Estórias de Colégio
3 Capítulo 3 - Visita inesperada
Agora, eu estava na pior sinuca de bico da minha vida. Ninguém entendia minha raiva por ele. Ninguém entendia porque quando ele sentava ao meu lado, eu me retorcia como se estivesse sendo torturada. Todos percebiam e, lógico, me fuzilavam com perguntas em seu olhos. Perguntas que eu não tinha nem um pouco de vontade de escutar, muito menos de responder.
Agora, indo pra casa, eu estava mais calma. Mas ainda assim... Aqueles olhos ainda fulminavam minha mente, apesar de que, eu não vi seus olhos e sim meu futuro. Como eram seus olhos? Não entendi a curiosidade em meu pensamento, mas era curioso. Tanto tempo olhando para ele e eu não enxerguei nenhum olho! Isso estava me consumindo demais. Eu precisava de terapia! Estava me sentindo tão só! Sair do colégio sem Isa foi um erro tremendo! Eu preferia vir com ela, enfrentando mil perguntas do que sozinha, mas não estava nem um pouco a fim de segurar vela e eu queria chegar rápido em casa, afinal, quando ela e Lucas se juntam, ajam beijos e aja espera até o \"ônibus ideal\". Eu estava impaciente e não queria chegar tarde em casa. Um milagre! Desci do ônibus num ponto antes do que eu sempre desço. Nem sei por que, mas, lá estava eu atravessando a rua e adentrando o portãozinho preto. Passei pelos carros. Uma garoazinha fina de inverno lavando minha alma. Eu estava com a sombrinha na bolsa, mas não estava afim de usá-la. Também não sei por quê! Eu preciso de terapia!Agora, as gotas estavam aumentando e, como estava já próximo do prédio, resolvi não pegar a sombrinha. Caminhei apressadamente pelo passeio. Cabeça baixa, os olhos semi-cerados, os braços fechados num abraço solitário. Quando cheguei no prédio, onde as gotas não me encontravam mais, levantei a cabeça e abri bem os olhos. Eu não devia ter feito isso. Definitivamente não.Ele estava lá, encostado na parede, em pé, com seus óculos escuros impenetrantes. Braços cruzandos em um abraço solitário também. Um pé cruzado. Uma imagem... Deslumbrante. Como ele era bonito! Eu não me mexi. Nem ele. Acho que ficamos parados por mais de meio minuto. Até que ele se mecheu e eu, fiquei parada, em estado de choque. Ele veio em minha direção. Ai meu Deus! Eu quis andar para trás, mas novamente fui traída pelas minhas pernas petrificadas. Ele pegou em minha mão e disse:- Venha, por favor!Ele estava me puxando e eu, milagrosamente, me movimentando. Quem ele pensa que é? O que ele está fazendo? Voltei para a chuva. Dessa vez acompanhada. Como queria minha sombrinha! Mas agora, olhando por outro lado, percebi que seu cabelo, levemente molhado, cintilava através das gotículas da chuva. Os fios revoltos num penteado único provocavam estranhos desenhos. Uma jaqueta preta, estampada com um desenho de um arranhão de algum animal, me fazia delirar. A gola, se unindo com alguns fios, deixavam às vezes seu pescoço a mostra. Era uma visão tão... Simétrica!Fomos para o banco molhado do meu condomínio, abaixo de uma árvore. Isso estava tirando da minha cabeça toda a raiva que eu havia acumulada dele. Lutei contra a visão da sua perfeição e tentei focar no que eu estava guardando dele. Ele me guiou e me colocou sentada no banco.- Espero que tenha uma boa razão para me colocar sentada num banco molhado e não me deixar ir pra casa.- Precisava ver seus olhos.- Já viu. Posso ir? — A aspereza na minha voz estava me surpreendendo. Como ele ainda não tinha se tocado e me deixado ir?- Não. Eu ainda estou lendo elesLendo olhos?- Você é maluco?- Não! Mas seus olhos são a passagem que eu tenho para sua mente!-Ah tá! Lógico. E os seus são a passagem para o meu inferno! Vem cá... de tantas pessoas pra você esbarrar, por que justo comigo em? Porque EU tinha que ver o futuro? Porque EU??- Também não sei.Ele estava me dando raiva! Porque eu me contorcia toda sentada no banco e ele permanecia imóvel, como uma estátua, apenas movendo os lábios? Ele era irritante!- Olha, eu não disse nada a ninguém sobre você se é isso que lhe preocupa ta bom? Agora posso ir?- Não- Garoto como você é irritante! — Eu agora berrava!- Calma!- Calma? Eu estou calmíssima! Porque eu estaria estressada? Eu apenas vi meus amigos sofrerem junto comigo de alguma coisa e depois tudo ficar negro como se estivesse acabado o futuro. POR QUE EU ESTARIA ESTRESSADA???Agora ele estava mudando a posição. Ele agora apoiava um pé no banco onde eu estava sentada e inclinava o corpo para mais perto.- Olha... — Ele começou num tom muito sereno. — Eu sei que é difícil. Eu não queria te envolver nisso. Eu juro. Mas agora que você está aqui, eu não tenho outra opção a não ser dizer a verdade...Eu agora estava me interessando...- Você vai dizer a verdade?- Vou! Eu vi nos seus olhos que você está determinada a descobri de qualquer jeito mesmo! — Ele deu de ombros.- Ainda bem que você sabe! — Também dei de ombros.- tudo bem! — Disse ele — Vamos começar!
Notas finais
comentar deixa a autora feliz e vc ganha exp! Pense nisso
Fale com o autor