Eterno
6 Capítulo 7
Notas iniciais
- Elas já chegaram? – Martin pergunta pela milésima vez num período de trinta minutos.
- Não, pai. – Gene responde. Naru já havia desistido de responder há muito tempo.
- Luella prometeu trazê-las de volta antes de anoitecer.
- Você sabe como mamãe é. É a primeira vez que ela tem outras garotas além da Madoka para sair e se divertir.
- Elas chegaram. – Lin anuncia, olhando para a porta. Alguns segundos depois, cinco mulheres entram, rindo.
- Cheguei, querido! – Luella sorri, suas mãos cheias de sacolas de diversas marcas.
- Owo, vocês compraram a cidade inteira? – Hoshou pergunta, olhando para as dezenas de sacolas.
- Quase. – Ayako diz, sentando-se no sofá e largando as sacolas a seus pés – Meus pés estão me matando.
- Eh, Mai-san, você só comprou isso? – jonh pergunta, olhando admirado para as quatro sacolas nas mãos da garota.
- Não. Eu ganhei essas. – Mai sorri – Eu comprei isso! – ela ergue uma pequena caixinha azul.
- Isso? – Gene olha para as outras garotas e então para Mai – Por que?
- Bem, eu não tenho tanto dinheiro assim para gastar. – ela sorri – Olhe! – ela corre até ele, sentando-se ao seu lado e abrindo a caixinha. No mesmo momento uma doce melodia começa a tocar.
- Está vazia.
- É claro. É um porta-joias. – ela declara, sorrindo.
- Por que comprou isso? – Hoshou pergunta – não seria melhor uma roupa ou Cd?
- Bem, eu gostei mais disso. – Mai responde – Agora eu tenho um lugar para guardar o colar que Naru me deu.
- Ela é uma idiota. – Ayako resmunga.
- E o que é isso, mai? – Hoshou pergunta, olhando para as sacolas.
- Ah, são os presentes que eu ganhei. A Ayako me deu esse vestido. – ela aponta para a sacola vermelha – A Masako me deu um casaco lindo, super quentinho – ela sorri, aprontando para outra sacola – Luella-san me deu aquela mochila e um conjunto de roupas.
- Você esqueceu o meu presente, Mai. – Madoka sorri, encostada no peito de Lin.
- Madoka me deu isso. – Mai murmura, apontando para uma sacola preta.
- O que é isso? – Martin pergunta, pegando a sacola e escutando risadinhas das garotas.
- Nada! – Mai diz, levantando-se e pegando a sacola de volta.
- Ah, vamos Mai, mostre-nos. – Gene pede, sorrindo.
- Não é nada. – ela murmura, vermelha.
- Se não é nada, por que está tão nervosa sobre o fato de vermos? – Naru pergunta.
- Naru-bou está certo, Mai.
- Não vou mostrar!
- É apenas uma roupa, Mai. – Luella sorri, levantando-se, pegando a sacola e jogando para Naru – Abra.
- Não! – mai tenta pegar a sacola, mas Luella segura-a, impedindo-a de se mover. – Não, Naru!
- Abra, Naru-bou! – Hoshou anima, curioso.
- É, Noll. Todos queremos ver. – o garoto olha para Mai, que balançava a cabeça, implorando para ele não abrir. Lógico, isso só o fez mais curioso.
Naru desfez o laço que fechava a sacola, ignorando as risadas de Ayako, Madoka e sua mãe e o pedido de Mai para ele parar. Ele abre a sacola e olha dentro. Todos assistem ansiosamente ele mostrar o que havia dentro da sacola, mas ele simplesmente ficou olhando, o que fez as garotas rirem mais ainda e Mai desejar enfiar sua cabeça em um buraco, igual um avestruz.
- O que é? O que é? – Hoshou pula na cadeira, ansioso. Gene se aproxima do irmão, puxando o conteúdo para fora da sacola e estranhando a textura contra seus dedos. O queixo de Hoshou cai, Jonh vira o rosto, Lin olha o objecto sem expressão, Martin sorri e Gene simplesmente olha entre a roupa e Mai.
- Linda, não é? – Madoka pergunta, rindo e olhando para o conjunto de roupas íntimas que Gene segurava. Era uma calcinha cinta-liga vermelha com detalhes pretos e um sutiã quase transparente preto com alguns detalhes vermelhos.
- Vocês deveriam ver ela usando. – Ayako diz, entre risadas.
- Ayako!!! — Mai grita, completamente vermelha, tomando a roupa das mãos de Gene e jogando dentro da sacola – Satisfeitos?!
- Você não deveria estar embaraçada, Mai. – Luella sorri – Homens simplesmente adoram esse tipo de coisa.
- Eu não quero saber! – Mai diz, cobrindo seus ouvidos com as mãos.
- Bem, ela está certa. – Martin sorri, abraçando a mulher – Conseguiu algum para você, meu amor?
- Claro. – Luella sorri, beijando o marido.
- É lógico que ela conseguiu um. – Mai resmunga – Assim como Ayako e Madoka. Então, Ayako? Para quem você vai mostrar o que comprou? – ela sorri maliciosamente ao ver o rosto da miko vermelho e o monge ao seu lado desviar o olhar para as sacolas.
- Bem, vamos deixar as roupas íntimas para de noite. – Martin sorri – Mai? Está pronta para tentar alguns experimentos?
- Desde que não envolva me colocar só de calcinha e sutiã. – Mai resmunga – Vou apenas guardar as sacolas, Martin-san. – então ela corre para fora da sala, subindo as escadas, indo até seu quarto e colocando as sacolas na cama. Ela corre de volta, vendo Naru, Gene e Martin rumando para a sala de estar.
- Eh? Onde estão indo?
- Laboratório. Venha. – Martin sorri e Mai segue os homens.
Eles entram na sala de estar e Mai observa Martin apertar um pequeno botão na parede, fazendo uma porta abrir-se e revelar uma escada. Gene sorri ao ver a expressão admirada da garota e dá um leve empurrão nela, incentivando-a a continuar. Mai desce as escadas com cuidado e sorri, aliviada ao ver uma luz.
Ao sentir a luz invadindo seus olhos, ela os fecha, parando de andar e assim não cair, como sempre parecia acontecer. Aos poucos ela abre seus olhos, acostumando-se ao ambiente aos poucos. Todas as paredes eram brancas. Haviam diversos aparelhos e várias cabines fechadas. Mai reparou que haviam também alguns ratos brancos enjaulados e viu um pequeno labirinto. Então ela reparou numa espécie de maca no canto da parede e imaginou para que servia.
- Mai, você está vendo essa cama? – um homem pergunta, sorrindo gentilmente.
- Sim, papai.
- Essa é a cama dos sonhos.
- Eh?
- Se você deitar nela e sonhar, papai vai poder ver por essa telinha aqui com o que você está sonhando.
- Então eu vou sonhar com você, papai! – a garota declara, rindo e subindo na maca.
- Vai ratinho-san! — a garota anima, observando o rato correndo pelo labirinto – O queijo-san está pertinho! Para direita! Não, ratinho-san! Ai não! Isso, você consegue! Para frente, ratinho-san! Isso! — a garota comemora ao ver o rato comendo pequenos pedaços do queijo – Papai! Papai! Olhe, eu ajudei o ratinho-san a encontrar o queijo!
- Bom trabalho, Mai. — o homem sorri, desviando a atenção de sua prancheta.
- Papai, o ratinho-san me ouviu, né? Por isso ele conseguiu encontrar o queijo. – a garota sorri – Yoshi! Ratinho-san, vou ajudar você a conseguir mais queijo!
- Mai?
- Sim, papai? – ela desvia sua atenção do rato branco, que percorria o labirinto novamente.
- Que tal ajudarmos a plantinha do papai, agora?
- Eh? Papai! – a garota ri – Plantinhas não comem queijo.
- Eu sei, Mai. Mas essa plantinha está morrendo. Você não quer que ela morra, quer?
- Não! Eu vou ajudar a plantinha. Ratinho-san, espere um pouco. – a garota pula da cadeira, correndo até o vaso de planta.
- Mai? – Gene olha para a garota que estava parada a alguns minutos, olhando fixamente para o labirinto em miniatura.
- O que houve? – Martin se aproxima, preocupado.
- Não sei. Ela simplesmente está parada olhando para o labirinto. É como se estivesse hipnotizada.
- Mai? Você está bem? – Martin toca o ombro da garota que dá um pulo e solta um gritinho.
- Martin-san, você me assustou! – ela reclama, ofegando.
- O que houve, Mai? – ele sorri.
- Eu não sei. – ela volta a olha para o labirinto – Eu sinto com se já estivesse em um lugar parecido com esse antes.
- Noll a levou em algum laboratório no Japão?
- Eh? Não. – então ela se vira, sorrindo – Então? Que experimentos quer fazer comigo, Martin-san?
- Bem, vamos começar com o básico. Vou perfurar seu crânio, conectar alguns fios ao seu cérebro e estimulá-lo com pequenos choques e ver como reage. – ao ver a expressão apavorada da garota, ele sorri – Estou brincando.
- Não tem graça!
- Noll?
- Sim? – o garoto desvia o olhar do painel a sua frente.
- O que devemos fazer com sua pequena assistente?
- O teste do labirinto. Começar com algo fácil e despertar o poder dela aos poucos.
- Ele está certo. Colocar Mai para fazer um teste real no começo pode ser perigoso.
- Então iremos começar com o teste do labirinto. – Martin declara.
- O que é isso?
- Bem, colocaremos um rato nesse labirinto miniatura e você terá de guiá-lo até o queijo.
- Mas ele sente o cheiro do queijo, não?
- Não. Há uma substância que inibe o cheiro. Pense como se estivesse guiando um cego pela rua. – Martin sorri.
- Okay.
- Está tudo pronto. – Naru declara, posicionando-se ao lado do pai.
- Obrigado, filho. – ele sorri – Pronta, Mai?
- Acho que sim.
- Tudo bem. Lá vai! – Martin aperta um botão e uma pequena portinha no labirinto se abre, liberando o rato.
- Ratinho-san, a sua frente o queijo está. À esquerda não, à direita é a opção.– Mai começa a cantarolar, atraindo a atenção de Gene e Martin
Tic tok, tic tok,
O relógio bateu
E o queijo você escolheu.
Em frente, em frente
Sempre a seguir
Dobre a esquerda se quer conseguir.
Tic tok, tic tok,
O relógio bateu
Mais rápido
E queijo vai ser seu.
Primeiro a direita
Depois a esquerda
Dê meia-volta
Você se perdeu.
Pare, ai não tem saída
Dê meia-volta
E volte para a corrida.
Parabéns ratinho-san
O queijo agora é seu.
Mai finaliza, sorrindo. Os três homens ficam em silêncio, olhando para a garota estranhamente.
- Mai, o que foi isso?
- O que foi o que? – ela se vira, sorrindo.
- Essa canção.
- Oh, bem bonitinha, não? Meio que veio na minha cabeça enquanto eu olhava o ratinho. Não sei por que, mas acho que alguém cantava isso para mim.
- Noll, quais os resultados? – Martin olha para o filho, que encarava a folha de papel estranhamente.
- 83%.
- O que? – Martin pega a folha – Você tem certeza?
- O computador deve ter se enganado, não? – Gene olha para o pai, tentando sorrir – Ninguém nunca conseguiu mais de 70% nesse teste.
- O computador não se engana. – Naru diz – Mai conseguiu 83%.
- Isso é bom… Certo? – ela pergunta hesitantemente.
- Bem… Ninguém nunca conseguiu isso antes, Mai. – Martin diz – A mente do rato e do ser humano funcionam em diferentes frequências e é difícil estabelecer uma relação entre as duas para você conseguir guiar o rato.
- Eu consegui 31% nesse teste, Mai. – Gene sorri.
- Eu consegui 19%. – Naru diz.
- E você, Martin-san?
- 7%.
- Então… o computador está errado, certo? É impossível eu conseguir tudo isso quando o Naru e o Gene não conseguiram.
- Mai, esse teste não tem nada haver com inteligência.
- Então minha cabeça funciona como a de um rato? – Mai pergunta, confusa. Gene ri levemente a pergunta.
- Não, Mai. Significa que você é capaz de estabelecer fortes relações mentais com outros seres. O PK-LT tem grande influência nesse teste e parece que o seu é bem mais forte do que esperávamos.
- Eh? Mas não disseram que eu era um Naru mais sorridente?
- Sim, mas era apenas uma suposição. Agora, temos a comprovação.
- Então… Eu posso explodir coisas com minha mente? – Mai pergunta.
- Não. Mas pode controlar os seres vivos ao seu redor.
- Sério?! – Mai sorri, alegre – Naru! – o garoto a olha — Vá fazer chá para mim! – Mai ordena, sorrindo triunfantemente. O garoto simplesmente a olha, sem expressão.
- Faça você mesma. – então ele se vira, andando para outro computador.
- Eh? Eh?!! –Mai olha confusa para Gene, que ria da garota. – Você disse que eu podia controlar as pessoas!
- Desculpe, Mai. – ele sorri, bagunçando seus cabelos – Não dessa vez.
- Venha aqui, Mai. – Martin chama, sentado em uma cadeira em uma pequena mesa – Sente-se. – ele menciona a cadeira a sua frente. Gene pega o lugar ao seu lado, enquanto Naru senta-se na ponta da mesa com uma prancheta, fazendo algumas anotações.
- Que teste é agora?
- Noll disse que seu instinto é muito forte, o que aponta para um grande poder de clarividência. Quero ver se funciona apenas quando está em perigo ou, bem, funciona em qualquer situação.
- Não diga que eu vou ter de adivinhar todas essas cartas. – Mai pede, olhando para as 10 cartas a sua frente.
- Bem, sim e não.
- Eh?
- As dez cartas são do número 1 ao 10 do naipe copas. Quero que sem vê-las, você as coloque em ordem crescente.
- O que?! – Mai o olha, incrédula – É impossível!
- Pense que sua vida depende disso. – Gene sorri.
- Ah, lógico. Como se minha vida fosse depender de adivinhar cartas de baralho. – ela diz ironicamente, olhando para as cartas.
- Vocês tem um minuto. – Naru avisa.
- O que?! – Mai olha freneticamente para as cartas.
- Acalme-se, Mai. Deixe seu instinto lhe guiar. Tente ver através das cartas. — Gene sorri, acariciando as costas da garota gentilmente, fazendo-a relaxar aos poucos. Lógico, ignorou completamente o olhar do irmão.
- Obrigada. – Mai sorri, então respira fundo e olha para as dez cartas a sua frente. Ela estica a mão para a 4ª e a puxa. Logo, vai puxando outras cartas e colocando uma na frente da outra.
- 10 segundos. – Naru avisa.
- Acabei. – Mai sorri.
- Você esqueceu uma carta.
- Não, eu deixei de fora mesmo. – Mai sorri.
- Mai, você não pode deixar uma carta de fora. – Gene diz.
- Mas eu sinto que ela é diferente. – Mai diz.
- Noll, vire as cartas.
- 1, 2, 7, 3, 5, 6, 4, 8, . Você errou três. – Naru olha a garota, que sorri.
- Só três!
- Desvire a outra. – o garoto obedece, revelando um 10 de paus.
- Pai. – Naru olha o homem – Você pegou a carta errada.
- Eh? – o homem pega o resto do baralho de seu bolso, olhando-as – Ah, Luella deve ter misturado as cartas. – ele sorri – Desculpe, Mai.
- Esqueça. – Gene se levanta – Esses testes não são importantes. Eu quero que ela aprenda a se defender em seus sonhos agora que não posso protegê-la.
- Eh? Defender de que?
- Em alguns sonhos, você vive a vida do espírito. Todas as experiências traumáticas. Você sente a dor, o medo, o ódio, o amor, tudo. – Mai treme ao lembra do caso Urado – Eu quero que você se proteja disso.
- Mas como eu faço isso?
- Vamos simular algo da sua memória naquela sala e queremos que tente bloquear os sentimentos.
- Eh? – Mai o olha, sem entender nada.
- Deixe-me explicar. Eu entendo a língua dela. – Naru diz e Mai lhe lança um olhar – Vamos fazer você reviver algo, de preferência uma experiência que provoque a você emoções ao máximo, e queremos que bloqueie essas emoções. Quando sentir medo, bloqueie e não sentirá mais. Isso é chamado de bloqueio mental, Mai.
- Oh, entendi.
- Apenas tente não destruir o laboratório, ok? – Gene sorri.
- Eh?
- Noll destruiu o laboratório inteiro da primeira vez que fez o teste. – Martin sorri – Ele tinha nove anos apenas.
- Eh? Ele foi para o hospital? Você está bem? – Mai pergunta, olhando para Naru.
- Aconteceu anos atrás.
- Quando ele não sabia controlar seu PK ainda.
- Hey, Lin me disse que ele estava ensinando você a controlar o Pk. Mas antes de você aprender, como você controlava?
- Eu ajudava. – Gene sorri – Meus poderes serviam, ainda servem, como uma espécie de canalizador ou bloqueador para o PK dele. Então, desde que eu esteja perto dele, Noll não precisa de tanta concentração para impedir seu PK de ser liberado.
- Então vocês tem que ficar juntos o resto da vida? Viver juntos, trabalhar juntos, comer juntos…
- Não. Eu sobrevivi três anos sem ele, posso sobreviver minha vida também. – Naru responde.
- Estou magoado, Noll. – Gene coloca a mão sobre o coração – Você não quer ficar perto do seu irmão?
- Eu tenho minha própria vida. – Naru se levanta, afastando-se e entrando em uma sala.
- Não se preocupe, ele ama você, Gene. – Mai sorri.
- E você? Me ama também?
- Sim, eu amo você, Gene! – Mai sorri e o garoto hesita – Você é meu melhor amigo!
- Oh, obrigado, Mai. – ele sorri – Eu a amo também.
- Bem, eu acho melhor eu ir ajudar o Noll. – Martin sorri, levantando e afastando-se.
Passam vário minutos até a sala de simulação finalmente estar pronta e a cada minuto Mai ia ficando mais nervosa. E se os poderes dela não se mostrassem? Ou se mostrassem e fossem demais e acabassem machucando alguém? E se ela acabasse liberando poder demais e dessa vez acabasse morrendo? Não, não, eles nunca permitiriam isso. Mas qual memória eles a fariam reviver? Ela esperava que não fosse a do caso Urado ou a do Caso Hiroshi. Ela realmente não queria mais lembrar daquilo. Nunca mais.
- Mai, está tudo pronto. – Gene sorri, tirando a garota de seus pensamentos. – Pronta?
- C-claro. – Mai força um sorriso, levantando-se e acompanhando o garoto até Naru e Martin.
- Pronta?
- O que eu devo fazer? – Mai pergunta, olhando entre o três.
- Iremos colocar aquele capacete em você e… Calma, ninguém vai lhe dar um choque. – Martin sorri e a garota relaxa – O capacete fará você reviver algumas coisas ou experienciar novas coisas. Você só tem que se concentrar e bloquear qualquer emoção que vier.
- Como eu faço isso?
- Bem, isso é para você descobrir. Por isso chamamos de teste. – Gene sorri.
- Então só tenho que bloquear qualquer emoção? E se for feliz?
- Bloqueie com mais força. Se você deixar qualquer sentimento passar, ficará mais vulnerável. – Naru a olha – E você é muito influenciada pelos sentimentos alheios.
- Não sou! – Mai retruca.
- Sim, você é. – Gene concorda – Por isso é importante que você consiga ao menos bloquear parte deles antes de começarmos o caso amanhã.
- Vai dar tempo?
- Nós temos toda a noite. – Naru diz sem expressão.
- Toda…a noite? – Mai engole um seco. Ela não queria ficar acordada a noite toda. Era melhor ela se esforçar e aprender logo. Sem tempo para brincadeiras.
- Entre. – Martin menciona para uma porta e Mai entra, ouvindo a porta se fechar atrás de si. – Coloque o capacete. – a voz ecoa pela sala branca e ela olha em volta, procurando algum microfone. Dando de ombros, ela obedece e coloca o capacete em sua cabeça, surpreendendo-se com a leveza.
- E agora? – ela olha para o trio de homens pelo vidro transparente.
- Agora o computador vai analisar imagens formadas por resquícios da sua memória e vamos reenviar para você, fazendo-a reviver tudo.
- Oh.
- Vamos estar monitorando seus batimentos cardíacos pelo computador, então saberemos quando você atingir seu limite. Não se preocupe com nada, sim Mai? – Martin sorri.
- Sim. – a garota sorri, agradecida por ele estar tentando acalmá-la.
- Estou desligando as luzes. – Gene avisa e Mai fecha os olhos, respirando fundo.
Ao abri-los novamente, ela vê apenas escuridão. Parecia muito com seus sonhos, ela tinha que admitir. Como será que Naru havia se sentido ao fazer esse teste? Será que ele estava com medo assim como ela?
‘Não, estou ficando nervosa. Lembre-se, bloquear qualquer emoção.’
- Mai.
- Eh? – a garota olha ao redor, assustada. Alguém tinha falado seu nome.
- Eu não quero morrer.
Aquela voz… Não havia erros. Era a mesma voz do caso Urado. Sentindo seu coração acelerar, a garota olha em volta, cautelosa. Ela podia ouvir pés se arrastando, o som de gotas caindo no chão.
- Eu quero seu sangue.
- Não… — Mai olha freneticamente ao seu redor, procurando de onde vinha a voz. Aquele som, como se um corpo estivesse sendo arrastado pelo chão fazia calafrios percorrerem o corpo da garota.
- Me ajude!
Ela queria sair dali. As vozes em sua cabeça eram demais. Todas pediam ajuda. Todas queriam salvação. Ser salvas daquele monstro sedento por sangue. Mas ela não podia fazer nada.
- Eu não quero morrer!
Mai se vira, assustada. Ela podia ouvir aquela respiração ofegante bem perto de si. O corpo deformado ao longo dos anos se aproximando do seu, os grandes e assustadores olhos lhe observando fixamente, aqueles dois pares de mãos se estendendo e agarrando seus pulsos.
- Não! – Mai grita, tentando se libertar. Ela estava assustada.
- Mai. Mai!
- Não! Pare! – ela grita novamente, esquecendo-se completamente do objetivo daquilo. Aquelas mãos frias agarravam com força seus pulsos, ela agora não conseguia mover suas pernas. Sua cabeça parecia que iria explodir a qualquer momento. Suas orelhas doíam com os milhares de sussurros que chegavam a elas.
- Nos ajude. Nos ajude! NOS AJUDE!!!
Mai queria sair dali. O medo consumia seu coração. Ela não queria morrer. Ela queria viver. Sorri com seus amigos, brincar, rir das piadas que Hoshou contava, acabar com as brigas da miko e do monge, se irritar ao ser ofendida por Masako, se envergonhar por algo embaraçoso que Yasuhara diz. Ela queria viver com todos, rir com eles, enfrentar espíritos juntos, divertindo-se, ajudando um ao outro.
- Eu não quero morrer! – uma voz arrastada sussurra em seu ouvido, fazendo a garota fechar os olhos com força, balançando a cabeça de um lado para o outro.
Mai pensa em Naru. Ela havia acabado de se confessar para ele e o garoto havia dito que sentia o mesmo. Eles haviam se abraçado, se beijado, dormido juntos. Ela queria fazer todas essas coisas de novo. Ela queria ir em encontros com ele. Ver ele sorrir novamente, e quem sabe rir por algo que ela falasse.
- Me dê seu sangue.
Mai abre os olhos. Ela não ficaria mais assustada. Aquilo não era real. Os espíritos haviam morrido. Ela não podia se prender aos sentimentos deles. Ela não podia amar por eles. Não podia sorrir por eles. Não podia temer por eles. Não podia odiar por eles. Não podia viver por eles.
- Eu não quero morrer!
‘ Você já está morto. Eu não posso fazer nada por você. Eu não posso sentir o que você sente.’
- Eu não quero morrer!!!
Mai respira fundo, relaxando todo seu corpo. As mãos se afastavam de seus pulsos e tornozelos. Os sussurros estava desaparecendo, a voz sumira, o som de passos não mais existia e o medo não habitava mais seu coração.
- Mai.
Quem? De quem era aquela voz?
- Você é especial, Mai.
Por que era tão gentil? Tão calorosa. Por que a fazia se sentir tão amada? Por que soava como se fosse algo importante, mas que fora esquecido?
- É o nosso segredinho, okay?
Que segredo? De quem? Por que sua cabeça estava doendo?
- Mai, eu te amo.
- Não. – a garota sussurra, colocando as mãos na cabeça – Não.
- Mai. Mai.
- Não!
- Minha princesinha.
- Não! – a garota cai de joelhos no chão, pressionando suas mãos contra sua cabeça. Quem estava sussurrando? Por que seu coração doía tanto?
- Desligue. – Naru diz, observando a garota caída no chão.
- Mas Noll…
- Desligue agora. – o garoto repete mais alto, andando até a porta e abrindo-a, ligando automaticamente as luzes.
- Eu sempre estarei com você.
- Não, não! – a garota murmura, em dor.
O que era aquilo? Por a machucava tanto? O teste não havia acabado? Por que ela não conseguia bloquear suas emoções? Por que seu coração parecia estar ansiando para encontrar o dono da voz?
- Mai. – Naru chama, ajoelhado ao seu lado.
- Não!
- Desligue! – Naru diz mais uma vez, observando em dor a garota que amava sofrendo.
- Mai, não mostre seus poderes para ninguém.
- Pare!
- Tenho que trabalhar. Não se preocupe, eu sempre estarei com você em seu coração.
- Mai, pode me escutar? – Naru pergunta, ouvindo passos atrás de si e vendo seu irmão parar ao seu lado.
- O que está acontecendo, noll?
- Eu não sei.
- Ela parece estar… em dor. – Gene sussurra, olhando tristemente para a garota que se contorcia no chão, as lágrimas caindo por sua face.
- Pai, desligue isso!
- Mai.
- Não…
- Desligue! – ele diz.
- Noll, eu já desliguei. – a voz de Martin chega ao ouvido dos irmãos, que olham para a garota sem entender.
- Não, pare! Pare!
- Mai!
- Chame Matsuzaki-san, agora. – Naru ordena.
- Não. Não, por favor. Pare…
- MAI!!!
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