Eterno
11 Capítulo 11
Notas iniciais
Bom, aqui está o novo capitulo. Meio curtinho, mas espero que gostem.
Ahh, e para todos os que se perguntaram, não, eu não vou desistir dessa fic.
Obrigada!
- Então ela simplesmente desmaiou? – Martin olha para a garota no sofá, adormecida e suspira – É sempre assim? Quero dizer, ela sempre…sofre tanto assim nos casos?
- Infelizmente. – Jonh responde.
- Pobre Mai. Deve ser triste ter que assistir ao passado de cada fantasma, ver sua morte e não poder fazer nada.
- Esse não é o problema aqui agora. – Ryu diz, interrompendo – Ela está machucada e desmaiou. E não é por causa dos cortes.
- E esse estúpido cachorro não deixa ninguém chegar perto dela! – Ayako resmunga, irritada.
Assim que Hoshou chegou na base com a garota desmaiada em seus braços e a colocou no sofá, Light correu até ela, latindo para todos e montando guarda em frente ao corpo dela. Algumas vezes ele iria lamber sua mão, outras cheirava seu braço, apenas tentativas de acordá-la e ver se estava bem.
Naquele momento, todos estavam de um lado da sala, bem longes do sofá, já que Light não deixava ninguém chegar perto de Mai sem rosnar e ameaçar um ataque. Quando Gene e Hoshou tentaram se aproximar, quase tiveram seus braços arrancados. O monge ainda resmungava no canto da sala, olhando furioso entre seu braço e o cachorro.
- O que fazemos? Está anoitecendo.
- Nós já sabemos quem é o fantasma, não? Porque não fazemos um exorcismo? – Yasuhara pergunta, sem entender.
- Não sabemos onde é o local onde seu espírito está localizado e é perigoso tentar invocá-lo através de algum chamado. Ele talvez possua seu evocador. – Luella diz, lançando um olhar para seus filhos, que no momento estavam sentados em um mini sofá de frente para Mai e Light. Foi o mais próximo que conseguiram chegar.
‘Noll, o que você pensa sobre isso? Devíamos arriscar logo o exorcismo? Você sabe que posso tentar chamar, mas se me possuir…’
‘Não. É muito perigoso. Além disso, não acho que tenhamos informações o suficiente. Eu sinto que ainda há algumas peças faltando.’
‘Você também acha? É estranho, não acha? Quando houve aparições, metade das vezes ele nos disse para fugir, nos alertou do perigo, e nas outras ele nos atacou. Como se fossem dois em um’
‘Eu tenho uma ideia, mas quero fortalecê-la antes de divulgá-la. Gene, você não pode entrar nos sonhos dela?’
‘Mai? Não, desculpe. Estou preocupado também. Não pensa que é melhor mandá-la de volta a Londres?’
‘Não. Não penso que o espírito irá deixá-la ir livremente.’
Ambos foram tirados de sua conversa mental pelo latido de Light e logo em seguida por um leve gemido por parte da garota. Todas as cabeças se viraram em sua direção e todos correram até ela, sendo parados por um latido do cachorro. Ele encarou raivosamente todos ali, como se fossem os culpados pelo estado dela e rosnou para Hoshou.
- Ele me odeia! – Hoshou olha para os amigos – O que eu fiz?
- Cala a boca! – Ayako reclama, olhando atentamente para Mai – Ela acordou?
- Eu acho que… Mai? – Gene chama suavemente – Mai, você pode me escutar?
- Mai? Mai! – Luella quase grita ao ver a garota mexendo o braço e levando-o ao seu rosto, passando a mão em seus olhos e então sentando, olhando para cada um ali e parando seu olhar em Naru.
- Sim? – ela ergue uma sobrancelha e então um latido chama sua atenção – Oh!
- Mai! Você está bem? – Hoshou pergunta.
- Por que você desmaiou lá? – Ayako é a próxima.
- Mai-san, como está se sentindo?
- E-eu… eu estou bem, obrigada. – ela sorri, então olha para Gene.
- Você descobriu algo?
- Eh? – o garoto a olha, surpreso – N-não, eu estava mais preocupado com você, Mai.
- Oh.
- Você sonhou? – a voz fria de Naru chegou aos seus ouvidos e a garota estremeceu, encolhendo-se contra o sofá.
- S-sonhar? – o olhar de confusão que ela deu ao chefe intrigou a todos.
- Sim, Mai. Pare de me olhar com essa expressão de idiota.
- E-eu… Isso foi rude! – a garota leva a mão ao peito, ofendida – Um cavalheiro não devia dizer palavras tão vulgares a uma dama.
A boca de quase todos ali presente se abriu e eles a olharam como se ela fosse uma aberração do circo, até que a garota se levantou rapidamente.
- V-vou ao banheiro. – e então ela correu para fora do quarto.
- Matsuzaki-san, siga-a. – Naru ordenou e a mulher rapidamente correu para fora da sala, seguindo a garota.
- Isso foi…estranho. – Yasuhara olha para Jonh – Ela bateu a cabeça quando desmaiou?
- Não. – o padre responde, olhando então para o chefe – O que você acha que aconteceu, Shibuya-san?
- Lin, siga-as pela câmera. Se houver algum movimento incomum, alerte-nos.
- Espere. Acabei de lembrar algo. – Luella diz, fazendo todos a olharem – Ryu, antes do acidente em que você supostamente morreu – o homem fica sério de repente, como se já sabendo o que seria dito – Você estava pesquisando alguma coisa sobre o PK-LT…
- O que eu descobri foi queimado. Destruído. Ou você não lembra do incêndio? – o homem ergue uma sobrancelha.
- Sim, mas você está aqui. Você deve lembrar de algo. Algo que possa ajudar Mai.
- O que eu descobri nunca será revelado. Isso foi uma promessa que fiz a mim mesmo depois de desaparecer.
- Você descobriu algo que pode ajudar a Mai! – Hoshou diz, irritado – Ela nunca mais teria eu sofrer com aqueles malditos sonhos! Por que você não quer nos contar?
- Nós não somos dignos de ter esse conhecimento.
- Você sabe!
- Exatamente. E eu perdi o que mais me era precioso. – o homem olha pela janela, seu olhar distante – E mesmo que os dissesse, Mai tem de aprender a lidar com seus poderes. Nada que descobri a ajudará, só a fará sofrer mais.
- Naru-chan, nós volt… Eh? – Ayako olha em volta, percebendo a tensão no ar – O que aconteceu?
- Mai, faça chá. Jonh, vá com ela.
- Eu? Por que? – a garota inclina a cabeça – Essa casa não tem empregadas?
- Mai, o que há de errado com você? – Hoshou a olha, sorrindo e bagunçando seus cabelos – Esqueceu que as empregadas fugiram?
- Oh. – ela sorri sem graça – Eu estava apenas brincando.
- Tem certeza de que está bem? –o monge a olha preocupado.
- Sim. Vamos, Jonh-san, acompanhe-me até a cozinha por favor. – ela sorri educadamente para o garoto de cabelos castanhos escuro.
- Eu sou o Yasuhara.
- Ah, eu sabia! – ela ri nervosamente, para então se virar para a porta – Vamos Jonh-san! – então ela sai pela porta.
Jonh olha para os amigos estranhamente e então segue a garota, antes lançando um olhar significativo para Naru. Todos ficaram em silêncio por alguns segundos, até Yasuhara quebrá-lo.
- Eu tenho uma teoria. – isso chamou a atenção de todos – Acho que os fantasmas estão sugando os neurônios da Mai-san.
- Garoto… — Hoshou suspira, balançando a cabeça.
- Ela me confundiu com um padre! Eu tenho cara de padre?! É por isso, Bou-san? É por isso que anda frio comigo quando estamos juntos? – o homem se aproxima do monge com lágrimas falsas, fazendo todos revirarem os olhos, mas sorrirem mesmo assim.
“Gene, ela está possuída.”
“Naru? Não, não é possível. Eu teria sentido. Ou então Hara-san.”
“E se o espírito for poderoso o suficiente para se disfarçar?”
“É muito pequena a chance de existirem dois espíritos com tamanho poder habitando o mesmo local.”
“É pequena, mas existe. E caso tenha esquecido, é da Mai que estamos falando aqui. Ela tem um alto nível de Pk. O espírito pode ser fraco e estar se utilizando dele.”
“Sempre com bons argumentos. Não mudou nada, hm, maninho?”
“Não é minha culpa se peguei o cérebro e a beleza.”
“Eu sou igual a você no aspecto físico!”
“Talvez. Mas continuo sendo o mais inteligente.”
- Noll, Mai e Matsuzaki-san estão voltando. – Lin avisa.
- Dê-me seu casaco, Gene. – o garoto estende a mão – E vocês não façam nada. – ele lança um olhar sério para o time, que apenas assente sem entender. – Rápido Gene!
- Aqui, aqui! – o mais velho dá seu casaco, recebendo o do irmão – O que eu faço com isso?
- O que você faz com uma roupa? – o irmão levanta uma sobrancelha, sua voz sarcástica, enquanto veste o casaco do irmão.
“Vamos brincar de ‘adivinha quem sou’, Noll?”
Naru apenas lançou um olhar a Lin e seu pai, que assentiram imediatamente e ficaram a postos. Então ele e seu irmão sentaram-se no mesmo sofá, um do lado do outro, na mesma posição, com a mesma expressão, e em suas mãos papéis sobre o caso. O resto do time ficou admirado com a igualdade dos dois e era difícil até para eles saber quem era quem. Bem, era impossível, a não ser que fosse na sorte. Eles ainda não sabiam diferenciar um do outro, mesmo com roupas diferentes.
Então a porta se abriu e Ayako entrou, sendo seguida por Mai que carregava uma bandeja com um bule e diversas xícaras de chá. Após entregar chá para todos, ela parou na frente dos gemeos, sua expressão indecisa.
- O que houve, Mai? – um deles pergunta.
- Por que nos olha assim?
- Hã… Aqui está seu chá, Noll…
- Eu sou o Gene.
- Ah, desculpe-me. Aqui está o seu chá, Gene.
- Eu sou o Noll.
- Não, eu sou o Noll.
- Você é o Gene. Parede confundi-la.
- Não, eu sou o Noll. Você é o Gene.
- Aqui está o chá dos dois, Gene, Noll. – a garota força um sorriso, pronta para se afastar dali o mais rápido possível.
- Mai, volte aqui. – Naru chama.
- S-sim?
- Eu, alguma vez, já a beijei? – todos na sala olharam chocados para o chefe, inclusive Martin, que apesar de ter uma ideia do plano, não tinha achado que o filho iria perguntar isso.
- Por que está me perguntando isso? É claro que não. – Mai sorri.
- Resposta errada. – o garoto diz, segurando o pulso da garota com força – Quem é você? Saia do corpo dela agora.
- O que?! – Hoshou se levanta, sua boca aberta – Você já beijou a minha Mai?! Quando foi isso?! É mentira!
- Estou…admirado. – Jonh sussurra.
- Vai nessa, chefe! – Yasuhara anima.
- Naru… — Masako sussurra, chocada com a revelação.
- Eu sabia! – Luella sorri, em pura felicidade.
- Diga agora! O que você fez para a Mai?! Eu vou acabar com você, Naru! – Hoshou diz, furioso.
- Cale-se. – Naru lhe lança um olhar, paralisando o homem.
- Quem é você? – Gene pergunta gentilmente para Mai, ou melhor, o espírito dentro dela.
- M-mai.
- A verdade.
- E-estou dizendo a verdade. Poderia me soltar, Gene-san?
- Eu sou o Noll. Mai nunca nos confundiria e ela não me chama de Noll, sim Naru. E ela nunca responderia àquela questão. Ela ficaria envergonhada, então gaguejaria algo incompreensível e sem sentido, e então gritaria comigo. Você não é a Mai.
- Isso faz sentido. – Ayako concorda – Mai é muito tímida para responder algo tão direto.
- Então… Naru-bou não fez nada para ela? – Hoshou olha para o chefe.
- Quem é você? – Naru pergunta, ainda olhando para Mai.
- M-meu nome é Catherine Felix.
- Oh, deus! – Luella arfa, abraçando o marido.
- Você sabe que está morta, não é? – Ayako pergunta.
- …Sim.
- Então por que não foi em frente?
- Eu… não posso. Ele está me prendendo aqui.
- E qual a sua razão de ter possuído a Mai?
- E-ela… Eu pensei que ela pudesse me ajudar. – então ela agarra o braço de Naru – Por favor! Por favor, me ajude! Eu só quero sair daqui! Ethan está esperando por mim!
- Você o viu morrer?
- S-sim, quero dizer não. E-eu… Nós estávamos juntos. Eu estava muito assustada e ele estava tentando me acalmar. D-daniel entrou no quarto e o arrastou para fora. Eu nunca mais o vi.
- Daniel? Você tem certeza? – Ryu pergunta, sério.
- E-ele estava usando uma máscara no dia, mas eu tenho certeza! Só podia ser ele! – a mulher no corpo de Mai diz, exaltada — Não tinha mais ninguém na montanha! Todos tinham medo de subir porque diziam que era assombrada por espíritos malignos. Ele levou Ethan para longe de mim e então eu nunca mais o vi! Ele o matou! – a mulher começa a chorar desesperadamente, soluçando e escondendo seu rosto com as mãos.
- Quem a matou? – Naru pergunta, ignorando completamente o desespero da mulher.
- Por favor! Eu imploro a você, por favor, me ajude! Eu só quero encontrar Ethan. Eu farei qualquer coisa que quiserem, mas me ajudem!
- Ela parece estar bem desesperada. – Hoshou sussurra para Ayako, que concorda, com pena da mulher. Por que algo tão ruim havia acontecido com ela? Catherine parecia ser uma mulher de bom coração, não alguém que merecia isso. Assim como Mai.
- Nós devíamos ajuda-la, Noll. – Luella diz, tocada pelo espírito.
- Primeiro, eu gostaria que me contasse tudo que consegue lembrar sobre Daniel. Tudo, não deixe nenhum detalhe de fora.
- Oh, obrigada! Obrigada, obrigada! – a face de Mai sorri brilhantemente, mas a expressão de Naru não se modifica. Não era a sua Mai ali.
Após duas horas, Catherine havia falado tudo que conseguia lembrar até o momento de sua morte.
- Você não lembra o local onde foi morta? – Gene pergunta – Pode nos ajudar.
- Desculpe-me, mas não. Estava frio, e tudo que eu via era meu reflexo sendo carregado por Daniel. Era como estar em um lugar cheio de espelhos.
- Interessante. – Ryu coloca a mão no queixo, pensando – E você disse que Daniel queria que você descobrisse seu nome?
- Sim. Todas as noite, ou dias… Desculpe-me, não sei quanto tempo eu fui prisioneira.
- Não importa. Continue.
- Ele vinha me ver, me dava comida e água, mas nunca me tocava. Ele apenas ficava me olhando. Mesmo quando eu gritava com ele, tentando convencê-lo a me libertar, ou jogava a bacia de água nele, Daniel nunca fazia nada contra mim. Ele continuava sentado, olhando-me. Algumas vezes, ele falava. Sua voz era abafada pela mascara que usava, eu nunca vi seu rosto. Ele me contava história sobre uma garotinha e um garotinho e logo em seguida, perguntava seu nome. Quando eu respondia, ele balançava a cabeça e então saia. Nesses momentos, eu sempre me sentia culpada. Não sei o motivo, mas era como se eu fosse a única culpada ali. A única que deveria saber, mas eu não sabia. Era como se eu estivesse machucando-o ao não saber responder.
- Mas você sabia! O nome dele era Daniel, não era?! Ele quem disse quando se encontraram! – Ayako diz, revoltada.
- Bem, isso só está ficando mais confuso. – Hoshou resmunga.
- Noll, já se passou seis horas. Nós temos que trazer Mai de volta. – Lin diz, sério.
- Mais uma coisa. Daniel nunca tirou a mascara na sua frente?
- Nunca. Eu pedi a ele, mas ele nunca o fez.
- Você saberia o motivo?
- Ele disse que estava se redimindo com seus pecados.
- Por esconder o rosto?
- Sim. Uma vez, eu tentei tirar a mascara dele e foi a única vez que o vi ficar realmente bravo. Mas ele nunca me fez nada.
- Foi quando ele a estava mantendo prisioneira?
- Sim.
- Entendo. – Naru olha para a janela, pensando, então olha novamente para o corpo de Mai – Catherine, você precisa deixar esse corpo. A garota dona do corpo irá morrer se você a usar por muito tempo.
- Oh, não! E-eu não sabia! Desculpem-me! Peço mil perdões! Eu só me empolguei um pouco já que é a primeira vez que consigo fazer isso. Eu só precisava pedir ajuda. E-essa garota, por favor, avise-a que eu não sei por mais quanto tempo poderei distrair Daniel. Ele a viu e tomou interesse nela. Provavelmente porque ela parece comigo, mas eu não acho que suas intenções são boas.
- Mai-san… — Jonh faz um sinal de cruz.
- Obrigada por me ajudarem. Eu realmente devo minha vida, ah, minha morte à vocês. Obrigada. – ela sorriu. Então Mai fechou os olhos, seu corpo cambaleou e então caiu para frente, mas foi pego por Ryu.
- Ela se foi. – Masako diz.
- Hm…
- Ah, ela está acordando. Mai, pode nos escutar?
- Hmm… sono… — ela murmura, então se retrai.
- Como se sente Mai-san? – Jonh sorri.
- Como se tivesse presenciado uma avalanche. – ela murmura, sentando-se, mas ainda se apoiando em Ryu – Obrig… Eh? Naru, por que está vestindo as roupas do Gene?
- Yep, nossa Mai! – Hoshou sorri e todos riem.
- Eh? Eh?! Por que estão rindo?! – a garota os olha, sem entender – Estranhos.
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- Então eu estava possuída pela Catherine-san? – Mai olha para os amigos, surpresa.
- Sim.
- Hmm… E vocês conseguiram descobrir alguma coisa que ajude?
- Yep! – Hoshou sorri.
- Que bom… — a garota suspira aliviada, agradecida por ter conseguido ajudar, mesmo que um pouco, Naru.
- Você não lembra de nada mesmo, Mai-san? – Jonh pergunta.
- Não. Eu lembro de estar na cozinha com vocês e então eu ouvi uma voz e tudo ficou preto. Então eu acordei e estava aqui.
- Bem, isso é normal. As pessoas não costumam se lembrar do que aconteceu enquanto estavam possuídas. – Gene sorri para a garota.
- Mai, você precisa treinar o seu cachorro.
- Ele é meu. – Nick diz – E é um lobo!
- Eh?
- Aquele monstro quase arrancou minha mão quando eu me aproximei de você! – Hoshou reclama – Parece até um guarda-costas!
- Eh… Que bonitinho! – Mai sorri, acariciando a cabeça de Light que abana o rabo e se aproxima dela – Você me protegeu desse hentai, Light? Muito bem! Vou te dar um pedação de carne! – ela ri quando o cachorro late.
- Aqui, Mai. – Ryu estende suas mãos que seguravam um prato com dois sanduíches e um copo de suco. – Você precisa se alimentar.
- Oh, muito obrigada, Ryu-san. – ela sorri.
- Pai, Lin, venham comigo. Bou-san, fique de olho nas câmeras e o resto de vocês, façam algo útil e parem de brincar. – Naru se levanta, andando para fora da sala e sendo seguido pelos dois homens.
- Hey, onde ele está indo? – Ayako pergunta e todos olham para Gene e Luella, que dão de ombros e sorriem.
Enquanto isso, Lin e Martin seguiam Naru, que andava pelo corredor como se estivesse sozinho. Ele não se pronunciou uma única vez, nem mesmo quando seu pai lhe perguntou para onde estava indo e por que. Então ele parou na frente do quarto de Edgar e bateu na porta.
- Pode entrar.
- Sr. Edgar, eu gostaria de lhe fazer algumas perguntas se não for um incomodo. – Naru diz calmamente, entrando no quarto.
- Oh, Oliver, entre, entre. Pode perguntar o que quiser. Estou realmente muito agradecido por estar me ajudando. Ainda mais com todas a coisas que tem acontecido com aquela garota, Mai, certo? Pobrezinha, ser feita de alvo.
- Pai, sente-se. Lin, fique atento a qualquer coisa incomum.
- Sim.
- Noll, para que tudo isso? O que você está planejando que não pode ser dito na frente dos outros?
- Vou ser objetivo. – o rapaz se senta na poltrona de frente para a cama – Quero que me contem tudo sobre Ryu-san.
- E-espere ai, Ryu? Por que? – Martin olha para o filho, surpreso – Você não confia nele?
- Não tenho nenhuma razão para tal coisa. Ele sabe de coisas que talvez possam nos ajudar, mas ainda assim se recusa a dizê-las.
- Noll, ele deve ter um motivo. Ryu nunca esconderia informações se soubesse que poderia evitar alguém de se machucar.
- Martin está certo. Em todos os anos em que o conheci, ele sempre foi um homem de honra.
- Homem de honra ou não, ele não é confiável. Ele mentiu para vocês. Se me lembro corretamente, ele havia morrido num acidente, não? Há sete anos atrás. Mas era tudo uma farsa. E mesmo vocês sendo seus melhores amigos, ele não se importou de dizer a verdade até agora.
- I-isso…
- Você sabe que o que falo tem lógica, pai. Não estaríamos aqui se o fato dele estar escondendo coisas fosse sem importância. Agora, pergunto a vocês: Quem é Ryu?
Os dois homens encaram o rapaz com seriedade, que não desviou o olhar em momento algum. Ambos sabiam por experiência que um olhar daqueles significava seriedade e bem, não tinham nada a esconder.
- Seu filho realmente sabe como intimidar as pessoas, Martin. – Edgar sorri para o amigo.
- Quando ele me olha assim eu me sinto uma criança que fez algo errado. – o homem admite, olhando para o filho com orgulho.
- Bem, por onde começar…
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- Hey, hey, já é quase onze da noite. Onde está o Naru-bou? – Hoshou pergunta, desviando o olhar das câmeras.
- Ele está demorando muito, não acham?
- Gene, querido, você sabe onde seu irmão está?
- Não, mãe. Noll não me falou nem entrou em contato.
- Bem, sendo Shibuya-san, deve estar fazendo algo relacionado ao trabalho.
- Mas por que ele não falou? Quer dizer, somos um time.
- É o Naru, Ayako. – Mai sorri – Ele não conhece a palavra time. Além disso, sempre que ele sai sozinho para resolver as coisas, ele volta com a solução. Vai ver essa é uma dessas vezes.
- E por que você está defendendo ele? Normalmente você é a primeira a reclamar.
- Bem, vamos apenas dizer que estou trabalhando em uma tese.
- Tese? – Yasuhara ergue uma sobrancelha.
- Sobre o que, Mai-san? – jonh pergunta, curioso.
- “Deixe o Naru sozinho e ele vai abrir seu coração naturalmente”. – a garota diz, orgulhosamente.
- Isso funciona? – Ryu pergunta, olhando para a garota.
- Quanto de sucesso você teve até agora?
- Hã… 5%? – ela ri sem graça.
- Isso, Mai, é o que as pessoas inteligentes como eu e Naru chamamos de experiência falha. – Masako diz e todos riem.
- Vejo que todos estão se divertindo ao invés de trabalhar. – a voz fria de Naru penetra o cômodo e todos se viram, vendo o garoto, seu pai e Lin entrarem.
- Querido! – Luella sorri, recebendo um beijo rápido dele, que se senta ao seu lado – Onde foram? O que estavam fazendo?
- Hmm… Apenas investigando o passado. – Martin sorri.
- noll? – Gene olha para o irmão, que simplesmente pega alguns papéis em sua mesa e se vira.
- Mai, Gene, vamos para o quarto agora. Lin, Yasuhara e Bou-san, o primeiro turno é de vocês. Depois serão Hara-san, Matsuzaki-san e Jonh. E lembrem-se, ninguém, em hipótese alguma, deve andar ou ficar sozinho. Quanto ao resto, estão dispensados.
- Sim!
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Era em volta das 6 da manhã quando Mai foi acordada por o som de um instrumento. Era leve e suave como uma pluma, puro como a luz, mas tão profundo como o oceano, sendo capaz de penetrar nas partes mais obscuras de sua alma.
- Tão lindo… — a garota sussurra, sentando-se e tentando ignorar o fato de cada músculo seu estar doendo – De onde será que está vindo?
Estava ficando mais alto. E mais bonito. Espere, o que eram aquelas luzes do lado de fora da janela? Por que elas brilhavam tanto? Eram estrelas? Mas ali, era quase impossível se ver estrelas. Havia sempre nuvens cobrindo-as. Talvez fossem lanternas… Sem chance. Quem estaria lá fora a essa hora da noite? Talvez ela devesse ir ver Ayako e os outros. Era o turno deles agora.
A garota olha ao redor, vendo Naru de Gene dormindo suavemente ao seu lado. Era incrível como os dois se pareciam tanto. E mais incrível ainda ver essa expressão tão serena em seus rostos enquanto dormiam. Ela sempre imaginou que Naru dormia com um olho aberto e outro fechado quando estavam em uma caso. Só assim ele chegava tão rápido onde ela estava quando tinha um pesadelo.
‘E lembrem-se, ninguém, em hipótese alguma, deve andar ou ficar sozinho’.
- Ele estava sério. E eu prometi que o obedeceria. – então ela parou e escutou. A música estava ficando mais fraca! – Naru. – ela sussurra, cutucando seu braço – Naru, Gene. – ela tenta de novo – Naru! – ela fala mais alto – Gene, acorda. Tem alguma coisa aqui. – ela tenta empurrar e puxar o garoto, mas ele não dá o menor sinal de acordar – Gene, Naru, acordem! – ela se aproxima da orelha de Naru, falando alto de propósito — Eu não estou brincando! – ela se afasta, irritada — NARU! – ela grita, já desesperada pelo fato da música estar ficando mais baixa – Ta bom! Se não quer acordar, fique ai! Se alguma coisa me pegar, a culpa vai ser de vocês dois, seus gemeos idiotas! – a garota empurra os lençóis e edredons para longe de si, saindo da cama, vestindo seu casaco e suas botas e indo para a porta, abrindo-a e vendo o corredor escuro a sua frente.
- Urgh, é lógico que vai estar escuro… — Mai resmunga.
Ela realmente deveria aprender a controlar sua curiosidade. Lançando um último olhar para os dois irmãos, ela fecha a porta atrás de si e vai andando pelo corredor, passo por passo, sempre olhando ao seu redor para ver se não havia algum espírito maluco indo fazer o lanchinho da meia-noite. Logo, ela chega a escada e para ao ver uma criança. Temerosa, a garota desce lentamente os degraus e para, deixando alguns metros de distância entre si e a criança.
- Q-quem é você? – ela sussurra e o garoto se vira, olhando-a surpreso – Aydan?! – a garota vai até ele, abraçando-o – O que você está fazendo acordado a essa hora? Onde está Lilian? E Nick? – quando o garoto não responde, ela percebe seu erro. Tinha falado em japonês. Mai logo repete a pergunta em inglês.
- Eu escutei uma música bonita. Meus irmãos não acordaram, então eu desci.
- Sozinho? Você sabe que é perigoso.
- Você está sozinha. – ele a olha e Mai hesita. Droga, toda pessoa britânica nascia com um cérebro de gênio? – E Light está comigo. Ele é corajoso. – o garoto sorri, apontando para o lobo a sua frente, que olhava para os dois atentamente, seus dois olhos azuis brilhavam na escuridão.
- Bom garoto, Light. Agora, Aydan, você deve voltar para seu quarto, okay? Fique lá e não saia de jeito nenhum. – Mai diz seriamente – Leve Light com você.
- Não! Não, não, não! Nick disse que um homem de verdade protege uma mulher! Eu sou um homem, vou proteger você, Mai! – ele diz, balançando a cabeça e segurando a mão da garota com força.
- Aydan… — ela sorri – Olhe, você é um homem só por ter a vontade de me proteger mesmo quando sabe que é perigoso. Vai ficar tudo bem comigo, por isso volte.
- Não! Não vou voltar! Mamãe disse a mesma coisa e ela nunca mais voltou! – o garoto abraça Mai com força e Light se aproxima, cutucando-o com seu focinho, como se estivesse confortando-o.
- Aydan… — a garota o olha, triste e então o abraça com força – Tudo bem, tudo vai ficar bem. Você é um homem muito corajoso, tenho certeza de que sua mamãe deve estar orgulhosa lá no céu. – ela sorri, limpando as lágrimas do seu rosto e do rosto do garoto – Você pode vir comigo, mas ter que ficar com o Light, ok? Não sai de perto dele e se alguma coisa acontecer, volte para dentro de casa e chame alguém, tudo bem?
Ele concorda com a cabeça e a garota sorri. Então ela se levanta, segurando firmemente a mão de Aydan e ruma para a porta de entrada. O som vinha lá de fora. Continuava tão belo e atraente quanto antes. Mai abriu a porta lentamente, antes lançando um olhar para a câmera no segundo andar, que pegava toda a escada, o hall e a porta de entrada em suas lentes. Ela esperava que Jonh ou quem quer que estivesse na base a visse e viesse ajuda-la se algo acontecesse. Por esse motivo, quando ela pisou fora da casa, deixou a porta aberta.
Estava frio. Flocos de neve caiam lentamente, mas tanto a garota quanto o garoto sabiam o quão perigoso a neve podia ser. Era como uma moeda de dois lados.
- Mai, t-tem alguém a-ali!
A garota dá mais alguns passos para frente, descendo os três degraus e pisando na neve, sentindo suas botas afundarem. Light se posta na frente da garota, rosnando, com seus dentes para fora, pronto para atacar qualquer um que apresentasse perigo para ela e Aydan. Ela cerrou os olhos, tentando enxergar melhor e pode ver um homem, de costas para si, usando uma capa branca. Ela pode ver mais uma coisa: seus cabelos, dourados como o sol, distribuídos por sua cabeça em cachos, caindo na altura de seus ombros.
- Hã, com licença. – ela chama – Q-quem é você?
A música parou por alguns segundos, e todas as pequenas luzes que dançavam ao redor do homem pararam. A garota recuou, assustada, mas logo a música recomeçou.
- Aydan, vá chamar alguém. – ela sussurra – Corra para dentro de casa e chame o Na…Oliver. Você lembra dele? Chame-o aqui, por favor.
- Não, eu não vou deixar você sozinha!
- Aydan, eu não posso proteger nós dois. Oliver pode. Chame ele e Eugene. Rápido!
- M-mas…
- Não se preocupe. Quando você chegar aqui, eu ainda vou estar aqui. Não vou deixar fantasma nenhum me levar. – ela sorri, beijando a testa do garoto gentilmente e o empurrando em direção a casa – Agora, vá!
- E-espere por mim! – o garoto corre para dentro de casa e assim que ele entra, a porta se fecha num estrondo seco. Mai engole um seco e se vira, dando de cara com um peitoral coberto por uma capa branca..
- Kyaa! – ela grita, caindo na neve e usando suas pernas para se afastar dele. Mas para sua surpresa, ele só fica parado, observando-a. Ela abre os olhos, subindo seu olhar lentamente pelo corpo do homem, parando em sua face e perdendo o fôlego. Ele era lindo… Sua pele era branca como a neve, seus olhos azuis como o oceano, seus lábios eram finos e se apresentavam na forma de um sorriso carinhoso. Seus cabelos dourados apenas destacavam seu rosto perfeitamente esculpido. Se Naru estivesse ali, ela não saberia dizem qual dos dois era o mais bonito. O homem a sua frente era como um anjo que caiu do céu, enquanto Naru era como o anjo das trevas que possuía um bom coração. Ambos eram extraordinários.
“Yiyan também é como um anjo…”
- Você está bem, Mai?
- S-sim… — ela responde em inglês – Quem é você?
- Isso não é importante. Você tem que me ajudar. Nos ajudar. – ele a olha e a garota cora com a intensidade de seus olhos – Ele está se perdendo. Se continuar assim, sua alma não poderá mais ser salva. Por favor, eu lhe imploro, você é a única que pode salvá-lo.
- M-mas eu não sei o que fazer…
- Estive esperando tanto tempo por você. Ele me disse que viria. E estava certo.
- Quem disse?
- Por favor, ajude-o. Ele é a única coisa que me restou. Eu não quero ir em frente sem saber que ele será salvo.
- De quem você está falando?
- Eu não sei por quanto tempo mais poderei enganá-lo. Todas essas pobres almas estão sendo mantidas aqui… Mas não é culpa dele! Ele nunca machucaria ninguém se pudesse evitar! Ele está sendo controlado. Por favor, ajude-o! – o homem cai na neve, ajoelhado a sua frente, seus olhos tomados pela tristeza – Por favor, Mai.
- C-como sabe meu nome? – ela pergunta, segurando Light firmemente, que encarava o espírito com ferocidade.
- Aquele garoto de maneiras rudes a chamou assim.
- N-naru?
- Diga a ele para se proteger. Ele sabe sobre os poderes que o corpo desse humano o qual chama de Noll possui e quer tomá-los. Você tem que protegê-lo.
- Eu vou! Farei qualquer coisa. – a garota se aproxima – Diga o que eu tenho que fazer. Diga quem eu devo salvar.
- Salve-o. Seu coração é mais puro que a neve, eu posso ver. Você é a única que pode. A alma dele é gentil e pura, mas está sendo corrompida por aquela mascara!
- Mascara? – a garota o olha, surpresa – Você quer dizer que Daniel não está fazendo tudo isso de propósito?!
- Eu sou Daniel. – o homem diz, olhando-a curiosamente. – Sou eu quem está protegendo seus amigos. Eu os aviso antes dele chegar. Eu os disse para fugir, mas eles não me escutaram.
- Es-espere ai! – Mai pede, completamente confusa – Se você é Daniel, quem eu devo salvar?
- Meu irmão gêmeo, Damon.
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