Eterno
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Bem, como eu disse antes, esse, para mim, é o melhor capitulo de todos. Somente Naru e Mai. Espero que gostem.
Beijos.
AVISO: HENTAI!!!
- Naru? – ela olha para o chefe, encostado ao lado da porta – O que está fazendo aqui ainda?
- Vamos. Eu a levarei para casa.
- Por que?
- Você não disse que foi perseguida por três pessoas? Uma delas não foi reconhecida, e você é um imã para acidentes. – ele diz, abrindo a porta.
- Obrigada, Naru. – ela sorri, feliz pela preocupação do garoto sob si. Os dois vão andando lado a lado, sem falar nada. Apenas... na companhia um do outro. Até que Mai não aguenta mais o silêncio e fala.
- Naru, você acha que esse caso na montanha vai ser perigoso?
- Sim. – ele diz sem hesitações – Por isso quero que você tente se manter longe de problemas, apesar de saber que é praticamente impossível.
- Hey, não é como se eu procurasse ficar em problemas. Os fantasmas que vem até mim. Deve ter um tipo de placa visível só para fantasmas na minha testa que diz “Disponivel para ataques espirituais.” – ela diz.
- Talvez. – ele a olha e ela o olha, então Mai começa a rir. Naru não pode evitar, mas sorrir levemente.
- Você já tem alguma ideia de como resolver o caso? – ela pergunta, ainda com um sorriso.
- Tenho que saber a causa. Depois pensarei em um modo.
- Oh. Naru, você não vai usar o Jorei de novo, vai?
- Não usamos o Jorei no caso anterior.
- Bem, se não fosse pelo Gene, você teria usado.
- Sim. Não se preocupe, Mai. Eu só uso o Jorei quando não há mais saída.
- Ou seja, quando você está desesperado. – Mai sorri.
- Quando não há mais saída. – Naru repete friamente e Mai ri.
- Claro, claro.
- Mai, tem algo incomodando-a?
- Eh?
- Há algum tempo eu notei que você está mais distraída. Menos animada.
- Do que está falando? Sou eu, Mai, a assistente idiota de sempre. – ela sorri.
- Eu a conheço o suficiente para dizer quando há ou não algo errado. Se você não quer falar sobre isso, tudo bem. Todos tem algum segredo. – eles ficam em silêncio. Apenas o barulho de seus passos era escutado.
- Não é...não é um segredo. Eu só não gosto de falar sobre isso. Dói.
- Tem algo a ver com hoje?
- Sim.
- Sinta-se livre para falar quando quiser.
- Eh? – Mai o olha, surpresa. Então ela sorri – Obrigada, Naru. Obrigada.
Eles continuam andando, até pequenas gotas de água os fazer olharem para cima. Estava chovendo. E começava a piorar. Então a visão de Mai é atrapalhada pelo casaco de Naru.
- Corra.
- Eh?
- Corra. – Naru diz, segurando o casaco em cima dos dois, impedindo parcialmente a chuva de os atingir. Mai obedece e os dois correm pela rua. Apenas eles e a chuva. Mai podia sentir sua roupa começando a grudar em seu corpo, dificultando seus movimentos. Ela olhou de relance para Naru e não ficou nem um pouco surpreendida ao ver que mesmo todo molhado, os movimentos e a face de Naru continuavam perfeitamente belos.
Mai vê sua casa há poucos metros de distância e enfia a mão no bolso, ficando com a chave logo em mãos. Em alguns minutos, eles estavam dentro da casa, Mai ofegando e Naru olhando ao seu redor, parecendo perfeitamente bem. A única coisa em comum era que os dois estavam encharcados. A garota tinha certeza de que se balançasse sua cabeça, seus cabelos iram ficar black power. Ela olha para Naru.
- Por que está sorrindo? – Naru olha para a garota ao seu lado
- Imaginando você com cabelo black power. – ela levanta a mão, bagunçando os cabelos do chefe, que simplesmente voltaram ao normal mesmo molhados – Hm.
Naru se afasta bruscamente e abaixa a cabeça, escondendo seus rosto atrás de seus cabelos. Mai podia jurar que por um segundo o rosto dele havia ficado vermelho.
- Vá tomar banho. – ele diz, virando-se e ficando de costas para ela.
- Eh?
- Suas roupas estão transparentes.
- Eh? – ela olha para baixo, e então grita – Não olhe! Não olhe para cá!
- Eu estou virado caso não tenha percebido.
- V-v-você viu.
- Não, eu não vi.
- Se você não viu, então como pode ter me avisado? – Naru se vira incrédulo, mas rapidamente volta a ficar de costas. Agora ela tinha cérebro, hã?
- Apenas…vá tomar banho.
- Tem toalhas no armário de cima. – ela murmura, correndo para dentro da casa e trancando-se no banheiro.
Naru fica parado ali por alguns minutos, apenas escutando o som de sua respiração. Ele só se move quando escuta o som da água caindo. Ele tira seus sapatos e casaco, então vai até o armário e pega uma toalha, cobrindo seu rosto.
- Eu vi… — é o único pensamento que vem na mente do garoto, mas o suficiente para fazer seu rosto sem expressão ficar levemente rubro.
Ainda bem que ela estava usando sutiã, por que se não, Naru não tinha certeza do que talvez tivesse acontecido. Branco. Era a cor da roupa intima da garota. E tinha rendas. Ele viu tudo. Ele quase pode sentir o tecido contra seus dedos. E pensar sobre isso não estava ajudando em nada!
Naru tira a toalha de seu rosto e coloca-a em seus cabelos, usando uma mão para secá-los. Ele vai até a janela e olha para fora, vendo a chuva caindo e ficando cada vez mais forte. Ele não iria para casa aquela noite. Suspirando, Naru olha para suas roupas. Ele tinha que trocá-las ou ficaria doente. Mas duvidava que Mai tivesse roupas grandes o suficiente para ele. Bem, ao menos ele podia tirar a blusa molhada.
- Oh meu deus! – Mai grita assim que entra na sala, virando-se imediatamente – P-por que e-está t-t-tirando sua b-blusa?!
- Não quero pegar um resfriado. – Naru responde, indo até a pia e espremendo-a até achar suficiente e pendurando-a no mesmo local de seu casaco.
- V-você não tem outra roupa?
- Eu não carrego uma muda reserva de roupas. – Naru diz, olhando-a – Você pode se virar, eu não estou nu.
- Eh? Ah, hm. Ok… — ela se vira lentamente, seu rosto rosado só a deixava mais atraente aos olhos do garoto. – V-v-você devia tomar banho. A-ainda tem água quente.
- Não tenho roupas como disse.
- Oh, e-eu acho que… — Mai se vira, correndo até seu quarto e abrindo a última gaveta. Ela olha para as roupas perfeitamente dobradas e que não eram usadas a anos. Abaixando-se, Mai vasculha por uma calça e uma blusa que coubessem no chefe.
- Preto? Mesmo? – Mai olha sem acreditar para a única roupa que tinha achado. – Bem, ao menos eu tenho certeza de que ele vai usar. – ela fecha a gaveta e volta para a pequena sala, encontrando Naru parado, com a toalha em volta do pescoço, olhando para uma foto na parede.
- É minha mãe. – Mai sorri, parando ao lado dele.
- Você puxou seu pai?
- Ela disse que sim. – ela sorri mais uma vez para a foto – Aqui. Acho que vão caber em você. O chuveiro é a direita. Deixei uma toalha para você se enxugar.
Naru pega as roupas e segue as instruções de Mai. Considerando que a casa dela só tinha um quarto, um banheiro, uma sala pequena ligada a uma cozinha também pequena, foi bem fácil achar o chuveiro. Naru colocou a roupa seca em cima da pia e se despiu rapidamente, ligando a água quente e deixando ela escorrer por seu corpo. Aquela sensação era boa. As gotas quentes escorrendo por seu corpo, aquecendo-o, quase como se fossem dedos acariciando sua pele gentilmente, descendo por seu rosto, ombros, peito, quadril…
- Mai… — ele fecha seus punhos com força. Precisava acalmar sua mente e seu coração.
Desde quando o grande Oliver Davis fantasiava com algo? Principalmente com uma garota. Ele tinha que admitir que algumas vezes esse sentimento era bom. Aquecia-o por dentro, fazia-o sentir-se…completo. Mas era mais do que frustrante ter o objecto de seu desejo a sua frente e não poder tomá-lo.
- Fraco. – ele murmura, olhando seu reflexo no espelho.
Ele tinha tudo. Um corpo e rosto belo, inteligência, dinheiro, reconhecimento mundial. Ainda… Por que ele sentia como se não tivesse nada? Era como se depois de conhecer Mai, tudo que ele sempre pensou ser importante houvesse virado…nada. Um grande e completo nada. Claro, ele ainda prezava sua beleza e inteligência, mas ele tinha percebido que há algum tempo, estava usando esses atributos para chamar a atenção da garota.
- Fútil. – é a única coisa que vem a mente dele, antes de sentir um delicioso aroma invadindo seus sentidos. Chá.
Naru sai do banheiro e segue o cheiro, encontrando Mai sentada no chão em frente a uma mesinha, com uma xícara nas mãos.
- Ah, Naru! – ela sorri ao ver o garoto – Eu fiz chá. Venha, antes que esfrie.
Naru se senta de frente para ela e pega a xícara, levando-a a sua boca e provando. Limão. Seu fav…
- Eu fiz o seu favorito. – Mai sorri – Era o último pacotinho que eu tinha. Sorte, não? Luella-san disse que lá na Inglaterra existem muitos mais sabores. Você já provou de todos?
- Não.
- Lin-san gosta do de maça. É bom, mas acho muito doce. O Gene prefere um indiano que tem cheiro de remédio. – ela faz uma careta.
- O que você gosta sobre ele? – a pergunta escapou antes que pudesse perceber.
- Sobre o chá? – Mai o olha, confusa.
- Gene.
- Ah. Bem, ele é gentil, carinhoso, engraçado. Vocês dois se parecem um pouco.
- De que maneira?
- Você é gentil, carinhoso, honesto, esperto. É só que você tem um jeito diferente de demonstrar isso e muitas pessoas confundem.
- Você confundiu também? – ele a olha, sério.
- Eh?
- Antes de voltar para a Inglaterra, você se confessou para mim. – Naru olha para ela – Você pensou que me amava, quando na verdade amava, não, ama o Gene. – Mai coloca a xícara na mesa com certa força, chamando a atenção do garoto.
- Quando eu disse que amava ele, Naru? – Mai o olha, começando a se irritar – Nunca, certo?
- Mas você ama.
- Você é idiota?! – Mai grita – Eu nunca disse isso! Eu gosto dele, mas não amo ele! Eu nunca amei seu irmão, okay?!
- Você está negando?
- Naru, por que é tão difícil você acreditar que eu não amo ele? Eu não o amo. Não amo o Gene. Nunca amei. Será que você não entende isso?! – Mai se levanta, furiosa.
- Então por que se confessou para mim?
- Porque eu amava você, seu idiota!!! – ela grita – Você! Não Gene! Nem Jonh, Bou-san, Lin ou qualquer outro homem que exista. Você!!! Sempre foi você… — ela se ajoelha, chorando, tanto de raiva como tristeza.
- Você… me amava? – Naru a olha, como se ela fosse um ser de outro planeta – Por que?
- Você acha que eu sei?! Tinha tantas pessoas por ai e eu me apaixono por você! Um narcisista, idiota, cabeça dura, viciado em chá! E que tem um complexo de inferioridade!
- Eu não tenho complexo. – Naru a olha, sério.
- Ah é? – Mai o olha com um sorriso sarcástico – Então por que não acredita que as pessoas podem amar você ao invés de Gene? Por que não acredita que eu amo você? – Naru fica em silêncio e ela continua – Eu amo você, Naru. Ninguém mais, só você. Não me pergunte como ou por que. Eu simplesmente…amo.
- Você me ama. – Naru repete, seus olhos pareciam um turbilhão de emoções que Mai nem mesmo se importou de decifrá-las.
- Sim. Eu posso ser burra, lenta, idiota, o que você quiser, mas acho que posso muito bem definir meus próprios sentimentos. Acredite, eu tentei mais do que ninguém esquecer você. Tentei de tudo, sai com outros caras, até mesmo parei de beber chá por um tempo, mas… eu não posso. Eu não consigo – ela balança a cabeça – Hm hm, eu não quero esquecer esses sentimentos. Mesmo que machuque e que eu saiba que você nunca…
- E se eu dissesse que possuo os mesmos sentimentos? – ele interrompe a garota – E se eu sentisse…o mesmo?
- Por que você está perguntando isso? É mais um jeito me provocar? Não se preocupe, eu sei que isso nunca vai ac…
- Apenas responda a pergunta. – Naru diz, cortando-a rudemente e com certa ansiedade.
- Se isso acontecesse, eu acho que seria a garota mais feliz em todo o mundo. – ela responde sem hesitação, mas então sorri tristemente – Mas nós dois sabemos que isso nunca vai acontecer.
- Por que?
- Será que você poderia parar de fazer perguntas por um segundo?! – Mai grita, irritada – O que há de errado com você?! Será que você é incapaz de deixar seu cérebro descansar por um minuto e fazer o que o seu coração quer?! Você não consegue parar de…pensar?
- Pensar – Naru diz, dando enfâse a palavra – é o que nos salvou de morrer várias vezes.
- Você está vendo alguém prestes a morrer aqui? – ela pergunta sarcasticamente, então suspira ao ver o olhar inexpressivo do chefe – Olhe, apenas…esqueça. Esqueça que nós tivemos essa conversa.
- Eu…
- Não se preocupe. – Mai o corta, não querendo ouvir mais nada – Eu vou dar um jeito de esquecer os meus sentimentos por você. Eu sei quando sou um incomodo. – ela se vira, pegando as xícaras e levando-a para sua cozinha.
- Você é a pessoa mais idiota que eu conheço. – ele se levanta e em menos de um segundo, estava atrás de Mai, segurando seus ombros para que ela ficasse de frente para si – Eu estou fazendo perguntas porque eu quero entender o que diabos está acontecendo comigo! – ele grita, deixando toda a sua frustração ser liberada.
- O que… Por…
- Você não acha que eu tenho o direito entender o que está acontecendo antes de agir? Pode não parecer, mas eu tenho um coração. E ele bate. E meus sentimentos não são algo que eu queria subestimar por uma segunda vez. Eu também tenho o direito de me proteger!
- Proteger… Proteger do que, Naru?
- Do que seria Mai?! – ele pergunta raivosamente. – Por anos eu extingui qualquer possibilidade de voltar a sentir. Qualquer coisa! E então você vem e destrói todo o meu trabalho! Como você acha que eu me sinto?!
- M-meus sentimentos… Você está dizendo que meus sentimentos são ruins? – a voz da garota era nada mais que um sussurro – Você está me culpando por você estar sentindo alguma coisa?! – a garota grita – É óbvio que você está! Bem, me desculpe ó grande e poderoso Naru que não precisa de sentimentos! Me desculpe se eu botei algum sentimento na sua droga de coração!
- Eu não disse que seus sentimentos são ruins. – ele responde no tom de voz mais calmo, mas ainda irritado.
- Por que você se importa?! Ah não, me desculpe – ela o olha, o sarcasmo em sua voz – Você não se importa!!! – ela grita, as lágrimas caindo por seus olhos – Você sabe o quanto dói?! O quanto é difícil saber que a pessoa que eu amo nunca vai retornar meus sentimentos?! Não, você não sabe! E por que? Porque você não se importa com ninguém além de si mesmo!
- Se eu não me importo, por que eu corro para salvá-la todas as vezes em que você e a sua estupidez estão em perigo?! Se eu não me importo, por que todas as vezes que você está chorando eu não quero nada mais do que fazer você sorrir de novo?! Se sou só um idiota sem sentimentos que não se importa com nada além de si mesmo, por que diabos eu tenho raiva do meu próprio irmão quando ele faz você rir?!!!
- O que o Gene tem a ver com isso?! – Mai grita, ignorando completamente as primeiras frases de Naru. Qualquer pessoa que estivesse prestando atenção, sabia que o garoto havia acabado de se confessar, de um jeito estranho, mas havia feito. Mesmo que ele mesmo não soubesse.
- Gene é a única coisa que me sobrou. A única família que divide o mesmo sangue que eu. Eu o perdi uma vez e jurei nunca mais sentir algo. Sentir significa dor. E dor significa fraqueza. E então eu conheci você e antes mesmo que eu percebesse, eu estava sentindo!
Mai não conseguia acreditar no que ela estava ouvindo. Naru… Ele estava assustado. Naru, o seu chefe narcisista, orgulhoso e mandão, estava assustado. Com medo de se magoar. Com medo de perder alguém de novo. Caramba… Ela não tinha nem palavras para descrever aquilo. Talvez ele tivesse alguma esperança. Talvez ela pudesse salvá-lo de toda a dor que estava guardando para si. Talvez… Talvez.
- … você! Mai! – o grito de Naru a tira de seus pensamentos – Você está sequer me escutando?
- Naru?
- O que? – ele pergunta bruscamente, ainda sentindo a adrelina percorrendo suas veias a toda velocidade.
- Você é um idiota. – ela sorri.
- Você é a única idiota aqui e nós dois sabemos disso.
- Naru, eu vou fazer perguntas e quero que você as responda honestamente. – ela diz, ignorando o que o chefe havia dito.
- Não, eu sou o único fazendo perguntas aqui até eu entender o que está acontecendo comigo e por que meus sentimentos parecem estar voltados somente para você.
- Minhas perguntas vão responder todas as suas. Não se preocupe. – ela sorri. Eles ficam em silêncio por alguns segundos, então a garota respira fundo – Você me odeia?
- O que…
- Apenas responda!
- Não. – ela não pode conter o suspiro de alivio que escapou por seus lábios ao ouvir a resposta.
- Okay. Então você gosta de mim?
- ... Pode-se dizer que sim. Mas eu ainda acho você uma idiota que não pensa antes de agir.
- Eu já entendi, seu narcisista. – ela resmunga – Você está zangado porque eu faço você ter sentimentos?
- Não.
- Não? – ela o olha, confusa.
- Eu estou zangado porque você, de milhares de pessoas que eu conheço, me fez ter sentimentos novamente e eu não entendo.
- Não entende o que?
- Por que foi você!
- Eu acho que sei a resposta. – ela murmura, de repente esperançosa.
- Então me diga.
- Primeiro… você quer me proteger?
- Se eu não fizer isso, você vai acabar morta antes de alguém sequer conseguir pronunciar a palavra ‘Idiota’.
- Mas você, Shibuya Kazuya, Oliver Davis, quer me proteger? Não porque eu sou uma idiota que se mete em perigo toda hora, mas porque você sente algo por mim e isso o faz querer me manter segura?
- … Sim.
- Você quer que eu sorria?
- Sim. Eu não gosto quando chora.
- Você quer que eu sorria para você?
- Sim.
- Você quer que eu sorria para Gene?
- Não! – ele responde rapidamente.
- E Bou-san?
- Não me incomoda particularmente. Mas eu não quero que sorria para o Yasuhara também. Me faz ficar nervoso e irritado.
- E Lin-san? Você não gosta quando eu sorrio para ele?
- Não é que eu não goste, Mai. – ele suspira – Eu gosto quando sorri e sei que é impossível fazer você sorrir só quando eu estou com você. Mas algumas vezes, quando você sorri para outra pessoa ou por causa de outra pessoa, eu fico… eu… meus sentimentos vem a tona e eu acabo agindo de acordo com eles. Não gosto de ser controlado por emoções.
- Você tem medo de ter sentimentos, Naru?
- É óbvio que não, Mai. Eu sou humano. Eu sei que possuo sentimentos. Eu só não quero senti-los ou deixá-los me controlar.
- Porque você acha que eles vão trazer só dor?
- …Sim. – ele hesitou – Isso é sem sentido, Mai. Apenas admita que você também não sabe porque eu me sinto assim em direção a você. Estou cansado. Você deveria ir dormir se não quiser se atr… — ele foi calado abruptamente pelos lábios de Mai em sua boca. Seus quentes e doces lábios estavam tocando os seus. Era exatamente como ele tinha imaginado. Até mesmo melhor. Mas por que ela estava fazendo aquilo?
- Mai! – ele a empurrou, segurando seus ombros com força – O que você pensa que está fazendo?!
- Você não gostou? – ela sussurra, olhando com seus olhos castanhos, quase de tom achocolatados. Eles brilhavam de um jeito que fazia o coração de Naru bater mais rápido. E lá estava! O sentimento estranho e invasor que apenas Mai o fazia sentir.
- O que diabos voc…
- Responda. Você não gostou? Você odiou? Por favor, diga a verdade. – ela pediu, seus olhos pareciam fazer buracos em sua alma. Eles eram tão inocentes e deus, ninguém deveria ser permitido ter um olhar daquele. Era tão angelical, mas tão tentador.
- Eu… — ele se calou. Ele não iria mentir para a garota. Já tinha a machucado e a feito chorar demais.
Naru rebuscou em suas memórias o toque dos lábios dela contra os seus. Ele não tinha sentido desgosto. Ou repulsa. Ou nada ruim. Na verdade, ele tinha desejado que ela não parasse. Desejado que os lábios dela continuassem tocando os seus. Ele lembrou que seu coração havia acelerado também. Não do jeito que acontecia quando ela estava em perigo, mas de um jeito bom. De um jeito agradável e confortante.
- Eu não odiei.
- Mas não gostou?
- Não, eu…
- Você gostou?
- Sim…
- Eu vou fazer de novo, okay? Deixe seus sentimentos fluírem. Não os impeça, Naru. Por mim.
- Eu… Okay. – ele fechou os olhos ao sentir os lábios da garota novamente sobre os seus. Ele tentou esquecer qualquer pensamento lógico. Qualquer coisa que não fosse relacionada a eles e deixou os sentimentos fluírem. E caramba, era como uma tempestade! Era como ser arrastado para o olho de uma tempestade, e enquanto tudo estava sendo destruído ao seu redor, a única coisa que importava era continuar ali com Mai. Onde era seguro e calmo. Onde ele sabia que podia protege-la. Que podia vê-la sorrir. Que podia…amá-la. Ele realmente tinha pensado isso? Amar. Um verbo que para todos ao seu redor tinha o melhor significado de todos, mas que para ele não tinha trazido nada além de dor e sofrimento. Então por que agora ele não sentia aquilo? Por que ao invés da dor lancinante que havia tomado conta de si quando seu irmão havia sido brutalmente assassinado, ele estava sentindo algo… quente? Não, não era essa a palavra. Na verdade, não tinha palavras. Era só o sentimento. Apenas isso. E deus, como era bom.
- Como foi? – Mai sussurra, lutando contra seu instinto que dizia para ela esconder seu rosto em um buraco. Ela podia sentir suas bochechas queimando.
- De novo. Faça de novo. – ele pede, buscando os lábios da garota, mas sendo parado pela mão de Mai, os dedos dela em seus lábios.
- Não, Naru. – ela sorri e o garoto a olha, sem entender. Era bom. Ela não sentira o mesmo? Era por isso que não queria repetir o ato? –Você pode sentir? – ela pergunta, segurando a mão do rapaz em cima de seu coração.
- Sim. Está batendo forte e rápido. Você está nervosa. – ele declara.
- Você gosta?
- De quando você está nervosa?
- Não. Quando meu coração bate assim.
- Sim. Por que? – ele pergunta em voz alta, mas era mais para si.
- Você provavelmente não sabe, Naru, mas meu coração sempre bate assim quando estou perto de você. – ela sorri docilmente para o garoto.
- Mesmo? – ele pergunta, desejando por alguma razão que fosse verdade.
- Sim. E você sabe por que? – ele nega com a cabeça e o sorriso da garota se alarga – É porque eu amo você, Naru. – pela primeira vez na vida, Mai conseguiu ver sentimentos nos olhos do garoto e ela com certeza planejava fazer aquilo acontecer de novo.
- Porque…você me ama?
- Sim. Sinta seu coração, Naru. – ela coloca a mão dele sobre seu peito e coloca a sua em cima – Bate do mesmo jeito que o meu, certo?
- Sim, mas isso é… — ele parou. Por que?
- Você não precisa sentir medo, Naru. – ela sussurra, nunca desviando seus olhos dos dele – Você não precisa temer seus sentimentos.
- Eu não estou assustado, Mai. – ele sussurra, deixando sua mão deslizar para o lado de seu corpo, mas por algum motivo, ela resolveu deslizar pelo corpo da garota, trazendo-a para mais perto de si – Eu só não quero ser controlado.
- Você ainda não entendeu, Naru? – ela ri levemente – Você ainda tem algum neurónio no seu cérebro, ou todos os seus pensamentos lógicos queimaram eles? — ela sorri para ele, beijando sua bochecha – Seus sentimentos não querem controlar você. Eles querem fazer parte de você.
- Parte de mim?
- Sim. Eu entendo que você esteja assustado de ter algum sentimento de novo. Eu sei que você ainda sente a dor por ter perdido seu irmão. Eu sei que em algum lugar no seu coração, você teme sentir essa dor de novo. Mas por favor, não tenha medo.
- Como você pode entender, Mai? A dor que eu senti…. Que eu sinto.
- Porque eu sinto o mesmo. Eu perdi meus pais, Naru. Eu tinha só 11 anos. Eu não tinha ninguém para me dizer que tudo ficaria bem. Mas você teve e tem. Martin-san, Luella-san, Lin, Madoka, todo mundo do SPR. Gene também. Ele está vivo, Naru. Você tem uma família. Todos querem que você seja feliz, apesar de você ser um grosso algumas vezes e um idiota de primeira – ela sorri – todos são seus amigos. Todos tem você em seus corações. Todos tem sentimentos por você. Todos sentiriam sua falta se você… se algo acontecesse com você. Seus sentimentos… todos sentem com você. Se você está em dor, todos vão sentir também. Não como você, mas em parte. É para isso que serve os amigos e a família. Para dividir. Compartilhar. Ninguém pode viver sozinho, Naru.
- Eu não escutei você falando seu nome. – ele diz, suas sobrancelhas franzidas. Ela o amava, mas não se preocupava com ele? Como aquilo era possível? A não ser que ela estivesse mentindo.
- Eu amo você. Tudo que você sente, eu sinto. Faz parte do amor. Faz parte de ter sentimentos, de ser humano. Então, você não precisa ficar com medo.
- Mas dói, Mai. Por que você iria querer sentir dor?
- Quando eu o beijei, você sentiu dor?
- O qu… É claro que não! – ele fala como se fosse a coisa mais ridícula do mundo.
- Você gostou?
- Sim, eu já disse.
- E você quer me beijar de novo?
- É estranho, mas sim.
- Você gostou dos sentimentos que sentiu ao me beijar?
- Sim. – então seu olhar paralisa. Ah meu Deus. Não poderia ser…
Mai sorriu ao ver o entendimentos nos olhos do rapaz. Finalmente.
- Naru? – ela sussurra e ele a olha – Você entende agora?
- Sim. – ele sussurra – Eu sou um completo idiota.
- O que?! – a garota grita, afastando-se dele como se houvesse levado um choque. Como diabos ele havia chegado naquela conclusão?!
- Eu não acabei ainda, Mai. – ele fala calmamente, encostando-se na mesa e cruzando os braços, enquanto a garota bufava e cruzava os braços, batendo o pé no chão impacientemente.
- Então diga o que diabos você entendeu, Naru. Porque realmente, eu não consigo entender.
- Eu sou um completo idiota… — então ele sorriu. De verdade. Um sorriso que Mai havia visto somente duas vezes. Uma quando ele se desculpou. A outra quando ele a agradeceu por trazer Gene de volta. E agora ela estava vendo de novo. Finalmente ela o havia feito sorrir. E então ele completou sua frase — … e eu estou estupidamente apaixonado por você.
A garota não teve nem tempo de processar as palavras, quando o sorriso no rosto do garoto sumiu e foi substituído por um sorriso malicioso que fez o coração dela bater furiosamente contra seu peito.
- Agora, Mai, você vai vir aqui para que eu possa beijá-la e experienciar todos os tão maravilhosos sentimentos que você tanto tem orgulho; ou vou ter que ir até aí? – ao ver a garota não fazer o menor movimento, ele resolveu agir. E então, sem ele nem mesmo perceber, Mai estava em seus braços, sua boca colada na sua.
Naru não sabia nem por onde começar a descrever todos os sentimentos que sentia ao beijar a garota. Era verdade que tinha roubado um beijo dela uma vez, mas ela estava dormindo. Agora, ela estava completamente acordada e respondia com entusiasmo aos seus lábios nos dela.
Mai, por outro lado, estava se sentindo no paraíso. Naru finalmente havia entendido seus sentimentos. Ele realmente estava apaixonado por ela. E agora, ele a estava beijando. Ele estava segurando seu corpo contra o dele. E como era bom. Ela não queria estar em nenhum outro lugar que não fosse nos braços dele. Ela podia perceber pelo modo como ele a beijava que tinha alguma experiência. Caramba, era o melhor beijo da vida dela! O jeito como a língua dele deslizava sobre a sua, como as mãos dele deslizavam por suas costas e por seus cabelos, trazendo seu corpo para mais perto dele se possível. Até mesmo seu beijo era narcisista. Dominante e poderoso. Não que ela se importasse. Ela amava essa parte dele também.
Quando se separaram, ambos ofegavam, ambos sentiam seus corações acelerados, ambos sabiam que aquilo significava um começo.
- Como eu vim parar aqui? – é a primeira coisa que deixa os lábios da garota ao controlar sua respiração. Por alguma razão, ela estava em cima da mesa, suas pernas abertas e Naru entre elas, com um estúpido sorriso malicioso no rosto.
- Eu não pensei que beijasse tão bem assim.
- O qu… Seu narcisista!
- Você é a única que ama esse narcisista. – ele diz e a garota abre a boca para gritar com ele, mas a fecha. Um sorriso toma conta de seu rosto avermelhado.
- Suponho que eu seja mesmo uma idiota.
- Com certeza. – ele roça seus lábios nos dela – E eu sou o idiota que se apaixonou por essa idiota.
- Nós dois somos idiotas.
- Pela primeira vez, eu concordo com você. – ele abraça a garota, escondendo seu rosto no pescoço dela e inalando o delicioso aroma que seu corpo exalava.
- Naru? – ela sussurra.
- Hm?
- Eu não sei como dizer isso, mas gostar de mim… não vai fazer sua dor sumir. Na verdade, não vai nem mesmo ser alguma espécie de bloqueio para qualquer dor que você sinta no futuro. Vai ser mais uma espécie de conforto… ou algo do tipo.
- Eu sei disso, Mai. Mas acho que vale a pena. – ele se afasta o suficiente para olhar nos olhos amedrontados da garota – Você vale a pena.
- Naru… — os olhos da garota brilharam.
- Eu gosto quando seus olhos brilham assim. – ela sorriu – Eu também gosto quando sorri.
- O que mais você gosta?
- Gosto quando você fica corada por minha causa. Gosto quando fica envergonhada e nervosa por minha causa. – ele acariciou o rosto dela – Gosto quando você se arrepia quando eu a toco.
- Bem, eu gosto quando você sorri para mim. Gosto quando você me abraça e me beija. Gosto quando você está feliz. – ela acariciou a nuca do garoto e ele grunhiu, fechando os olhos em prazer – Ah, eu gosto quando você faz isso também. – ela riu, alegre.
- Mai, eu tenho de avisá-la… — ele abre os olhos, sério e pega a mão dela, entrelaçando seus dedos.
- Sobre o que?
- Eu não sou bom com isso. Com…sentimentos. Eu nunca estive nesse tipo de relação e não sei como… agir.
- Não se preocupe, Naru. Vou ensinar para você. Tem umas coisas que não sei, mas vamos aprender juntos. — ela sorri.
- Também terá horas… em que eu vou machucá-la. Você vai querer que eu aja de um jeito, mas eu não vou, e então você vai sair machucada sem que eu perceba.
- Bem, eu nunca disse que gostar de você era fácil. – ela sorri – Não se preocupe. Se eu posso lidar com fantasmas malucos, posso lidar com um pouco de dor.
- Não sei se será um pouco, Mai. Pode ser muita dor. Mesmo que eu não queira machucá-la, terá vezes que eu vou fazê-lo.
- Naru, pare de… de pensar. Isso é o futuro. Vamos enfrentar juntos quando vier.
- Tem certeza? Eu vou entender se não quiser…arriscar.
- Bem, eu sou uma idiota. Acho que vou arriscar sim. – ela sorri, lascando um beijo em seus lábios e recuando, suas bochechas vermelhas.
- Vamos dormir, sim? – ele recua, pegando a garota pela cintura e colocando-a no chão – Não quero me atrasar por causa de você.
- Senhor, sim, senhor! – ela ri, batendo continência – O quarto é ali, Naru. Boa noite.
- Espere. Você vai dormir no quarto, Mai. Eu vou ficar na sala.
- Eh? Não, não, eu não poderia deixar você dormir no chão, Naru. Está tudo bem. Você fica na cama.
- Não. A casa é sua e eu nunca deixaria minha namorada dormir no chão quando há uma cama em perfeito estado. Eu tenho princípios. – ele diz, olhando-a seriamente, assistindo o rosto da garota ficar completamente vermelho ao ouvir a palavra namorada. Ela estava feliz assim por causa de uma palavra?
- Bem, meus pais me ensinaram nunca deixar um hóspede desconfortável. Então, você vai dormir na cama e ponto final. – ela cruza os braços sobre o peito.
- Não, eu não vou, e ambos sabemos que você não vai ganhar essa discussão.
- Eu não saio daqui até você deitar na droga da cama e dormir. – ela diz teimosamente.
- Certo. – ela sorriu, pensando que havia ganhado – Então vamos dormir juntos.
- J-j-juntos?!
- O que? Está com medo que eu a ataque no meio da noite? – ele pergunta, provocando-a.
- N-n-não! – ela gagueja, vermelha. Aquilo com certeza era embaraçoso.
Mai não estava com medo de nada, ela confiava em Naru completamente. Mas era a primeira vez que ela dormiria com alguém na mesma cama do sexo oposto. É lógico que ela estava nervosa. Ou seria ansiedade? Se ela dormisse com Naru, teria a chance de ver o rosto dele enquanto dormia. Aquela era uma chance em um milhão. Mas! E se enquanto ela dormisse, ela fizesse algo constrangedor? E se ela se mexesse demais na cama e acabasse machucando o chefe, ou melhor, namorado? E se depois disso, ele voltasse atrás e desistisse de namorá-la?
- Deite logo Mai, ou vai amanhecer. Quero você completamente descansada e acordada amanhã. – Naru diz, andando até a cama e deitando-se do lado direito, encarando o teto.
- O-okay. – Mai vai até a cama devagar, deitando-se e soltando um gemido baixinho. Estava frio. Ela se enrolou no edredon, segurando-o com força contra seu corpo e olhou para Naru ao seu lado, que parecia estar bem confortável.
Ela voltou a olhar para o teto e tentou se concentrar em outra coisa. Pensar em outras coisas. Hm… Ayako era realmente uma boa amiga. Espere. Se ela pensasse nela, pensaria no Bou-san e então pensaria neles dois se beijando hoje na festa, o que a levaria a pensar sobre ela beijando Naru! Não, não! Outro pensamento! O caso! Sim, o caso! Pelo que o chefe havia dito, o caso na Inglaterra seria difícil e perigoso. Coisas se mexendo, barulhos inexplicáveis, gritos no meio da noite, portas fechando-se sozinhas, passos. Além de que era fácil se perder na montanha e muitos haviam morrido na casa. Seria ótimo se seus sonhos não fossem assustadores. Ela apenas desejava que eles acabassem esse caso rapidamente, sem ninguém saindo ferido. Ela odiaria ir parar no hospital de novo. Se bem que aquele médico...Ryu? Sim, Ryu fora bem gentil e quando seus amigo não estavam lá, ele a fazia companhia. O engraçado era que ele sabia muito sobre paranormalidade. Ele havia dito que gostava de ler coisas sobre isso, uma espécie de hobbie.
Tac-Tac-Tac-Tac.
Um barulho? Da onde? Será que o teto estava furado ou algo assim? Era alguém batendo na porta?
Tac-Tac-Tac-Tac.
- Mai, pare de tremer.
Oh, eram seus dentes. Eles estavam batendo uns contra os outros por causa do frio. Agora que parou para notar, todo o seu corpo tremia.
- Pare de tremer. – Naru diz novamente.
- N-n-não c-consigo. F-frio. – ela murmura, tentando parar de tremer.
- Ligue o aquecedor.
- E-está q-quebrado.
- Você deveria ter consertado antes do inverno, não?
- N-n-não...N-não t-t-tenho d-d-dinheiro.
- Faça algo. Se não, nós dois não conseguiremos dormir. – Naru diz friamente e Mai tenta resmungar algo, mas acaba mordendo sua língua.
Ela suspira, frustrada com a insensibilidade dele. Ele bem que poderia se mostrar mais preocupado, não? Bem, não que ela esperasse que ele mudasse seu jeito de ser só porque eles agora namoravam, mas ainda assim... Ele poderia ao menos se oferecer para fazer chá ou algo quente para ela, não? E de novo, ela estava sendo egoísta. Ela sabia que Naru nunca mudaria seu jeito de ser por ninguém, muito menos por ela, mesmo que a amasse como disse. Bem, ela também não queria que ele mudasse, afinal ela havia se apaixonado pelo chefe idiota, arrogante, narcisista, orgulhoso e autoconfiante.
Naru, por sua vez, tentava ignorar o fato de estar deitado na mesma cama que Mai, e que ela estava a centímetros de distância de si. Quando ele havia sugerido para dormirem juntos, não pensou que seria tão difícil assim. Ele só teria que pensar em outras coisas e então deixar o sono tomar conta de si. Mas tudo que vinha a sua mente era Mai. Apenas...Mai. E agora, dita garota estava tremendo de frio ao seu lado. Sinceramente, ele estava preocupado. Fazia apenas duas semanas que ela havia sido liberada do hospital e ele ainda não confiava no fato de ela estar inteiramente saudável.
Naru olha para o lado, observando a garota que amava tremendo. Seus lábios estavam ficando azulados e sua pele, antes rosada, tinha um tom pálido. Respirando profundamente, ele se senta e a olha.
- Você não secou seu cabelo completamente. Por isso está com frio. – ele diz, pegando uma mecha entre seus dedos, mas ficando decepcionado ao ver que o rosado que normalmente cobria suas bochechas quando ele a tocava não apareceu.
- Oh...
- Tire.
- Eh? – Mai o olha, sem entender.
- Sua blusa. Tire. – Naru diz novamente, tirando a própria blusa.
- O q-q-que e-está f-f-fazendo? – a garota gagueja, nervosa e afastando-se, mas ele segura seu pulso.
- Tire, ou então ambos adoeceremos por causa do frio. – ele diz, deixando claro que não aceitava um não como resposta.
Mai o olha, claramente desconfortável com a ordem, mas se ele havia mandado ela tirar a blusa, devia ter um bom motivo, não? Naru sempre fazia as coisas por uma boa razão. Vagarosamente e evitando o máximo olhar diretamente nos olhos dele, Mai vai tirando sua blusa. Agora, ela não sabia se estava tremendo de frio ou de nervosismo. De repente, sua blusa é arrancada de seus braços, e ela sente braços fortes e quentes arrodeando seu pescoço e cintura, e então ela cai na cama.
- N-n-naru! – a garota tenta se afastar. Deus, como ela agradecia estar usando sutiã.
- Quieta. Estou impedindo que tenha uma hipotermia. – Naru diz, e ela sente a respiração quente dele em seus cabelos.
- E c-como isso vai ajudar?! – ela diz, enquanto se contorcia.
- Calor corporal é a melhor maneira de se esquentar. É uma regra básica de sobrevivência, Mai. Pensei que ao menos disso soubesse.
- E-eu sei! – Mai retruca, irritada.
Ela podia sentir o calor que o corpo de Naru emanava, e podia sentir também todo o peito nu dele contra o seu.
- Ele tem tanquinho. – Mai pensa, deslizando a mão casualmente e então ficando vermelha. Desde quando ela saia acariciando os outros tão intimamente?! Ela balança a cabeça, envergonhada. Então ela olha para o que tinha a sua frente. O peito dele. Era tão branquinho. Ela imagina o que aconteceria se Naru ficasse um dia inteiro na praia. Ele iria ficar vermelho ou moreno? Ela sorriu ao pensamento. Então ela escutou um barulho. Não seus dentes tremendo, já haviam parado há alguns minutos, mas um barulhinho constante e rápido, e estava vindo de Naru. Parecia com...
Era o coração dele! Caramba, estava batendo tão rápido quanto na vez que ela o beijara pela primeira vez. Então ele também estava nervoso. Nossa, era realmente um alivio saber que ela não era a única ali. Mai sorriu, aconchegando-se mais contra o peito do namorado e sentindo os braços ao seu redor se adaptando, puxando-a para mais perto dele e de seu corpo.
- Nossos corações estão batendo no mesmo ritmo. – ela sussurra, passando seus dedos gentilmente pelo peito do garoto e então olhando para cima – Eu te amo, Naru. – ela sorri. Não um sorriso qualquer. Era o sorriso que expressava pura e verdadeira felicidade, que fazia os olhos dela brilharem do jeitinho que Naru adorava e que fazia seu coração, antes intocado por sentimentos e frio, aquecer de uma forma incontrolável e desejar prendê-la em seus braços, só para si, beijá-la, tocá-la como ele nunca havia imaginado antes, deixar sua marca nela. Fazê-la sua e apenas sua.
- Mai. – ele a olha por alguns segundos, vendo o mesmo desejo nos olhos dela.
Sem perceberem, seus rostos vão se aproximando. Centímetros, milímetros, até não restar mais nenhuma distância separando-os. Seus lábios se conectavam de uma maneira única, moldando-se ao do outro, querendo mais com o passar dos segundos, mostrando todo o amor que foi escondido por tanto tempo.
Mai sentiu seu corpo sendo movido e logo ela estava deitada em cima de Naru, o beijo nunca sendo interrompido. Suas línguas se moviam de forma frenética, buscando uma pela outra, explorando a boca do amante, movendo-se em um tipo de dança onde só eles sabiam o ritmo. As mãos dele, agora livres, percorriam as costas de Mai, acariciando cada curva de seu corpo e sentindo ela estremecer contra suas mãos. Primeiro, ele pensou que era pelo frio, mas quando ouviu ela gemer em sua boca, sorriu maliciosamente e continuou a explorar seu corpo.
Eles quebraram o beijo após alguns segundo por falta de ar, então Naru a beijou novamente, usando seus braços e pernas para trocarem de posições. Logo, ele estava distribuindo beijos pelo seu pescoço, fazendo-a gemer baixinho em seu ouvido. Enquanto isso, usava uma das mãos para acariciar a barriga dela, a cintura e as coxas.
De repente, ele percebeu o que estavam fazendo.
- Não devíamos… — ele sussurra ofegante, olhando para ela, tentando seu melhor para não perder o controle.
- Não... — ela sussurra, mas seus olhos estavam fixados nos lábios dele.
Ela passou seus braços ao redor do pescoço dele, esticando seu pescoço e beijando-o apaixonadamente. Usando um pouco de força, ela conseguiu virar e ficar por cima dele. No momento em que ele sentiu as mãos dela em seu corpo, movendo-se, acariciando, fazendo-o se sentir como uma presa, ele reagiu. Naru não era a presa. Nunca. Ele era o caçador e não seria agora que isso mudaria.
Ele abraçou o corpo delicado da garota, mantendo-o colado ao seu. Ele podia sentir seus seios movendo-se contra seu peito, mas ele não queria daquele jeito. Queria sentir a pele nua dela contra a sua, não um pedaço de roupa, que apesar de tentador, ficaria melhor quando estivesse no chão. Seus dedos foram gentilmente encontrando seu caminho até o fecho do sutiã e escutando um estalar. Mai parou os beijos no pescoço e peito dele ao ouvir isso, mas não teve tempo de pensar, pois um segundo depois, o sutiã estava no chão e Naru estava trabalhando seu caminho na calça do pijama dela, que logo teve o mesmo destino.
Ele virou e ficou por cima dela, seus joelhos e mãos apoiando-o. Olhou para o corpo seminu e não pode deixar de ficar surpreso no quanto ela havia crescido desde seu primeiro encontro. É verdade que ela ainda iria se desenvolver mais do que aquilo, mas agora, ela estava linda. Seus lábios estavam inchados e vermelhos dos beijos, seu pescoço, ombros e colo tinham marcas avermelhadas; seu rosto estava rubro, sua respiração irregular. Naru sabia que, naquele momento, a palavra sexy combinava perfeitamente.
Ele a beijou com volúpia, querendo mais daquele corpo. Mai respondeu imediatamente, suas mãos viajando por suas costas, suas pernas roçando nas dele. Seus beijos foram descendo pelo pescoço, ombro, colo e finalmente alcançaram seu alvo principal. Ele tomou um seio em sua boca, fazendo a garota gemer e suas mãos se perderem nos cabelos negros de Naru. Ele lambeu, mordeu, sugou, beijou, acariciou com os lábios e a língua, até seus mamilos ficarem rígidos de prazer. Logo, sua outra mão estava ocupada com o outro seio, envolvendo-o, apertando-o, massageando-o e descobrindo pontos sensíveis.
Mai só podia gemer enquanto Naru descobria sobre seu corpo. Algumas vezes, quando ela acariciava alguma parte do corpo dele exposta, ele grunhia contra seu seio e Mai descobriu que aqueles pontos eram onde ele mais sentia prazer. Ela levantava sua perna entre as dele lentamente e roçava seu joelho contra a masculinidade dele, de forma sensual e prazerosa apenas para vê-lo ofegar e olhá-la com olhos cheios de luxúria e desejo, quase como se ela fosse algo de comer, ou no caso de Naru, seu tão precioso chá.
Naru se afastou, pegando os dois pulsos de Mai e prendendo-os acima de sua cabeça. De joelhos, prendendo o corpo de Mai entre suas pernas, o garoto usou sua mão livre para acariciar tudo a seu alcance e beijar todo o seu tronco nu. Ele gostava de sentir a barriga dela estremecendo sob seus lábios quando ele a beijava ali. Ele gostava de ouvir os gemidos que escapavam de seus lábios quando ele acariciava suas pernas e ao mesmo tempo beijava seu pescoço.
- N-naru…
Ele a olhou e sentiu seu coração parar. Ela estava linda. Seus lábios vermelhos e inchados dos beijos, seus olhos tinham total submissão, mas pareciam prestes a se rebelar a qualquer momento, querendo mais daquele prazer; sua respiração estava ofegante, fazendo seus seios dançarem a cada inspiração. Deus, ele queria tomá-la ali e agora.
Sem perceber, Naru afrouxou o aperto sob os pulsos dela e Mai aproveitou a chance e puxou o rosto de Naru de encontro ao seu, beijando-o. Ela desejava aqueles lábios, o beijo capaz de fazê-la esquecer sobre todo o mundo e pensar apenas nos dois. Ela arquejou ao sentir a mão dele descendo por seu abdómen, alcançando a última peça de roupa restante. Naru desceu seu corpo, beijando todo o caminho até as coxas dela, para então levantar seu troco o suficiente para usar seus dedos e delicadamente puxar a calcinha rendada, revelando a última parte do corpo dela.
Naru ficou alguns segundos apenas observando-a, então gemeu ao sentir a perna de Mai roçando novamente em sua erecção.
- Mai… — ele olhou para a garota, que deu um jeito de virá-lo e ficar por cima novamente.
Naru a olhou surpreso por um momento, mas viu que seu rosto estava vermelho. Ela estava nervosa, ele sabia, mas como ela ainda podia enfrentá-lo assim?
- E-eu q-quero tentar… — ela sussurra, abaixando-se e beijando Naru nos lábios. Ela capturou o lábio inferior dele entre os seus, puxando-o levemente e depois o beijou brevemente. Assim que ela sentiu ele reagindo, afastou-se, ouvindo um grunhido de frustração. Ela sorriu, feliz por estar conseguindo o que queria.
Mai beijou a bochecha de Naru, indo para a orelha e passando sua língua nela de forma sensual, sentindo o garoto estremecer e gemer em seu ouvido. Ela mordeu levemente e passou a beijar seu pescoço, roçando seus lábios nele, sugando os pontos em que ela sentiu ele reagir mais. Foi fazendo todo o caminho até o peito definido dele. Suas mãos viajavam pela barriga, pelo abdomen, seus dedos desenhando os músculos e brincando com os mamilos dele, que tentava seu melhor não se render a tentação que o corpo de Mai era. Algumas vezes ele gemia, outras apenas grunhia, mas era certo que ele estava aproveitando aquilo. Todo seu corpo queimava de desejo e ele sabia que logo iria saciá-lo. Por enquanto, ele deveria prepará-la.
Naru usou seus braços para empurrar o corpo nu da garota para o lado, sem separar-se dela por um segundo. Ele a beijou exigentemente, mostrando o quanto a queria. Seus dedos foram descendo e descendo, e logo Mai soltou um gritinho, sentindo os dedos de Naru em seu sexo. Ele a olhou, satisfeito com a reação e friccionou dois de seus dedos contra a feminilidade dela, ouvindo-a gemer. Ele a beijou e lentamente introduziu dois dedos dentro dela, observando o corpo dela arquejar e seus seios saltarem, fazendo Naru ficar na dúvida entre torturá-la ali, ou mais para cima. Com um sorriso de canto, ele levantou seu corpo, subindo pelo corpo da garota e distraindo-a com suas caricias. Quando ela percebeu, o garoto tinha um de seus seios a sua mercê e seu sexo completamente exposto só para ele. E oh Deus, ele realmente sabia como tocá-la. Era como se ele soubesse exatamente como apertar e fazer funcionar cada botão no corpo dela. Cada lugar de prazer. Cada pedacinho de pele sensível.
Mordendo os lábios, Mai deixou seus dedos se perderem nos cabelos negros do rapaz, que continuava distraído, movendo seus dedos no interior dela e fazendo-a desejar mais. Então ele ouviu os pequenos murmúrios de prazer e olhou para seu rosto, um sorriso malicioso tomando conta de sua face.
- Não entendo porque tenta esconder sua voz, Mai, se logo estará gritando o meu nome. – ele sussurra roucamente em sua orelha, roçando seus dedos lentamente, mas com certa pressão sobre o clítoris dela, fazendo a garota gemer seu nome sensualmente em seu ouvido.
Naru beijou o pescoço de Mai, deixando sua língua deslizar por toda a extensão, enquanto seus dedos se ocupavam das partes mais baixas. Lentamente, e pelo que Mai achou, cruelmente, ele foi descendo por seu corpo, explorando tudo mais uma vez, nunca tendo o suficiente dela. Mai podia não ter notado, mas as duas mãos do rapaz agora estavam em suas coxas, flexionando-as em direção a barriga da garota e afastando-as o quanto achou necessário. Olhando para sua mão direita, ele percebeu seus dois dedos, indicador e médio, melados e curiosamente, passou a língua por eles, sua boca sendo invadida por um sabor tão delicioso quando seu chá. Talvez aquilo fosse se tornar seu próximo vício.
Primeiro, Naru provocou a garota. Era tão divertido vê-la estremecer sobre seus beijos, vê-la olhando-o com tanta luxúria e desejo nos olhos, implorando silenciosamente para ele dar atenção ao lugar entre suas pernas, mas ser frustrada. Ela poderia nunca entender, mas aquilo com certeza era divertido. E talvez pudesse se tornar uma de suas pouquíssimas formas de diversão. Uma pena seu corpo, naquele momento, estar mais interessado em obedecer aos desejos da garota.
Lentamente, ele deixou sua língua deslizar para dentro do sexo dela, ouvindo atentamente aos ofegos e gemidos dela. As paredes internas de sua feminilidade iam aos poucos prendendo sua língua, diminuindo o espaço de liberdade, mas ele não desistia assim facilmente. Ao primeiro sinal do corpo de Mai estar tentado expulsar o invasor, ou melhor, tentar mantê-lo ali, ele separou ainda mais suas pernas, mergulhando com força em seu sexo, deixando sua imaginação correr livre e sua língua fazer o que quisesse ali. Ele tinha certeza pelo modo como Mai gemia e gritava seu nome, de que ela não se importava.
Ele encontrou um ponto, onde ao menor toque, a garota ficava mais apertada, como mais molhada. Foi fácil fazê-la gozar. Tudo que teve de fazer foi roçar sua língua lentamente por aquele local especial e pronto. Era como ter o interior da garota derretendo numa explosão e escorrendo para dentro de sua boca, tão devagar que ele teve de usar sua língua e lábios para conseguir tudo o que queria. Seria um desperdício estragar uma única gota.
- Mai, eu acho que encontrei algo para substituir o chá. – ele fala, olhando diretamente em seus olhos – O que você acha? – ele sussurra em sua orelha, beijando-a. A resposta foi abraçá-lo com força e esconder seu rosto no pescoço do garoto, mordendo-o e murmurando algo. – Hm?
- Pervertido!
Naru se afastou, percebendo que até mesmo as orelhas da garota estavam avermelhadas. Com um brilho selvagem em seus olhos e um leve sorriso de canto em seus lábios, o garoto a beijou. Ele sentiu o orgulho tomar conta de si ao pegar o pequeno pacotinho preto no bolso da calça que Mai lhe dera. Ele realmente tinha feito uma boa escolha ao tirá-lo de sua calça molhada e coloca-lo ali.
- Naru? – ela o olha, curiosa.
- Shh. – ele a beija o suficiente para deixá-la tonta e aproveita o momento para tirar suas calças e deslizar o preservativo em sua erecção. Ele volta a ficar em cima dela, beijando-a e voltando a acariciar seu corpo, fazendo a garota abraçá-lo e responder igualmente. Ele a preparou lentamente, relaxando seu corpo, acariciando-a, afastando suas pernas com calma e gentileza, ajeitando seu corpo em cima do dela para que não a machucasse mais do que já iria. De repente, Mai o empurra, encolhendo-se e abraçando o próprio corpo, tremendo e com os olhos cerrados, como se estivesse com medo de olhar para ele.
- Mai? – ele a olhou, surpreso.
- E-e-eu… M-me d-desculpe. E-eu n-não consigo… — ela gagueja, abraçando-se com mais força.
- Está com medo? – Naru pergunta gentilmente, virando seu rosto e acariciando sua bochecha.
- S-s-sim.
- Você lembrou do sonho? – os olhos da garota se arregalam e ela concorda com a cabeça. – Mai, eu não vou mentir para você. Isso vai doer, é natural. – então ele sorri –
Mas eu… eu… — ele tropeçou nas palavras, ficando nervoso, enquanto a garota o olhava, admirada e esperançosa — Eu t…
- Shh, está tudo bem, eu entendo. – ela sussurra, abraçando-o com força, escutando ele suspirar em seu pescoço – Você não precisa se forçar a dizer nada. Está tudo bem.
Caramba, ele era patético. Não conseguia falar três palavras juntas. E era ele quem deveria estar confortando a garota, não ao contrário!
- Eu posso esperar.
- Eh?
- Eu posso esperar por você. Se você realmente não quiser… Eu vou esperar. – ele a olha, sério.
- Não precisa. Eu quero. Quero estar com você. Quer ser parte de você. E um dia, quero escutar você dizendo o que não consegue dizer agora. – ela sorri, beijando-o.
Naru responde imediatamente ao beijo, e quando se separam, sorri, segurando a mão dela com força e esperando a confirmação. Mai o olha por alguns segundos. Naru nunca a machucaria de propósito. Ela poderia aguentar um pouco de dor por ele. Ela sabia que mesmo ele dizendo que podia esperar, na verdade desejava continuar aquilo. Ela podia ver o quão excitado ele estava. Ela olhou para ele e sorriu.
Lentamente, o garoto roçou seu membro rígido e pulsante contra o sexo dela, os dois gemendo mutualmente em antecipação ao que estava prestes a acontecer. Naru entrou vagarosamente nela, parando na barreira para olhá-la e receber um lindo sorriso. Ele a beijou e num forte empurrão, penetrou-a completamente. Ela fechou os olhos com força, usando uma mão para apertar o lençol e outra para apertar a mão de Naru, que nunca soltou a sua por um momento. Ele estava certo, doía, mas não era a mesma dor que havia experimentado no sonho. Enquanto ela havia sentido pânico, tristeza e desespero, seu coração batendo desconfortavelmente contra seu peito e seu corpo parecer estar quebrando em milhões de pedaços, agora ela sentia felicidade, alegria, prazer, seu coração batia furiosamente contra seu peito, ansioso por mais daqueles sentimentos, assim como seu corpo pedia por mais. Mai queria mais.
Ela abriu seus olhos, percebendo que Naru estava observando-a e corou. Ao ver isso, o garoto sorriu, beijando-a e sendo correspondido.
- Está doendo muito? – ele sussurra, preocupado.
- Não… — ela move seu quadril, sentindo o membro dentro de si deslizar e provocar uma onda de prazer, fazendo-a gemer.
Naru a observou por alguns segundos e então começou. Era um ritmo lento, apenas a cabeça de seu membro entrava em seu interior, e então ele tirava. Aos poucos, começou a ir mais fundo, mais ainda sem força alguma. Quando a garota começou a mover seu quadril contra o dele, ele finalmente resolveu avançar mais. Começou a penetrá-la com força, mas sem velocidade. Eram estocadas lentas e cada vez mais profundas.
Mai não estava gostando nada da lentidão de Naru. Por que ele não… sei lá, entrava dentro dela com tudo?! Ela queria isso, apesar de ser bastante embaraçoso pedir. Ela não tinha coragem. Talvez ela pudesse… Não, Naru nunca seria manipulado por ela. Mai o olhou, admirando sua face e feições perfeitas, seu corpo perfeitamente esculpido. Ele com certeza parecia um daqueles príncipes de conto de fadas. Bem, era hora de tentar fazer esse príncipe agir com mais intensidade. Tentar não custava nada.
Mai deslizou as mãos por seu peito, atraindo a atenção do garoto, mas que não parou os movimentos. Ela acariciou seu rosto, vendo-o fechar os olhos e suspirar. Com calma, foi atiçando o desejo do rapaz, usando todo o seu charme, gemendo seu nome mais do que necessário, acariciando seu corpo de modo lento e sensual, assim como ele estava fazendo com ela, deslizando suas pernas pela cintura dele e cruzando-as em suas costas, sentindo quando o membro do rapaz foi mais fundo do que ele queria, fazendo-o grunhir em prazer, assim como o corpo dela estremecer.
Naru abriu os olhos, desistindo de resistir a garota. Se era guerra que ela queria, guerra ela teria. Ele a beijou lentamente, percebendo que ainda estava enganando-a, e a penetrou com toda a força e velocidade que conseguiu reunir em uma única estocada. O resultado foi imediato. Ela gritou, abraçando-o com força e ofegando, mas ao contrário do que ele pensava, ela não parou. Ah não, ela começou a tentar tomar controle! Há, como se ele fosse permitir agora.
Não se importando mais com controle ou qualquer outra barreira que tenha criado para não machucá-la, ele começou a penetrá-la com agilidade. Entrando e saindo, entrando e saindo, entrando e saindo… Seu corpo agora estava no automático, invadindo-a sem misericórdia, com um único objetivo: mostrar o quanto ele realmente a amava e desejava. Quem disse que amor só pode ser expresso com palavras?
Naru atingiu seu ponto sensível diversas vezes, escutando Mai gritar seu nome em prazer e aquilo só o fazia querer mais. Ele notou que novamente as paredes internas da garota estavam encolhendo, apertando seu membro com força e fazendo-o soltar leves gemidos, só camuflados pelos da garota. Mudando sua tática, ele começou a penetrá-la completamente e sair devagarzinho, escutando os pequenos gemidos, então repetia o processo. O ritmo era lento e sofrido para Mai, que sentia como se seu corpo estivesse em chamas. O garoto sabia e fazia de propósito.
- M-mais…rápido… — ela sussurra, tentando mover seu corpo e aumentar o ritmo por conta própria.
Naru deu um sorriso de canto, mas continuou com o ritmo lento.
- Tem certeza de que consegue me aguentar, Mai? – o garoto pergunta roucamente em seu ouvido, fazendo o corpo da garota estremecer em prazer.
- Rápido… Nghh!... Forte…
- É isso que você quer, Mai? – ele penetra-a profundamente, apenas uma única vez, arrancando um grito da garota, que cravou suas unhas nas costas dele e aproximou seus corpos mais ainda.
- N-na-naru… Ah… S-sim…
- É o que você quer?
- Sim… Ah… Eu q-quero…
- Peça. – ele continuou provocando a garota com movimentos lentos, mas não a penetrava mais, apenas roçava seus sexos, e acredite, aquilo funcionava quase tão bem quanto a verdadeira penetração em Mai. Seu corpo estava em chamas!
- E-eu q-que-quero… você… Naru… — ela sussurrou, tentando mexer seu corpo de forma a encaixar suas cinturas novamente e fazê-lo penetrar dentro de si novamente.
- O que foi isso? – ele beija seu pescoço – Eu não escutei.
- E-eu quero… você…Por favor… — ela tenta de novo. Naru desvia seu corpo. Ela falha.
- O que você quer, Mai?
- Por favor! Eu quero você dentro de mim! – ela não teve tempo de pensar. Assim que a última palavra deixou sua boca, Naru já estava dentro dela.
- Mai…! – Naru forçava seu corpo a ir cada vez mais rápido de encontro ao dela. Quando ele a ouviu implorando, pedindo e suplicando por si, não pode resistir. Ele tinha que obedecer.
O jeito que ela murmurava e gemia seu nome, as mãos dela em suas costas e seus cabelos, as pernas esguias e firmemente plantadas ao redor de sua cintura, os pequenos sorrisos que ela mostrava uma vez ou outra quando ele atingia o lugar certo, os murmúrios de prazer que faziam o ego do rapaz ir as alturas, o jeito que o corpo dela se movia contra o seu, tentando acompanhar o ritmo.
Rápido, mais rápido, cada vez mais rápido. Ele podia sentir que estava perto do clímax, e estava certo. No momento em que Mai gritou, abraçando-o com força e gozando, o corpo de Naru respondeu imediatamente, fazendo o garoto alcançar o clímax e gemer no pescoço dela. Mas ele não parou os movimentos. Continuou movendo seu corpo contra o dela por alguns segundos, aproveitando a sensação de fricção misturada com seus fluidos, mas foi parando aos poucos antes que provocasse a reação reversa, permitindo Mai e a si mesmo a recuperarem o fôlego.
- Naru? – Mai sussurra, ao sentir o garoto se movendo para seu lado, abraçando seu corpo nu junto ao dele e envolvendo-os com o edredon.
- Sim? – ele pergunta, aspirando ao perfume dela novamente, enquanto seus dedos acariciavam suas costas e seus cabelos.
- Eu te amo. – ela se aconchega contra ele, sorrindo.
- Eu sei, Mai. – ele sorri, beijando sua cabeça – Vá dormir, amanhã será um longo dia.
E nos braços um do outro, eles adormeceram.
Mai acordou com o toque de seu celular. Assim que sua mão tocou o aparelho, o som cessou. Ela abriu os olhos e viu algo branco. Ela piscou algumas vezes, mas continuava lá e não era seu lençol. Ela tocou e imediatamente sentiu o calor sendo transmitido para sua mão e para todo o seu corpo. O que era aquilo? Ela ainda estava sonhando? Mai olhou para cima, notando algumas marcas avermelhadas ao longo do caminho. Então ela viu fios negros, lábios, nariz.
- Naru! – ela colocou as mãos na boca, tentando abafar o grito. O corpo ao seu lado se moveu, deitando-se de barriga para cima, mas ainda adormecido. Os olhos da garota se arregalaram ao constar que ele estava sem blusa. Ela olhou para seu próprio corpo e sentiu um calor familiar tomar conta de suas bochechas. Ela puxou o lençol, cobrindo seu corpo nu.
“Eu e o Naru… Realmente aconteceu. Não foi um sonho. Nós… Tão embaraçoso! Eu não acredito que fizemos aquilo! Mas… estou tão feliz!”
Mai sorri bobamente, olhando para o rosto de seu namorado. Sim, seu namorado. Ela finalmente conseguira! Levara um bom tempo para fazê-lo entender, mas conseguira. Quem diria que ele era tão… inexperiente com sentimentos que não pôde nem mesmo perceber que estava apaixonado. Mas ela conseguira fazê-lo entender. Ele mesmo havia admitido. E ainda tentara falar as três palavrinhas mágicas! Tudo bem, ele não falou, mas Mai pode ver no momento que ele realmente sentia o que não conseguia expressar em palavras. E sinceramente, ela não se importava. Era muito mais fofinho assim. Fofo. Essa palavra não combinava muito com ele. Mas ele estava assim, fofo, quando gaguejara feito um bobo, tentando colocar seus sentimentos em palavras.
- Tão fofo! – ela sussurra, rindo baixinho.
- Por que está sorrindo feito uma idiota enquanto olha para minha face adormecida? – a voz vem rouca e faz a garota estremecer, olhando para cima rapidamente.
- V-você estava acordado? – ela sussurra, não mais confiando em sua voz.
- Sim. Então, qual a resposta? – vendo que ela não ia falar, ele sorriu maliciosamente – Mais uma vez eu sei a resposta e você não. – ele se aproxima lentamente do rosto da garota, segurando sua cintura e rosto próximos de seu corpo para que ela não se afastasse – Você. É. Uma. Pervertida. – ele pronuncia palavra por palavra, quase rindo ao ver o rosto da garota ficar tão vermelho quanto um morango. Quase.
- N-n-não… Não sou! – ele apenas a abraçou mais forte, fechando os olhos e ficando em silêncio.
Naru precisava pensar. Eles haviam feito…amor. Sim, feito amor. Além de ser um termo mais delicado, combinava mais com Mai, assim com o que ele sentira durante. Ela o amava e ele sentia o mesmo. Isso significava que estavam em uma…relação? Ele suspirou, quase batendo em si mesmo. Era óbvio que sim! Bem, primeiro ele cuidaria das prioridades.
- Mai?
- Por favor, não diga que você está arrependido. – a garota diz, olhando-o com medo. Agora que parou para ver, o corpo inteiro da garota tremia de medo.
- Não estou. – ele a traz para mais perto de si — Eu nunca me arrependeria do que aconteceu ontem, Mai. Mesmo se isso… nós, não der certo, não vou me arrepender. – ele a ouviu suspirar, aliviada.
- Você realmente me assustou, Naru. Você estava tão sério por uns minutos que eu pensei que…
- Shh. – ele a beija, impedindo-a de ir adiante – Eu só estava pensando.
- Sobre o que?
- Primeiro eu queria saber se você está bem.
- Bem? – após ver o significativo olhar dele sob seu corpo, ela cora – Ah, s-sim, só um pouco dolorida. S-sobre o que estava pensando?
- Sobre nós. Sobre onde nós estamos depois de ontem.
- Na minha casa, Naru. – ela responde, olhando-o estranhamente e o garoto suspira.
- Mai, eu quis dizer nossa relação. Algo com certeza mudou.
- Ah. Ahh! – ela concorda, finalmente entendendo e então sorrindo – Qual a sua conclusão?
- Você é a experiente aqui. Diga você.
- Hm… Eu gostaria muito de dizer que estamos namorando. – ela sorri – Mas vamos chamar de ‘ficar’.
- Ficar? – ele repete, com uma sobrancelha erguida. Havia ouvido Yasuhara falando algo sobre isso – Eu não gosto desse termo.
- Por que?
- Se o que eu escutei for verdade, significa ter um caso com alguém sem compromisso algum, responsabilidade ou seriedade, de pouca duração e sem sentimentos. Isso não é o que eu quero ter com você.
- Naru… — a garota o olha, emocionada, então ri – Você é sempre tão sério. Vai ser divertido arrancar uma risada de você. – então ela sorri – Não se preocupe. O meu ficar é diferente. Vai ser como uma…experiência.
- Desse termo eu gosto. – ele dá um sorriso de canto e ela revira os olhos.
- É claro que você gosta. – ela sorri sarcasticamente, então o olha -Vai ser um… pré-namoro. Vamos ver se nós dois damos certo. Quero dizer, nós somos completamente opostos.
- Ouvi dizer que opostos se atraem. – ele beija seus lábios, um sorriso sedutor pairava em sua face.
- Vamos comprovar. – ela sussurra contra seus lábios, sorrindo e beijando-o.
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