Estórias de Colégio

7 Capítulo 7 - "Bom" dia


O som Coldplay invadiu o quarto com a música clocks. Esse era o meu despertador, mas que não surtiu muito efeito. Tomei meu celular nas mãos e coloquei na posição soneca. Eu não estava a fim de levantar. Enterrei a cara no travesseiro e voltei a dormir. Os 10 minutos passaram como 10 segundos. Resolvi estender mais um pouquinho e coloquei novamente na função soneca. Os 10 minutos passaram mais rápidos ainda. Como agora não tinha mais escapatória, já que faltam 10 minutos pras 6 horas da manhã, resolvi levantar de vez e tomar meu banho de uma vez por todas. Quando sai do banho eram 6:08. Arrumei o cabelo de qualquer jeito, passando o pente rapidamente e enchendo de creme. Deu para ajeitar um pouco. Tomei um Nescau e comi umas bolachas de sal, só para tapear o estômago, já que a única coisa que me saciaria a alma seria minha cama. Sai de casa parecendo um Zumbi, com a cara inchada e os olhos caídos. Andei lentamente até o ponto e peguei o ônibus. O Campo Grande estava vazio, mas encheu no caminho, chegando ao ponto de ficar insuportável para se transitar pelo corredor. Sair do ônibus era pior do que um parto normal. Finalmente sai do inferno que era o ônibus e esperei a sinaleira fechar para que eu pudesse atravessar e entrar no colégio. Finalmente o sinal fechou e eu pude atravessar em segurança, já que todos os carros estavam parados. Eu estava com meus fones e por isso demorei a perceber a insistente buzina de uma moto que estava a minha esquerda. Átila acenou pra mim e eu respondi o gesto. Terminei de atravessar e voltei o olhar para ele. Sua cabeça estava virada em minha direção, mas novamente, o capacete não me dava certeza se ele só virara a cabeça por virar ou não. Enfim o sinal abriu. Ele seguiu e fez o retorno. Provavelmente estava indo estacionar a moto no estacionamento da Orla.

Finalmente entrei no colégio e me dirigi para a sala. Apesar de não existir mapeamento na sala, nós costumávamos guardar os lugares. Logo, minha cadeira na frente já estava garantida por Laíse, que nunca se esquecia de guardar alguns lugares como o meu ou o de Carol. A sala estava relativamente vazia, deviam ter umas 10 pessoas na sala. Não vi a hora em que Átila entrou na sala, mas percebi quando ele sentou-se na cadeira ao lado. Olhei para ele e ele me envolveu com um sorriso lindo.

- Bom dia! – Sua voz de sino ecoou pela sala

- Bom dia... – Tentei esboçar um bom sorriso de volta. Ele continuou virado para mim como se estivesse fitando meus olhos. Aproximei-me dele e tentei falar o mais baixo possível.

- Fazendo previsões?

Ele acenou positivamente, com um sorriso de canto de boca.

-Você é muito trapaceiro!

- A graça é essa – Ele deu de ombros

- Ai é que perde a graça... Onde fica o mistério de não saber o que o outro está pensando ou sentindo... sei lá! Esse seu dom é uma invasão de privacidade!

Ele arqueou as sobrancelhas. Eu não fui grosseira, pelo menos não era pra ser. Mas de qualquer jeito, ele se afastou, pegou seu caderno e ficou desenhando.

- Opa, desculpa, eu não quis ser grosseira...

Sua cabeça se virou um pouco.

- Tudo bem... Foi bom você falar isso... Eu não me ofendi... É que as vezes eu extrapolo mesmo. – Ele “olhou” para os lados para ver se estava sendo notado por alguém e falou num tom mais baixo.

- As únicas pessoas que me deixam fazer isso são meus parentes e com eles eu não tenho muitos limites, já que eles me conhecem a tanto tempo... É difícil lembrar que só a poucos dias estamos mais próximos... Parece que já nos conhecemos a mais tempo...

- Parece ou você sabe que isso vai acontecer?

-hã?

- Tipo, só aparentemente ou você já viu que isso vai acontecer?

Ele riu...

- Isso vai acontecer.

Eu arqueei a sobrancelha e ele franziu as dele. Eu me inclinei para o lado e ele fez o mesmo.

- O que...? – Ele tentou começar uma pergunta, mas eu o interrompi, fechando meus olhos

- Você não é o único que pode trapacear.

- Imaginando outros futuros?

- Aham...

- Você é má! E me deu um susto!

- Eu não disse que estava fingindo... – Eu estava sorrindo, mas não escutei nenhuma resposta. Abri meus olhos e de repente ele não estava mais lá. Nem sua mochila. Levantei-me para procurá-lo, mas nada vi.

- Bom dia! – Mirela chegou e colocou sua mochila onde antes Átila estava.

- Bom dia... – Disse sem emoção.

Mirela foi falar com o resto do pessoal (coisa que eu não fiz desde que eu cheguei). Resolvi acompanhá-la

- Bom dia Lay! – Ela abriu os braços e me deu um abraço caloroso.

- Bom dia Carol, Ramys...

- Bom dia!

- Que diálogo de doido foi aquele com o novato? – Por que Ramiro tinha que lembrar dele?

- Que diálogo de doido Ramis?

- Esse mesmo que você teve!

- Doido é você! – Fiz uma careta e comecei a rir. Ficamos conversando até que Tânia, a professora de biologia, entrou na sala. Fui para o meu lugar. Varri a sala com o olhar e encontrei Átila na última cadeira da sala, próximo à porta. Ele mantinha a cabeça baixa e rabiscava o caderno. Não tinha como ele estar olhando para outro lugar que não fosse o caderno. Senti-me péssima. Virei pra frente e peguei meu caderno. A aula estava começando.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.