Estórias de Colégio

6 Capítulo 6 - Perfeição


Ela cintilava, mesmo sem sol. As duas rodas com um aro tão brilhante e tão... Indescritível! Sem falar no resto da moto, numa oposição perfeita entre o prata cromado e o preto. As gotas de chuva fizeram um efeito mais bonito ainda. Ele não se cansa de tanta perfeição? Eu não sei. Só sei que agora, eu estava em estado de choque. Foi um dia muito agitado pra mim! Descobri que o garoto que eu até meia hora odiava, era na verdade um... Mutante! Um ser diferente de todos! Seu rosto, seus olhos, sua moto... Ele não devia ser desse planeta!
Sua mão então soltara a minha e ele voltou sua atenção para a moto. Graças a Deus, eu ainda tinha algum controle exterior e consegui recolher a mão e escondê-la nas costas junto da outra mão, num aperto que nem de longe era igual ao dele. Ele tirou um paninho da moto, se agachou e começou a enxugá-la, num carinho tão delicado... Como ele pode ser tão delicado?!?!?
Percebi que eu estava a muito tempo parada, fora do mundo real, perdida em pensamentos. Para tentar me recompor eu encostei no carro que estava vizinho a moto e formulei uma pergunta. Ela soou idiota, mas foi o melhor que pensei naquela hora.
- Você... dirige uma moto? — Fiz uma voz espantada.
- Ele se virou e me fitou. Ou melhor, eu acho que me fitou, já que os óculos não me davam essa certeza. Ele riu. Um sorriso de canto de boca.
- Aham! — Foi o que ele respondeu, continuando a sorrir, só que o sorriso agora tornara-se maior. Eu derreti!
- Mas... Você não tem idade! — A voz sufocada pelo sorriso, me entregando totalmente. Senti o sangue correr nas minhas bochechas. Tentei disfarçar. Uma tentativa inútil.
- Uma identidade falsa e meu porte físico ajudam nisso! — Ele se levantou e apontou para si próprio — Você acha realmente que eu aparento ter 16 anos?
Eu me segurei no carro. Sua estatura era de um rapaz de 20 anos! Para não me entregar de novo, me limitei a sacudir a cabeça negativamente.
Ele guardou o paninho na moto e pegou o capacete. Ele levou a mão ao óculos. Eu me segurei mais ainda no carro, mas agora, eu tinha um desejo incomum de fitar seus olhos. Eu era atraída como um ímã para olhá-los novamente. Ele removeu os óculos. Meu ecstasy foi envolvido por decepção. Ele estava de olhos fechados. Colocou o capacete e guardou o óculos.
Ele pegou a moto e a conduziu de ré, fazendo a manobra. Ele também era muito forte! Eu continuei na minha posição de antes, me segurando no carro. Ele montou na moto e, antes de dar a partida, olhou em minha direção. Uma outra pontada de decepção me dominou. Seu rosto agora todo coberto não me deixava ver nada. Descobri naquele instante que eu adorava o óculos!
- Se cuida viu? — Sua voz era um pouco abafada pelo capacete, mas continuava linda!
- Claro! — Eu não podia dizer o mesmo da minha.
- Ah, suba direto pra casa viu? Seus olhos estão dizendo que você vai ficar nesse carro por muito tempo. — Agora eu tinha certeza que ele estava rindo!
- Ah é? Até que horas eu vou ficar?
- Hum... Até a hora que o dono do carro chegar!
- Ha. Ha. Ha. Muito engraçado!
Ele balançou a cabeça e olhou o painel.
Deu a partida na moto e um ronco um pouco forte me envolveu. Ele olhou em minha direção e deu um tchauzinho com a mão. Eu respondi, permanecendo junto ao carro, até que este foi balançado. Olhei pelo vidro e vi o dono me encarando com uma cara de poucos amigos Me afastei mantendo a visão no monumento preto e andando abestalhadamente em sua direção. A moto roncou mais forte e eu tinha mais certeza ainda que ele estava rindo! Ele balançou a cabeça e foi saindo com a moto. Eu o segui até onde minha visão alcançou. Subi o elevador e entrei em casa.
- Poly, você estava aonde? Que demora é essa? — Jussara estava realmente preocupada. Minha vó também fazia eco a sua preocupação. Ela estava agradecendo a Deus por eu estar bem e estar em casa. Ela sempre fazia isso quando eu ou qualquer pessoa saia e não chegava no horário.
- Hã? — Enquanto Jussara estava preocupada, eu estava aérea!
- Poly, se está bem?
-Estou... Eu só estou meio aérea... Acho que é a fome.

-Uhm... Seu prato está no microondas. É só esquentar.

- Tá certo.

Fui esquentar meu prato enquanto Jussara conversava sobre a novela do vale a pena ver de novo com minha vó. O feijão e arroz de sempre estava delicioso. Depois fui tomar banho e aproveitei minha tarde pra resolver algumas atividades do colégio. Veio a noite e eu fui dormir cedo. Fiquei um tempo pensando nele. Pensando naqueles olhos perfeitos... Pensando na sua história de vida. Percebi que estava pensando demais e resolvi então que era hora de dormir. Eu odiava acordar cedo, portanto, era melhor não me perder muito em pensamentos e deixar minha cabeça livre de qualquer coisa. Dormi como uma criança.

Notas finais
comentem por favor