota estranhamente.
- Você esqueceu que o Aydan não fala, Mai? – Martin sorri para a garota.
- Ela está lendo seus pensamentos. – Naru diz sem levantar o olhar de seus papéis.
- Com licença… — a porta se abre lentamente e Lilian aparece – Desculpe atrapalhar Oliver, mas você viu o Aydan?
- Aqui! – Mai sorri para a garota.
- Oh, Aydan! Vamos, você está atrapalhando o Sr. Martin e Oliver. – o garoto se esconde no peito de Mai, negando firmemente – Aydan!
- Está tudo bem, Lilian. Ele não está atrapalhando nada. – Mai sorri – Deixe-o aqui, depois eu dou um jeito de fazê-lo comer.
- Oh, eu não poderia dar problemas assim para você, Mai. Tenho certeza de que está ocupada com seu trabalho e…
- Deixe-o ai. – Naru diz firmemente e a garota se surpreende.
- V-você tem certeza, Oliver? – o rapaz simplesmente concorda com a cabeça, então a garota se desculpa pelos problemas e sai.
A sala permanece em silêncio por alguns segundos, todos olhando para o chefe com uma expressão surpresa. Naru nunca dera nenhum sinal de gostar de crianças, pelo contrário, no caso de Seiji-kun, ele parecera ter ficado o mais longe das crianças, a não ser quando extremamente necessário ele iria se aproximar. E era exatamente por isso que Mai agora o olhava com uma expressão de total desconfiança.
- O que você vai fazer com o Aydan? – a garota pergunta, abraçando o garoto em proteção, não que ela pensasse que ele iria machucá-lo, mas…
- Perguntas. Lin. – o garoto se levanta, enquanto Lin se preparava para digitar tudo. – Aydan, quando você percebeu o começo da paranormalidade aqui? – ele pergunta, sentado de frente para Mai e Aydan.
- Tente falar na língua dele. Ele não entendeu uma palavra do que você disse. – Mai diz, explicando o que Naru falou numa linguagem mais simples e então respondendo pelo garoto — 2 meses atrás.
- Você viu alguma aparição? – ao ver a expressão do garoto ele muda suas palavras – Fantasma.
- Ele disse ter escutado apenas uma música bonita.
- Você lembra de algo antes de ter sido possuído? – de novo a garota explica para o garoto.
- Ele não sabe, Naru.
- Entendo. Como era essa música da qual falou?
- Eh… Muito bonita. Lembra-o de… — a garota se cala, olhando para baixo.
- De que Mai?
- Sua…mãe.
- Você tem uma boa relação com sua família?
- Sim. – então a garota ri – Comer verduras é importante, Aydan. Lilian está certa.
De repente Masako se levanta e Gene fica rígido ao lado de Mai, colocando um braço ao redor da garota.
- Há algo na casa. Eu posso sentir… — a médium diz, olhando freneticamente para os lados – Eu…não consigo definir de onde é… É como se estivesse em todos os lugares…
- Kyyaaa!!
Naru, para a surpresa de todos, é o primeiro a se levantar e correr para a porta. Martin e Luella seguem o garoto. Todos se levantam, inclusive Lin, e correm para fora da base, esperando chegar a tempo e salvar quem quer que estivesse em perigo. Mas todos falham em perceber a porta se fechando atrás de si e trancafiando Mai dentro da base.
Ao chegarem na escada, vêem Lilian sentada, segurando seu tornozelo com as mãos e olhando para o topo da escada. Naru se aproxima, mas não dá a mínima atenção a garota.
- Aniki. – ele chama, olhando ao redor minuciosamente.
- Já se foi, Noll.
- Você está bem? – Luella pergunta, agachando-se ao lado da garota.
- S-sim… E-eu… Eu acho que machuquei meu tornozelo.
- Está tudo bem. Foi uma leve torção. – Ayako diz, analisando o pé da garota – Hey, alguém a leve para a base. Masako, venha comigo pegar o kit de primeiro-socorros.
- Sim.
- Ah, obrigada.
- O que aconteceu? – Naru pergunta, olhando fixamente para a garota.
- E-eu subi para pegar meu livro no quarto. Então, quando eu estava descendo, eu… senti algo atrás de mim e escutei alguém gritando para eu correr, mas eu já estava caindo.
- Tem certeza de que não foi apenas descuido?
- Sim, eu definitivamente senti algo me empurrando. Por sorte, nada sério aconteceu. – Lilian sorri aliviada – Está tudo bem, Aydan. Esto… Eh? – a garota olha ao redor, então olha para Naru – Onde está Mai?
Naru é o primeiro a correr de volta, sendo seguido por Gene e Hoshou. Lin e Martin ficam para ajudar Lilian, e Jonh, após uma breve desculpa, corre atrás dos amigos, preocupado com a garota.
- Mai! – Naru abre a porta violentamente, procurando pela garota desesperadamente. Ele se sentia tão estúpido por ter deixado a garota para trás. Se algo houvesse acontecido com ela…
- Oh Deus! – Jonh murmura, olhando fixamente para o centro da sala, onde o corpo inconsciente de Mai descansava no meio de uma poça do seu próprio sangue, suas roupas rasgadas e seus braços e pernas cobertos por pequenos, mas profundos cortes. Em três paredes havia inscrições em inglês, parecidas ter sido feitas com sangue que diziam ‘Eu não sou um monstro’ e na última, de frente para a porta e para o corpo da garota, outra dizendo ‘No fim, ela pertencerá a mim’.
- Mai! – Naru sai de seu estupor inicial, correndo até a garota e tirando seu casaco, colocando-o sobre e ela e tentando parar o sangramento. – Jonh, chame Ryu-san agora!
- …S-sim! – o padre corre porta a fora, todos esquecendo sobre a regra de não ficarem sozinhos, não que isso importasse no momento.
- Mai, pode me escutar? Mai! – Hoshou chama pela garota, tentando confirmar a esperança de que ela ainda estava viva.
- Ela ainda está respirando e tem batimento cardíaco, fraco, mas presente. – Gene diz, após checar o pulso da garota.
- …Na…ru…
- Mai? – o garoto a olha, surpreso, mas aliviado.
- …Naru… — outro sussurro.
- Estou aqui, Mai. Tudo vai ficar bem.
- Noll, ela não está consciente. – Gene diz, sério, mas o irmão ignora.
- Estou aqui, Mai. Você está a salvo agora. – então o corpo da garota relaxa e ela se deixou ser levada pela inconsciência.
~~~~GH~~~~
Mai olha ao seu redor, vendo apenas escuridão. Onde ela estava? Há poucos segundos ela estava na base…
- Oh. – inconscientemente a garota se abraça, olhando para todo seu corpo e suspirando aliviada que naquele momento estava sonhando. Quando ela acordasse iria sentir muita dor mesmo.
Assim que seus amigos haviam deixado a base, Mai se levantou para segui-los, mas foi como se algo a tivesse segurado ali e então trancado a porta. Não importava o quanto ela gritava ou batia na porta, ninguém havia vindo. Então, do nada, era como se houvesse milhares e milhares de pedras sendo jogadas em si, cortando, fazendo seu corpo gritar em dor. Ela conseguia escutar crianças rindo ao seu redor, zombando dela, mas ela não conseguia ver nenhuma delas. Ela havia tentado se proteger, esconder-se em algum lugar ou quem sabe até exorcizar o espírito, mas fora impossível. Toda a sua mente estava entrando na escuridão, ela nem mesmo escutava mais seus gritos de dor, nem sentia as pedras ricocheteando contra seus braços e pernas, fazendo-a sangrar.
Sem ter percebido, ela havia desmaiado, mas acordado por alguns segundos ao escutar alguém chamando seu nome. Leve e quase inaudível, mas ela havia escutado o chamado de Naru. Ele havia chegado para protegê-la. Ela estava segura agora.
- Monstro! – uma voz chegou aos seus ouvidos, vinda de longe.
- Olá? – a garota olha ao redor, realmente rezando para que nada assustador acontecesse.
- Você é um monstro!
Então, como se fosse uma Tv e ela houvesse mudado o canal, a escuridão ao seu redor deu lugar a um parque, onde adultos olhavam suas crianças brincando e rindo. Era como uma clareira no meio de uma pequena floresta, a qual os cidadãos haviam transformado naquele local de lazer. Naquela época do ano, por não haver muitos ventos, a neve não era carregada da montanha e trazida para a cidade, assim, apesar do frio, as flores estavam desabrochadas, mostrando sua beleza e perfume, o pequeno lago, rodeado por árvores verdes, estava brilhando sob a pouca luz solar e algumas vezes era possível ver pequenos peixes pulando. As crianças corriam de um lado para o outro, enquanto os adultos passeavam junto a pequena feirinha que havia na fronteira do parque com a floresta.
- Imagino quando foi isso… — Mai sorri ao ver as garotas brincando com suas bonecas e os garotos jogando bola, rindo e se divertindo. Ela sentia falta desses tempos, onde ela era apenas uma criança e podia brincar a vontade, sem ter nenhuma responsabilidade a não ser escovar os dentes e comer.
Então ela notou um dos garotos correndo para dentro da floresta e um grupo de garotos correndo atrás dele. Ela ficou olhando, imaginando se deveria segui-los. A floresta era perigosa, havia lobos nela. E se algo machucasse-os?
- É melhor eu ir até lá. – a garota corre, desviando de algumas crianças e entra na floresta, seguindo as risadas. Após alguns segundos, ela para, olhando ao seu redor, tentando achar o caminho, mas tudo parecia o mesmo. Era como se ela não houvesse saído do lugar. Então ela escuta um grito e risadas e corre, chegando a outra pequena clareira. Lá, havia um garotinho encurralado contra um árvore e três a sua frente, rindo.
- Não vai correr, monstro?
- Por favor… — o menino murmura, protegendo-se das pedrinhas que jogavam em si.
- Corra. Corra! Nós vamos pegar você, seu monstro! – os garotos riem, como se fosse uma grande piada, enquanto Mai observava a cena, tentando seu máximo ficar longe e não interromper. Era como Gene sempre dizia: ‘Aconteceu no passado, você não pode mudar nada’.
- Monstro! Monstro! Vá embora!
- Vamos expulsar você daqui!
- Monstros como você não deveriam ter nascido! – os garotos riem, falhando em perceber a mudança de clima. O vento nas árvores havia cessado, nenhum animal fazia barulho ou dava sinal de vida, era como um presságio para o mal. Mas os garotos não perceberam e continuaram rindo. Ela podia ouvir o baixo sussurro do garotinho na árvore, repetindo a mesma frase várias vezes.
‘Esse clima de tensão… Não pode ser…!’
A garota olha para o menino encolhido contra a árvore, vendo a tensão ao seu redor aumentar cada vez mais, e tão rápido como surgiram, as risadas foram extintas.
- Eu não sou um monstro.
~~~~GH~~~~
Mai acordou ofegando, ela podia sentir algo quente escorrendo por seu rosto, mas ela não se importava, não quando seus pulmões pareciam estar encolhendo. Como se o mundo ao seu redor estivesse encolhendo e ela não pudesse escapar. Por que ela se sentia assim? Não havia motivos, certo? Fora apenas um sonho, algo que acontecera anos atrás, algo que não importando o que ela sentisse ou fizesse iria mudar. A única coisa que ela poderia fazer agora era salvar o espírito. Fazê-lo se perdoar e seguir em frente.
- Mai? – a voz de Lin chega aos ouvidos da garota, que o olha surpresa – Você está bem? Você está sentindo dor?
- E-eu.. Não, estou bem, Lin. – a garota sorri fracamente.
- Fico feliz de que esteja bem. Todos estavam muito preocupados. – Lin sorri, checando as bandagens no corpo da garota.
Mai olha ao seu redor, vendo todos os seus amigos ali na base, dormindo. Alguns estavam no chão, outros nas cadeiras, Gene e Ryu estavam no chão a sua frente, dormindo e apoiando suas costas na mesa. Até Aydan e Light estavam lá, enroscados um no outro nos pés do sofá. Ela viu todos, menos quem mais queria.
- O-onde está o Naru? – Mai pergunta, olhando para o chinês.
- Atrás de você. – Lin sorri levemente e Mai se vira, finalmente percebendo que ela havia dormido no colo de Naru o tempo inteiro – Por favor, não o acorde. Ele estava observando você o tempo inteiro e acabou de adormecer. Noll estava muito preocupado, Mai.
- Me-mesmo? – a garota sorri, feliz, com um leve rosado em suas bochechas.
- Sim. – ele afirma, então se levanta – Você deve voltar a dormir.
- L-lin? E-eu ti-tive um sonho…
- Você pode nos contar quando acordar novamente. Agora, precisa descansar. Você perdeu muito sangue, Mai.
- Obrigada. – ela sorri, voltando a deitar-se no colo do chefe e deixando o aroma de chá envolve-la e levá-la novamente para a escuridão.
~~~~GH~~~~
Quando Mai acordou novamente, já era quase meio-dia, apesar de ser bem difícil distinguir o dia da noite naquela montanha. Havia nuvens e o sol quase não se mostrava, e pelo que ela pôde perceber, estava caindo uma nevasca bem forte lá fora. Lógico, ela estava apenas escutando o barulho da neve contra a janela e o vento uivando do lado de fora, já que por alguma razão, ela sentia como se houvesse um elefante em cima dela, impedindo-a de se levantar.
Abrindo seus olhos lentamente, Mai foi se acostumando com a claridade, piscando algumas vezes e então abrindo completamente os olhos e encontrando um oceano azul.
- Mai? – a voz calma de Naru preencheu seus ouvidos e ela sorriu.
- Hey… — sua voz ficou presa em sua garganta, que estava seca e dolorida.
- Aqui. – um copo de água surge a sua frente e a garota sorri, colocando um pouco de força em seus braços para sentar-se, mas falhando. Ela tenta de novo, dessa vez mordendo os lábios para desviar sua atenção da dor e de repente fica mais fácil. Ela podia sentir a mão de Naru em suas costas, dando-lhe força e sustentação, e não afastando-se até mesmo quando ela havia se sentado.
- Obrigada. – ela sussurra após beber o copo d’água.
- Como está se sentindo? Está com frio? – o garoto pergunta e a garota finalmente percebe o motivo de estar se sentindo soterrada. Haviam três edredon em cima de si e ela realmente estava surpresa em como ela não havia morrido por falta de ar.
- Um pouco, mas três é demais. Me faz sentir sufocada. – ela tenta sorri, tirando dois dos edredon de cima de si – Melhor. Onde está todo mundo? – ela olha ao seu redor, mas não vê ninguém, nem mesmo Lin estava ali.
- Eu os mandei pegar as temperaturas dos cômodos e dar outra volta pela casa. Lin e Yasuhara-san foram pegar alguns papéis.
- Oh. Nar… — a garota é cortada pelos lábios do chefe, em um beijo suave. – Na-naru? – ela o olha, feliz, mas sem entender.
- Nunca mais faça isso, Mai. Nunca. – ele sussurra, sua testa contra a dela.
- M-me desculpe… Eu só dou problemas a você. Talvez eu devesse ter ficado em Londres… — a garota diz, triste por sua incapacidade de se manter fora de situações perigosas. Não deveria ser tão difícil assim ficar fora de problemas, mas era como se houvesse algo nela que fizesse os problemas a perseguirem por ai, achando-a sempre.
- Sim, você deveria. – ao ver o olhar da garota ficar mais depressivo ainda, ele a beija novamente – Você atrai muita atenção dos espiritos e acaba se machucando. Se tivesse ficado lá, nada disso teria acontecido.
- Você está certo…
- Eu sempre estou certo, não? – Naru sorri maliciosamente e a garota resmunga.
- Idiota. – mas ela sorri.
- Hey, Naru-bou, nós volt…MAI!!! – Hoshou grita, avançando para cima da garota, mas parando em cima da hora e abraçando-a com todo o cuidado possível. – Você está bem?
- Sim. – ela sorri.
- Fico feliz que esteja bem, Mai. – Ayako sorri docilmente para a garota, abraçando-a, mas com mais cautela para não machucá-la.
- Você realmente nos preocupou, Mai-san. – Yasuhara sorri.
- Você está se sentindo bem? – Martin pergunta – Quer algo para comer ou beber?
- Talvez seja hora de trocar seus curativos. – Luella diz, olhando para a garota com felicidade, mas preocupação nos olhos.
- Estou feliz que esteja bem, Mai-san. – Jonh sorri e Masako simplesmente concorda, seus olhos fixos no braço de Naru que arrodeava a cintura da garota. De algum jeito, Mai havia acabado sentada entre as pernas do garoto.
- Você não está com frio, Mai? – Gene pergunta, sorrindo gentilmente – Eu havia colocado um edredon em você, mas… — ele olha para os dois na ponta do sofá e a garota sorri sem graça.
- Três eram demais. Mas obrigada.
- De nada.
- Então… O que eu perdi?
- Nada na verdade. Foi tão chato enquanto você estava dormindo. – Hoshou diz, sentando-se na cadeira e suspirando – Sem nada para fazer.
- Tirando o fato da cozinha ter sido parcialmente destruída enquanto você estava dormindo, nada mais aconteceu. – Ryu diz, sorrindo para a garota.
- Eh? Vocês estão bem? E Lilian-san? Ela está bem?
- Sim, ninguém se machucou.
- Mas o que aconteceu com você? Por que não foi com a gente quando escutamos o grito? Normalmente você é a primeira a correr. – Hoshou diz, sorrindo.
- Há há! – Mai ri sarcasticamente – A porta se fechou antes de eu conseguir sair. Não abria não importando o quanto eu tentasse e ninguém escutou eu chamando.
- Mas como você conseguiu os machucados, Mai-san? Quando chegamos aqui, você estava no chão e havia sangue… — a voz de Jonh falha.
- Eu acho que fui atacada pelo espírito.
- Daniel-san?
- Eu acho que sim. Eu senti várias pedras batendo em mim e doía muito… E eu não conseguia chamar por ajuda e as pedras continuavam me acertando… — a voz da garota falha e ela fecha os olhos com força, tentando não chorar – E então eu desmaiei.
- Você viu o rosto dele, Mai?
- Não. Eu não vi ninguém. Primeiro eu pensei que estava sonhando, vivendo a experiência de alguém, mas então eu percebi que não era, porque não importava o quanto eu tentasse, não conseguia acordar.
- Mai, você disse que havia sonhado. – Lin diz, atraindo a atenção de todos.
- O que?! Ela acordou antes e você não disse?! – Hoshou olha o chinês, irritado – Isso é egoísmo, individualidade!
- Cala a boca! – Ayako ergue a mão, ameaçando o monge, que se cala imediatamente, resmungando algo.
- Primeiro eu queria perguntar uma coisa… Naru? – Mai olha o garoto – Como exatamente funciona seus poderes?
- O que isso tem a ver com seu sonho?
- Ele tira a energia do corpo dele e a traz para fora. – Gene diz, ignorando o olhar do irmão.
- E por que isso é tão especial? O Nick também faz isso, não é?
- Não. Ele manipula a energia existente a seu favor. No caso dele, movendo objetos sem vida. Noll tira essa energia do seu corpo e então a usa, ou melhor, não usa, já que ele irá morrer se usar.
- E o que você faz para ajudar ele, Gene?
- Não é que eu particularmente ajude, Mai. Comigo por perto, ele é capaz de usar os poderes, porque ele só precisa tirar um pouquinho do corpo e rebater para mim. Ai eu aumento essa energia com a minha, e nós ficamos nisso até querermos usarmos.
- Mas e a energia que você usa? Não faz falta?
- Para mim? – Gene levanta uma sobrancelha – Faz. Mas o Noll e eu somos como uma balança. Quando eu uso minha energia em conjunto com a dele, a balança perde o equilíbrio e naturalmente é como se o corpo do Noll cedesse energia para mim, equilibrando a balança de novo. É uma relação de ‘dar e receber’.
- Ahh. E por que só funciona com você?
- Nunca conseguimos entender direito o porquê. Mas achamos que é por causa da nossa ligação psíquica.
- Mai – Naru interrompe, lançando um olhar para o irmão se calar — Explique o que isso tem a ver com seu sonho.
- No meu sonho, havia um garotinho, Daniel-san eu acho, e ele era perturbado pelas crianças de novo, que jogavam pedrinhas nele e o chamavam de monstro. Então, ele…matou elas.
- Ele… matou? – Luella olha para a garota, incrédula.
- Sim. Eu acho que o espírito tem os mesmos poderes do Naru.
- Se isso é verdade… Nós estamos mortos. – Hoshou diz.
- Claro que não! – Mai diz.
- Você tem uma ideia? – Ryu olha para a garota, curioso.
- É óbvio! – então ela olha para Naru – Qual é o plano? – isso quase fez todos caírem no chão. Típico. Naru sempre seria a cabeça do grupo.
- Mai, vá comer algo e volte. Bou-san, Jonh, acompanhem ela. Lin, Yasuhara, reportem o que encontraram. O resto de vocês fique aqui e olhe os relatórios, descartando o que não é importante.
- Não estou com fome, Naru.
- Eu não disse que era um pedido, Mai. Vá. – Naru diz, lançando um olhar para a garota que a dizia que era melhor obedecer.
- Você tem que comer, Mai. Seu corpo está fraco, então precisa repor as energias. – Ayako sorri para a garota, que concorda.
- Okay. Kya! – a garota grita ao sentir o sofá desaparecendo.
- Vamos lá, princesa! – Hoshou ri e Jonh sorri, feliz pela garota estar acordada e viva.
- Bou-san! Eu posso andar! Bou-san! Bou-san! – Mai tenta espernear, mas sente uma dor percorrer desde a ponta de seus dedos até os fios de seu cabelo e se cala, encolhendo-se contra o peito do homem que a olha com preocupação.
- Você está bem, Mai?
- …Bem. – a garota sorri fracamente, não querendo preocupar os amigos.
- Está tudo bem, Mai-san. Não se preocupe, somos amigos. Se está sentindo dor, está tudo bem nos mostrar. Todos nós queremos cuidar de você. – Jonh sorri e Mai concorda.
- Obrigada, Jonh. E desculpe.
- Não precisa se desculpar, Mai! – Hoshou sorri, entrando na cozinha – Oh, Lilian-san!
- Mai! – a garota sorrir ao ver a amiga acordada – Você finalmente acordou! Você está bem? Está com fome? Quer água?
- Estou bem, Lilian. – ela sorri – Obrigada.
- Eu fiquei tão preocupada quando Nick me disse que você tinha sido atacada. Eu sinto tanto, se eu não tivesse caído da escada e distraído seus amigos, você não teria acabado assim. – a inglesa olha para baixo, triste.
- Não é sua culpa, Lilian. – Mai sorri – Estou meio acostumada. Acho que tem uma placa na minha testa dizendo: “Oi fantasmas, estou livre para ataques!”. – as garotas se olham, então riem.
- Bem, estou feliz que esteja bem. – ela sorri, pegando uma bandeja – Vou levar a comida do Aydan. Passe lá depois, tenho certeza de que ele vai ficar feliz.
- Okay. – Mai sorri, vendo a porta fechar.
- Okay, o que quer comer, Mai? – Hoshou pergunta, colocando a garota em cima do balcão.
- Qualquer coisa, Bou-san.
- Bem, que tal um sanduiche de qualquer coisa? – o homem sorri.
- Okay! – Mai sorri e então olha para Jonh – Nee, Jonh, você poderia nos deixar sozinhos por alguns minutos? Eu queria conversar com o Bou-san sobre…hmm…
- Sim, Mai. – o padre sorri e então sai da cozinha.
- Eh? Onde ele está indo? – Hoshou pergunta, com um pão na mão.
- Nee, Bou-san, você e Ayako estão namorando?
- O que?! – o homem deixa a faca cair, o que o faz dar um pulo pro lado, assustado. – Eu… Nós… Hm…
- Sabe Bou-san, a Ayako é como uma mãe para mim. Ela sempre cuida de mim, me da conselhos sobre o Na… Bem! – a garota desvia o olhar, vermelha – Ela é muito importante para mim e você também. Eu acho que vocês formam um casal muito bonito e sei que apesar de todas as brigas, vocês também se gostam muito.
- Mai…
- Eu queria pedir… Se você não gosta da Ayako no sentido de namorados, para dizer a ela. Ela realmente gosta muito de você e eu não quero que ela se machuque. Assim como também não quero que você se machuque.
- Eu entendo, Mai — Hoshou sorri – Não se preocupe, eu gosto dela. Na verdade, eu a amo. Não vou machucá-la.
- Obrigada, Bou-san. – ela sorri, abraçando o homem com força – A propósito…
- Hm? – o homem a olha, curioso.
- Tente ser mais cuidadoso ao escolher o lugar onde vão, hã… você sabe. – a garota cora – A cozinha não é um bom lugar, qualquer pessoa pode entrar.
- Você está certa, qualquer um pode entrar. – uma voz interrompe os dois, que olham assustados para a porta, vendo Ryu, Jonh e Ayako.
- A-ayako! – Hoshou olha para a mulher, surpreso.
- O que você disse… é verdade? Você… me ama?
- Eu… Hã… — de repente ele sente um tapa nas costas – Ow!
- Desembucha! – Mai sorri.
- Eu… — Hoshou olha para a mulher, enquanto Ryu se aproxima de Mai, checando para ver se a garota estava bem. – Sim, eu amo você, Ayako. Eu estou sério sobre nós e se estiver tudo bem… quero dizer, se você gostar de mim como eu gosto de você… ah, espera, você gosta de mim, eu quis dizer gostar para cas… Não! Espera! Quero dizer gostar de mim… Ahh, isso é tão confuso! – ele bagunça seus cabelos, suspirando – O que eu quero dizer é… Se você quiser, eu quero que sejamos um casal de verdade. — homem diz seriamente, determinado a fazer seus sentimentos alcançarem o coração da miko.
- Bou-san… — as lágrimas caem pela face dela – Okay.
- O…kay? Você quer dizer… — o homem se aproxima.
- Sim, eu te amo, seu monge estúpido. – a mulher sorri e é engolfada em um abraço e um beijo doce, mas cheio de desejo.
- Aham! – Ryu finge uma tosse – Lembrem-se que há uma criança no recinto.
- Hey, não sou criança! – Mai reclama, fazendo um biquinho de criança que faz Ryu levantar uma sobrancelha – Não sou!
Os três adultos riem da garota, que bufa, cruzando os braços. Após algumas reclamações por parte de Mai, brigas por parte do novo casal e tentativas falhas de Jonh para impedi-los de brigar, eles finalmente lembraram o motivo de estarem ali e Ayako começa a preparar algo para Mai comer.
- Não coloque isso. – Ryu diz de repente – Mai não gosta.
- Oh, eu não sabia. – Ayako coloca de lado o pedaço de presunto e pega outro ingrediente.
- Isso também não. – o homem interrompe.
- Você quer fazer? – a mulher pergunta, irritada.
- Desculpe. – o homem sorri e então segura a mão da mulher ao ver o ingrediente que ela tinha pegado – Ela odeia isso desde criança. Não coloque.
- Desde cria… — a mulher o olha surpresa. Como ele poderia saber aquilo se eles havia se encontrado pela primeira vez a pouco mais de um mês?
- Mai-san?
- Mai! – o chamado do monge pela garota fez os dois pararem e olharem, vendo a garota com a mão na cabeça.
- Mai? – Ryu corre até ela, checando seus batimentos e respiração.
- Oi, a temperatura… -Ayako se aproxima de Hoshou, enquanto Jonh rezava.
- Está girando… — Mai sussurra, sentindo a casa ao seu redor ir de um lado para o outro, girando sem direção e fazendo o estômago da garota se contorcer – Ajuda… Ryu-san…
- Mai? Olhe para mim. Mai! – o homem tenta ver as pupilas da garota, mas ela estava entrando na inconsciência. – Droga!
‘Por favor, ajude-me’
Então Mai desmaia.
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