Eternity
1 Um bom começo...
Última semana de janeiro, na próxima já começam as aulas. não sei o que esperar para esse ano, cidade nova, escola nova, pessoas novas. Parece que vai ser a mesma coisa se sempre, paixões platônicas, bullying, e sono, muito sono...
Eu e minha mãe sofremos muito pela morte do meu pai, já minha irmã não parece ter se abalado tanto, talvez por causa da ausência dele na vida dela. Resolvemos mudar pra cá após a morte dele, tudo na casa antiga nos fazia lembrar dele, e não queríamos mais sofrer...
Mas enfim, a vida continua...
Enfim, fevereiro, segunda-feira, primeiro dia de aula. Fiquei esperando meu nome ser chamado para eu saber em qual turma eu estaria, até que chamam, fui para o 1° ano B.
Entrei na sala, e lá já tinha uma professora, estava sentada numa cadeira bem no canto da sala, observando a lista de alunos. Ela usava seus óculos de armação marrom, que estavam bem na ponta do nariz.
— Você deve ser o Guilherme, estou certa? — Disse ela, olhando por cima dos óculos.
— Sim, Guilherme Franco, sou eu. — Respondi tentando ser simpático.
— Pode escolher uma mesa para você, fique à vontade. — Ela me disse isso ainda olhando por cima dos óculos.
— Obrigado! — respondi com um tom animado.
Ela fazia isso com todos os alunos, e a velha acertava o nome de todos. Impressionante!
Mas enfim, vi um lugar vazio, a terceira mesa da fileira da parede com janelas, e foi lá que eu me acomodei.
Tinham poucas pessoas na sala, no máximo 20 pessoas...
Na mina frente, tinha um menino, cabelos escuros e lisos, olhos claros, um azul tão bonito que me hipnotizava. Lindo!
Atrás de mim, uma menina, ela parecia ser bem extrovertida.
— Oi, prazer Júlia! Amo loiros! — Disse a menina em um tom eufórico.
— Oi, sou Guilherme, prazer. — Respondi, desanimado.
Não sei como diabos ela tinha tanta disposição às 7 e pouco da manhã. Ah, e para quem não sabe, sou loiro, olhos escuros, 1 metro e 80.
E a primeira das cinco aulas do dia foi somente a chegada dos alunos. Deu o sinal para a segunda aula. A professora pega seu material e vai embora. Logo em seguida já chega outra professora, de Sociologia. Ela era legal. Ela também tinha uma lista de alunos, e disse que iria fazer a chamada para confirmar quem estava presente. Fiquei atento nessa hora, para poder saber o nome do menino da frente. E a professora começa, já estava na letra M e nada de falar o nome do garoto...
Mas enfim, ela chegou nele... Pedro, e Goulart era seu sobrenome. Já anotei no meu caderno o nome dele, mais tarde pesquisaria nas redes sociais...
A aula acabou, e veio a terceira. Aula de química, um tédio, o professor só falava, e eu estava morrendo de sono... A aula acaba, e dá o sinal para o intervalo... 30 minutos para comer, beber água e ir ao banheiro, porém eu usava para dormir e desenhar. Quando deu o sinal, a sala se esvaziou praticamente inteira. Somente eu, o Pedro, e mais umas 3 pessoas ficamos lá. Tentei puxar assunto com o Pedro, além de bonito, ele parecia ser muito simpático.
— Você gosta de desenhos? — Perguntei para ele, que estava quase cochilando.
— Apesar de eu ser um péssimo desenhista, eu gosto sim! — Ele respondeu com voz de sono, porém animado.
Fiquei feliz de saber que tínhamos um gosto em comum. Mas uma coisa me chamou a atenção, e fiquei até um pouco sem reação. Reparei que ele usava uma aliança de namoro...
— Namora há quanto tempo? — Perguntei.
— 1 ano e 9 meses. — Ele respondeu.
— Que legal, ela deve ser muito sortuda. — Falei isso seguindo com uma risada um tanto sem graça.
— Com certeza — ele riu também.
Fiquei um tempo parado olhando para os olhos dele, e não sei se eu já disse, mas a boca dele é muito linda!
Ele também estava estático, até que a Júlia chega na sala, saltitando, comendo um pedaço de pão de queijo e fazendo com que caíssemos na real.
— Tá gostando da escola Gui? — Ela gritou.
Com esse Gui ela se referia a mim, e não sei de onde surgiu essa intimidade.
— É, é legal sim... E até que tem umas pessoas bonitas — disse isso, esperando que o Pedro entendesse a indireta... E acho que ele entendeu, quando eu disse aquilo, ele deu um sorriso e virou para frente.
Deu o sinal, todos voltaram para a sala, tivemos maia duas aulas e depois fomos embora...
Estava indo sozinho, quando ouço uma voz me chamando. Olho para trás, e quem era? Isso, o Pedro...
— Você faz esse caminho para ir pra casa? — Perguntei.
— Sim, moro na rua de cima da biblioteca. — Ele disse, ofegante por ter corrido um pouco para me alcançar.
— Sério? Moro do lado da biblioteca! — Fiquei surpreso, aliás, tinha um vizinho maravilhoso e não sabia disso.
— Você mora naquela casa que tem um cachorro branco no jardim? — Ele perguntou.
— Exatamente, ele é o Getúlio! — Respondi animado...
Getúlio era meu cachorro, vira lata, que ama a todos. Pedro riu, e continuamos caminhando.
O resto do dia não foi muito interessante, fiquei no meu quarto, joguei vídeo game, li um pouco e dormi...
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