Eternity
2 Sorvete
Terça-feira, meu celular desperta as 6:20, levanto da cama, tomo banho, arrumo meu material, tomo café e vou para escola. Chegando lá, vou para meu lugar. Júlia já estava lá, cantarolando, distraída olhando para a janela.
— Bom dia amiguinho! – Ela disse, animada, logo que eu me sentei.
— Bom dia! – Respondi com um sorriso no canto da boca.
A Júlia era bonitinha. Morena, olhos bem escuros, cabelo castanho bem ondulado com algumas mechas loiras, tinha 1 metro e 60 por aí. Mas quem me chamava atenção mesmo, era Pedro.
Falando em Pedro, logo em seguida, ele chegou. Um garoto misterioso, de um olhar maravilhoso. Ele sentou, me cumprimentou, e começou a pegar seu material. Do meio de um caderno, ele tira um desenho e me mostra. Era uma roseira, carregada de rosas vermelhas.
— Acho que estou melhorando. – Ele me disse, mostrando o desenho.
— Nossa, muito bonito! – Elogiei o desenho, que na verdade não estava tão bonito, mas não queria desapontar ele.
O professor chega na sala, todos ficam calados. Nesse dia a quantidade de alunos havia aumentado. Mais ou menos 27 no total. Só tinha gente feia! Poucos me chamavam atenção.
Duas aulas depois, tivemos o intervalo. Dessa vez não queria ficar na sala, queria conhecer a escola, que era até que grande. Ao lado da minha sala, tinha uma área aberta. Alguns alunos ficavam lá, principalmente os de humanas. Levantei da minha cadeira, passei pela do Pedro, e ele interrompe meus passos.
— Onde você vai? – Pedro pergunta, em tom de curiosidade.
— Vou ali do lado, achei um lugar bom para relaxar, apesar de só ter 20 minutos agora. – Falei apontando para o lado de fora. – Quer ir? – Concluí.
— Vamos, deve ser legal. – Ele disse, já em pé.
Fomos para lá, sentamos em baixo de uma árvore, e ficamos observando as pessoas. Peguei um cigarro, não sabia se era permitido, mas ali ninguém me veria fumando.
— Você fuma? – Perguntou Pedro, um pouco assustado.
— Sim, e você? – Respondi naturalmente, já com o cigarro na boca.
— Não.
Traguei algumas vezes, ele ficava me olhando.
— Quer? Eu te ensino.
Ele balançou a cabeça dizendo que não.
Deu o sinal para voltar para sala, terminei de fumar e voltamos.
Depois disso, tivemos mais duas aulas, uma vaga, outra de Geografia. Nada de especial aconteceu...
Cheguei em casa, almocei e fui deitar, não tinha nada para fazer. Cochilei por alguns minutos.
Levantei, fui para o computador, entrei no meu Facebook, e lembrei que ainda não tinha procurado o perfil do Pedro. “Pedro Goulart”, digitei na barra de pesquisa. Ele foi o primeiro que apareceu, inconfundivelmente loiro dos olhos azuis. Mandei uma solicitação de amizade, que foi aceita logo em seguida. Esperei por alguns minutos para ver se ele me chama no bate-papo, mas nada, então fui jogar...
Recebo uma notificação no celular. “Nova mensagem de Pedro”. Meu coração dispara, abro e leio “Oi”. Daí começa um diálogo.
Eu: Oi.
Pedro: Tudo bem?
E: Sim e você?
P: Sim. Tá ocupado?
E: Não...
P: Vamos tomar sorvete?
E: Vamos. Quando?
P: Agora. Pode ser?
E: Pode. Te espero em frente a biblioteca.
P: Ok, até mais.
Antes de sair, dei uma fuçada no perfil dele. Escorpiano. Fala inglês fluente. Não achei nada sobre a namorada dele...
Depois de fuçar, fui esperar ele. Não deu 5 minutos e ele chegou. Esperava que a namorada dele fosse junto com a gente, mas não.
— Ué, cadê sua namorada? – Perguntei.
— Não chamei ela... – Ele disse em tom natural.
Não sei porque ele chamou ela, mas não questionei, apenas seguimos para a sorveteria.
Chegamos lá, tinha pouca gente, sentamos, fizemos nossos pedidos e começamos a conversar.
— Desculpa a pergunta, mas... Você tem amigos? – Pedro pergunta com um sorrisinho sem graça.
— Não sou muito de amigos, os que eu tinha, ficaram na minha antiga cidade... Agora acho que só tenho você, e a Júlia. – Eu respondi, mesmo sem saber se realmente éramos amigos. – E você, tem?
— Também não sou muito de amigos. Acho que só o Gustavo – vizinho dele –, o Tiago – um menino de outra escola –, e você. – Ele respondeu. Fiquei aliviado sem saber que ele me considera um amigo dele.
Terminamos nossos sorvetes, e fomos embora. Quando estávamos chegando na minha casa, eu convidei ele para jogar vídeo game, ele aceitou. Fomos para meu quarto jogar. A casa ainda estava um pouco bagunçada por causa da mudança.
Era um dia de calor, e como de costume, tirei a camiseta. Pedro ficou me olhando por alguns segundos.
— Fique à vontade. Mi casa, su casa.
Começamos a jogar, ficamos umas 3 horas seguidas jogando e bebendo Coca-Cola. Me cansei, e me joguei na cama. Ele estava sentado na beira, me olhando. Ele foi chegando perto, colocou a mão da minha perna. Não reagi, eu estava gostando. Ele foi chegando mais perto, já estava quase deitando do meu lado. Nesse momento eu comecei a passar a mão nos braços dele, que já estavam colados em mim. Quando estávamos prestes a beijar, paramos. Ele levantou rápido, me pedindo desculpas.
— Tudo bem, tudo bem, eu que me desculpo. – Eu respondi, calmo enquanto ele saía do meu quarto.
Fiquei deitado por alguns minutos pensando no que havia acontecido. Depois disso, fui tomar banho. Enquanto isso, minha mãe chega.
— Gui, cheguei. Vou fazer a janta. Desliga esse chuveiro! – Ela gritou.
Terminei de tomar banho, fui jantar. Escovei os dentes e fui dormir.
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