Eterno
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Bem, como ja ta tarde para caramba, vou só postar aqui e dormir. Aproveitem.
PS: quem le também minha história "Blackwhite", por favor, desculpem, mas ainda vai demorar um pouco para sair os capitulos. Desculpem.
- Monstro! Monstro! Você é um monstro! – a musiquinha ecoava em seus ouvidos.
- Parem! Parem! Eu não… Parem!
- Monstro! Feio! – eles agora dançavam ao seu redor, arremessando pedras em seu corpo. Cada uma parecia uma faca, atravessando sua alma, mutilando-a lentamente.
Por que estavam machucando-o? O que ele havia feito? Eles não sabiam que aquilo doía? Não percebiam que ele só queria fazer amizades? Por que todos o tratavam como se ele fosse um…monstro?
- Vá embora! Não precisamos de um monstro aqui! – as risadas enchiam seus ouvidos e ele não podia ouvir mais nada.
- Eu não sou um monstro! – ele grita inutilmente. As pedras continuavam a atingir seus braços e pernas.
- Ninguém quer você aqui! Monstro, monstro! Foi abandonado pelos pais! Monstro!
Era verdade? Será que sua existência era um erro? Seus pais se arrependiam por ele ter nascido? Mas não era sua culpa. Ele também não queria ter nascido assim. Por que ninguém o entendia? Por que ele havia nascido assim? Ele era mau? Ele estava sendo castigado?
- Não… Eu não…!
- Vá embora, seu monstro! – uma garota ri, jogando uma pedra e correndo para longe.
- Monstro! Não queremos você aqui! – outros garotos dizem, jogando mais pedras.
- Monstro, monstro! Você é um monstro! – a música recomeçava, fazendo seus ouvidos doerem, seus olhos escurecerem, todo o seu corpo latejar em dor.
Por que não paravam?! Já não era o suficiente humilhá-lo, machucá-lo e chamá-lo de monstro? Não era sua culpa! Era tão insuportável assim ficar perto dele? Ele só queria amigos. Alguém para brincar.
- Monstro!
- Não… — o sussurro é fraco, mas algo dentro de si parecia estar mudando. Revoltando-se.
- …i.
- Monstro!
- Não sou… — o ódio aumentava. Ele iria perder o controle.
- …ai!
- Monstro!
- EU NÃO SOU UM MONSTRO!!!
- Mai! – a garota abre os olhos lentamente, acostumando-se a luz. – Já chegamos.
- Eh? – a garota olha para Naru, confusa. Então ela olha para os lados e percebe que não estavam mais a quilómetros de altura, mas sim no chão. Finalmente.
- Vamos. – o chefe se vira, andando pelo corredor e desaparecendo.
Mai olha pela janela e o vê descendo escadas. Ela se levanta, correndo para alcança-lo. Assim que ela pisa fora do avião, sente uma leve brisa fria em seu rosto. Ela olha ao redor, vendo construções distantes. Gene havia dito que do aeroporto para a cidade mesmo era um pouco distante. Ela olha para o céu, imaginando o quão diferente ele era do que ela via do Japão. Então ela finalmente percebe que todos já estavam lá na frente.
- Ah! Esperem! – ela desce as escadas pulando de dois em dois degraus, e então correndo em direção aos amigos.
- Quase fica para trás, hã? – Ayako olha para a garota.
- Eu me distrai. – Mai sorri sem graça.
- Cuidado para não se perder, Mai. – Hoshou sorri, passando um braço ao redor dos ombros dela – Vamos ficar assim até o caso acabar, ok?
- Claro, Bou-san. Vamos para todos os lugares juntos. Comer, dormir, tomar banho, ser perseguidos por espíritos vingativos...
- Esqueça. – ele se afasta e Mai ri.
- Masako-san, já veio aqui antes? – Jonh pergunta, sorrindo.
- Não. Mas já fui a uma conferência na Alemanha e nos EUA. – ela responde, esperando sua vez para ter seu passaporte checado.
- Eh… Você fala inglês, Masako?
- Um pouco. – após alguns minutos, todos tem seus passaportes checados e seguem em frente.
- Hey, aqui, Mai! – o grupo escuta a voz de Madoka, olhando em direção a origem da voz e vendo a família Davis, Lin e Madoka, que sorria, acenando.
Eles se juntam a eles e juntos vão para a saída, onde encontram três carros esperando.
- Ah, a direção é ao contrário! – Mai olha admirada.
- Vamos, coloquem suas malas nesse carro e se acomodem nos outros dois. – Martin diz, sorrindo. Um por uma vão guardando suas malas e entrando nos carros.
- Esse é um carro bem espaçoso. – Jonh comenta, entrando.
- Mai? Cade sua mala? – Martin olha para a garota que havia lhe dado apenas uma mochila. – Você esqueceu?
- É essa mochila. – a garota sorri ao ver o olhar de surpresa do homem – Eu não tenho tantas coisas assim. – ela se vira, entrando em um dos carros.
- Mai, aqui. – Gene sorri, batendo no lugar ao seu lado que dava vista para a janela.
- Obrigada! – ela sorri, sentando-se ao lado do garoto e observando quem estava consigo. Hoshou, Ayako, Yasuhara, Jonh e Masako.
O percurso é rápido. Eles se entretêm conversando entre si, enquanto Mai simplesmente olhava pela janela, extasiada com a beleza do local. Era como se ela houvesse voltada na história, vendo todos aqueles prédios velhos e de arquitetura antiga. Lógico, existiam vários prédios modernos também, mas tudo era tão diferente do que ela estava acostumada em Tóquio.
- Mai? – Gene a chama.
- Hm? – ela pergunta, sem tirar os olhos da janela.
- Bem vinda a Inglaterra.
- Minha nossa…
- Enorme.
- Ricos. São podres de ricos.
- Olhe o tamanho disso.
- É milhões de vezes maior que minha casa.
- Do que estão falando? – Martin olha para o grupo japonês, que olhava de boca aberta para a casa, ou melhor, mansão a sua frente – É uma casa normal, não?
- Acho que a definição dele de normal se deteriorizou por viver nesse casarão. – Yasuhara comenta.
- Não é tão grande assim. Temos uma maior em Oxford. – Luella diz, sorrindo.
- Acho que vou entrar em depressão. – Hoshou murmura, subindo as escadas e entrando dentro da casa, sendo seguido pelos amigos.
- Incrível. – Mai murmura, olhando ao redor.
As pinturas, a decoração, os móveis lindos, parecidos terem sido tirado de livros antigos de histórias. A casa era enorme. Ao passar pela porta de entrada, havia o hall. Do lado esquerdo havia uma passagem para a sala de estar e nessa havia uma porta que levava a um escritório, tendo nele uma espécie de sala subterrânea, onde havia um laboratório. Do lado direito do hall havia outra passagem que levava a sala de jantar e á cozinha. Ainda no térreo havia uma porta, ao lado da escada, que dava para um quarto com uma cama de casal e uma de solteiro.
No segundo andar, seguindo o corredor a direita, havia três portas. Uma levava a um banheiro, outra a um quarto de casal e outra a uma sala de estar, com lareira e uma estante que ocupava uma parede completa. Ali era usado como lugar de leitura, além de ter uma pequena adega com várias bebidas. Se seguisse o corredor em frente, encontraria o quarto de Luella e Martin. Se seguisse o corredor a esquerda, encontraria o quarto de Noll, o de Gene e um outro, apenas com uma cama e uma pequena escrivaninha.
- Bem, agora que mostrei a casa para vocês, vou dizer onde são seus quartos. O quarto lá embaixo é para os homens. Aqui em cima, duas garotas ficarão no do corredor a direita e uma ficará no do corredor a esquerda, perto dos quartos de meus filhos. – Luella sorri, piscando para Mai que sorri sem graça.
- Fico no de casal. – Ayako declara – Então? Qual de vocês vai comigo? – ela olha para as duas amigas.
- Espere. Onde o Lin e a Madoka vão ficar? – Mai pergunta.
- Na casa da Madoka. Sabe como são esses jovens de hoje. – ela sorri maliciosamente – Então está decidido!
- Eh?
- Mai, você fica no da direita e Hara-san fica com Matsuzaki-san. – ela sorri – Aviso vocês quando o jantar estiver pronto. – ela desce as escadas, cantarolando.
- Ela já tinha decidido antes, não? – Hoshou pergunta, seguindo a mulher com os olhos.
- Sim… — Jonh sorri, sem saber o que falar.
- Bem, vamos. – Ayako pega o braço de Hoshou e Yasuhara – Me ajudem a pegar minhas coisas.
- Eu vou guardar minhas coisas. – Mai sorri, dando a volta e seguindo o corredor em direção a seu quarto temporário.
O quarto em si era muito parecido com o seu. Uma cama de solteiro, um guarda-roupa e uma mesinha vazia. Havia uma janela em cima da cama, que mostrava um belo jardim, ou quase. Ali já era outono também, então toda a vegetação estava se preparando para o inverno.
Mai colocou sua bolsa em cima da mesa e deitou-se, encarando o teto marrom.
- Psiu! – Mai se senta ao ouvir uma voz, olhando ao seu redor.
- Oi? – ela chama – Gene? Não tem graça. – ela dá mais uma olhada pela quarto, antes de voltar a deitar-se, pensando se aquilo havia sido apenas sua imaginação. Então ela escuta uma risadinha.
- Onee-chan.
- Okay, Gene, isso não tem graça! – Mai se levanta, indo até a porta, abrindo-a e olhando o corredor vazio. Ela fica alguns segundos ali, até sentir alguém puxando sua blusa e se vira. Ela olha o quarto vazio, desconfiada. Ela vai até o guarda-roupa, abrindo-o, mas não encontra nada. Ela olha embaixo da cama e da mesa, suspirando ao não ver ninguém.
- Acho que estou ficando louca. – ela murmura, deitando-se.
- Você não está louca, Onee-chan. – Mai olha para o lado, vendo um garotinho em volta dos sete anos sentado, olhando-a e sorrindo. Algo sobre ele não parecia normal.
- Q-quem é você? – Mai se senta devagar, sem tirar os olhos dele.
- Mike. – ele sorri – E você?
- M-mai. V-você mora aqui? – ela pergunta.
- Não. Eu sou um espírito, vê? – ele desaparece, deixando apenas o som de sua risada e então reaparece. – Posso estar onde quiser.
- Por que ainda está aqui? – ela olha melhor para ele. Mike tinha os cabelos loiros, e os olhos bem verdes, suas roupas eram uma calça e uma camisa. Não parecia haver nenhuma razão para ele ainda estar nesse mundo.
- Eu gosto daqui. – ele sorri – Esse mundo é divertido e eu tenho uma missão secreta!
- Você pode me dizer qual é? – Mai sorri.
- É segredo. – ele sussurra, depois rindo e desaparecendo.
- Mike? – ela olha em volta – Mike? Onde você está?
- Boo!
- Ahh! – Mai da um pulo para fora da cama – Mike!
- Viu uma fantasma, Mai-nee-chan? – o garoto pergunta, rindo.
- Não faça isso! – ela o olha, irritada – Quase tive um infarto.
- Você já deveria estar acostumada, não? – ele sorri, flutuando e girando.
- Ei! O que é aquilo? – ela pergunta, olhando para uma pequena corda saindo do teto.
Curiosa, ela dá a volta na cama, procurando algum buraco ou algo que explicasse o fato de ter uma corda saindo do teto.
- Ei, Mik… — ela se cala ao ver que o fantasma não estava mais consigo. – Há, não vai me assustar dessa vez. – ela murmura, voltando a olhar para a corda.
Em um pulo, ela pega a corda e puxa, fazendo com que uma parte do teto se desprenda, revelando uma escada. A garota olha para a porta de seu quarto, tentando escutar algum barulho que indicasse alguém no corredor, então olha para a escada, perguntando-se se devia subir. O problema era que sempre que ela resolvia dar uma de aventureira, sempre caia em problemas. Sejam fantasmas vingativos, um chefe irritado, uma bronca; ela tinha um talento incrível para atrair o indesejável.
- Mas é só um sótão, não? – ela sorri – E eu estou na casa do Naru. Se fosse assombrada, ele já teria posto o fantasma para correr. – satisfeita com sua solução para o problema, Mai sobe as escadas lentamente, olhando para a porta a cada dois degraus. Finalmente ela chega ao final e lançando um último olhar a porta, ela entra no sótão. Estava escuro, então ela abriu seu celular, deixando a pequena luz iluminar o chão para que ela não tropeçasse em algo. Ela esperou alguns segundos até seus olhos se acostumarem com a parcial escuridão e então começou a andar, olhando ao seu redor. O lugar era consideravelmente vazio. Apenas algumas caixas ou livros empilhados, pequenas bugigangas e pronto. Ela olhou para a entrada, atenta a qualquer barulho que causasse o interrupção de sua pequena aventura.
De repente seu pé bate em uma caixa, fazendo-a cair, abrindo e revelando seu conteúdo. Mai hesita antes de sentar e pegar um dos álbuns que haviam caído da caixa, colocando-o em seu colo. Ela limpa a capa, tracejando os desenhos com seus dedos e sorrindo. Ela o abre, curiosa para ver o que guardava em seu interior, e seu queixo cai ao descobrir.
Na primeira página havia uma foto de dois garotos idênticos, com seus olhos azuis e cabelos negros, a pele branca como uma página de livro e suas roupas perfeitamente arrumadas. O fundo da imagem mostrava um jardim verde, cheio de flores, com um pequeno lago no canto. Mas os dois garotos não pareciam movidos com a bela paisagem. Suas expressões estavam vazias assim como seus olhos. Sem sentimentos, sem vida.
Mai imaginou o por quê de estarem assim.
- Ah. – ela olha para a pequena inscrição embaixo da foto – “Noll e Gene, meus filhos. 8 anos” – ela leu em inglês. Mesmo se fosse escrito, Mai ainda podia sentir a emoção por detrás das palavras. Ela olhou para os dois garotos e não pode deixar de sorrir ao ver os dois de mãos dadas, como se estivessem suportando um ao outro, apoiando-se.
A próxima foto mostrava Naru, ainda criança, sentando em uma poltrona gigante com um livro no colo e uma expressão séria no rosto. Embaixo dela havia uma foto de Gene olhando para o nada e com uma expressão risonha no rosto. A próxima foto mostrava os gemeos com Luella e Martin. O casal sorria em pura felicidade, enquanto Gene sorria levemente, mas Naru continuava sem expressão. Na próxima página havia duas fotos: uma mostrava os gemeos em volta dos 12 anos, com a versão mais jovem de Lin e Madoka. Incrivelmente, nas fotos, Naru não usava preto.
Ela foi passando as páginas, tentando conhecer Naru e Gene quando mais jovens. Eles com certeza sempre foram bonitos.
- Ah. – Mai deixou sua mão cair.
A foto agora mostrava Naru com smoking e uma bela mulher ao seu lado, pendurando-se no braço dele e sorrindo. Ela sentiu uma vontade imensa de arrancar aquela foto dali e queimá-la, mas se conteve ao ver a expressão de irritação e desgosto no rosto do chefe. Tudo bem, a expressão dele não revelava nada, mas Mai havia se habituado a descobrir as emoções dele observando pequenos gestos ou posições, ou apenas com um olhar. Depois de se acostumar ficou até mais fácil perceber o que ele sentia apenas observando seus olhos. Lógico, aquilo não mudava nada o fato de Mai se revoltar com ele quando não recebia um obrigado ou por favor.
Ela passou a página, sorrindo e observou Gene na foto com sua mãe. A próxima mostrava Luella e Naru, outra mostrava a mãe e os dois filhos e outra mostrava toda a família. Mai fechou o álbum, sorrindo e pegou os outros dois, começando a olhá-los.
Sem perceber, o tempo foi passando. Segundos, minutos, horas. Ela não havia percebido, mas a escada havia se fechado, então se alguém entrasse em seu quarto, não saberia que ela estava ali. Mai fechou o álbum, rindo levemente da última foto onde Gene abraçava o irmão que tentava se libertar com uma expressão irritada. Era a mesma foto que Naru segurava quando ela o viu chorando, ou pelo menos derramando uma lágrima. Mai sorriu ao finalmente arrumar as caixas e se virou, pronta para sair dali, mas parou ao ver uma foto no chão. Curiosa, Mai a pegou. Naquele momento, se alguém houvesse a encontrado ali, pensaria que ela era um fantasma.
- Eles estão procurando por você, Mai-nee-chan. – Mike aparece, sorrindo – É melhor você voltar antes que seu namorado mate todo mundo. – ele ri e Mai o olha, com um grande sorriso no rosto.
- Quero só ver a cara dele quando ele souber o que eu tenho. – o sorriso de Mai aumenta e a garota saltita até a escada, empurrando-a e descendo de volta para seu quarto.
Após levantar a escada até ela não ser mais notada, Mai abre a porta de seu quarto, andando pelo corredor, sempre sorrindo. Ela desce as escadas e escuta vozes vindas da sala de estar. Ela vai até lá, abrindo a porta e sorrindo.
- Oi! – Mai cumprimenta animadamente.
- Mai! – Hoshou corre, engolfando a garota em um abraço apertado e de tirar o fôlego. Literalmente.
- Bou…ar… orro… ar!!! – Mai diz, empurrando o homem e respirando profundamente, tentando preencher seus pulmões vazios. – Bou-san! Você realmente tem que colocar menos força. Qualquer dias desses eu vou acabar morrendo sufocada!
- Mai! – dessa vez é Luella que a abraça – Eu estou tão feliz que esteja bem.
- Hã? – a garota olha para os amigos sentados no sofá, que a olhavam com expressões entre alivio e felicidade. – O que aconteceu?
- Você sumiu! – Hoshou diz, abraçando a garota de novo – Eu pensei que um fantasma tinha vindo e raptado você!
- Eu não sumi! – Mai diz – Eu estava aqui o tempo todo.
- Eu fui chamá-la para jantar e seu quarto estava vazio. – Jonh diz – Nós procuramos por toda a casa, até no jardim e você não estava em lugar nenhum, Mai-san.
- Espere, Jonh. Que horas são?
- 8 da noite.
- O que?! – Mai grita – M-m-mas eu só fiquei lá por alguns minutos!
- Lá onde, Mai? – a voz fria de Naru chega aos ouvidos da garota, que se vira, assustada.
- Mai, estou feliz que esteja bem. – Gene sorri ao lado do irmão.
- Onde você estava? – Naru pergunta novamente, perfurando a garota com seu olhar afiado.
- S-s-sotão. – ela responde, desviando o olhar.
- Eu vou tirar isso do seu salário. – Naru diz de repente, virando-se.
- O que?! Por que? Eu já disse onde estava!
- Mai, você não tem de mentir. – Gene sorri – Se você saiu para olhar a cidade, diga.
- Mas eu não sai! Eu estava no sótão!
- Essa casa não tem sótão. Pare de mentir. – Naru se vira, olhando-a com uma irritação jamais vista pela garota.
- Hm, na verdade tem sim. – Luella sorri para os filhos.
- Viu? Eu não estava mentindo! – Mai olha para Naru, irritada. Por que ele não havia confiado nela? Alguma vez ela tinha mentido para ele? Nunca. Ela sempre confiava nele, então por que ele não podia fazer o mesmo?
- Eu meio que usei um espaço para fazer esse sótão e guardar algumas coisas lá.
- Muito útil para algumas besteiras que não tinham mais lugar aqui. – Martin sorri.
- Então? – Mai olha para o chefe, colocando as mãos na cintura – Não tem nada para dizer?
- Não.
- Diga que você sente muito por ter me acusado de algo que eu não fiz.
- Eu não acusei você de nada.
- Você me acusou de mentir! – o chefe fica calado. Gene olha para a garota e o irmão, então sorri.
- Desculpe, Mai.
- Eu não quero que você se desculpe por algo que ele fez. – Mai retruca.
- Eu também pensei que estava mentindo. – ele sorri – Desculpe.
- Tudo bem. – Mai sorri docilmente para ele – Viu? – ela volta a olhar para o chefe – Isso é ter educação.
- Você é a única que deveria estar se desculpando. – Naru diz, olhando-a seriamente.
- Eu não fiz nada! Você fez, você se desculpa!
- Mai, eu não acho que o Naru-chan vai se desculpar. – Ayako diz.
- É melhor esquecer. – Yasuhara sorri. – Estamos felizes que não aconteceu nada.
- Não! Ele vai se desculpar ou então… — Mai sorri maliciosamente.
- Você está me ameaçando? – Naru se aproxima dela, seus olhos afiados como uma lâmina.
- Não. – Mai sorri – Então? Vai dizer desculpa? Ou vou ter que mostrar o que consegui para todo mundo? – ele continuou calado – Okay. Você quem pediu por isso. – Mai tira uma foto do bolso, mas a deixa colada a seu peito, então ninguém veria.
- Hey, hey, o que é isso? – Hoshou sorri, aproximando-se.
- Como eu sou uma boa pessoa, vou mostrar a você primeiro. – Mai sorri e dá um passo em direção a ele, mostrando-lhe discretamente a foto. Os olhos do garoto se arregalam, mas logo voltam ao normal. Ou quase.
- Está arrependido, hã? – Mai sorri – Tarde demais. – ela se vira, pronta para revelar a grande foto, quando vê de relance algo se movendo em sua direção.
- Devolva. – ele diz, depois de tentar arrancar da mão dela.
- Diga que sente muito. – Mai sorri, segurando a foto com força.
- Devolva. – Naru diz, tentando novamente pegar.
- Diga que sente muito! – Mai repete, correndo para detrás do sofá.
- Hey, hey, mostra para a gente! – Ayako reclama – Quero saber o que faz o Naru ficar tão irritadinho. – ela sorri.
- Eu também! – Hoshou sorri – O que tem nessa foto?
- Mai! Devolva isso ou você irá se arrepender. – Naru ameaça.
- O que vai fazer? Diminuir do meu salário?
- Se for preciso.
- Eu posso conseguir outro trabalho. – ela diz, esquivando-se.
- Qual é Noll, não deve ser tão ruim assim. – Gene sorri.
- Você está na foto também. – Naru diz, olhando o irmão.
- Me desculpe, mas não lembro de nenhuma foto na qual eu tenha feito algo embaraçoso. – Gene diz, totalmente despreocupado.
- Nós não fizemos nada embaraçoso. – Naru diz, pulando o sofá e agarrando Mai pela cintura.
- Não! Me solte! – Mai tenta se libertar.
- Nós permitimos nossa mãe fazer algo embaraçoso conosco.
- Ahh! Aquela foto! – Luella ri.
- Diga o que é, Luella-san! Por favor! – Hoshou pede, sorrindo.
- Bem, eu até poderia se não tivesse feito uma promessa de nunca mostrá-la a ninguém.
- Você prometeu destruir aquelas fotos também. – Naru retruca, tentando pegar a foto da mão de Mai e segurá-la ao mesmo tempo.
- Se desculpe e eu vou devolver!
- Pare de se mover. – Naru ordena, mas a garota ignora.
- Desculpe, Mai. – Gene aparece de repente, tomando a foto da mão dela e rasgando.
- Eh? Ahh, Gene! – ela é solta pelo chefe, que pega os pedaços da foto e joga no fogo. – Ahh!
- Acabou a brincadeira. – Naru olha para a assistente, sério.
- Seu idiota! – Mai grita – Eu só queria que se desculpasse! Não ia mostrar para ninguém! – ela se vira, correndo para fora da sala.
- Mai, o jantar! – Hoshou grita.
- Não estou mais com fome! – ela grita, já no fim das escadas.
- Oho ho, Naru-bou, você deixou a ojou-chan bem brava.
- O que vai fazer, Noll? – Martin pergunta – Você deveria se desculpar.
- Ela desapareceu. Ela se desculpa.
- O problema é que ela não desapareceu. Nós que não procuramos direito. – Yasuhara sorri.
- E de quem seria a culpa? – Naru olha para a mãe.
- Eu?
- Você omitiu o fato de haver um sótão.
- Eu esqueci. – ela sorri – Apenas diga que sente muito, Noll. Ela vai desculpá-lo.
- Ok, ok, vamos jantar, sim? – Gene interrompe a discussão – Tenho certeza de que depois eles vão dar um jeito de fazer as pazes.
- Gene-bou está certo. Não é como se eles nunca brigassem. – ele sorri.
A refeição foi servida e eles comeram, conversando e escutando Luella falar sobre as maravilhas de Londres. Naru ficou calado durante toda a refeição, apenas se pronunciando quando sua mãe o chamava. Gene olhava para o irmão, ligeiramente preocupado. Ele sabia que era uma briga infantil e que logo um dos dois cederia, mas ele não queria que seu irmão perdesse a única pessoa com quem se importava e gostava, apesar de não admitir.
- Estou satisfeito. – Naru declara, levantando-se.
- Espere, Noll. Você não quer chá?
- Não. – ele diz, saindo da sala e subindo as escadas em direção ao seu quarto.
Naru para em frente a porta, com a mão já na maçaneta. Ele fica olhando para a madeira, então olha para trás, exatamente para a porta do quarto de Mai. Ele fecha os olhos, respirando fundo e volta no corredor, parando agora em frente ao quarto dela.
- Mai. – ele chama, batendo na porta. Nenhuma resposta – Mai, sou eu, estou entrando. – ele abre a porta, olhando dentro do quarto e vendo a garota na cama, deitada de costas para ele. Ele fecha a porta atrás de si e anda até a cama, observando-a.
- Eu sei que não está dormindo, Mai. – ele diz, sentando-se ao lado dela na beira da cama.
- O que você quer? – ela pergunta, irritada e sem olhá-lo.
- Olhe para mim.
- Não quero.
- Mai, olhe para mim. – ele pega o rosto dela e vira-o gentilmente – Você… estava chorando?
- Não.
- Não negue.
- Diga logo o que quer, Naru. – ela resmunga, passando a mão nos olhos e limpando algumas lágrimas.
- Sinto muito por ter a acusado de mentir. – os olhos da garota se arregalam.
- Naru… — ela sorri.
- Mas, o que você fez também foi errado.
- Eu não fiz nada!
- Mai, você desapareceu por três horas. Todos estavam procurando por você. Minha mãe queria ligar para a policia.
- Mas eu estava aqui!
- Sim, mas você não avisou ninguém aonde estaria. Você tem ideia do quão preocupada minha mãe e meu pai estavam?
- M-me desculpe. E-eu não queria causar problemas…
- Você tem ideia do quão preocupado eu estava? – ele vira o rosto dela novamente, fazendo-a olhá-lo nos olhos.
- V-você e-estava preocupado? – ela o olha, surpresa.
- Sim. Isso faz parte dos sentimentos, não é? Você disse que amigos e amantes dividem os sentimentos, o que significa que o que você faz não afeta só você, mas os outros ao seu redor. – ele se inclina, encostando sua testa a dela e encarando seus olhos castanhos.
- M-me desculpe… — Mai sussurra, seus olhos marejando.
- Como eu posso ser seu namorado se nem mesmo consigo protegê-la aqui, na minha própria casa?
- Naru… — a garota o olha, emocionada – Obrigada! – ela o abraça com força, surpreendendo o garoto – Mas sabe… Você não precisa me proteger de tudo.
- Você é uma idiota. Você atrai perigo mesmo quando dorme o dia inteiro. Se eu não proteger você, quem vai?
- Então eu vou proteger você também. – Mai declara, determinada.
- E como vai fazer isso? – Naru a olha, claramente não dando crédito a ela.
- Eu vou chutar todo fantasma que chegar perto de você. – ela sorri.
Naru a olha por alguns segundos, como se para certificar-se de que ela estava séria, então sorri, quase uma risada.
- Você realmente é algo.
Naru a olha por alguns segundos, hesitante. Ele deveria fazer alguma coisa agora, tipo abraçá-la ou beijá-la?
- Agora é a hora que você me beija e nós fazemos as pazes, Naru. – ela sorri, pegando o colarinho do casaco dele e puxando-o para si, beijando-o gentilmente. Então ela escuta uma risadinha e abre os olhos.
- Kya! – a garota empurra o rapaz, vermelha.
- O que? – Naru a olha, surpreso.
- Ele fica olhando para a gente. – ela murmura e Naru segue sua linha de visão, vendo apenas um quarto vazio.
- Mai, não tem ninguém aqui.
- Tem sim. Ali. – Mai aponta para o fantasma, que ri – Por que está rindo?
- Ele não pode me ver. – Mike sorri, empurrando Naru para fora da cama.
- O que… — Naru olha para Mai.
- Não fui eu! Foi ele.
- Mai? – a voz de Gene vem pela porta – Você está acordada?
- Pode entrar! – Mai diz, sentando-se na cama. Gene entra, sorrindo e então vê o irmão.
- Veio fazer as pazes? Ah, olá Mike. – Gene sorri para o fantasma, que dá uma risadinha sapeca.
- Então você vê?
- Claro.
- Por que tem um espírito na casa, aniki? – Naru pergunta – Por que não o exorciza?
- Bem, eu já tentei, mas ele não vai embora.
- Eu tenho uma missão secreta! – Mike diz, flutuando de cabeça para baixo.
- Que ele ainda não disse qual é. – Gene sorri, sentando-se na cama ao lado da garota.
- Não! Bye. – Mike sorri, desaparecendo.
- Nossos pais sabem sobre isso?
- Não vejo motivos de contar para eles, Noll. Mike ainda não indicou ser um perigo.
- Gene?
- Sim, Mai?
- Quando Martin-san quer fazer os testes?
- Amanhã. Mamãe prometeu trazê-la de volta das compras antes de anoitecer.
- Compras?
- Nossa mãe quer levar as garotas para a cidade para fazer compras.
- Oh, Ayako irá adorar isso. – Mai sorri, então olha para o chefe – Por que está parado ai? Senta aqui, Naru. – ela puxa a mãe dele, fazendo-o sentar-se do seu outro lado. – Vocês já trocaram de lugar?
- Sim. – Gene sorri – Costumávamos fazer isso muito quando éramos crianças.
- Oh! – Mai ri, pegando seu celular.
- O que está fazendo?
- Vocês estavam muito fofos aqui. – ela ri, olhando para os dois garotos em vestidos rosas e lacinhos no cabelo. – Estavam trocados também?
- Não. Você tirou uma foto da foto?
- Sim.
- Apague. – os dois dizem simultaneamente.
- Por que? – ela aperta o celular contra o peito.
- Porque estamos dizendo. Apague. – eles dizem novamente juntos.
- E se eu não quiser?
- Você não tem escolha.
- Por favor! – Mai pede, sorrindo – Por favor!
- Você pode ter outra foto, Mai. Essa não.
- Mas essa é a mais legal.
- Mai. – Naru a olha, sério e a garota suspira, apertando alguns botões e então apagando a foto.
- Ta ai. Satisfeitos?
- Sim. – os dois dizem.
- Chatos. – ela se deixa cair na cama – Hey? Agora que estamos aqui, eu tenho que chamar vocês de Oliver e Eugene?
- Apenas se quiser. – Gene ri do forte sotaque da garota.
- Não vejo a graça.
- Você não vê graça em nada, Noll.
- Eu sou capaz de rir.
- A última vez que você riu de verdade foi quando éramos pequenos e mamãe se fantas… — Gene se cala ao ver a expressão do irmão – Me desculpe, Noll.
- Eu estou bem. – ele diz, friamente.
- Fazer essa expressão não é estar bem. – o irmão mais velho diz, com um olhar triste.
- Olhar para mim assim também não.
- Me desculpe. – Gene sorri, virando-se para a garota – Mai?
- Ela dormiu. – Naru se levanta, sendo imitado pelo irmão. Ele puxa o cobertor, cobrindo a garota e então percebe o olhar do outro sob si – Sim?
- Carinhoso, não? – Gene sorri.
- Se ela adoecer, será um problema.
- Entendo. Se ela adoecer, você não vai poder beijá-la. – o sorriso dele aumenta ao ver a expressão irritada do irmão.
- Você está falando coisas sem sentido.
- Claro, sem sentido. – Gene se vira, indo até a porta – Boa noite, Noll. – então ele sai. O garoto fica parado ali por alguns segundos, pensando.
- Naru… — ele olha para a garota ao ouvi-la murmurar seu nome.
- Boa noite, Mai.
Mai olhou ao redor, reconhecendo a linda paisagem de um jardim e sorrindo. As flores exalavam diferentes perfumes, os pequenos animais corriam de um lado para o outro, fazendo a garota se perder numa sensação de cheiros e cores. Ela sempre gostara da natureza e ali era simplesmente incrível.
- Olá, Mai. – a garota escuta alguém dizer atrás de si e se vira, sorrindo.
- Oi!
- Como foi a viagem?
- Foi divertida. Quase não tive tempo para ter medo. – ela diz, observando um coelho pulando em sua direção.
- Fico feliz. Mas esse não é o motivo pelo qual a chamei aqui.
- E qual é? – ela pergunta, acariciando o bichinho. A aura ao redor dela parecia atrair tudo, até mesmo o mais perigoso e selvagem animal.
- Você deve voltar, Mai. Estará em perigo se for para aquela casa. – as capas flutuam, pequenos passarinhos voando ao seu redor.
- Você está falando do caso? Por que? – Mai pergunta, totalmente atenta a ele.
- É perigoso. O ódio e o rancor são fortes lá. Se você for, irá se machucar.
- Como você sabe?
- Não vá.
- Mas eu não posso deixar meus amigos irem sozinhos. Eu não vou me salvar sozinha. Além disso, já estou acostumada a ser perseguida por fantasmas. – ela sorri.
- Nunca irá se acostumar a isso. – ele se aproxima e ergue o que Mai pensa ser sua mão, encostando-a em seu rosto – Você é tão bela e gentil, Mai. Seu coração sempre tem amor para dar, não importando para quem seja.
- Eh? Não sou tão maravilhosa assim… — ela abaixa o olhar, vermelha.
- Um coração tão puro como esse não deve ser maculado com os sentimentos negros. Olhos tão bonitos e expressivos como esses não deveriam ver a escuridão que consome os humanos. Mãos tão macias e gentis como essas só deveria tocar o que há de mais belo no universo.
- V-v-você está me embaraçando…
- Afaste-se da escuridão. Afaste-se da casa. E principalmente… Afaste-se do seu namorado.
- Hm... – Mai virou-se, empurrando o lençol com os pés para fora de seu corpo e sentindo a brisa fria tocar sua pele. Ela abriu os olhos lentamente, esperando os raios de sol invadirem-nos, mas nada veio. Esticando a mão cegamente, Mai tateou a pequena mesinha de cabeceira, e pegou seu celular. 5:57 da manhã.
- Odeio fusos horários… — grunhi a garota, virando na cama e encarando o teto. Nunca, em toda a sua vida no Japão ela havia acordado antes das seis da manhã. Tudo bem, eram apenas três minutos de diferença, mais ainda assim…
Mai ficou ali por um bom momento, pensando se deveria sair da cama e ver se alguém estava acordado. Duvidava. Quem em sã consciência acordaria a essa hora, ainda mais depois da viagem cansativa de ontem? Talvez ela devesse apenas ficar ali e tentar voltar a dormir. Uma pena ela saber que não dormiria novamente. Não depois daquele sonho.
A garota se senta, esticando seus braços e bocejando, então percebendo que ainda usava as mesmas roupas de ontem. Pensando em como ela havia dormido sem se trocar, Mai se levanta, indo até sua mala e pegando uma muda de roupas. Ela vai ao banheiro, despindo-se e tomando um rápido, mas relaxante banho. Vestida, de cabelo arrumado e de dentes escovados, Mai sai de seu quarto, andando pelo corredor em direção as escadas.
Ela parou no primeiro degrau ao ver a porta da sala de leitura aberta e observou, pensando se deveria olhar ou não. Dando de ombros, Mai retirou seu pé da escada e continuou no corredor, curiosa. Ao parar de frente para a porta, ela tentou escutar algum barulho que provasse a presença de alguém na sala. Não escutando nada, Mai empurrou a porta lentamente.
- Pensei ter ensinado você a bater antes de entrar. – a calma voz de Naru chega a seus ouvidos.
- Bom dia, Mai. – diz Gene ao ver a garota entrar.
- Bom dia Gene. Engasgue-se, Naru. – Mai responde, sorrindo para os dois irmãos.
- O que está fazendo acordada tão cedo?
- Não consegui dormir mais. – ela diz, olhando ao redor, admirada com a estrutura da sala.
Era grande, todas as paredes tinham estantes que iam do chão ao teto, todas ocupadas por livros, exceto uma, onde havia um pequeno bar e uma estante com diversos CD’s e uma Tv de plasma e no centro da parede, uma lareira, que no momento estava apagada.
- Por que estão acordados tão cedo? – a garota pergunta, olhando para alguns livros e sorrindo ao ver que todos eram sobre paranormalidade.
- Nós acordamos essa hora. – o mais velho responde, recebendo um olhar de pavor da garota, fazendo-o sorrir – Não é tão ruim assim.
- Isso é uma sala de leitura. – Naru diz de repente – Como o nome diz, é um local para ler, não conversar.
- Desculpe. – Mai diz, olhando para baixo.
- Eu vou sair. Vi nosso pai indo para o laboratório mais cedo. Faz um bom tempo que não lido com ratinhos em um labirinto. – Gene sorri, acenando um tchau e saindo da sala.
Mai olha para a porta por alguns segundos, então olha para o chefe, que estava sentado em uma grande poltrona acolchoada, onde cabiam pelo menos duas pessoas, com um livro nas mãos.
“E principalmente… Afaste-se do seu namorado”
Mai sentiu um tremor percorrer seu corpo ao lembrar das palavras mencionadas em seu sonho. Por que ele havia dito isso? Será que tinha algo haver com o caso na montanha? Mas como os dois se relacionavam? E por que ele havia feito soar como se Naru fosse alguém perigoso? Tudo estava tão confuso.
- Argh, é por isso que odeio sonhos. – Mai pensa, suspirando e atraindo a atenção do garoto inconscientemente.
Será que ela deveria contar a ele? Era o certo a fazer, desde que o problema envolvia Naru diretamente. Mas o homem das capas havia dito que ela não deveria mencionar com ninguém sobre esses sonhos. E se ela contasse a Naru, só iria preocupá-lo. Ele não precisava de uma distração da namorada idiota quando estavam prestes a começar um caso importante. Além disso, Mai tinha certeza de que Naru nunca, nunca mesmo, seria de forma alguma perigoso para ela. Claro, ele tinha seus momentos, mas nunca em todo o tempo que se conheceram Mai vira o garoto mostrar sinais de violência. Ele nem mesmo havia levantado a voz, quem diria ser violento. Como alguém assim, que tinha perfeito controle sob suas emoções, poderia ser considerado um perigo?
O importante era: Mai amava Naru e ele a amava de volta. Ela confiava tanto nele, que se a situação exigisse, deixaria sua vida nas mãos dele. Ele sempre a protegera de tudo, bem, quase tudo já que em seus sonhos ela estava sozinha, e ela tinha certeza de que poderia muito bem resolver isso sozinha. E a razão mais importante: ela com certeza não queria ser um problema para o garoto. Por isso, nesse caso, ela tentaria seu máximo ficar longe de problemas.
Ela levanta a cabeça ao ouvir o som de um livro fechando e percebe Naru a olhando fixamente. Seus olhos azuis pareciam penetrar em sua alma e a garota tinha certeza de que seu rosto estava aquecendo rapidamente.
- Mai, sente-se. – ele diz e Mai nota que apesar da sua forma de falar como se fosse uma ordem, era mais um pedido. Só que um pedido à moda Naru.
- O-okay. – ela murmura, desviando seu olhar do dele e rumando para a cadeira a frente dele. De repente, ela sente seu pulso sendo agarrado e ela é puxando, caindo contra algo macio.
- Do meu lado. – ele diz, soltando o pulso da garota, que imediatamente se ajeita na poltrona, mexendo as mãos nervosamente no colo.
- T-t-tem algum problema?
- Diga você. Tem, Mai? – ele a olha fixamente e a garota engole um seco.
- N-não tem nada de errado, Naru.
- Se você quer mentir, ao menos faça direito. – a garota o olha surpresa, então suspira.
- Me desculpe. É só que… é estúpido. Não se preocupe muito.
- Se você não me contar o que é, eu vou me preocupar.
- Eu… Apenas… Eu estou assustada. – ela diz, olhando-o de relance.
- Com o que?
- O caso…
- Você teve algum sonho? – Naru a olha, agora realmente preocupado. Ter um sonho antes do caso começar é um péssimo sinal.
- Não. Eu só… E se alguém se machucar? – ela o olha, seus olhos brilhando com as lágrimas se formando – Você disse que o caso era perigoso. E se Bou-san, Ayako, Gene ou alguém se machucar? E se você se machucar? Eu sempre me meto em problemas, quer eu queira ou não. Os fantasmas sempre me perseguem ou se comunicam comigo… E você sempre me salva. E se você me salvar de alguma coisa e se machucar? Eu não quero que ninguém se machuque, muito menos você, Naru. – as lágrimas escorriam por sua face, suas mãos fechadas com força sobre suas pernas.
- Mai, eu sei me proteger muito bem. Pare de se preocupar.
- E-eu s-sei. Mas e se acontecer? Eu sempre faço alguma idiotice como seguir um fantasma psicótico e você sempre vem, não importando o que aconteça e me salva. E se você se ferir? E se você tentar me proteger e acabar se machucando? Eu nunca vou ser capaz de me perdoar, Naru. E-eu não sei o q-que vou f-fazer se v-você… — ela sente o braço firme de Naru enlaçar seus ombros e trazê-la para mais perto dele.
- Mai, nada irá acontecer a mim. Você deveria estar mais preocupada consigo mesma, já que é um imã vivo para problemas. Nada irá acontecer. – ele beija os olhos da garota gentilmente, expulsando as lágrimas – Iremos para a montanha, resolveremos o caso o mais rápido possível e quando voltarmos a levarei em um encontro. – a palavra fez efeito.
- U-um e-e-encontro? – as bochechas da garota são lentamente invadidas com uma leve rosado.
- Sim. Namorados em experiência fazem isso, não é? Ir a encontros. Será apenas nós dois.
- S-sem chefe e assistente? – ela pergunta com uma voz de criança e seus olhos brilhando como os de um filhotinho abandonado.
- Sim. – ele sorri internamente ao ver garota se animando.
- E onde nós iriamos?
‘Qualquer lugar onde possamos ficar sozinhos’
- Onde quer ir, Mai?
- Ao museu! – ao ver Naru a olhando estranhamente, ela explica – Meu pai disse que era muito legal.
- Seu pai?
- Sim. Ele viajava muito, mas a maioria dos trabalhos dele eram aqui. – ela sorri.
- Entendo.
- O que seu pai… — Mai se cala ao lembrar que o garoto não gostava de falar sobre isso – O que está lendo?
- O manuscrito que me deu. – ele abre o livro.
- Eh… Você consegue entender tudo? Ah, o que é isso? – ela aponta para um desenho em uma das páginas.
- Um aparelho que segundo ele, permitiria pessoas sem poderes psíquicos de ouvir e ver espíritos.
- Sério?
- Isso é apenas uma ideia. Ele nunca chegou a construir.
- Por que?
- Naquela época, o mundo paranormal não era bem visto, Mai. Era apenas histórias para idiotas acreditarem. Assim, Jonnhy era visto como um excêntrico, não um cientista.
- Oh. Então ninguém financiou ele?
- Parece que está ganhando alguma inteligência. – Naru dá um sorriso torto.
- Argh, seu idiota! – Mai bate em seu braço, mas Naru desvia antes de acertá-lo, o que causa a garota cair no colo dele. – D-desculpe.
- Tudo bem. – ele levanta os braços, permitindo a garota a se levantar, mas ela para no meio do caminho.
- Naru? Tem algo… — ela se levanta, pegando o livro das mãos dele.
- O que está fazendo?
- Eu vi algo. – ela diz, virando o livro e mexendo na capa, como se procurando uma brecha. – Aqui! – a garota puxa a capa para cima, revelando um pequeno espaço e puxando um papel amarelado e dando para Naru.
- “Existe salvação?” – Naru leu as inscrições embaixo do desenho.
- Eh? – os olhos da garota se arregalam ao ver a imagem. Era um ser coberto por capas pretas, e ele segurava em seus braços um lindo bebê.
Mai observou a imagem por alguns segundos, sua mente completamente confusa. Por que o homem do desenho parecia tanto com o de seus sonhos? E por que ele estava segurando um bebê? E como assim salvação? E como esse tal de Jonny podia ter desenhado o homem das capas com tantos detalhes? Será que ele também tinha os mesmos sonhos de Mai?
- Eu vou mostrar isso ao meu pai, depois. – o garoto guarda a imagem em seu bolso e volta a se concentrar no livro.
Mai apenas encosta sua cabeça no ombro do garoto, que coloca um braço ao seu redor e fica olhando para o livro dele, tentando ler ou quem sabe descobrir algo mais sobre o homem de capa. Ela percebe que o livro era cheio de desenhos e experimentos e que havia um padrão. Dez páginas eram apenas coisas escritas e as próximas dez apenas desenhos. O cientista com certeza sabia como desenhar. Tudo era bem detalhado e havia pequenas explicações nos cantos das folhas. O livro em si era um diário.
- Mai! – a garota pula fora da cadeira ao escutar Ayako chamando seu nome – Vamos logo! Quanto mais cedo sairmos daqui, mais compras posso fazer!
- Estou indo! – ela grita, lançando um rápido sorriso para Naru e então andando em direção a porta.
- Ele era arquiteto. – Naru diz de repente, fazendo Mai parar e olhá-lo confusa.
- Eh? Quem… — então seus olhos brilham de entendimento e ela sorri, feliz pela informação – Obrigada, Naru! – então ela sai da sala, descendo as escadas e encontrando Luella, Madoka, Ayako e Masako na porta, prontas.
- Finalmente! – Ayako diz, lançando um olhar para a garota.
- Ao menos ela já estava acordada. – Masako diz.
- hey!
- Vamos, garotas! – Luella sorri, pegando o braço de Mai – Vamos às compras!
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