Estórias de Colégio
4 Capítulo 4 - Explicações
Parado a alguns centímetros de mim, ele parecia fitar meus olhos (aqueles óculos irritantes não me deixavam ter certeza disso).
- Oh, isso é meio complicado de entender- Sou toda ouvidos! — Minha cara de sarcasmo estava me irritando.Ele deu risada do meu péssimo teatro, o que me deixou muito constrangida e corada. Queria enfiar minha cara num buraco bem fundo agora.- Olha, presta atenção tá?- Anda logo! — Agora era a curiosidade de berrava em mim.- Está bem... — Ele rio mais uma vez pelo canto da boca. Um sorriso perfeito e finalmente começou a falar.- Sabe, eu nasci com esse dom.- Sério?!?!- Aham. Eu nasci no interior do Rio Grande do Sul e foi lá que minha novena começou.- E cadê seu sotaque tchê?Ele fez uma cara de repulsa e naquele momento eu daria tudo pra ver seus olhos.- Continuando... — Eu agora sorria. Nada comparado ao sorriso dele, mas... acho que dava pro gasto.- Eu nasci de parto normal e, o médico que fez meu parto foi o primeiro a ter as visões. Quando ele olhou nos meus olhos, ele viu alguma coisa de ruim que o fez querer arrancar meus olhos.- Meu Deus!- Mas meu pai estava assistindo o parto e percebeu que tinha alguma coisa estranha com o médico, pois ele ficou me fitando por um longo tempo e depois disse que precisava me cegar. Meu pai rapidamente o impediu e me tirou de seus braços. Ele olhou em meus olhos e teve sua visão. Ele ficou abismado porque viu no futuro que eu andaria o tempo todo de óculos e nos viu viajando. E foi isso que aconteceu. Nós vivemos em constante nomadismo. Quando eu era criança era pior, pois criança não tem muito cuidado com os óculos, nem com nada que possa expor seus olhos. Elas só querem brincar.Agora, ele se curvava mais ainda. Eu sentia que agora, ele se confessava comigo e agora, toda a raiva que eu havia acumulado dele se dissipara.- E em toda minha vida, eu já morei por todo esse Brasil. Em mil lugares diferentes. E, logo agora, depois que eu consegui me estabelecer aqui em Salvador, na primeira semana, eu deixo você ver meus olhos! Você não tem idéia de o quão difícil é viver se mudando!Uma longa pausa soou entre nós. A única coisa que consegui dizer foi:- Nossa...- Agora você entende porque eu queria tanto que você não comentasse, que eu dei uma de insuportável, chato e todos adjetivos que você me atribuiu? Eu abaixei a cabeça. Agora eu realmente queria enfiá-la num buraco.- Entendo.- Eu só queria ter certeza de que você não iria comentar nada com ninguém. Por isso fiquei por perto. E toda vez que tentava me aproximar, você fugia... Oh, eu sou uma aberração, mas não sou mal! Só vejo o futuro... Tentei conversar mais para não transparecer meu sentimento de culpa.- Agora, em relação ao futuro... Você vê qualquer futuro?- Como assim?- Tipo... Você vê o futuro que está mais perto, mais óbvio, o futuro que realmente vai acontecer...- Hum... Não sei... Isso varia um pouco...Novamente ficamos em silêncio. E então eu tomei a iniciativa. Elevei minhas mãos e toquei seu óculos. Ele abriu a boca mais nada disse. Senti um tremor percorrer seu corpo. Ele estava assustado. Tomei coragem. Antes, fiz uma pergunta idiota.- Eu consigo ver seus olhos?Ele riu por entre o nervosismo. E eu percebi que isso estava além dos seus princípios, mas, mesmo assim, não desisti do que eu queria fazer.- Depois das visões, você consegue sim ver meus olhos.- Ótimo.
Notas finais
comentar aumenta muito a auto-estima da autora!
Prometo que se deixar um comentário, visito a sua história e deixo um comentário tbm!
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